Happy Valentine's Day, Fionna
12 Capítulo XII - Fionna
Notas iniciais
Fionna’s P.O.V.
Meu coração bate muito forte no peito. Estou tão zangada que posso até gritar!
Ao chegar à minha casa, porém, outro sentimento toma conta: tristeza e decepção. Eu sei, não fui a melhor pessoa na vida de Simone, mas Marshall é um dos meus melhores amigos!
Ele chamou Gumball (com quem não falava há 3 anos), mas não a mim. Corro para meu quarto, encosto-me na porta e choro, choro muito. Por quê?
Pego o telefone com mãos trêmulas e ligo para Cake.
– Oi, amiga! Tudo certo?
Respiro e tento fazer minha voz soar normal, mas não consigo.
– Cake... – Sussurro, deixando as lágrimas quentes viajarem pelo meu rosto. – Cake, eu preciso de você.
– Não saia daí! Já estou a caminho.
Ela não demora mais que cinco minutos para chegar, já que somos vizinhas.
– Fi, o que aconteceu? – Nem precisei abrir a porta, pois Cake é de casa. – Por que você está chorando?
– É... É o Marshall.
Ela coloca uma das mãos na cintura.
– O que aquele idiota fez pra você?
Respiro fundo, tentando controlar minha voz.
– Você se lembra da Simone?
– Aquela mulher louca? Não poderia esquecer.
– Ela morreu, Cake. O Marshall ficou arrasado e chamou o Gumball para acompanhá-lo ao velório, interrompendo o nosso encontro. – Respiro ainda mais fundo. – Mas o que mais me chateia é que nós somos amigos e ele não me chamou também.
Fecho os olhos com força e deixo as lágrimas caírem novamente.
– Ah, Fi... – Cake me abraça apertado. – Não fique assim. O Marshall não fez por mal, eu tenho certeza. – Ela aperta minha mão. – Você tem de lembrar que o Gumball e o Lee são amigos há muito mais tempo, mesmo com toda aquela confusão no meio. Há coisas que eles viram que nós nem podemos imaginar.
Enxugo uma lágrima.
– Você acha?
– É claro, Fi! Como o Marshall poderia estar apaixonado por você se não confiasse no seu caráter? Ele não o fez por mal, escute o que sua velha amiga tem a dizer.
Sorrio fracamente.
– Acho que você tem razão. Ele está tão arrasado! Parece que aquela Simone era como uma mãe para ele...
Cake me dá uma piscadela.
– Vê? Há coisas que não entendemos sobre o Marshall.
Enxugo minhas lágrimas de vez e deixo meu sorriso aumentar.
– Acho que devo um pedido de desculpas.
O telefone toca assim que coloco minhas mãos nele.
– Alô? – Atendo, meu coração disparado.
– Fi?
– Ah, oi, Gumball! – Respondo com um suspiro aliviado.
– Eu, hã, queria te pedir desculpas por hoje, por não tê-la acompanhado.
– Não tem problema! Eu sei o quanto o Marshall está chateado e até entendo o porquê.
– Mesmo? – A voz dele fica um pouco mais animada. – Ele está morrendo de remorso, mas é cabeça-dura demais para admitir. Que tal se fizermos uma noite de cinema na minha casa hoje? Como uma reconciliação?
Fico animadíssima, mas lembro-me de meu encontro com Flama.
– Pode ser amanhã? Eu, hum, tenho um encontro hoje.
Ouço um tapa estalar do outro lado.
– É claro! Desculpe-me, Fi. Então, estamos combinados, hein? Às 8 na minha casa. Não se atrase!
– Pode deixar!
Desligo e meu coração dispara.
– Cake, o que vou fazer? Hoje é meu encontro com o Flama!
~’~’~’~’~’
Ele passa em minha casa às 8 da noite em ponto. Usa uma camiseta estampada e uma calça preta com suspensórios. A cesta de piquenique no banco de trás de sua motocicleta não deixa dúvidas sobre o tema da noite: simplicidade.
Eu, por meu lado, decido usar uma bata com legging e meus cabelos soltos. No caso de Gumball e Marshall, precisava me arrumar mais, já que nos vemos todos os dias e somos amigos muito próximos. No caso de Flama, porém... Mal nos conhecemos e estou bem curiosa acerca de sua personalidade misteriosa. Logo, minha aparência quase não me preocupa e deixo o estilo limpo tomar conta da noite.
– Flama. – Aceno de longe e me aproximo. Ele desce da moto e me beija de leve no rosto.
– Olá, Fionna. Linda como sempre.
Ruborizo, mas consigo esconder ao colocar o capacete que ele me estende. Logo estamos serpenteando pelas ruas da cidade, o vento forte em meu rosto trazendo uma sensação de liberdade indescritível.
Chegamos a uma colina um pouco afastada do centro da cidade, na área dos jardins. A paisagem é magnífica: flores de todos os tipos formam um tapete no chão! Um lago à nossa frente reflete a luz da lua... Tudo parece mágico e sinto meus joelhos bambearem um pouco quando nos sentamos.
Somente eu e Flama nesta dádiva da natureza.
– Flama... – Minha voz sai num sussurro, então tento de novo: — Flama, é bom poder conhecê-lo um pouco melhor.
Ele assente.
– Igualmente.
Não é realmente um garoto de muitas palavras, mas, à medida em que o tempo de nosso encontro passa, percebo que ele não desperdiça seu latim com inutilidades.
Tudo o que Flama diz tem um significado profundo.
Comemos os sanduíches que ele trouxe e, desta vez, não conversamos sobre trivialidades. Discutimos assuntos realmente importantes, como como política, cultura... e sentimentos.
– Fionna... – Ele pega minha mão e gentilmente a acaricia. – O seu coração me encanta a cada segundo.
Sinto minhas veias pegarem fogo e o ar falta em meus pulmões. O que devo fazer? O que devo dizer?
Percebo, então, o que é estar com Flama: um mundo de poucas palavras e muito significado.
Sem pensar muito no que faço, aninho-me em seu peito e suspiro quando seus braços se fecham ao meu redor.
Amanhã, terei de decidir a quem meu coração realmente pertence, mas hoje...
Hoje? Só quero olhar o luar refletido nas águas, aspirar o perfume das flores a meus pés e sentir o coração de Flama pulsando junto ao meu.
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