Hardball
2 Capítulo 02
Capítulo 02 — \"O sorriso é a manifestação dos lábios, quando os olhos encontram o que o coração procura. Você já sorriu hoje?\"Fui tirado do meu sono de beleza na sala da diretoria assim que o sinal bateu, coisa que não deve ter demorado mais do que cinco minutos. Nem pra desmaiar direito eu presto. Poderia ter feito cena, enrolado a velha e passado o intervalo inteiro dormindo.Cabulei duas aulas depois do intervalo no banheiro, eu realmente não estava passando muito bem, mas tinha que disfarçar, pois a próxima aula seria na quadra. Ouvi o sinal tocando, sai da cabine do banheiro. Parei de frente ao espelho e fiquei me observando. Nessas horas eu gostaria de ser garota. Uma boa maquiagem me devolveria a minha cor. Eu estava pálido.
Abri a torneira e enchi minhas duas mãos d’água, tacando no rosto e no cabelo, bagunçando-o como de costume.Sai do banheiro ainda meio molenga, desci até meu andar e fui pegar meus materiais no armário.Ouvia vozes, e sentia olhares sobre mim, mas que se dane. - Como você ta, melhor? – Aquela voz extremamente conhecida e debochada, a qual, sua dona estava parada do meu lado.- É. É. To legal, só não vou poder jogar agora.Peguei minhas chuteiras e joguei-as em meus ombros. Passei meus braços em volta dos ombros da Gabi e fomos andando até a quadra.- Você ta me achando com cara de bengala, Jones? – Ela ria em um tom mais alto, atraindo olhares pra cima de nós dois.- Não Gabi. Não estou. – Afastei nossos corpos, mas novamente ela me abraçou.- Você não deveria se importar com o que os outros pensam, Danny. – Ele me olhou de canto. – Todos sabem que eu não te suporto. – Ela riu mais debochada ainda.- Gabriela. Só não te jogo escada abaixo porque se eu me soltar de você, rolaremos juntos. Mas você que não perde por esperar.Ela ria alto, enquanto eu ainda me apoiava sobre seu corpo pequeno. Ela realmente estava parecendo uma bengala perto de mim. Mas eu nunca mandei ela ser tão pequena.Descemos as escadarias dos dois prédios até chegarmos ao ginásio. Me sentei nas arquibancadas cobertas e ela se sentou do meu lado. Ficamos conversando até o professor a chamar para o treino.Ela se levantou e desceu rapidamente para o vestiário. Entrou comportada e saiu completamente oposto. Aquele shorts deveria ser proibido ser usado por garotas de família.Aquela malha ficaria transparente e grudada no corpo assim que ela começasse a suar.Como sempre acontece. Os caras tem esse péssimo hábito de ficarem secando as menininhas quando os shorts começam a molhar. E na boa, até eu que não sou idiota, dou umas olhadinhas.O professor começou a dividir os times, e como era de se esperar, meninas x meninos. Isso não ia prestar, e por sorte (ou azar), hoje eu estava proibido de exercer a minha função, então apenas iria assistir ao duelo.Quando a bola começou a rolar pela quadra, logo percebi que coisa boa não iria acontecer. Hoje os meninos estavam com mais tpm do que as meninas. Uma violência sem limites. O professor percebeu o mesmo que eu, e antes que a coisa piorasse, ele decidiu parar o jogo.Dividiu os times em dois. Meninas jogando com meninas, e meninos jogando com meninos. Uma maneira mais correta para o momento.Sem que eu percebesse, estava prestando mais atenção no jogo das meninas do que de costume. E parei para analisar as jogadoras, e minha conclusão final foi de que a pirralha da Gabi era realmente a mais bonitinha da classe dela.O sinal tocou, então subi para o meu prédio. Provavelmente alguém teria ligado para minha mãe, e mais provável ainda é que ela me buscaria hoje. Não sou ninguém pra reclamar de bons agrados.O dia se estendeu. Passou feito uma tartaruga, e eu estava cheio de trabalhos para fazer. Mas levantar da minha cama, hoje, eu não vou.Minha mãe trouxe o jantar na cama. Comi, me enrolei no cobertor e não vi mais nada. Apaguei.
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