Happy Feet
3 Festa
Notas iniciais
Mais tarde naquele dia, Mano voltou para o seu quarto. Reparou que sua porta estava levemente aberta, isso fez lembrar-se dele, o seu colega de quarto. Não esperou convites e foi logo segurando a maçaneta da porta e escancarando a mesma, lá dentro, Ramon gritou de susto, segurando sua toalha que lhe cobria o corpo nu.
— Ramon?! – A surpresa na voz de Mano ficou clara para o pequeno rapaz. Ramon pode enfim, respirar aliviado ao perceber que era seu amigo.
— Mano amigo mio! Qué pasas? – Ramon cruzou os braços, levemente irritado – No me asuste así.
— Desculpe – O albino foi entrando, fechou a porta atrás de si e encostou sua bolsa ao lado de sua cama – Então você é meu colega de quarto?
— Quién diría no es?
— Ainda não tinha te visto.
— En el primer día hubo algunos imprevistos... – Respondeu, vestindo uma cueca samba-canção cinza e logo em seguida uma bermuda esportiva preta — En el segundo día tuve que dormir con el Rinaldo y el Lombardo, sabe, a causa de la pegadinha.
— Entendo. Bom, é um prazer dividir o quarto com você Ramon! – Estendeu à mão, o rapaz logo aceitou segurando a mesma com um sorriso.
Ramon comentou como havia sido suas aulas de literatura, Mano nunca acharia que ele fizesse algo desse tipo. Depois da longa conversa, Ramon pegou seu celular, para jogar algum tipo de jogo de cartas. Foi então que Mano percebeu, ele tinha encontrado uma forma de sempre falar com os amigos, apenas precisaria pedir o número deles ao Ramon.
[...]
Ao anoitecer Mano descobriu do pior jeito que Ramon tinha convidado os amigos. Mano estava no meio do banho quando Nestor, novamente, invadiu o banheiro, desta vez, para lavar as mãos.
— Oi Mano! – Disse quando o albino botou a cabeça para fora do box e tirou a espuma que escorria até seus olhos.
Mano abanou a cabeça, Nestor realmente não conhecia nem um tipo de privacidade, agradeceu por não dividir o quarto com ele.
— Pizza! – Falou Raul entrando no quarto com um chute que levou a porta a bater no outro lado. Mano tomou uma nota mental, para mais tarde conferir se não tivesse perfurado ou rachado a parede.
Os amigos comemoraram, Ramon tirou de baixo de sua cama refrigerante em latinha. A noite se seguiu com muita conversa alta e brincadeira, era a primeira vez que Mano participava de uma “festa” como essa. Foram por volta das duas da manhã que todos foram embora, todos arrastando Rinaldo que havia pegado no sono e de forma alguma queria acordar.
O ronco de Ramon começou a se fazer presente uns quinze minutos depois, Mano logo o acompanhou, caindo no sono. De manhã, o despertador tocou acordando Mano em um susto, ele desligou o aparelho e se levantou da cama, notando que sua camisa estava coberta de molho de pizza. Como seu colega de quarto não parecia que ia acordar tão cedo, o albino se esgueirou até o banheiro, cansado pela noite anterior, quase escorregou no chão de cerâmica molhado.
Depois do banho gelado e de por suas roupas pareceu mais acordado, apenas lhe faltava uma xícara de café.
— Ramon acorde – Lhe jogou um travesseiro no rosto. Ramon se revirou na cama, resmungando para ele – Vamos, segundo dia de aula – Mano lembrou, o menor bufou irritado, dizendo para ele ir na frente que logo ele iria.
Mano pegou sua bolsa de lado, encaixou em seu ombro esquerdo e abriu à porta do quarto, o frio das seis da manhã lhe pegou de surpresa, o fazendo tremer um pouco, porém estava acostumado. Mano seguiu para o restaurante perto do campus, se sentou desta vez em uma das cadeiras do balcão, pediu um café e torradas.
Enquanto esperava seu café da manhã, ele anotava algumas coisas em seu caderno de faculdade, anotação que seu professor passou na ultima aula e que ele não havia conseguido terminar a tempo, por sorte havia tirado uma foto do quadro. Uma respiração em seu pescoço o arrepiou, olhou para trás assustado.
— Glo- Gloria? – O nome da garota escapou de seus lábios.
— Oi! Desculpe te assustei? – Riu como só ela conseguia fazer, como era belo seu riso.
— Não, apenas fiquei... Surpreso – Fechou o caderno e o guardou na bolsa – Já tomou café?
— Na verdade sim – Sentou-se ao seu lado – Apenas vim tomar um pouco de chá.
— Gosta de chá? – Mano se surpreendeu novamente, não era muito comum de se ver.
— Sim.
A garçonete deixou o café da manhã de Mano, anotou o pedido de Gloria e se foi para dentro da cozinha, deixando os dois em um silêncio constrangedor.
— Mora no alojamento? – Perguntou a morena, brincando com um guardanapo, provavelmente envergonhada pelo silêncio que havia se instalado.
— Sim... – Mano deu uma golada do seu café antes de continuar – Você também?
— Fraternidade – Respondeu, o silêncio se manteve, apenas sendo quebrado pelo som das torradas de Mano sendo estraçalhadas em sua boca – Faz qual curso?
Mano limpou a boca com um guardanapo antes de responder.
— Sapateado.
— Oh! Ouvi falar que tinha sido aberto esse curso... Eu faço canto – Seus olhos brilharam. Mano logo percebeu que ela amava tal curso.
A garçonete voltou, trazendo o chá de Gloria e levando os pratos de Mano que logo pediu a conta. Mano olhou para os lados desesperado, não sabia como se comportar com a garota e o silêncio estava ficando muito incomodo para ambos.
— Mano! – A voz escandalosa de Nestor assustou aos dois. Mano se virou deparando-se com Nestor, o que não era surpresa, Raul e Lombardo.
— Seus amigos? – Gloria sorriu.
— Sim – Mano forçou um sorriso, Nestor pagaria mais tarde. Os rapazes se aproximaram do balcão, não demoraram a notar Gloria.
— Hm... Estou entendo – Lombardo riu malicioso.
— O- O que?! – Mano logo se agitou, envergonhado.
— Ei grandão... – Raul analisou por trás dos óculos escuro o corpo de Gloria – Boa escolha.
Mano que já estava com vergonha, ficou mais ainda ao notar que Gloria também estava ficando levemente vermelha.
— Não é isso que vocês estão pensando! – Logo se defendeu – Somos amigos.
— Serio? Só isso? – Nestor acertou os óculos, claramente decepcionado.
— Pessoal essa é a Gloria – O albino apresentou agora mais calmo – Gloria, esses são Raul, Nestor e Lombardo, alguns de meus amigos.
— Oi!
— Olá!
— Prazer!
— Prazer rapazes – Gloria sorriu de canto, deixou sua xícara de chá no balcão junto com o dinheiro, se levantou ajeitando sua bolsa de lado, que só agora, fora notada por Mano – Bom tenho que ir. A gente se vê por ai Mano!
— Claro... A gente se vê!
Foi só a porta fechar para que os rapazes começassem a comemorar, dizendo para Mano que ela era uma chica muito gata. Mano se levantou para ir embora, já estava quase na hora de sua aula e seu professor odiava atrasos.
[...]
— Aproximem-se alunos, escolham seus sapatos – Convidou o professor de nome estranho – Sei que acabamos de voltar do horário de almoço e dançar talvez os faça se sentir mal, porém, como tivemos imprevistos, esta manhã teremos que iniciar os paços de dança neste momento.
Mano se aproximou assim como os outros, os sapatos de sapateado brilhavam com tanta limpeza, pegou um par e tentou calçar, eram menores que seus pés.
— Tente este – O professor lhe estendeu outro par. Estes couberam certinhos – Perfeito.
Enquanto se acostumava com os novos calçados, Mano ouvia o seu som ao bater no piso de madeira. Aquilo lhe agradava. Quando todos os alunos já estavam devidamente calçados, a aula deu-se início.
— Ótimo primeiro ensaio minha gente! – O professor Eggbert falou quando a aula acabou – Amanhã logo cedo teremos um pouco de teoria e logo depois partimos novamente para a pratica! E Mano, parabéns garoto, você tem um ótimo futuro na dança.
Mano sorriu envergonhado, dois alunos tiveram seus orgulhos feridos, porém o resto sorriu orgulhoso. Assim como o professor, Mano sentia que nascera para aquilo. Agora voltando para o dormitório, Mano pensava hora em seu curso e hora em Gloria. Ele gostaria muito de vê-la novamente.
— Ramon cheguei – Abrindo a porta foi entrando e depositando sua bolsa ao lado de sua cama, no chão.
— Hola, tengo buenas noticias! — O menor disse animado, Mano logo percebeu que as roupas que ele usava não eram a casual. Uma camisa de manga longa cinza e bermuda creme, ele cheirava a perfume e seus sapatos eram marrom claro — Vamos a salir con los chicos para una fiesta!
— Uma festa? A essa hora? – Mano se preocupou, amanhã eles teriam aula e nem haviam chegado direito no meio da semana – Aonde é essa festa?
— En una fraternidad – Ramon deu de ombros — Vamos a arreglarse.
Uma fraternidade, Mano não pode deixar de pensar em que poderia ser na mesma fraternidade que Gloria morava, aquela poderia ser sua chance para vê-la novamente.
— Tudo bem – Com isso seguiu apressado para o banheiro. Seus amigos haviam chegado e esperava ele enquanto conversavam, todos bem arrumados e cheirando a perfume, tudo pelas chicas — Podemos ir! – Anunciou Mano, agora já arrumado e pronto para ir. Ele usava um blasé preto, camiseta creme, calça preta e um sapato esportivo branco, e claro, sua inseparável gravata.
Todos sorriram animados, aos poucos foram saindo do quarto e quando o mesmo foi devidamente trancado, eles seguiram em uma algazarra até o local da festa.
[...]
Para a surpresa de Mano o lugar estava lotado, eles teriam aula amanhã, mas nem um deles parecia estar preocupado com isso. Ao chegar todos se separaram. Mano seguiu junto a Lombardo e Rinaldo, que para ele pareciam ser os mais “cabeça no lugar”. A festa se seguiu meio entediante para Mano, após muitas bebidas resolveu ir ao banheiro, na saída do mesmo quase que derrubava Gloria que estava prestes a entrar.
— Gloria!
— Precisamos para de nos encontrar assim – Sorriu lindamente.
— Realmente... – O silêncio reinou entre os dois, Mano estava bastante concentrado nos detalhes do rosto de Gloria – Ah! Você vai entrar? – Afastou-se do caminho ao notar que estava parado há bastante tempo.
— Você não quer sair dessa festa? – A pergunta pegou o albino de surpresa, ela havia ignorado completamente sua pergunta, porém lhe chamou para sair, então, ponto para ele!
— Damas na frente? – Sorriu abobalhado, tentou conter de todas as formas sua empolgação, porém foi só apenas ela se virar para caminhar que ele fez uma pequena dança da vitória.
— Você vem? – Gloria chamou sua atenção quando não o sentiu mais perto de si, vergonhado Mano se endireitou e logo a seguiu.
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