Happy Ending

1 Sobre Finais Felizes


Notas iniciais
Hey lovelys! Demorei para aparecer com uma nova one, não é? Devo creditar a Pandinhaw pela ideia para a fic, já que foi ela quem me deu.
Espero que gostem. Recomendo lerem ouvindo "Lego House - Ed Sheeran", que é uma música leve e gostosa de ouvir enquanto lê.

Nico correu até o corpo da garota, desesperado. Ele a pegou no colo, ignorando o sangue que escorria de seu pulso, e, indo o mais rápido possível, a levou até seu carro, colocando-a delicadamente no banco de trás, e dirigindo como um louco até o hospital. Entre os sinais vermelhos, ele olhava para ela que, feliz ou infelizmente, não mudara nada em nenhuma das vezes. Chegou rápido no hospital e gritou para que todos ouvissem que ele precisava de ajuda.

Não demorou muito para que a levassem para algum lugar dentro do hospital, um lugar que Nico não pôde entrar, pois não era da família. Ele chutou uma lata de lixo que tinha ali na recepção e algumas pessoas o olhavam assustados.

"Família? Que família? É exatamente por isso que ela está aqui! Ela não tem uma família!"

Ele praticamente gritava dentro de sua própria mente, enquanto chorava desesperado. Uma enfermeira andou até ele.

- Senhor, quer um chá, para se acalmar? — Ela perguntou. Nico a olhou, furioso. O garoto sabia que ela não tinha culpa de nada do que estava acontecendo, mas ela era a única pessoa real quem podia jogar sua raiva naquele momento.

- Não quero nada! — Ele gritou, assustando a mulher. — Eu quero vê-la!

A enfermeira nada disse. Ela saiu apressada, olhando pelo canto do olho para o garoto, como se ele fosse atacá-la a qualquer momento.

"Thalia estava vermelha de tanto rir. Eles aproveitavam que os pais dela tinham saído num passeio para que pudessem ficar juntos ali, sabiam que Zeus não aprovava nem um pouquinho o relacionamento deles.

Nico tinha uma perna de cada lado da garota, que estava deitada abaixo de si, e fazia cócegas em sua barriga. Ela tentava, em vão, fazer com que ele parasse, mas não conseguia dizer nem fazer nada por causa da risada.

Ele finalmente parou e esperou que ela se recuperasse, olhando-a. Ele tinha um sorriso bobo e apaixonado no rosto, enquanto a encarava em transe. Thalia finalmente conseguiu recuperar o ar e olhava para ele com o mesmo olhar apaixonado. Ela sorriu para ele.

- Você é tão, tão linda! — Ele elogiou, se inclinando para dar-lhe um selinho demorado. Thalia sorria como uma boba. — E eu te amo tanto, Thalia!

Ela passou uma de suas mãos nas bochechas dele, que fechou os olhos ao sentir o toque.

- Eu também te amo, Nico. — Ela respondeu, quase num sussurro, enquanto beijava-o. A princípio um beijo suave, que foi ficando intenso rápido. Antes que percebessem, Nico já havia passado para o pescoço da garota, depositando selinhos e chupões na área. Ele já estava prestes a tirar a blusa dela, quando um toque de celular ecoou pelo lugar. Com um resmungo de irritação, Nico se afastou da garota para que ela pudesse atender o telefone.

- Alô? — Thalia perguntou, reprimindo uma risada da reação de Nico. — Sim, sou eu, o que foi?

Aos poucos, a expressão de Thalia foi se modificando, e Nico foi ficando preocupado com ela. Uma lágrima escorreu de seus olhos azuis e ele rapidamente a secou. Ela desligou o telefone com um "obrigada" abafado e olhou para ele com dor, seus olhos já deixando muitas lágrimas caírem.

- O que foi, meu amor? — Ele perguntou, passando as mãos delicadamente no rosto dela.

- Eles morreram, Nico. — Ela respondeu num sussurro. — Meus pais estão mortos.

Ele a abraçou com todo o carinho que podia e deixou que ela chorasse encostada ao seu peito. Entendia aquela dor, havia perdido a irmã há alguns anos."

Depois disso, tudo foi de mal a pior. Thalia, apesar de ser maior de idade, ainda morava com os pais, por isso não aguentou ficar na casa que orava e foi morar com Nico no pequeno apartamento dele. Algum tempo depois, os cortes começaram. No início, Nico tentava fazer com que ela parasse, mas cada vez piorava mais. Ele a forçou a ir em inúmeros psiquiatras, mas nada dava certo. Por fim, ela não entendia o porquê de ele querer tanto que ela parasse com aquilo, e tomou a decisão mais dolorosa de sua vida: acabou o namoro.

Nico se sentiu como se ele estivesse preso dentro de seu próprio corpo, com algo faltando. Tentou falar com a garota muitas vezes, mas ela não queria voltar com ele, embora ás vezes ainda batesse na porta do apartamento dele de madrugada e ficasse lá, chorando abraçada a ele, por horas, até adormecer.

Ele sabia que ela o amava, e iria esperar o tempo que ela precisasse para que ela se estabilizasse.

Aquele dia estava sendo relativamente normal. Fora até o colégio pela manhã, depois voltou para casa e dormiu um pouco. Quando acordou, seu celular apitava, indicando uma nova mensagem. Ele ficou extremamente feliz ao ver que era de Thalia, e a abriu sem hesitar, mas o conteúdo fez que seu coração se quebrasse em mil pedaços.

"Nico, me desculpe por tudo.

Eu sei que não tenho sido uma boa pessoa para você amar ultimamente. Eu ignoro-o a maior parte do tempo, porém de procuro quando estou prestes a ruir. Não consigo mais viver assim, usando-te.

Nós dois sabemos que contos de fadas não existem, Nico, muito menos finais felizes. No final, a vida sempre vem com a morte, e ninguém pode ser feliz rodeado dela.

Eu estou cansada disso. Sinto que estou enlouquecendo sem meus pais e sem você. Sinto falta dos nossos encontros escondidos, do meu pai descobrindo nós dois e dando-nos uma bronca, e de minha mãe acalmando-o. Sinto falta das nossas tardes alegres, que viravam noites perfeitas.

Eu sou uma covarde egoísta, se quer saber. Sei que você não gosta do que eu faço, mas não posso parar. Sangrar e sentir dor são as únicas coisas que me fazem sentir viva no meio de toda essa morte. Mas também não posso continuar vivendo assim.

Eu te amo, Nico.

Adeus."

E ele logo entendeu o que ela queria dizer com aquilo. Saiu de casa o mais rápido possível e correu até o apartamento, ainda menor do que o dele, onde ela morava. Encontrou-a deitada no chão, seu pulso esquerdo banhado em sangue.

Nico não queria que Thalia se fosse. Ela era a única coisa que valia a pena na vida dele. Ela fora sua âncora quando ele achou que estava perdido, exatamente como Thalia se sentia. Ele queria que ela soubesse que ele seria sua âncora.

Ela era tudo o que ele tinha. E ele era tudo o que ela tinha.

O doutor chegou, avisando que ela já poderia receber visitas. Nico seguiu o homem até o quarto dela, ansioso.

Thalia estava deitada numa maca, com vários aparelhos ligados a si e desacordada. Ele correu até ela e passou sua mão carinhosamente em seu rosto, delineando cada detalhe dele.

- Ela vai sobreviver, mas perdeu muito sangue. — O doutor avisou. — Você sabe o porquê de ela ter feito isso?

- Ela perdeu os pais há pouco tempo. — Nico respondeu, distraído. O homem assentiu e avisou que voltaria dali alguns minutos, depois saiu, deixando Nico sozinho com Thalia.

~^~

Alguns dias se passaram e Thalia ainda não havia acordado. O médico disse que era normal, considerando a perda de sangue e a suposta atida na cabeça quando ela desmaiou. O homem convenceu Nico a voltar para o colégio, mas não foi uma experiência muito boa.

Primeiro porque ele não conseguia se concentrar em nada, pensando em como Thalia estaria. E segundo porque boatos em toda a escola se espalharam sobre a garota. Todos estavam comentando a tentativa de suicídio de Thalia. Alguns diziam que ela era louca por se machucar daquela forma, outros faziam piada com situação e, até mesmo, tinham alguns que sentiam pena por ela não ter morrido, falavam que uma aberração como aquelas não merecia viver.

E, claro, aquilo tudo incomodava Nico profundamente. Mesmo que professores orientassem os alunos a não comentarem sobre o assunto, eles não paravam de falar.

O garoto tomou uma decisão. Ele pediu para que a diretora o deixasse usar os autofalantes da escola, e, para a felicidade dele, quando seu objetivo fora explicado, ela deixou sem nenhuma condição. Então, em uma troca de aulas, ele foi até a sala onde o microfone ficava e pôde fazer seu recado para que todos presentes ouvissem.

"Com licença, queria um minuto da atenção de vocês. Eu sou Nico di Ângelo, namorado — ele preferia se chamar assim — de Thalia, a garota que tentou se matar. Bem, eu ouvi o que vocês andam falando. Concordo com alguns, ela realmente não deveria se machucar desse jeito, mas alguns de vocês estão passando dos limites. Thalia não é nenhuma aberração, ela é apenas uma garota machucada demais para se importar com feridas internas.

Eu vi que muita gente está achando que a situação é cômica. Realmente, poxa, uma garota tentou se matar, nossa, por que será que eu não estou rindo disso?

Ninguém aqui conhece a verdadeira Thalia Grace, por isso, nenhum de vocês tem o direito de falar o que ela deve ou não fazer. O que ela passou eu não desejo nem ao meu pior inimigo, espero que vocês nunca tenham que passar também, mas pensem na pessoa que vocês mais amam no mundo e pensem em como seria perdê-la.

Muitos de vocês provavelmente estão pensando "A dor seria muita, mas eu não chegaria a tal ponto". Pois bem, cada pessoa reage de uma maneira diferente. E talvez você diga isso apenas porque não consegue imaginar a dor, mas, se você realmente passasse por isso, faria algo que ela fez.

Por favor, parem com isso! Esse é apenas mais um pedido de alguém que ama muito a Thalia, de alguém que não quer vê-la quebrada em pedaços menores do que ela já está.

Obrigado pela atenção."

E saiu da sala, passando mais uma vez na sala da diretora para agradece-la. Ela sorriu para o garoto.

- Me ligaram do hospital agora há pouco. — Ela disse. — Sua namorada finalmente acordou, e parece que quer vê-lo. Está dispensado do restante das aulas, vá até o hospital.

Ele abriu um sorriso gigante, e estava tão feliz que poderia abraçar a mulher gorda, mas se conteve. Agradeceu a diretora e correu até o estacionamento.

Dirigiu o mais rápido que pôde até o hospital. Thalia acordara. A sua Thalia acordara. E queria vê-lo.

Ele chegou e nem precisou fazer o registro, todos já estavam acostumados com ele. Correu até o quarto de Thalia. A garota chorava compulsivamente, chamando por ele, e o médico tentava fazê-la se acalmar. Assim que viu o garoto entrar, os olhos dela brilharam e ela deu um sorriso fraco.

Nico correu até ela, empurrando sem querer o médico, e abraçando-a acolhedoramente, chorando. Como ele ansiara pelos braços magros da garota em volta de seu copo!

- Nunca mais faça isso, Thalia! — Ele deu-lhe uma bronca, que foi abrandada pelo choro. Thalia o apertou mais contra o corpo. Ele se separou dela o suficiente para que pudesse encará-la e segurou seu rosto entre as mãos. — Me prometa que nunca vai me deixar! Nunca!

Thalia o olhou emocionada por alguns segundos, antes de dar mais outro sorriso fraco me meio as lágrimas e respondê-lo:

- Eu prometo, Nico.

Ele retirou o espaço que havia entre eles, beijando-a calma, porém, apaixonadamente. Thalia correspondeu ao beijo sem pensar duas vezes. Se separaram quando o ar faltou e ele a olhou mais uma vez.

- Eu sei que não está sendo fácil para você, Thalia, mas podemos passar por isso juntos. — Ele sorriu para ela, que assentiu. — Eu te amo tanto, minha princesa!

~^~

Thalia sorria ao se lembrar da história. Não acreditava que já haviam cinco anos desde que tudo acontecera.

Ela se olhou no espelho. Estava magnifica. Usava um lindo vestido branco rendado que ia até seus pés, o mesmo vestido que sua mãe usara no casamento com seu pai, mas com alguns ajustes aqui e ali. Seu cabelo estava cuidadosamente enrolado em um coque detalhado, com pequenas flores brancas presas nele aqui e ali. Se recusara a usar o véu, não queria que nada atrapalhasse sua visão de seu amado, e não queria outra coisa em que pudesse tropeçar, como se já não bastasse o vestido.

Annabeth, uma garota que conhecera na faculdade e que passara a ser sua melhor amiga, e agora sua madrinha, entrou na saleta que ela estava, carregando um buquê das mesmas flores brancas que estavam presas em seu cabelo.

- Está na hora. — A loira disse, entregando o buquê para a amiga. — Você está tão linda!

Thalia sorriu para ela e saiu da saleta. Apesar de não ter seu pai para acompanhá-la, Hades, o pai de Nico, não hesitou em aceitar seu pedido de levá-la até seu amado. O homem esperava na frente da limusine preta que a levaria até a igreja.

- Ah, meu filho fez uma escolha tão boa! — Ele exclamou, dando um beijo na testa da garota, que sorriu. — Vamos, eu sei o quanto é angustiante esperar que a noiva chegue.

Thalia riu. O caminho até a igreja não foi demorado, mas parecia que haviam se passado séculos. Ela deu um grande suspiro de ansiedade antes de entrar na igreja.

Nico perdeu o fôlego. Ele sempre soube que Thalia era linda, mas naquele dia ela estava maravilhosa. Ele sentia vontade de correr de onde estava, pegá-la nos braços e enchê-la de beijos, mas se contentou.

Seus olhares se cruzaram e ambos puderam ver o quanto se amavam. Um amor gigante, que nunca acabaria e que nada poderia mudar. Thalia sorriu mais ainda, preparada para a nova fase de sua vida.

Preparada para o começo do seu final feliz.

Notas finais
E então? Acidente de carro novamente, mas o que eu posso fazer? Ahsuhash. Bem, espero que tenham gostado ^.^
Sei que ones geralmente não recebem muitos reviews, mas deixem apenas sua opinião aqui em baixo e deixará uma autora feliz.
~Kisses!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!