Notas iniciais
Desculpa, gente, todo dia eu tento escrever antes das 20h (horário de Vancouver que corresponde a meia-noite) e aí não consigo, a palavra muda e eu me estresso. Estou triste por ter perdido tantos dias, mas vida que segue.

É meio horrível pensar que tudo acabou como um simples sopro.

Do mesmo jeito que sopramos a fumaça de cigarro, nossa ligação se dissipou com o vento, mas o cheiro dela continua nas minhas memórias e o som do seu sorriso aterroriza meus piores pesadelos. Ainda devaneando sob a janela, quase escuto a voz de Marlene vindo me assombrar.

“Somos um casal poderoso e bonito”, ela me disse há doze meses, neste mesmo quarto, abraçando-me pelas costas. Aconchegados em robes vermelho-dourado, admirávamos a linda vista lá de fora: Vergônteas entrelaçadas às árvores vizinhas, o sol nascendo, nosso pequeno paraíso.