—O que aconteceu com sua família?
—Meus pais e minha irmã morreram em uma viagem que me recusei a ir. Devido a um problema nas turbinas, o avião caiu matando todos os passageiros. Foi nessa mesma época que...
—Você decidiu se isolar?
—Sim...
—Você passou por muita coisa.
—Sim, faz parte.
Mais alguns minutos caminhando e chegamos na escola. Assim que ambos adentramos na sala fomos bombardeados com aqueles olhares perfurantes.
—MIGA! (“Amiga” da Kamen)
A suposta “amiga” de Kamen corre até ela e a abraça. Ela me olha com desprezo.
—O que você está fazendo com isso?
Eu apenas ignoro e começo a andar até minha cadeira.
—Sua escória, o que você acha que está fazendo perto dela?
—Isso mesmo! (Vozes)
—Coloque-se em seu lugar! (Vozes)
—Morra seu bastardo! (Vozes)
—CALEM A PORRA DA BOCA DE VOCÊS! (Kamen)
O silêncio se fez naquela sala.
—Vocês são um bando de filhos da puta...
—O-O que você está dizendo Kamen, minha amig- (“Amiga” da Kamen) – Ela tenta tocar no ombro de Kamen, que segura seu pulso e a empurra para trás.
—Amiga o caralho. Vocês são um bando de falsos, hipócritas, não conseguem ver alguém diferente e já começam a falar merda, não conseguem aceitar os outros? Ele não é menos que vocês! Falam coisas dele, porque sabem que não aguentariam 1/3 do que ele passou! Falam mal dele por não serem capazes de fazer as coisas que ele faz!
—K-Kamen, por que está protegendo-o?
Ela caminha até mim por trás e me envolve em seus braços.
—Por vários motivos, mas o principal deles é que Shiragiku é meu namorado.
Pela minha cabeça passava apenas uma palavra: Fudeu.
—Sua escória! Você a obrigou a fazer isso, não é? (“Amiga” da Kamen)
—Dá pra calar a porra da boca Taty?
—Vem cá... Quando nos tornamos namorados? – sussurro olhando para ela.
—Hm, você tem que tomar responsabilidade por ter me visto “nua”.
—O QUÊ? (O resto da sala)
—Você não quer? (Kamen)
Apoio minha cabeça em meu braço – Não tenho nada contra, nem nada a favor, então vamos ver no que dá.
—~Feliz~Obrigada! -ela solta um belo sorriso enquanto me aperta.
—Não aperta muito o meu pescoço, isso dói.
—Desculpa. — Ela se afasta um pouco.
—M-Mas, eu não estou entendendo, p-por que isso está acontecendo? Você está completamente diferente do normal! (Taty)
—Porque... ele foi o único que conseguiu ver através de mim... o único que... fez eu me sentir bem comigo mesma.
*Sinal*
—Bem, sentem-se, vamos começar a aula.
Todos se sentaram e as aulas decorreram normalmente, tirando o fato de que eu era bombardeado por aqueles olhares desprezíveis.
*Sinal do almoço*
Kamen se levanta rapidamente e vem correndo até mim.
—Vamos comer juntos?
—Tanto faz.
Eu me levanto e a sigo até o terraço.
—Ah! Esqueci do meu almoço... (Kamen)
—Eu deixei pronto em cima da mesa.
—Esqueci de pegar... Vou comprar algo rapidinho lá em baixo, ok?
Eu aceno com a cabeça.
Alguns instantes após Kamen sair do terraço, a porta é aberta novamente. Eram alguns garotos da minha sala.
—Então você estava realmente aqui. Precisamos lhe dar uma lição por ter ferido a pureza e a bondade da Kamen.
—Vocês não percebem o quão idiotas estão sendo?
—Cala a boca!
Eu me levanto, eles me cercam e todos os 3 vem para cima de cima de mim ao mesmo tempo.
Havia uma brecha naquele “círculo”, então eu simplesmente desviei alguns centímetros, fazendo com que eles acertassem a si mesmos. 2 dos 3 caem no chão, enquanto o “líder”, continua de pé.
—Você vai pagar por isso!
Ele cerra o punho e me desfere um soco, eu seguro aquele punho com minhas mãos nuas.
—O-o que?
—Existem batalhas que você não deve lutar. Seu maior erro foi... me tirar do sério.
Ele começou a suar frio, e com razão. Eu peguei seu braço, torci, e joguei-o contra meu joelho quebrando-o. O garoto cai no chão agonizando.
—S-S-Seu d-d-desgraçado! V-v-você vai p-p-pagar por i-i-isso!
—Talvez eu faça algo bem pior na próxima.
Os outros garotos se levantam e levam o “líder” para fora. Assim que saíram, não tardou para que Kamen chegasse.
—Eu vi alguns garotos descendo, eles estavam bem machucados, o que aconteceu aqui?
—Vamos ver, eu quebrei o braço daquele que estava sendo carregado, e os outros dois foram idiotas o bastante para conseguirem se socar.
—P-por que você fez isso?
—Eles vieram me “dar uma lição”, mas acho que foi o contrário.
—Ó céus, esses filhos da puta ainda estão com isso na cabeça... Acho que vou precisar dar um esporro em todos.
—Não se preocupe com isso. Vamos comer, não vai demorar pra hora do almoço acabar.
—Sim.
—O que você comprou?
—Sanduíche de Yakisoba.
—Entendi.
Eu coloco minha marmita próximo a ela e pego o sanduíche de sua mão.
—Hm, por quê?
—Bem... Só deu vontade.
— *Sorri* *cora* Obrigada! *abraça*
—Ok, ok, pode me soltar agora.
—Certo. ~♫
Ela começa a comer a marmita.
—Nossa, está muito bom. Você realmente cozinha muito bem.
—Faz parte... Kamen...
—Oi?
—Você tem certeza disso?
—Hm... Sim... depois de chorar e desabafar em seus braços... Eu percebi o porquê de você ser assim, e também percebi algo que era óbvio, mas eu não queria perceber.
—E o que seria?
—Eu percebi que a opinião dos outros não importa. Eu não preciso que eles me aceitem do jeito que eu sou, eu preciso me aceitar. Quem não puder fazer isso, é porque não é um amigo de verdade. No seu caso, você foi o primeiro a me aceitar, o primeiro a me estender a mão, o primeiro a me entender... Então queria fazer isso de uma maneira oficial... Você gostaria de namorar comigo?
—Você é bem mais expressiva do que pensei.
—Bem, eu tenho uma personalidade forte.
—Xinga muito.
—Eu me controlava muito.
—É bem estressada.
—Eu sei!
—Você está longe de ser perfeita.
—... Eu sei...
—Mas... Eu prefiro você assim.
—Então quer dizer que...
—Sim. Eu aceito namorar com você.
Ela começa a corar e a derramar lágrimas.
—Obrigada *abraça*
—Ei.
—Só mais um pouco...
Eu retribuo o abraço e a aperto um pouco.
—~surpresa~ *Sorriso* Realmente... obrigada...
Após comermos nosso almoço voltamos para a sala, o sinal tocou, e as aulas decorreram normalmente.
*Sinal*
Kamen se levanta de sua cadeira, anda até mim e fica ao meu lado.
—Vamos? (Kamen)
—Pra onde?
—Pra casa ué.
—Pera... Eu acho que estou entendendo errado, mas vamos só confirmar... Qual casa?
—A sua.
—E a sua?
—Vou morar com você a partir de agora.
—...
—Amanhã é sábado, não é? Eu vou falar com meus pais hoje e pedir para que mandem roupas e coisas do tipo.
—Eles vão aceitar essa decisão?
—Provavelmente... Em casa eu lhe digo em mais detalhes.
—Ok, vamos.
Caminhamos até a saída... Nem preciso falar sobre os olhares, não é?
Quando chegamos até o portão, 5 garotos da sala estavam nos esperando.
—Devolva-a!
—Na moral, vocês são chatos. (Kamen)
—Você está sendo manipulada, não é?
—... Por que vocês são tãoooo idiotas? Eu fiz isso porque quis! É porquê estou com ele, ou independente de quem seja, vocês fariam o mesmo?
—...
—Sem palavras, não é? É sempre assim, vocês se dizem amigos, mas assim que alguém consegue algo que vocês não têm, todos olham feio e começam a falar mal sobre ele, o excluem e fazem diversas merdas, por isso humanos são tão deploráveis.
—K-Kamen... você... SHIRAGIKU, EU VOU TE MATAR.
—Isso faz algum sentido? (?)
Duas pessoas caminhavam em nossa direção, eu não virei para olhá-las, mas sua presença esmagadora, sua sede por sangue, arrepiavam a espinha de quem estava próximo.
—P-presidente? (Um dos garotos)
—Yo, parece que temos alguns encrenqueiros aqui.

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