Happy Days
1 Oneshot
Notas iniciais
Boa leitura!

Era um dia quente de verão, refrescado pela característica chuva da estação, caindo soturnamente, deixando o cheiro úmido do asfalto antes aquecido subir, as gotas acompanhavam umas às outras, formando poças nos relevos, o reflexo nas janelas e as lágrimas nos rostos das crianças tristes. Quando o lamento celestial cessou, sendo confortado por um belo arco-íris sob o céu esbranquiçado e fracos raios de sol, foi questão de tempo para que o toque de recolher soasse, um sino estridente e constante, anunciando o início das férias de verão.
Dois jovens saiam quase que grudados dos umbrais da grandiosa escola de super-heróis, a consagrada U.A. o maior era loiro, com os cabelos penteados em um topete exagerado, óculos laranjas de sol, um sorriso alegre no rosto e uma radiante presença. Por outro lado, o outro era seu oposto, cabelos ondulados e bagunçados, pretos como os próprios olhos, cuja expressão era de cansaço, contornados por profundas olheiras, destacadas diante de sua palidez excessiva, contrastando com as madeixas semilongas que emolduravam as bochechas, indo até o pescoço.
— Oi Aizawa e Yamada! — exclamou uma garota ruiva próxima dos dois, acenando, na realidade, ela não fazia a mínima ideia de quem era quem, os garotos acenaram de volta, com suas respectivas reações, um sorriso vindo do loiro e um bocejo do moreno.
Aizawa Shouta era o característico perdedor escolar, que por mais inteligente que fosse, deixava sua preguiça o controlar, impedindo-o de florescer na lista de alunos de honra, não era como se importa-se para ele de qualquer forma, lhe faltava tanta motivação que chegava a ser deprimente a constante apatia e morbidez em sua personalidade, não era atoa que só tinha um amigo em toda a escola.
Hizashi Yamada por outro lado, se encaixava na categoria de perdedor que desejava ser popular e descolado, sempre divertido e alegre, conversando com todos, mantendo um penteado tão ridículo quanto seu senso de humor na tentativa de se encaixar melhor, era um dos alunos mais inteligentes, apesar de não parecer por sua personalidade extremamente frugal e espontânea, ninguém adivinharia que estaria pensando em algo sério em qualquer situação, era uma vantagem de certa forma, de onde não se espera nada é também o que mais surpreende.
Os dois rapazes eram tão grudados um no outro, nunca se separando, fazendo trabalhos em grupo em uma simples dupla, que era funcional, todos se perguntavam como conseguiam se dar tão bem sendo tão diferentes. Entretanto, independente do potencial de ambos, eram excluídos e alvos fáceis de valentões, que conseguiam sempre se livrar graças a individualidade apagadora de Aizawa, que os permitia ter tempo o suficiente para correrem até um lugar seguro, apesar de não admitirem, não conseguiriam sobreviver um dia sequer sem o outro no que chamavam de “Inferno Recatado”, o gentil apelido que davam para o colégio.
— Shouta, que tal a gente ir lá em casa jogar um vídeo game e aproveitar o primeiro dia fora do inferno? — Sugeriu Yamada, sua voz era estridente e cantarolante, apropriada para alguém com uma individualidade focada no alcance vocal ensurdecedor.
— Não. — Negou Aizawa, mantendo seu firme tom entediado e grave, passando os dedos no próprio queixo, onde estava cultivando um projeto de barba, ainda era rala mas pelo menos visível.
— Por-que!? — Questionava o maior, parando na frente do amigo, interrompendo o fluxo de estudantes pelo pátio, manteve ambas as mãos nos quadris, o olhando seriamente.
— Tô com sono, quero só chegar em casa, tirar essa roupa, me jogar na cama e dormir até o fim do verão — Respondeu calmamente o pálido, bocejando, estava quase dormindo em pé.
— Que merda, Shouta! — Praguejava o loiro, o dando um soquinho no ombro, voltando a caminhar ao seu lado, até chegarem a calçada. — eu já te falei para ir dormir mais cedo, mas você insiste com essa de ser um morcego, quer virar o Batman!? — Brincava, bagunçando os cabelos do amigo mais ainda, este que recuava para trás, estapeando a mão do outro.
— Sai pra lá, você é muito fraco com essas coisas, nunca vai entender a alegria de dormir até não poder mais — Aizawa esbarrou o ombro propositalmente no do loiro, começando uma competição típica vinda dos dois de ficarem se empurrando pelas calçadas e rindo estupidamente.
Outros alunos, em sua maioria vindos atrás ou do outro lado da rua, comentavam sobre os dois, rindo alto, entre os comentários mais comuns estavam coisas como “Qual deles é o Aizawa e qual é o Yamada?” “Achei que fossem uma só pessoa” “Perdedores!” mas nenhuma das frases lhes incomodavam, estavam ocupados demais com aquele passatempo infantil, mas ao mesmo tempo divertido, para ligarem.
Apostaram uma corrida até a rua que moravam, eram vizinhos a quase um ano, a família de Aizawa havia se mudado recentemente para o bairro, o que facilitava sua constante interação com o melhor amigo. Suspiraram cansados ao chegarem, Hizashi estava ofegante, seu peito subia e descia a procura de fôlego, havia até mesmo perdido a gravata no percurso, Aizawa nem sequer havia se esforçava, não se importava em perder, que era o caso naquela situação, havia aceitado a proposta apenas para ver um sorriso no outro, ficava feliz em o ver alegre, não com um sorriso social típico, mas sim com um sorriso verdadeiro e de felicidade verossímil.
— Cara… — Começou Yamada, ainda com dificuldade para respirar, seu penteado havia sido desfeito pelo suor e pressão, deixando-os cabelos com um aspecto de palha cômico, pendendo para os lados — Você mora praticamente do lado da minha casa, qual a dificuldade de ir lá rapidinho? — Questionou, voltando a insistir quanto ao assunto.
— Não te interessa, cabeça de vassoura — Retrucou rudemente o soturno, cuspindo na mão direita e passando nos cabelos de Yamada, que tentou o afastar com nojo, mas só teve sua cabeleira ainda mais desorganizada, ficando grudenta e úmida pelo cuspe, além do cheiro, era de algo familiar.
— Cara, você bebeu? — Perguntou, sentia o cheiro forte de álcool vindo da boca de Aizawa, ele sempre parecia estar de ressaca, mas nunca havia passado por sua cabeça que ele pudesse realmente estar naquele estado.
— Sim, ou você achou que a minha cara de morto-vivo era natural? — Riu secamente, cruzando os braços, se sentando no meio-fio da calçada a frente de sua casa, deixando a mochila preta ao lado, pegando sua garrafa d'água do bolso e tomando um gole, Hizashi imitou o amigo, ficando ao seu lado.
— Sim, eu achei que era natural, já estava acostumado com sua cara assim — Respondeu ele, após breves momentos calado.
Um silêncio incomum prevaleceu, raro na dupla, quando não eram as piadas e perguntas exageradas de Yamada, eram as reclamações e apontamentos negativos de Aizawa, mas naquele instante, era como se houvessem se esquecido até mesmo de quem eram, ficaram imersos na paisagem, o sol se pondo no horizonte, visível sob os telhados das casas. O bairro era o típico de classe média baixa, no subúrbio, por sorte era próximo da escola, assim não tinham que acordar mais cedo para pegarem metrôs e se deslocarem de estação para estação.
Aizawa olhou brevemente para o colega ao lado, mantendo uma expressão mais suave, estavam com os ombros encostados um no outro, apoiados apenas na cerca de madeira a frente da moradia. Shouta de distraia por completo da situação, deixando seu corpo relaxar, cada vez que seus olhos piscavam, sentia impressão de ter um sonho diferente, de que suas pálpebras ficavam mais pesadas, mais difíceis de se controlarem, de de se manterem erguidas, até que cederam ao cansaço, confinando as orbes ônix na camada de pele, cujo exterior estava escurecido. Sua cabeça pendeu para o lado, repousando no ombro de Yamada, que imediatamente virou o rosto, o observando, deixando que ele se acomodasse ali, passou um braço por trás de seu torso, o trazendo para mais perto, quando dormia, não parecia ser tão rabugento, ou era isso que se passava na mente de Hizashi.
O acordado ficou por quase meia hora naquela posição aquecida e confortável, deixando o amigo descansar solenemente, com os fracos raios solares iluminando sua face lívida, os cabelos de Yamada ficavam ainda mais dourados com a luz, deixando algumas pintas visíveis em seu pescoço, qual esticava constantemente, estralando e pousando a cabeça sob a de Aizawa.
Sentiu seu casaco ser umedecido no ombro, já estava atravessando o tecido até mesmo da camisa social por baixo e tocando sua pele, o que o fez empurrar Aizawa, vendo que ele havia babado por completo seu uniforme, o moreno não acordou com o impacto, apenas cambaleou para o lado e caiu na calçada, que foi o necessário para o despertar, totalmente perdido e sem saber onde estava.
— Por-que você me acordou!? — Reclamou, ao recordar-se do ótimo cochilo que estava tendo.
— Talvez porque você tenha BABADO minha roupa! — Yamada o contestava, tirando o blazer e deixando de lado, vendo a parte escurecida no ombro da camisa por conta do líquido.
— Você é um fresco.
— E você é um babão!
Após aquela troca saudável de xingamentos, riram juntos da situação, Aizawa balançava a cabeça negativamente, se sentindo no jardim de infância novamente, apesar de que já estava no segundo ano do colegial. Yamada se mantinha bobo, não estava verdadeiramente enojado com a saliva, apenas indignado.
— Você sabia que eu lavei sozinho esse uniforme só para usar hoje? — O contou, apontando para a marca escura na roupa.
— Não imaginei que você seria tão idiota. — Aizawa retrucou, tirando as alegrias de Yamada, tinha que acontecer pelo menos duas vezes no dia, ou estariam tendo aquela amizade da forma errada.
— Vai me dizer que você não fez isso!?
— Cara, eu não tomo banho a quase uma semana, meu casaco está do avesso e minha calça suja de ketchup, você acha mesmo que eu me importo? — Shouta foi franco e direto, apontando para si mesmo, Yamada não imaginou que ele estivesse realmente com o blazer do avesso, se perguntou como não havia percebido aquilo.
— Okay… isso é uma nova modalidade?
— Sim, estilo mendigo.
Riram novamente, dessa vez gargalhando alto, alertando os moradores, não demorou para que a mãe de Aizawa, uma mulher igualmente taciturna e sombria, aparecesse. Em sua mão direita estava uma faca de cozinha, a dando um aspecto aterrorizante, mesclado com os cabelos lisos, longos e negros cobrindo boa parte do rosto, era como um fantasma, ambos se viraram, visivelmente assustados.
— Que bom que está em casa, querido! — Exclamou a mãe, quebrando todo o clima de horror — Você trouxe seu amigo? Isso é ótimo, entrem, por-favor, já estou servindo o jantar! — Concluiu, deixando a porta aberta e requisitando os dois, chamando-os com a mão livre.
A dupla respirou aliviada, entrando. Yamada já estava acostumado com a casa, assim como a família Aizawa com sua presença, era como o raio de luz que faltava para o filho do casal taciturno, que apesar de terem a aparência relativamente obscura, eram alegres e muito divertidos, o que só causava mais questionamentos na mente de Yamada, se perguntando como diabos o amigo havia conseguido se tornar tão cabisbaixo estando sempre em um ambiente tão acolhedor, mas cada um é cada um, ou era isso que dizia para si mesmo, a fim de cessar as dúvidas.
O jantar foi tranquilo, não conversaram muito, a mãe de Aizawa acabou convidando Hizashi para dormir em sua casa, no início, Shouta insistiu para que ele não aceitasse, mas obviamente acabou cedendo, teria que passar uma noite ouvindo o amigo falar sobre música eletrônica, ótimo.
Mais tarde, enquanto todos já iriam dormir, decidiram tomar um banho juntos, seria engraçado para tirar todo o gel do cabelo de Yamada e fazer uma boa limpeza em Aizawa. Os rapazes adentraram o banheiro, que ficava entre os dois quartos da casa, sendo o último cômodo no corredor, era de uma estrutura simples, com um chuveiro atrás do box de vidro, qual entraram juntos, já estavam acostumados a se verem sem roupas.
— Cara, você tem que se depilar, olha essas pernas! — Começava Yamada, apontando para as canelas de Aizawa, visivelmente peludas.
— Eu nem mostro elas, pra que diabos eu iria raspar? — Aizawa rebateu, pegando o sabonete e começando a passar no corpo, não tomava banho a um bom tempo.
— Talvez porque seja anti-higiênico. — O loiro o respondeu, revirando os olhos, começando a passar shampoo nos cabelos, que perdiam a textura grudenta conforme a espuma caia junto do gel.
— Anti-higiênico é essa vassoura mofada que você chama de cabelo — Ao fim da sentença, Shouta só pôde sentir a ardência nos olhos, como vingança pelo insulto havia recebido uma dose de espuma no rosto, que fez suas orbes se irritarem — Caralho, você é um arrombado mesmo! — Empurrou Yamada, começando a dar risada, limpando os olhos, vendo que ele estava no chão, parou por alguns momentos e imaginou, será que ele havia batido a cabeça?
Aizawa se ajoelhou no chão, ficando ao lado do amigo, chacoalhando ele, enquanto o extenso chuveiro derramava água sobre os dois, mas não obteve resposta alguma, começou a entrar em desespero, perdendo sua postura séria e calma.
— Por-favor, acorda! Eu juro que não foi minha intenção, eu não queria te ofender! — Exclamava, assustado com a situação.
Um grito saiu da boca de Aizawa, ao ser repentinamente assustado pelo amigo, que se ergueu de uma só vez, com um berro estridente para o assombrar, começando a dar risada de sua reação. Shouta ficou sério novamente, se levantando e esperando que ele estivesse com a guarda baixa, quando este se virou para pegar o condicionador, imediatamente ergueu o braço esquerdo, colocando a região de sua axila contra o rosto do loiro, o forçando a inalar o terrível odor de alguém que não tomava banho a muito tempo.
— Puta que pariu! — Praguejou Yamada, tirando com força o braço de Aizawa de seu rosto — Você venceu! Chega, não aguento mais. — Se rendeu por fim, a brincadeira de provocações parecia estar com seus dias contados, pelo menos por enquanto.
Demoraram pelo menos meia hora naquela ducha, como era de se esperar, o soturno sairá cheirando bem, com os cabelos desembaraçados e até mesmo mais pálido por conta da limpeza intensa que receberá a força do amigo, que insistira em o esfregar bem até que ficasse brilhando, podia até ouvir sua pele ranger quando em contato com outras superfícies. Enroscou uma toalha preta na cintura após se secar com a mesma, Yamada repetiu o processo, saindo junto dele e voltando para o quarto.
— Vou pegar uma roupa sua emprestada — Anunciou o hóspede, abrindo o guarda-roupa, extremamente bagunçado por sinal, quase que fora soterrado pelas peças de roupas simplesmente arremessadas ali sem qualquer cerimônia.
Aizawa não o questionou, apenas colocou sua camisa preferida do Candlemass, uma cueca boxer preta e deitou na própria cama, igualmente desorganizada. Hizashi se vestiu com uma camisa azul escuro que havia encontrado, e uma calça larga preta, sentando na beira da cama, se espreguiçando, observando toda aquela bagunça com a qual já estava habituado.
O quarto de Aizawa, por mais vazio que fosse, era uma completa zona, ele conseguia quase que conjurar poeira do além, era impossível saber de onde vinha tanta tralha. Roupas espalhadas pelo assoalho, pôsteres mal colocados de bandas de Metal na parede, pratos escondidos debaixo da cama e muitos livros, todos aglomerados no chão em uma torre instável.
— Sempre me pergunto, qual a razão de você nunca arrumar esse quarto? — Perguntou curiosamente, puxando um pouco da roupa de cama para ajustar.
— Eu vou bagunçar depois, não tem razão pra arrumar. — Respondeu, marcando a página do livro com uma folha dobrada a parte, o jogando para baixo da cama.
— Não posso falar muito, não sou o cara mais limpo do mundo, mas não chego a ser estilo mendigo igual você.
Aizawa colocou o pé no ombro de Yamada, pressionando os dedos longos contra a bochecha dele, arranhando um pouco, estava com as unhas relativamente longas, e pintadas de preto, assim como as das mãos.
— Quando sua fase gótica vai passar? — Perguntou, no intuito de o provocar.
— Não é uma fase, muito menos gótica, eu gosto de metal seu acéfalo — Deu um peteleco com o dedão no nariz do outro, rindo com sua expressão de desgosto.
Acabaram por ficar conversando toda a noite sobre assuntos relacionados a vida fora da Terra, aracnídeos e fobias, o moreno se aproveitava para brincar com o medo de insetos do amigo, era cruel mas divertido, sempre dizendo que hora ou outra um besouro entraria pelo seu nariz, que era um tanto grande, mas fino.
— Eu estava me perguntando, você já beijou alguém? — Perguntou Aizawa, sem saber ao certo o porquê.
— Não, mas ainda vou! — Respondia com um tom otimista — E você? Já ficou com as gatas góticas?
— Não, não acho que nenhuma delas tenha interesse em mendigos que bebem escondido dos pais. — Retrucou, rindo baixo junto do loiro, se ajustando melhor na cama, ela era de tamanho médio, cabendo os dois rapazes confortavelmente.
— Para, você é bonito, legal e inteligente, duvido muito que alguma garota não vá eventualmente querer ficar com você.
Um pequeno rosa tomou conta do rosto do pálido rapaz, que riu sem graça, cruzando os braços contra o peito, como os mortos eram posicionados em seus caixões, sempre fazia aquele gesto para demonstrar estar morto de vergonha, era uma piada interna entre os dois, Yamada percebeu e caiu na gargalhada, era sempre raro o ver constrangido daquela forma, e ao mesmo tempo adorável.
— Eu te digo o mesmo, você é do tipo palhaço que faria qualquer gostosa gótica e melancólica rir — Brincou, abrindo um caloroso sorriso para ele.
— Tenho que concordar, eu consigo fazer um gótico gostoso e melancólico sorrir, já é algo. — Falou sem pensar muito bem, notando o ar embaraçoso que se formou devido ao seu comentário, o deixando levemente arrependido.
— Sério que você me acha gostoso? — Indagou Aizawa, mais como uma retórica que qualquer outra coisa.
— Claro! Se eu fosse uma garota, ficaria com você, sem sombra de dúvidas!
— Idem. — Retrucou com dificuldade, demasiado encabulado e corado para o encarar.
Yamada virou o rosto para a esquerda, para olhar melhor Aizawa, mas acabou ficando face a face com ele, que estava fazendo a mesma coisa antes mesmo que pudesse pensar naquilo, não conseguiram desviar o olhar um do outro, fazendo a situação se tornar ainda pior, a vermelhidão se alastrava como nunca em seus rostos, até que ficassem rubros como tomates.
Em uma espécie de impulso momentâneo, estavam se aproximando mais e mais, até que seus lábios estavam pressionados um contra o outro, os olhos fechados e com as pálpebras trêmulas, a hesitação constante da descoberta adolescente mútua. Aizawa levou as mãos timidamente até os cabelos lisos e húmidos de Yamada, os acariciando, enquanto seus lábios se deslizavam um contra o outro, os molhando levemente, era uma sensação estranha e nova.
Acabaram por se distanciar quando perceberam o que estavam fazendo, olhando surpresos um para o outro, tentando disfarçar a inconveniência com sorrisos retraídos. Aizawa riu de si mesmo, colocando ambas as mãos contra o próprio rosto, o ocultando, querendo ser enterrado vivo para que aquele constrangimento passasse.
— Fica frio, foi bom — A voz aguda e amigável de Hizashi quebrou o silêncio, tirando as mãos do amigo de sua face e segurando-as, mantendo um sorriso típico.
— Igualmente… poderíamos repetir qualquer hora…
Com isso, passaram o resto da noite praticando melhor a arte do namoro, rindo um do outro, se abraçando e trocando experiências de vida, não podiam dizer se era uma paixão ou só curiosidade típica de garotos, mas tinham certeza de que estavam vivendo os dias mais felizes de suas vidas, que aquele verão traria suas juventudes ao ápice e os mostraria muitas coisas, era só o início de algo que duraria por anos.
Notas finais
Caso tenha gostado, não se esqueça de favoritar e deixar um comentário, gosto de ler as opiniões dos leitores, abraços e até a próxima.
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