Happy Valentine's Day, Fionna
11 Capítulo XI - Gumball
Notas iniciais
Gumball's P.O.V.
Olhei-me no espelho enquanto arrumava o pulso da camisa que usava. Hoje seria meu grande dia: Fionna e eu finalmente iríamos a um encontro! Apesar de estar em clara desvantagem em relação a Flama e Marshall...
Fecho os olhos com força. O que deu em mim ontem? Simplesmente desliguei o telefone ao saber que ele levara Fionna ao Lemongrab!
Para constar, não há nada especial naquele barzinho para mim. Aliás, se não fosse por aquela noite horrível, Marshall e eu continuaríamos amigos.
Dou um suspiro resignado enquanto abotoo a camisa. Só posso torcer para que ele esqueça este deslize.
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Fionna e eu vamos caminhando a uma casa de massas. Além de a comida ser excelente, o tempo de espera seria suficiente para que tivéssemos uma conversa agradável.
Fionna está deslumbrante em um vestido prata, seus cabelos muito loiros presos em coque elegante.
Beijo suas mãos e puxo a cadeira para que se sente. Ela sorri e meu coração fica um pouco mais feliz.
Conversamos sobre diversos assunto e rimos. Vê-la tão à vontade me deixa confiante!
Sinto meu celular tocar. Peço licença para Fionna e olho o número de chamada. Reviro meus olhos e desligo.
– Desculpe.
Fionna assente, mas suspira quando o celular toca novamente.
– Dê-me um instante. — Aperto o botão e atendo: — O que você quer?
Minha irritação logo some ao ouvir o desespero do outro lado da linha.
– Não saia daí! Estou a caminho.
Desligo. Pego as mãos de Fionna e beijo suavemente.
– Desculpe-me, Fi, mas preciso ir. — Deixo uma nota na mesa e vou embora antes que ela me faça perguntas.
Se parar para pensar, não sairei do lugar.
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Vejo um vulto cabisbaixo na penumbra da praça e meu coração esquece um batimento. Há muitos e muitos anos não lido com um Marshall triste. O que farei?
Ele logo me vê e caminha em minha direção lentamente, seus passos completamente incertos, a antiga postura desapareceu.
– Bubba. — Sua voz está controlada, mas as pupilas dilatadas e a palidez me mostram o quanto ele deve estar sofrendo.
Coloco minha mão em seu ombro e aperto gentilmente.
– Estou aqui para o que precisar, Marshall. Você quer ir?
Ele assente e aponta a bicicleta para mim.
Sei que o suor arruinará minha camisa, mas não me importo. Não posso deixar Marshall pilotar esta coisa nesse estado.
Felizmente não preciso segurá-lo. Quando nos aproximamos do velório, porém, sinto meu estômago revirar-se. Preciso ser forte.
Por ele.
Entro na sala logo após Marshall, atento para qualquer indício de desmaio. Ele congela perto do caixão.
Deixo meus olhos descerem. O rosto de Simone está ossudo e pálido, mas há um sorriso fraco em seus lábios mortos.
Minha atenção é desviada quando Marshall começa a cantar em um tom quebrado:
"You were so annoying, you pitiful old woman.
I'd like to help you, but I don't know if I can."
Seus ombros sobem e descem enquanto ele suspira.
I thought you were nuts,
But you were really, really, really nuts.
Everytime I move, eventually, you find me
And start hanging around,
Just another lame excuse to see me, ma'am,
It's getting me down.
Ele pausa novamente e percebo que seus ombros tremem. Sua voz é somente um sussurro:
You know, I was actually glad to see you
Maybe I'm the one who's nuts.
Após terminar a última frase, Marshall abaixa a cabeça e chora com muita, muita força. Posto-me a seu lado e coloco uma mão amiga em seu ombro.
– Simone... Simone! Por que você me abandonou de novo? Minha única família! POR QUÊ?!
Marshall havia gritado de forma tão dolorosa que senti meus olhos arderem. Ignorando os poucos olhares curiosos, puxei-o para o lado e o abracei forte.
Senti suas lágrimas molhando os ombros da camisa, mas não me importei. Apertei mais um pouco o abraço enquanto eu mesmo lutava contra as lágrimas.
Ver Marshall tão ferido e não poder fazer nada estava me matando.
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É claro que, no dia seguinte, Fionna ficou sabendo de tudo e foi prestar solidariedade. Eu dormira no sofá da casa de Marshall (mesmo sob a censura de sua mãe) para assegurar que tudo ficaria bem. A Sra. Abadeer, é claro, não percebeu nenhum problema.
Fionna e Marshall são dois cabeçudos. Não consigo me lembrar por que razão, mas os dois logo começaram a brigar.
– Por que você também não me chamou, Marshall? Não somos amigos?
Vi faíscas saírem dos olhos dele.
– Por que eu faria isso? Você nunca gostou dela. Nunca!
Fionna respirou fundo, a raiva crescendo perceptivelmente.
– E o Gumball também não!
– Mas ele tinha um motivo!
Coloquei as mãos nos olhos, completamente cansado daquela conversa.
– Assim como eu! — Fionna revirou os olhos. — Você fez isso de propósito para arruinar nosso encontro!
O olhar de Marshall era assassino.
– Fora. Da. Minha. Casa.
Fionna certamente não esperava por isso, mas o orgulho não permitiria que se desculpasse.
– Com prazer!
Assisti com pesar a toda a cena.
– Marshall, não acha que foi um pouco rude? — Disse assim que Fionna saiu.
Os olhos dele se voltaram para mim: mágoa e raiva.
– Se se importa tanto, vá com ela!
Reviro os olhos e aperto uma mão em seu ombro, respondendo com infinita paciência:
– Não, "cara". Estou aqui com você.
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