Hardball

1 Capítulo 01


Capítulo 01 — \"Não tente mudar por um amor. Deixe que ele mude você\".

O dia amanheceu mais claro que o normal. O sol fez questão de quase queimar meu rosto antes mesmo do relógio despertar. Puxei o meu travesseiro a fim de cobrir meu rosto, mas era em vão, pois meus braços também estavam quase torrando. Ironizei em meus pensamentos e bufei alto.

Esfreguei os olhos e soltei um longo bocejo. Me levantei tropeçando em algumas peças de roupas jogadas no chão e fui para o meu banheiro.

Ainda com os olhos semi-fechados, sentei no vaso para pensar na vida, esfreguei as duas mãos em meu rosto e fiz hora por ali. Me levantei, tirei minha boxer, jogando-a no chão, liguei o chuveiro em uma temperatura morna e entrei para o meu banho.

Hoje eu teria jogo no colégio, então, precisava estar despertado.

Enrolei algum tempo embaixo da água agradável, me ensaboei, lavei meus cabelos. Fechei o chuveiro, me enrolei na toalha e saí do banheiro.

O despertador do celular já tocava perdido em algum lugar no chão.

Enrolei mais um pouco, para não perder o costume e voltei a me arrumar. Pus o uniforme, calcei meus tênis. Arrumei a minha mochila e o uniforme de educação física, juntamente com a minha chuteira, uma toalha de rosto e uma garrafinha d’água dentro da bolsa de esportes.

Fui à frente do espelho e enrolei mais que o normal para deixar o meu cabelo arrumado. Arruma do é modo de dizer, porque como diz a minha mãe, ele era um verdadeiro ninho de rato.

Não tenho paciência para arrumar muito, e muito menos coragem de corta-lo, então, que fique de um jeito razoável.

Procurei o celular jogado embaixo das roupas sujas no chão do quarto e pus no bolso da bermuda. Coloquei as duas mochilas nas costas e desci.

Minha mãe já tinha saído para o trabalho, assim como a minha irmã, então, hoje é dia de ir a pé para a escola.

Peguei as minhas chaves de cima da mesa, jogando-as de qualquer jeito na mochila e sai.

Puxei o portão emperrado e sai. Andei uns 20 passos e encontrei as malas dos meus vizinhos também saindo.

Gabi e Tom moram a duas casas da minha. Tom é meu amigo desde quando me conheço por gente.

Gabi também é minha amiga, mas a gente nem se fala tanto. Só quando ela resolve implicar comigo por causa da quadra do colégio.

Ela é do time feminino de futebol, e sempre enche o saco quando deixam o time masculino, o qual eu faço parte, jogar primeiro.

Tem dias que ela acorda atacada, e são nesses dias que eu prefiro nem dar as caras, porque senão ela já vem com aquele grito histérico pro meu lado.

Gabi é um tipo legal da garota. Não é vulgar, não anda com as patricinhas, mas fora do colégio, ta sempre arrumadinha. Não anda com os nerds, mas sempre tira notas boas. Sem contar que ela é muito bonita. Baixinha, dois grandes olhos castanhos clarinhos. O cabelo dela é curtinho, quando ela prende só o toquinho, fica uma fofa, e ela usa óculos, o que a deixa muito atraente. Mas não sou um dos que babam ovo pra ela não, como eu disse, ela é a irmã mais nova do meu melhor amigo, e ela é uma garotinha fofa.

- Pronto para levar uma surra das meninas hoje, Jones? – Ela riu, se aproximando junto de Tom, que ria da situação.

- Claro, Gabi. Você sabe que eu adoro jogar contra vocês. – Fiz um high five com Tom e continuamos a andar.

- Eu sei.

Gabi ria de um jeito idiota. Hoje ela estava engraçadinha demais pro meu gosto.

- Qual foi a de hoje, Fletcher? Dormiu com o bozo? Acordou muito engraçadinha.

- Desculpa, Danny. – Ela ajeitou a mochila nas costas, e pediu para que eu segurasse a outra bolsa, peguei, enquanto andávamos, ela arrumou os cabelos mais alto que o normal. – Hoje eu to meio estressada, de verdade, o campeonato ta chegando e isso me deixa tensa. – Ela sorriu, me agradecendo e pegando a outra bolsa, colocando-a nas costas.

- Verdade, Gabi. – Esfreguei meus cabelos, bagunçando-os mais que o normal. – Esse campeonato vai ferrar com a minha vida.

Viemos todo o caminhos conversando sobre esse maldito campeonato. Agora eu sei por que nos últimos dias ela estava tão agressiva. Sem contar o dia que ela tacou a bola nas minhas costas. Nunca fiquei tão puto na minha vida. Mas agora, acho que entendo o problema da anã.

Colocamos os pés no portão da escola, e o sinal bateu. Subi correndo para o meu prédio, esbarrando em uns e outros que estavam fazendo volume nas escadarias. Cheguei no meu armário e joguei minhas duas mochilas ali dentro, e peguei a minha apostila de artes. Essa, que seria a minha primeira aula.

Entrei na sala de aula, aonde a sra. Montgomery colocava seus materiais em cima da bancada. Dei uns soquinhos nas costas dos meus amigos, conforme eu ia passando, e me sentei no meu lugar. Meu sagrado lugar no fundo da sala, encostado na janela, aonde a vista que eu tinha, era o prédio do colegial e a quadra de futebol.

Hoje o dia estava realmente quente, e o ar condicionado da sala de aula não funcionava desde a época dos dinossauros. Senti a minha vista pesar e encostei a minha cabeça na janela, fechando os olhos. Relaxei o meu corpo e tudo fugiu do meu controle.

Abri os olhos e tinham três pessoas ao meu redor. Sra. Lefevbre, a enfermeira do colégio, Lizzie, uma garota da minha sala e a Gabi.

Tentei levantar o meu corpo, mas tudo pesava e minha cabeça doía.

- O que aconteceu? – Sussurrei para Gabi, que por sorte é muito inteligente e entendeu o que perguntei, sem que eu precisasse perguntar de novo.

- Eu não faço a menor idéia, Danny. – Ela deu com os ombros sutilmente. – Eu vim aqui na secretaria e o Tom e a Lizzie estavam te acompanhando. Mas você estava mais branco que o seu uniforme.

Ela riu baixo e se afastou, sussurrando um ‘te vejo no intervalo’. Não sei o que ela quis dizer com isso, e também nem fiz questão de saber.

Uma voz veio ao fundo, aqueles pares de óculos de acetato vermelhos me encarou, colocou algo no meu braço e ia apertando uma bombinha. E conforme ela apertava a bombinha, esse negócio estranho no meu braço ia me apertando com força. Não demorei muito a perceber que estavam tirando a minha pressão.

E então, sem muita enrolação, essa mulher estranha, que deveria ser a vice-diretora do colégio, afirmou que era pressão baixa devido ao calor. E então, sugeriu que eu não fizesse muito esforço por hoje. E pelo que entendi, hoje eu não poderia jogar.

Fechei meus olhos e abusei daquele sofá gostoso, na sala da diretoria. Fechei meus olhos, e fui levado pelo sono.