Happy Birthday Anya!

8 From your brother who loves you, Tristan


Notas iniciais
Carta escrita por mim, em nome do terceiro irmão mais velho da Anya. (Pois é, ela é a caçula)

Anya,

Eu andei pensando no que escrever para o seu aniversário e decidi que essa carta terá dois propósitos: o primeiros, claro, para parabenizá-la pelo seu aniversário, então vamos logo acabar com isso: Parabéns! Que o seu ciclo, que dura quatro anos, seja iluminado e cheio de vitórias, alegrias e conquistas.

Agora vamos ao que interessa. Eu gostaria de pedir desculpas. Eu sei que nossa convivência melhorou 100% nesses anos, e que muitas das nossas diferenças foram acertadas de por reconhecimento de um no outro, mas eu queria me desculpar oficialmente, como se deve.

Eu passei a maior parte da nossa infância e o começo da adolescência determinado a fazer da sua vida um pesadelo. Eu ficava enfurecido com qualquer coisinha que acontecia em casa e, com a quantidade de adolescentes que tinha por perto, o barulho era inevitável. Todo mundo gritava e tinha seu próprio talento: William era bruxo, Nigel era absurdamente forte e ouvia sedento toda a ladainha de velhos acontecimentos que a mamãe falava sobre a Escócia, Daniel sempre foi artístico e excelente desenhista e você, naquela época, já era tão inteligente. Eu também queria ser notado então fazia, nas palavras da mamãe, o diabo em casa. Quebrei coisas, e por minha causa o coitado do gato do Will, o Bolota, perdeu a ponta do rabo. Embora a mamãe me lembrasse com frequência o meu talento para exatas, eu mesmo não acreditava no meu potencial e refletia isso em você. Eu não era idiota de tentar explodir com os três mais velhos, então sobrava você: sempre pequena, com um livro embaixo do braço, se preparando para entrar no mesmo internato que a mamãe estudou. Como você me irritava. Você abria a boca e eu tinha vontade de quebrar a sua cara. Desculpa, mas é verdade.

Como se já não bastasse tudo isso, conforme eu fui crescendo, eu ficava cada vez menos interessado nas garotas. Eu culpava você, é claro. Eu dizia a mim mesmo que você era tão insuportável que eu não queria outra perto de mim e esse pensamento foi o suficiente para usar de desculpa na infância, até o fatídico dia em que eu me apaixonei de verdade… Por um garoto. Naquele momento meu mundo caiu e eu estava sozinho. Eu não tinha coragem de contar para a mamãe ou para qualquer dos nossos irmãos (note que eu nem conto o papai, porque ele nunca estava em casa, mesmo). Mas eu precisava contar para alguém, precisava dividir. O papai te trouxe a carta de Hogwarts e eu fiquei ainda mais insuportável: na minha mente, você ia entender o meu pedido de ajuda e vir conversar comigo. Onde eu estava com a cabeça? É claro que você ia se afastar ainda mais e contar os dias prá ir embora. E você foi. Ficamos Daniel, mamãe e eu em casa apenas. Nesse meio tempo eu me dediquei a estudar robótica e, descobri ser realmente bom nisso. Eu tinha um talento, afinal! E também comecei a sair de casa nos fins de semana e, pouco tempo depois a namorar.

Eu me lembro do jantar que estávamos todos em casa, até o papai e o Nigel, e você teve coragem de falar que estava apaixonada pela sua colega de quarto. Aquilo acendeu uma luz para mim e, e eu reuni o máximo de coragem que consegui e te chamei para ver a miniatura de locomotiva que eu estava montando. Naquela ocasião eu consegui sair do armário para você e até de mostrar uma foto do Adam. Você foi gentil, me ouviu e me perguntou quem mais da família sabia e eu disse que não tive coragem de contar para ninguém. Foi a primeira vez que eu me mostrei vulnerável para você e você, para a minha surpresa, foi compreensiva e ofereceu ajuda para que eu contasse para a mamãe e o papai, enquanto estava todo mundo reunido. E então eu chorei. O que me fez chorar naquele dia não foi o alívio que eu senti, mas a sua atitude bondosa, apesar de tudo, em relação a minha situação. E culpa. Você deve se lembrar do quanto eu solucei… Tudo porque eu sentia culpa de ter te maltratado a vida inteira. Ainda assim, depois de tudo que você fez por mim eu não tive coragem de pedir desculpas. Por algum motivo eu pensava não precisar, porque afinal de contas, já tínhamos nós acertado. Foi conversando com a mamãe anos depois, eu citei que nunca havia me desculpado com você sobre tudo. Ela ficou boquiaberta e me explicou que o pedido de desculpas seria benéfico para ambos, mesmo sabendo que estamos bem.

Eu sei que essa carta não é o tipo de felicitações que você esperava, mas foi o que eu senti que nós dois precisávamos.

Depois de tudo, eu posso dizer com firmeza que eu te amo.

Obrigado por tudo.

Seu irmão

Tristan Malcolm McGregor.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Reviews são muito bem-vindas! Beeeejo! ^v^