Happy Death Day!
1 Happy death day!
Um suícidio é muito mais patético do que dramático, ao contrário do que todos pensam. Niguém melhor do que eu para saber isso.
Sou uma suicida desde que me entendo por gente. Até então são 5 tentativas. Cinco anos seguidos, em cada aniversário. Sei que é tremendamente estúpido tentar sempre no mesmo dia. Bom, veja isto como um desafio. Ao menos é assim que eu encaro.Todo ano meu psiquiatra tenta me convencer do quão especial é comemorar mais um ano de vida. Todos os anos digo que concordo, realmente é especial envelhecer, amadurecer. Ele então diz que preciso ser mais verdadeira.É até engraçado. Se existe algo que não faço é mentir. Nas nossas longas conversas — duas horas diárias, para ser exata — conversamos de tudo que se possa imaginar. Principalmente sobre minha família. Cada tio do exterior, cada primo em terceiro grau, meu psiquiatra poderia recitar minha árvore genealógica inteira.A única coisa que ele nunca me perguntou é por que quero me matar. Acredito que a simples idéia de fazer isso o ofenda. Bom, não me incomodo que ele tente desvendar os sofrimentos da minha alma. Espero apenas que não se frustre ao dcescobrir que não há nenhum.É, não tem nada a ver com sofrimento. Longe disso. Se paro pra pensar, não consigo imaginar uma situação na que tenha pensado \"nossa, como sou infeliz\". Apenas estou entediada. Do que? De tudo.Quando tinha sete anos e escutava minhas amiguinhas falando sobre este ou aquele menininho pensava \"qual é o sentido?\" Depois de três anos, no dia do meu aniversário, cheguei a conclusão. Há, sim, muitos sentidos. Apenas não consigo me entusiasmar com nenhum deles. Não são eles que quero pra minha vida. E por que não? Porque não quero estar viva.Portanto vesti minha roupa mais bonita, peguei a caixa inteira de comprimidos e disse a minha mãe que ia tirar um cochilo antes do parabéns. Até agora não sei como ela suspeitou. Sei que não foi por algo estranho em minha feição, pois me encontrava completamente calma. Bom, acho que sempre pareci meio depressiva. No fim ela entrou no meu quarto enquanto eu, calmamente, ia colocando uma por uma as cápsulas na minha boca. E, desde então, todo ano essa cena se repete. Ano passado realmente pensei que ia conseguir, mas não contava com toda a fumaça que ia causar. Resultado: cortinas e paredes queimadas e eu, mais uma vez, intacta.Mas amanhã vai ser diferente. Tenho tudo planejado. E, enquanto escuto as maravilhas de bolo e presentes, apenas penso numa coisa : o quão maravilhoso vai ser sujar o banheiro de casa sem ter que limpá-lo depois.
Notas finais
obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor