Notas iniciais
Olá, queridos! Espero que estejam gostando! Este capítulo é um pouco mais denso que os outros. Música utilizada (a única mudança que fiz foi colocar alguns dos verbos no passado): http://letras.mus.br/adventure-time/nuts/#traducao Ótima leitura! Annie F.

Gumball's P.O.V.

Olhei-me no espelho enquanto arrumava o pulso da camisa que usava. Hoje seria meu grande dia: Fionna e eu finalmente iríamos a um encontro! Apesar de estar em clara desvantagem em relação a Flama e Marshall...

Fecho os olhos com força. O que deu em mim ontem? Simplesmente desliguei o telefone ao saber que ele levara Fionna ao Lemongrab!

Para constar, não há nada especial naquele barzinho para mim. Aliás, se não fosse por aquela noite horrível, Marshall e eu continuaríamos amigos.

Dou um suspiro resignado enquanto abotoo a camisa. Só posso torcer para que ele esqueça este deslize.

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Fionna e eu vamos caminhando a uma casa de massas. Além de a comida ser excelente, o tempo de espera seria suficiente para que tivéssemos uma conversa agradável.

Fionna está deslumbrante em um vestido prata, seus cabelos muito loiros presos em coque elegante.

Beijo suas mãos e puxo a cadeira para que se sente. Ela sorri e meu coração fica um pouco mais feliz.

Conversamos sobre diversos assunto e rimos. Vê-la tão à vontade me deixa confiante!

Sinto meu celular tocar. Peço licença para Fionna e olho o número de chamada. Reviro meus olhos e desligo.

– Desculpe.

Fionna assente, mas suspira quando o celular toca novamente.

– Dê-me um instante. — Aperto o botão e atendo: — O que você quer?

Minha irritação logo some ao ouvir o desespero do outro lado da linha.

– Não saia daí! Estou a caminho.

Desligo. Pego as mãos de Fionna e beijo suavemente.

– Desculpe-me, Fi, mas preciso ir. — Deixo uma nota na mesa e vou embora antes que ela me faça perguntas.

Se parar para pensar, não sairei do lugar.

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Vejo um vulto cabisbaixo na penumbra da praça e meu coração esquece um batimento. Há muitos e muitos anos não lido com um Marshall triste. O que farei?

Ele logo me vê e caminha em minha direção lentamente, seus passos completamente incertos, a antiga postura desapareceu.

– Bubba. — Sua voz está controlada, mas as pupilas dilatadas e a palidez me mostram o quanto ele deve estar sofrendo.

Coloco minha mão em seu ombro e aperto gentilmente.

– Estou aqui para o que precisar, Marshall. Você quer ir?

Ele assente e aponta a bicicleta para mim.

Sei que o suor arruinará minha camisa, mas não me importo. Não posso deixar Marshall pilotar esta coisa nesse estado.

Felizmente não preciso segurá-lo. Quando nos aproximamos do velório, porém, sinto meu estômago revirar-se. Preciso ser forte.

Por ele.

Entro na sala logo após Marshall, atento para qualquer indício de desmaio. Ele congela perto do caixão.

Deixo meus olhos descerem. O rosto de Simone está ossudo e pálido, mas há um sorriso fraco em seus lábios mortos.

Minha atenção é desviada quando Marshall começa a cantar em um tom quebrado:

"You were so annoying, you pitiful old woman.

I'd like to help you, but I don't know if I can."

Seus ombros sobem e descem enquanto ele suspira.

I thought you were nuts,

But you were really, really, really nuts.

Everytime I move, eventually, you find me

And start hanging around,

Just another lame excuse to see me, ma'am,

It's getting me down.

Ele pausa novamente e percebo que seus ombros tremem. Sua voz é somente um sussurro:

You know, I was actually glad to see you

Maybe I'm the one who's nuts.

Após terminar a última frase, Marshall abaixa a cabeça e chora com muita, muita força. Posto-me a seu lado e coloco uma mão amiga em seu ombro.

– Simone... Simone! Por que você me abandonou de novo? Minha única família! POR QUÊ?!

Marshall havia gritado de forma tão dolorosa que senti meus olhos arderem. Ignorando os poucos olhares curiosos, puxei-o para o lado e o abracei forte.

Senti suas lágrimas molhando os ombros da camisa, mas não me importei. Apertei mais um pouco o abraço enquanto eu mesmo lutava contra as lágrimas.

Ver Marshall tão ferido e não poder fazer nada estava me matando.

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É claro que, no dia seguinte, Fionna ficou sabendo de tudo e foi prestar solidariedade. Eu dormira no sofá da casa de Marshall (mesmo sob a censura de sua mãe) para assegurar que tudo ficaria bem. A Sra. Abadeer, é claro, não percebeu nenhum problema.

Fionna e Marshall são dois cabeçudos. Não consigo me lembrar por que razão, mas os dois logo começaram a brigar.

– Por que você também não me chamou, Marshall? Não somos amigos?

Vi faíscas saírem dos olhos dele.

– Por que eu faria isso? Você nunca gostou dela. Nunca!

Fionna respirou fundo, a raiva crescendo perceptivelmente.

– E o Gumball também não!

– Mas ele tinha um motivo!

Coloquei as mãos nos olhos, completamente cansado daquela conversa.

– Assim como eu! — Fionna revirou os olhos. — Você fez isso de propósito para arruinar nosso encontro!

O olhar de Marshall era assassino.

– Fora. Da. Minha. Casa.

Fionna certamente não esperava por isso, mas o orgulho não permitiria que se desculpasse.

– Com prazer!

Assisti com pesar a toda a cena.

– Marshall, não acha que foi um pouco rude? — Disse assim que Fionna saiu.

Os olhos dele se voltaram para mim: mágoa e raiva.

– Se se importa tanto, vá com ela!

Reviro os olhos e aperto uma mão em seu ombro, respondendo com infinita paciência:

– Não, "cara". Estou aqui com você.

Notas finais
Odeio escrever capítulos tristes. :(