Hardball
6 Capítulo 06
Capitulo 06 – \"Ela é a garota que todo garoto queria, e que toda garota queria ser.\"Acordei com uma dor de cabeça que não pertencia ao meu corpo. Tateei a cama e senti um enorme alivio quando senti alguém devidamente no seu lugar.Esfreguei meus olhos e bocejei alto. Me sentei na beirada da cama, calçando meus chinelos. Arrastei meu corpo mole até a minha bolsa, precisava urgentemente procurar algum remédio para essa dor de cabeça que estava prestes a me matar. Peguei o comprimido de Tylenol e uma troca de roupa. Banho, higiene e um bom remédio seriam suficientes para me fazer esquecer um pouco de algumas burradas que fiz na noite anterior. Me sentei novamente na beirada da cama, abaixei a cabeça até meus joelhos, colocando as mãos em meus cabelos. Suspirei alto devido a dor. Fechei meus olhos e tombei o corpo, deixando que eu entrasse novamente em contato com a cama.
Olhei para o lado, e então me dei conta de toda a situação.Gabi dormia tranqüilamente. Ela não estava com o shorts do pijama, devido ao calor. Sua calcinha comportada, deixava os glúteos dela totalmente definidos. A sua blusa também estava bem erguida, deixando as costas quase inteiramente a mostra.Suspirei alto. Não imagino que se passa na cabeça da Fletcher.Me virei ao lado contrário, e antes que pudesse novamente fechar os olhos e tentar descansar, notei o vestido da noite anterior jogado no canto do quarto. Provavelmente ela teria dormido justamente do jeito que chegou. Suja, maquiada, e quem sabe, sem roupa. Num pulo me sentei na cama. Prefiro não pensar nessa ultima hipótese. Não. Sem roupa, não.Sem nem ao menos pegar um copo d’água, abri o comprimido e coloquei-o na boca, eu precisava dormir, já estava a ponto de delírio, devido à dor de cabeça.-Danny, acorda, Danny.Foram as únicas palavras que ouvia no meu sonho distante. Abri meus olhos, dando de cara com uma gabi sentada na beirada da cama, com um pano úmido em suas mãos.Seu rosto estava sério, porém com um ar preocupado.Ao abrir os olhos devagar, a luz do sol ardia meus olhos e fazia aquela dor de cabeça voltar. Gemi alto, colocando uma das mãos na cabeça.- Danny. Calma. Gabi me ajeitou no travesseiro e puxou uma das cortinas da parede atrás da cama, aliviando um pouco a claridade incessante que fazia minha cabeça latejar de dor.Aos poucos, ela ia molhando o pano numa bacia com água morna, e colocava na minha cabeça.- O que você aprontou ontem, bonitinho?Ela mantinha o bom humor. Quando tentava me levantar, empurrava novamente meu corpo contra a cama, exibindo total controle sobre mim.- Eu não sei, Gabi – Sussurrei. – Mas, ...Fui interrompido com o dedo indicador dela sobre meus lábios. Era um sinal para que eu não disesse o que ela não queria ouvir.- Mas não precisa me falar. Melhor.Ela então se ajoelhou na cama, e foi indo para trás, até seus pés alcançarem o chão, do outro lado. Calçou seus chinelos e seguiu em direção ao banheiro.Ela ainda não havia trocado de roupa. Estava da mesma forma que deduzi mais cedo. Exatamente da mesma forma, pois seus olhos estavam puro borrão da maquiagem.Senti minha garganta seca, que chegava a arder. Sussurrei o nome de Gabriela, quando ela saiu do banheiro.- Danny, você ta com febre. Por favor, fica quieto.Sorri fraco, recebendo outro sorriso em troca.Relaxei meu corpo na cama, e logo Gabriela se sentou sobre os joelhos, ao meu lado, da mesma forma que antes. Sua expressão era séria, seus olhos piscavam nervosos. Suspirei alto e ela então começou a passar a ponta dos dedos pelo meu rosto, causando arrepios e um extremo conforto.- Eu posso falar sem ser interrompido? – Sussurrei, pegando seu dedo e dando um beijo leve na ponta, recebendo uma risada de canto.- Pode. – Gabi afirmou com a cabeça, e novamente voltou a acariciar meu rosto.- Foi um descuido. Aliás, um duplo descuido. – Suspirei – Adam havia me falado da sua amiga, no dia do conselho. E eu não pensei que você tivesse falando sério quando me chamou. – Gabi subiu suas mãos para a minha cabeça e seus dedos se entrelaçavam em meus cabelos. - Você é um idiota, sabia? Caiu numa aposta esculaxada. – Ela ria de uma forma meiga, e minha cara foi a pior que ela já poderia ter visto.- Aposta? – Sussurrei- Olívia queria ficar com você. Então nós, do time, apostamos que se ela saísse com você, eu sairia com o Adam. – Ela gargalhou e se deitou ao meu lado, apoiando a cabeça no meu travesseiro, deixando nossos rostos próximos.- E você gosta do Adam, Gabi? – Virei um pouco o corpo, ficando de frente pra ela.- Eu? – Ela sorriu fraco, e virou o olhar. Suspirou algumas vezes e só respondeu quando insisti. – Eu gosto. Ele é muito bonitinho.- Bonitinho. — Bufei, peguei Gabriela pela cintura e virei de frente para mim.Gabi me encarava com aqueles dois olhos de mel arregalados, que me fazia tremer inteiro. Sua boca mantinha uma linha reta e fina, digna de quem escondia um sorriso.- O que foi, Danny Jones? Antes que ela pudesse me dizer qualquer outra coisa, pus minhas mãos nos seus cabelos da nuca e a puxei pra mais perto. Esfreguei nossos narizes, dando um beijo na ponta do dela. Ela riu e mordeu a minha bochecha.
Acariciei a sua bochecha com as costas de uma das minhas mãos, e dei um selinho demorado em seus lábios. Ela fechou os olhos e sussurrou meu nome baixo. Grudou seus lábios nos meus e me beijou.Os lábios da Fletcher passeavam pelos meus parecendo um floquinho de algodão doce, lábios bacios e levemente adoçados, provavelmente por aquele gloss que ela insistia em passar. Não me importei. Abri a boca dando passagem para um beijo mais profundo. Sua língua procurava devagar pela minha. Prendi sua língua em meus dentes e sorri. Ergui um pouco o meu tronco, passando os braços em torno do corpo de Gabriela e aprofundamos em um beijo calmo.Nossas línguas se encontravam em um ritmo inigualável, e pela primeira vez, sentia choquinhos ouriçando os pêlos do meu braço, me causando uma sensação a qual nunca havia sentido igual. Aos poucos, Gabi foi parando o beijo, dando selinhos e mordidas em meus lábios.Com os lábios e narizes encostados, só sentíamos a respiração quente do outro bater em nosso rosto.Gabi se separou, ficando na mesma posição que antes, ajoelhada ao meu lado.- Acho que sua febre passou, Jones. Amor reprimido mata. Sabia? – Ela sorriu engraçada, pegou seu uniforme na cadeira e correu para o banheiro.Ainda com dor de cabeça, puxei o edredom, me cobrindo por completo. Esperei a pirralha sair do banheiro, e quando saiu, me deu a ótima noticia de que enquanto eu dormia, o médico da delegação fez o favor de vir me visitar, e melhor ainda, deu alta para o treino de hoje.Sorri maroto. Quando Gabi se aproximou para me dar tchau, a puxei, selando novamente nossos lábios em um beijo demorado.- Safado. – Gabi me deu um tapa no ombro. Gemi de brincadeira e ela saiu. Mas antes que a porta fosse fechada, recebi um beijo jogado no ar. Sorri, me virei para o lado e peguei no sono. Ou pelo menos eu tentei.Suada, suja, com a franja colada na testa e o uniforme preto. Foi assim que Gabriela apareceu no quarto no fim do mais tedioso dia de todos. Um sorriso cínico, a maquiagem borrada e os óculos pendurados na camisa.Me olhou jogado na cama e nada disse. Atirou as chuteiras presas pelos cadarços em qualquer canto e foi para o banheiro.Berrou alguma coisa, ligou o chuveiro e desligou-o logo em seguida. Balbuciando, saiu do banheiro e foi até a sua mochila. E eu ali, sentado na cama, só observando tamanha a ira de Gabriela, e ela nem um oi me deu desde quando entrou por aquela porta. Pigarreei, grunhi algo e nada dela nem olhar para a minha cara.Pegou uma bolsinha menor, uma roupa limpa da mochila e voltou para o banheiro.Escutei novamente o chuveiro ser ligado, mas demorou um pouco para que eu escutasse a água parar de bater diretamente no chão. Imagino que Gabi seja uma dessas chatinhas que ligam o chuveiro e então deixam a água cair enquanto tiram a roupa, exibem-se para o espelho e sei lá mais o que.Bufei, apoiando meus braços no colchão, arqueando um pouco as costas, encostando-a na cabeceira da cama.Passei os olhos por todo o cômodo, prestando atenção em todos os detalhes da pseudo-decoração do mesmo.No chão, atrás da poltrona, as mochilas minhas e de Gabriela, que por sinal estava aberta e com alguns objetos espalhados pelo chão.Sem pensar em conseqüências, pulei rapidamente da cama, indo até um caderninho que estava embaixo da bolsa. Pensei um pouco. Fiquei parado alguns instantes, apenas olhando para o banheiro, pensando talvez se ela demoraria mais.Balancei a cabeça negativamente. Me sentei na poltroninha, folheei as páginas do caderno, que só agora descobri que era na verdade, o diário da Gabi.Abri o diário, parando na primeira página que eu vi. Exitei em começar a ler, afinal, se conheço bem essas meninas, coisas boas não tem aqui. Mas que se foda, eu lerei sim.18 de Abril de 2009You never know what you want. And you never say what you mean. But I start to go insane.Everytime that you look at me. You only hear half of what I say. And you\'re always showing up too lateAnd I know that I should say goodbye. But it\'s no use. Can\'t be with or without youDJ s2Sem entender, folheei mais algumas páginas, as quais só possuíam algumas fotos. Uma em especial me chamou a atenção. Foi na festa da Fletcher, e por incrível que pareça, ela está no meu colo.Sorri de canto e procurei algo mais revelador.14 de Maio de 2009Hoje teve treino normal, mas um fato engraçado aconteceu um pouco antes do intervalo.Desci na diretoria para pegar algumas xérox pro prof. Allan, e Danny Jones estava desmaiado no sofá da anti-sala. Eu ri com a cena. Maldade, eu sei. Mas ele estava fofinho. Mais branco que o normal e sua franja estava colada na testa. Ai cara, preciso parar de rir da desgraça alheia. E depois, na educação física, descemos juntos. Ele me abraçou. Precisei dar um jeito pra não rir e passar mal. Acho que consegui. Ufa. Um ponto pra mim...Viagem depois de amanhã. To nervosa.... DannyMinha boca se abriu involuntariamente ao ler cada trecho dessas duas pequenas anotações no diário da Gabi. A nossa foto. Talvez ter aberto isso fosse a pior besteira que eu já havia cometido. Pelo menos agora eu tenho noção de que eu sou um completo idiota.O chuveiro se desligou e num pulo joguei o diário no chão e me deitei novamente na cama. Fechei os olhos e me cobri por inteiro. Eu precisava passar a sensação de estar dormindo. Gabi não poderia jamais sonhar que eu mexi na sua agenda.A porta do banheiro abriu. Ouvi os passos da Fletcher indo pra lá e pra cá algumas vezes, até que ela apagou a luz e se deitou ao meu lado.- Gostou do que leu, Jones? A voz ríspida e cruel da Fletcher sussurrada próxima a mim, me fez tremer por inteiro. Senti até os pêlos da minha nuca se arrepiaram somente com uma pergunta idiota. Pensei em algo, mas achei melhor não dizer. Com o mesmo tom de voz dela, respondi prontamente.- Nem um pouco, Fletcher.- Acho bom. Assim não vai ter do que se arrepender. Boa noite.Gabriela puxou o cobertor para si. Ajeitou seu travesseiro e se virou de costas pra mim. Os maus pensamentos atingiam minha mente e me faziam pensar insanidades. Nunca tive medo de nada e ninguém, mas a cada dia que passava, sentia essa criatura que está ao meu lado, a pessoa mais perigosa do mundo. Ela me causa sensações que mudam em um piscar de olhos. Preciso entender o que ela disse com suas palavras. Preciso me preparar para novas surpresas vindas da Fletcher.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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