A Bruna passou o dia tentado me convencer de ligar para o Diego, mas não conseguiu nada. Não iria falar com ele até está preparada para omitir a verdade. Não poderia contar nada que havia acontecido, já que ele e o Gee eram muitos amigos, e isso poderia resultar até no fim da banda, e eu não iria me dar ao capricho de arruinar com o sonhos dos meninos. Depois que a Bruna foi embora fiquei mergulhando em pensamentos, pensamentos com nomes e sobrenomes, Leandro Rocha e Diego Ferrero. Porque sempre quando eu achava que tudo ficaria bem, apareciam problemas maiores que os anteriores?

O Gee e eu tínhamos uma história, uma história complicada e problemática. Quando éramos adolescentes, tínhamos 15 ou 16 anos, eu e o Leandro sempre ficávamos juntos. Não como namorados, mas como primos, como irmãos. Mas como nem sempre tudo segue o rumo certo, eu acabei me apaixonando por ele, primeiro tentei esconder essa paixão, mas não deu certo, depois de um tempo, acabei contando pra ele (sim, na maior cara-de-pau) que gostava dele, e pra minha surpresa, ele também gostava de mim. Então foi o momento paixão proibida, namorávamos escondidos, nossos pais nunca aprovariam isso. Conseguimos esconder esse namoro por 3 anos, claro que nossos pais já desconfiavam de algo entre nós, mas nunca que éramos namorados, eles achavam que nós tínhamos juízo, grande erro. Quando descobriram o namoro, isso foi em uma festa de família, quando o Gee insistiu para que eu me encontrasse com ele no quarto de hospedes, e por ventura, a mãe dele acabou entrando no cômodo achando que fosse o banheiro, foi uma briga horrível. Meu pai quase matou o Gee, ele achava que a culpa era dele, tadinho. Mas quem fico com a pena maior foi eu! Como já tínhamos terminado o ensino médio, meu pai me mandou estudar no Estados Unidos, foi por isso que eu estava lá. De inicio odiei meu pai mortalmente, mas logo o desculpei, sabia que o que fazia era errado e mesmo assim continuei fazendo, ele só queria o meu bem, frase clichê detecte. E como só éramos eu e meu pai, já que minha mãe faleceu quando eu era pequena, não podia de deixar de falar com ele, afinal eu o amava.

Se eu fiquei mal? MUITO! Nos primeiros meses só chorava, ainda falava com o Gee, raramente, mas falava. Então um dia nós decidimos que era melhor terminar e cada um viver sua respectiva vida sem muitos sofrimentos, na verdade sem MAIS sofrimentos. Depois de alguns meses, quer dizer anos, eu acabei me recuperando do meu trauma juvenil, voltando para o meu país de origem, começado um namoro com um cara quase perfeito, e vem o seu primeiro e maior amor, diga-se de passagem, e te beija como se fosse a coisa mais normal do mundo. Sim, eu estava com sérios problemas. O Diego era um cara incrível, que fez com que eu me apaixonasse por ele em pouco tempo, claro que eu já o conhecia antes de viajar, e sempre achei ele bem legal e bonitinho também. Mas naquele época eu era cega pelo Gee e nunca pensei no Di como eu pensava agora, como um namorado. E ele acabou me surpreendo mostrando que era um namorado atencioso e super fofo. Agora voltando para a realidade

Estava deitada com a cabeça no colo no meu pai vendo TV, fazia tempos que não ficava com ele. Comecei a rir de alguma coisa idiota que passava quando meu pai me cutucou. Olhei para ele sem entender e disse:

- Que foi?

- Você não está ouvindo? – Ele me olhou indignado.

- Não. – Respondi sincera e voltei a atenção para a televisão.

- Minha filha o seu celular! – Ele quase gritou.

Corri até meu quarto, é eu estava mesmo distraída com o programa, mas não consegui chegar a tempo de atender, olhei no visor e vi que tinham três chamadas do Diego. Não estava pronta para falar com ele, mas sabia que, mas cedo ou mais tarde, teria de fazer. E essa alternativa foi respondida segundos depois, quando meu celular voltou a tocar na minha mão, ele tinha escolhi cedo. Olhei atentamente para o aparelho e resolvi atender antes que ele desistisse mais um vez.

- Alo? – Falei na defensiva.

- Pathy? Onde você estava hein? Porque não atende essa merda de celular? – Ele falou impaciente do outro lado.

- Desculpa, estava na sala com meu pai e nem ouvi ele tocar. Mas então, tudo bem?

- Tudo sim e você? Está melhor? – Ele falou com um tom mais calmo e eu relaxei.

- Sim, Er... Di... a Bruna disse que você ligou mais cedo? Eu esqueci de ligar de volta, desculpa. – Falei com receio dele dar outro ataque.

Ele riu. Definitivamente ele não daria um ataque.

- Larga esse celular Diego e volta pra cá! Deixa de ser grudento.- Uma voz que eu reconheci sendo do Caco, gritou fazendo Diego rir mais uma vez.

- Tudo bem Pathy, eu queria te chamar pra cá. Os caras resolveram vir pra casa do Caco depois do ensaio e eu queria ter ver. – Ele falou e eu sabia que ele estava sorrindo.

Sorri também, ele conseguia ser tão contagiante, tão fácil de lidar. O que me fazia ficar com mais remorso.

- Ok, vejo você amanhã? – Perguntei, apesar de não querer que ele confirmasse isso, mas eu tinha que agir normalmente, certo?

- Com certeza, vou fazer uma surpresa! – Ele disse entusiasmado, eu ri.

- Ai Diego, como você vai fazer surpresa se eu já sei que você vai vir aqui? – Rolei os olhos, as vezes ele era meio lento.

- Eu vou fazer uma surpresa depois que chegar ai. E você pode preparar sua melhor roupa. Agora eu tenho que ir antes que algum dos anormais volte. Beijos Pathy – Ele riu e desligou antes que eu pudesse perguntar algo.

Falar com ele me fez bem, não estava mais tão paranóica com o fato de Ter que esconder dele aquele beijo, conseguiria agir normalmente com ele. E essa isso que eu mais gostava nele, ele era uma pessoa fácil de lidar. Mas agora minha preocupação era outra, onde diabos ele me levaria amanhã? E o porque da minha \"melhor roupa\"? Como seu eu tivesse uma melhor roupa. Odiava surpresas, queria saber o que ele estava planejando, seria mais fácil, assim saberia como agir. Argh, surpresas me deixam irritadas.

Voltei para a sala e continue vendo TV. Logo fiquei cansada o suficiente para dormir e fui para o meu quarto. Acordei com a luz incomodando a minha visão. Tinha quase certeza que as cortinas estavam fechadas quando fui dormir, então como aquela luz estava entrando? A resposta foi respondida quando ouvi aquela voz familiar, e no momento tão irritante.

- Vai demorar pra acordar, ou quer que eu pegue um balde d’água? – Bruna falou sentando no pé da cama.

- Bruna, que droga de horas são?. – Falei de mau-humor.

- Quase uma hora da tarde. – Ela disse e apesar de ainda estar de olhos fechados, sabia que estava sorrindo. Típico de Bruna.

- O quê? – Gritei sentando rapidamente e sentindo uma tontura pelo movimento brusco.

- Pois é Bela Adormecida, estava cansada de esperar você, então seu pai falou que eu podia acorda-lá.

Fiz minha higiene matinal e fui tomar café da manhã, no meu caso, café da tarde, e depois contei para Bruna sobre a maldita surpresa do Di, depois fomos para um parque próximo a minha casa passar o resto do dia. Enquanto tomava um sorvete, o Di ligou e disse que passaria na minha casa às oito horas. Bruna me deixou em casa e foi embora. Queria que ela ficasse comigo, mas ela disse que também iria sair com o Caco, eles iriam a uma boate. Ela tinha mais sorte pois saberia onde ia, ao contrário de mim. Comecei um dilema interno com o que iria vestir, o Di havia para eu escolher minha melhor roupa, então acho que isso significava algo mais sofisticada. Então, não poderia ser uma calça jeans, camiseta e All Star. Não. Teria que me limitar a vestidos e saias. Depois de horas, resolvi ficar com um vestido preto, pouco a cima dos joelhos, justo, com uma fita creme na cintura. Escolhi um par de sandálias também na cor creme. Fiz uma maquiagem bem leve. Quando estava terminando, ouvi a campainha tocar e meu pai dizer ao Diego que estava no quarto me arrumando, peguei minha bolsa e sai, não queria deixar ele esperando.

Na hora eu que o vi, sabia que iríamos a um lugar mais chique, mas nada tão sofisticado, porque o Di estava usando uma calça jeans escura, com camisa xadrez azul clara, tênis branco e os cabelos numa tentativa frustada de ficar arrumados. Ele estava lindo!

- Nossa, Di. Você está lindo! – Disse sorrindo sincera.

- Er, valeu. Você também está maravilhosa. – Ele falou boquiaberto.

Meu pai pigarreou e nós nos demos conta da sua presença. Corei ao perceber que ele havia notado meu momento namorada babona e fui para perto do Diego que também parecia meio constrangido. Ele entrelaçou a mão na minha e puxou para a porta.

- Vamos? – Diego disse.

- Hm, vamos! – Falei me virando para o meu pai, que ainda nos olhava. – Então pai, eu já vou. Beijos. – Sorri abertamente, torcendo que ele não fizesse um discurso sobre sexo seguro. Afinal eu já havia morado sozinha e nada mais constrangedor que discurso sobre sexo do pai.

- Ok, crianças, juízo. – Ufa, nada demais.

Assim que fechei a porta e guardei a chave, Diego me puxou para um beijo, er, queente, ele não resolvia entre deixar as mãos na minha cintura ou minhas costas. Ele me beijava como se tivesse me visto por um ano, e eu retribuir o beijo no mesmo nível, entrelaçando meus dedos em seus cabelos e puxando de leve. Nossas línguas brincavam como velhas amigas, mas paramos abruptamente quando ouvimos barulho de chaves e vimos uma das portas do corredor abrir, saiu uma velhinha que olhou para nós com uma cara suspeita, talvez pelo fato de estar com uma cara de \"acabamos de nos pegar\". Lábios vermelhos, respirações ofegantes e cabelos desarrumados. O Di deu uma risada baixinha e me puxou para o elevador, a senhora estava lá e nos limitamos apenas a olhares comunicativos. Quando o elevador parou indicando o térreo, saímos e seguimos direto para o carro. Já estávamos em movimento quando o Diego começou a rir, olhei para ele e franzi a testa. Ele me deu uma olhada rápida e disse:

- Acho que a senhora percebeu o que estava acontecendo lá – Falou e voltou a rir.

- Qualquer um perceberia. – Ri junto com ele.

- É. Você vai ficar mal vista no seu prédio.

- Não me importo, na verdade, eu acho que ela não irá espalhar o que não viu por aí, desde quando me mudei não a vi muitas vezes. Então, acho que ela não é do tipo fofoqueira. – Dei de ombros e ele riu mais.

Ele me levou a um restaurante, um melhor do que eu costumava ir. Agradeci mentalmente por ele ter me dito para me vestir melhor. Não entraria naquele lugar de calça jeans e All Star. Não chegamos na recepção, ele falou rapidamente com o matrê e ele nos levou a uma mesa na parte dos fundos do restaurante, que estava um pouco cheio. Tinha uma banda tocando músicas ao vivo, lentas, que dava um \"ar\" mais romântico ao local. Algumas pessoas dançavam. Sorri ao ver um casal que aparentava ter uns 60 ou 70 anos dançando juntos.

- E então? – Di me perguntou arqueando uma sobrancelha.

- E então o que?

- Gostou? – Ele sorriu.

- Di, acabamos de chegar, essa pergunta não tem muito sentido. – Revirei os olhos.

- Mas do lugar, você gostou? – Perguntou ansioso.

- Porque você está me fazendo essas perguntas? – Eu não estava entendo seu comportamento.

Ele me olhou fixamente, como se não soubesse se responderia ou não.

- Sabe, eu não costumo fazer isso, sabe. Levar garotas pra jantar em lugar bacanas assim. – Ele passou os olhos pelo local. – Na verdade, você é a primeira.

Engoli em seco. Aquela resposta m pegou de surpresa. Tudo bem que Diego não era um garoto de namoros sérios, mas se ele nunca havia levado nenhuma garota pra jantar em lugares chiques, por eu fui a primeira? Achei que fosse melhor não saber a resposta. Sorri pra ele.

- Não se preocupe você está se saindo muito bem. – Fiz um \"joinha\" para ele. Ele riu e se inclinou sobre a mesa para me dar um selinho rápido.

# Continua... #