Happiness is a lie
2 Capítulo 2
—Obrigada, Shiragiku-san.
Eu sento no sofá do lado oposto ao dela e começo a me enxugar.
—Sua casa é bem grande, hein? Você é rico?
—...
—Você mora com seus pais?
—...
—Por que você não fala nada?
—...
—Ei... Eu estou sendo tão amigável com você, e mesmo assim...
—Por isso mesmo.
—O que quer dizer com isso?
—Suas palavras, seus atos, suas expressões, seu ser exterior... Isso tudo é falso...
—Eu não estou entendendo.
—Não precisa se forçar...
—C-como assim?
—Eu consigo ver através de sua máscara.
—...
—Te deixei sem palavras?
—Como pode dizer isso com esse rosto inexpressivo?
—Do mesmo jeito que você... Ambos somos iguais e diferentes ao mesmo tempo... A diferença é que você escolheu usar sua máscara para todos mesmo com ela desbotando, enquanto eu escolhi retirar a minha há muito tempo.
—Por que você...?!
—Eu percebi que não valia a pena gastar minha energia com este mundo falho, que tirou minha família de mim e me deu apenas sofrimento.
—Quer dizer que você...?!
—Sim, eu consigo ver através de você... Então não precisa se forçar a parecer forte, fingir que está tudo bem... Usar sua aura de “Eu sou perfeita!” apenas para esconder sua dor, me incomodava bastante.
—Por isso aquele olhar com intenções implícitas... aquele olhar que me dizia: “Falsa”.
—Sim.
Lágrimas começam a escapar de seus olhos.
—Mas sendo assim, por que você nunca veio falar comigo? Ou melhor, por que não fala com ninguém?
—Prefiro ficar sozinho, socializar é algo fútil, se eu preciso de algo vou lá e faço. Vivemos num mundo hipócrita, eles prezam a boa comunicação e relações, porém, nos jogam em um battle royale, onde somente o mais forte ficará com: empregos, faculdade, fama, dinheiro... Eu simplesmente cansei de fazer parte desse sistema idiota, e comecei a viver minha vida por mim mesmo, ao invés de viver pelo sistema.
—Você é incrível... Eu não conseguiria fazer isso...
—...
—Eu sabia que...
—Hm?
—Podia confiar em você...
—O quer dizer com isso?
—Desde que você se transferiu para aquela escola, você emanava uma aura diferente dos outros... Enquanto todos me viam por fora, achando que eu era perfeita, me idolatrando, alimentando meu ego falho... Enquanto todos ficavam perto de mim por causa das riquezas da minha família... Eu me sentia mal a cada dia que passava, por ser tratada tão bem, apenas por usar esta máscara e ser um pouco beneficiada... Mas você... Sempre que eu tentava conversar com você, me tratava normalmente ou friamente, nunca deu importância para o que eu tinha, você era diferente... Eu lhe observava de longe, esperando que um dia pudéssemos conversar normalmente... Que pudéssemos ser amigos...
—Este último, temo que irá tardar acontecer...
—Por quê?
—Quanto mais próximos de mim, mais as pessoas sofrem, esse é um dos motivos para eu me isolar dos outros.
—Mas... E se eu quiser desabafar...?
—Estou aqui...
—Vai me julgar?
—Não...
—Vai utilizar meu momento de fraqueza para se aproveitar de mim?
—Se eu fosse fazer isso, acha mesmo que eu falaria a verdade?
—Hehe, você está certo, mas... Você vai me acolher do jeito que eu sou?
—Sim...
Ela estava se segurando, mas bastou uma confirmação para que desmoronasse em lágrimas. Kamen se levantou do sofá e correu para mim, que a recebi de braços abertos. Enquanto ela chorava e falava todos seus medos, inseguranças e pesares, eu a abraçava fortemente. Aquilo durou um bom tempo, ela só parou de chorar quando adormeceu.
—Ela realmente guardou isso pra si por muito tempo...
Ela estava segurando fortemente o meu blazer. Eu a solto e ponho em meus braços, carregando-a até o meu quarto, deitando-a em minha cama. Vou até o quarto da minha irmã e trago de lá um pijama rosa, quase do mesmo tamanho dela. Eu retiro suas roupas deixando-a apenas com roupas íntimas e visto-a com o pijama. Cubro-a com o edredom, coloco as roupas dela para lavar e secar, e então vou para o quarto dos meus pais para dormir, não era tão tarde, mas acho que aquilo foi um tanto exaustivo.
No dia seguinte já depois de ter feito o café da manhã, eu vou acordá-la.
—Kamen, acorda, vai se atrasar para a escola.
—Hm? sonolenta -ela se levanta com os olhos um pouco abertos. — *bocejo* *espreguiçando* Ohayou.
—Ohayou. Como está se sentindo?
—*Cora* ~Tímida~ Bem melhor, obrigada por me ouvir, me sinto muito mais leve agora.
Ela olha para si mesma.
—Esta roupa?
—Eu a vesti em você, era da minha irmã.
—Não foi o que eu quis dizer... Por quê?
—Sua outra roupa estava molhada, então eu aproveitei e coloquei para lavar.
—Você me viu nua?
—Se você considerar roupa íntima como nudez, então sim.
—*Mais corada ainda* O-o que achou?
—Nada de mais, você é bonita e tudo mais, mas só isso, não vou comentar de seu tamanho, mas eu não faria nada com alguém tão indefesa quanto você.
—Entendo...
—Você está bem mais calma do que eu esperava.
—Bem, eu já sabia que você não me faria nenhum mal, além de que, só fez isto para me ajudar, não é? Então não tenho o direito de reclamar.
—Entendo. Bem, o café da manhã está pronto, pode tomar um banho e depois descer.
—Certo.
Enquanto Kamen estava no banho, eu entro no banheiro.
—Estou deixando tanto uma toalha, quanto seu uniforme e algumas roupas íntimas da minha irmã para você.
—Ok, obrigada.
Quando Kamen termina de banhar, ela desce para o primeiro andar e vê que a mesa da cozinha está posta.
—Você fez tudo isso? Não imaginava que você sabia cozinhar.
—Era isso ou morrer de fome.
Kamen senta-se na mesa e prova das várias coisas que têm lá.
—Nossa, está muito bom. Você cozinha muito bem.
—Valeu e não fale de boca cheia.
Depois que terminamos de comer, ambos saímos em direção à escola.
—Shiragiku...
—?
—Posso lhe fazer uma pergunta?
—Depende do que seja...
—Bem... Você mora sozinho né?
—Sim.
—O que aconteceu com sua família?
—Meus pais e minha irmã, bem... Eles morreram...
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