Happy Valentine's Day, Fionna

4 Capítulo IV - Marshall Lee Abadeer


Notas iniciais
Olá, queridos!

Gostaria de dar as boas-vindas a Gaby, Marceline e Annie! Obrigada por lerem e comentarem! :D

Neste capítulo, uso esta música: http://www.youtube.com/watch?v=3NXF2kjSZjo (com uma leve adaptação).
Tradução: http://letras.mus.br/adventure-time/i-remember-you/traducao.html

Espero que gostem! E me digam se ficou sentimental demais. ç.ç

Grande abraço!

Annie F.

Marshall’s P.O.V.

Quando o relógio marca 5 horas da tarde, despeço-me de todos e fecho a garagem rapidamente.

Encontrar com minha mãe depois do trabalho: fora de questão.

Corro para meu quarto e coloco um jeans rasgado e uma camisa listrada vermelha. Eu até me sentiria mal por evitá-la, mas...

Sério, quem come a batata frita do próprio filho?

Eu comprei, eram minhas! Dou um suspiro resignado.

E este não é o único problema que temos. Quando era apenas uma criança, minha mãe me abandonava numa creche para poder trabalhar e trabalhar mais. Ela não ligava a mínima pra mim! A única pessoa que se importava comigo era Simone, uma das cuidadoras, todavia até ela me abandonou, assim como Gumball.

Bato a porta do guarda-roupa com força e corro para a porta de casa. Aquilo aconteceu há mais de 3 anos, mas ainda me deixa fora de mim. Aquele babaca!

Tranco a porta e caminho pela rua. Jogo as chaves no ar e as pego de volta, acalmando-me no processo. Nenhum deles merece minha atenção.

Exceto Fionna, é claro. Ela é uma verdadeira amiga.

Decido ir em direção ao Noitosfera, o melhor bar da cidade. Quem sabe encontrar alguns amigos?

Dou um sorriso amargo. Se encontrar Ashley por lá, não sei do que sou capaz.

Avisto um cabelo ruivo conhecido na esquina e estranho. Ué, o que Bubba está fazendo aqui?

Não consigo evitar um sorriso. Minha música para Fionna certamente deve tê-lo tirado dos eixos. Ele não tinha a menor chance!

Vejo Fi com ele e meu sorriso diminui um pouco. Então ele quer aproveitar a chance de ficar a sós com ela? Vai precisar fazer melhor do que isso.

Aperto o passo e logo avisto outra pessoa que não esperava. Simone!

Há alguns anos, ela desenvolveu uma estranha obsessão por Gumball. Aproxima-se a todo instante e declara um amor puro e verdadeiro por ele, não a ponto de feri-lo, mas de incomodá-lo bastante. Fionna normalmente toma conta destes assuntos, mas tenho medo de que ela possa magoar Simone.

Apesar de tudo, não posso ignorar o que ela fez por mim quando criança.

Corro e logo os alcanço.

- Hei, Simone! Fionna! – Aceno. Olho para Gumball e faço uma cara de desprezo. – Bubba.

O outro revira os olhos e eu dou de ombros.

- Simo-quem? É rainha para você. RA-I-NHA!

Aceno afirmativamente, meu coração doendo no peito por vê-la tão fora de seu normal. Simone é a prova viva de que drogas somente destroem o indivíduo.

- Que tal deixarmos os irmãos em paz, majestade? – Digo e dou um sorriso sarcástico para Gumball, que bufa.

Há! Por essa ele não esperava!

Simone fica lisonjeada com minha delicadeza e concorda. Envolvo seu braço com o meu e nos afastamos. Apesar de deixarmos Fionna e Gumball sozinhos, meu coração está tranquilo. Com a última insinuação, ele não tentará mais nenhuma aproximação por hoje.

Olho para a mulher a meu lado e sinto-me mal por ver como envelheceu nos últimos anos. Queria tanto dizer que a amo, que é como uma mãe para mim, mas sei que é perda de tempo. Simone não se lembra de nada de seu passado. Se quero mantê-la por perto, tenho de jogar o jogo de sua mente.

- Como vão os súditos, alteza?

- Oh, todos uns impertinentes! Principalmente o atrevido do Gunter. – Suspira. – Às vezes acho que preciso castigá-lo para que aprenda a lição.

Gunter é o apelido de uma moça de cabelos curtos que cuida dos necessitados no Abrigo Municipal.

- Talvez seja melhor assim, milady. Soberanos amados permanecem no poder.

Ela sorri e continuamos a caminhar em silêncio. Em poucos minutos, chegamos ao destino.

- Marshall. – Meu coração dispara ao ouvi-la dizer meu nome e ouso pensar que sua memória está voltando, mas seus olhos vidrados logo dissipam essa ilusão. – Não quer entrar? Quero cantar uma música para Robert, mas não sei qual. E você é tão bom com músicas...

Reviro os olhos. Claro, Gumball deveria estar na história.

- Não vou ajudá-la a conquistar garotos, majestade.

- Por favor, por favor! Se me ajudar, nomear-lhe-ei meu cavaleiro de confiança.

Sei que a imagem de Simone é assustadora, mas tal pedido só evoca os bons momentos que passamos juntos. Concordo e entramos no abrigo.

A mulher corre até sua cama e retira um pequeno piano infantil e um caderno.

- Escolha alguma das letras enquanto eu dou o tom.

Sinto minha garganta apertar ao ver do que se trata: são reportagens sobre Simone e cartas dela a várias pessoas, inclusive para mim. Tomo uma nas mãos e começo a cantá-la:

“Marshall Lee, is it just you and me in the wreckage of the land?

That must be so confusing for a little man.

And I know you're going to need me here with you.

But I'm losing myself, and I'm afraid you're gonna lose me too.

This magic keeps me alive, but it's making me crazy,

And I need to save you, but who's going to save me?

Please forgive me for whatever I do,

When I don't remember you.”

"Magic", um eufemismo para o efeito das drogas. Meus olhos se enchem de lágrimas e não consigo mais. Passo a folha para Simone, que continua a cantar:

“Marshall Lee, I can feel myself slipping away.

I can't remember what it made me say.

But I remember that I saw you frown.

I swear it wasn't me, it was the crown.”

Minha garganta dói e meus olhos ardem. Nossas vozes se unem no refrão:

“This magic keeps me alive, but it's making me crazy.

And I need to save you, but who's going to save me?

Please forgive me for whatever I do,

When I don't remember you.

Please forgive me for whatever I do,

When I don't remember you.

Da da da da da da”

Imaginar Simone escrevendo aquelas cartas para mim destrói qualquer alegria que possuísse naquele dia.

Despeço-me rapidamente e volto correndo para casa. Minha mãe pode ser uma pessoa horrível, mas não supera o inferno emocional que estou vivendo.

Tranco a porta, deito-me na cama e contrario a regra estúpida de que homens não choram.

Notas finais
Marshall... ç.ç