Hanshin

1 The Boy


- Momento decisivo para os dois times! Estamos no último inning dessa partida emocionante – anunciou o locutor. A plateia gritava euforicamente o nome das jogadoras e dos dois times em campo. Cartazes coloridos dançando de um lado para o outro com frases de apoio às jogadoras.

- A bola é arremessada e a rebatedora parte para a segunda base, a jardineira se posiciona para a recepção... FLY OUT!! – narrou o segundo locutor.

- A rebatedora foi eliminada, final do turno de defesa para a casa.

- Esse ponto garantiu o empate entre os times, será que agora eles conseguirão um desempate?

- Vai ser difícil superar a defesa do visitante Mashima, tudo vai depender se o treinador de Toriyama fez a escolha certa dos rebatedores. – enquanto o locutor falava, as jogadoras de Toriyama saiam do campo torcendo junto com a plateia.

- Tem razão Kuro, parece que a primeira vai ser a garota que passou o jogo inteiro no banco, quem será ela? –

As garotas de camisetas azuis caminhavam em direção ao campo comemorando a pontuação recém conquistada pelo time, enquanto a rebatedora caminhava calmamente até sua posição em frente a receptora. Seus longos cabelos castanhos, parcialmente presos pelo boné azul, balançavam conforme o vento e o ritmo dos passos; seu olhos vermelhos a todo tempo olhando para baixo.

- Boa pergunta Toshin, não a conheço também, deve ser aluna nova de Toriyama! – comentou Kuro.

Com um olhar de desprezo ela olha para a garota com uma luva e uma bola em mãos, parada sobre um pequeno monte de terra. Depois do sinal com a cabeça feito por ela, a bola foi arremessada rápida e precisamente contra sua direção e interrompida no meio do caminho pelo seu bastão, que a fez subir até ser perdida de vista. As vozes dos locutores tentavam sobressair o alvoroço da plateia, narrando cada segundo do jogo. Ela agora corria precisamente entre as bases, estava decidida em chegar até a primeira base, ela tinha tempo pra isso.

- Inacreditável minha gente! HOOME RUUN!! – gritou Kuro, perplexo pela cena que acaba de ver – que rebatida foi essa? Como o treinador pode tê-la deixado de lado até agora?

- Incrível!! O prim... – a voz do locutor foi abafada pelo grito enlouquecido da plateia.

Com uma risada no canto da boca, ela saiu da mesma forma que entrou, sem dar atenção para as colegas de equipe que vinham parabenizá-la pelo seu grande feito. Sentou-se no mesmo canto que passou o jogo inteiro, sem dizer uma única palavra. Apenas de olho no jogo.

- Bom trabalho! – Disse o treinador – Me surpreendeu novamente! – Ela olhou pra ele como se fosse dizer: Isso foi fácil demais!, mas apenas ficou em silencio e voltou a olhar para o campo.

...

Árvores dançavam no ritmo do vento, fazendo um som tranquilo das folhas batendo uma nas outras, misturando-se com o canto dos pássaros. Ao fundo o sol brilhando fortemente, iluminando todo o ambiente a sua volta. Nenhum outro lugar a fazia tão bem do que ficar deitada sobre a grama, olhando o sol e ouvindo o som das árvores. Como se ela recarregasse suas energias apenas ao olhá-lo.

- Hideko! – uma doce voz irrompeu o breve sossego – Venha para dentro, já estamos de saída!

- Já vou! – disse num tom não muito animado olhando para a janela da casa, onde encontrava-se uma bela mulher, com longos cabelos negros caídos sobre seus ombros; pele branca como a neve, usando um vestido vermelho escuro.

Ela entra correndo em casa e fica parada em frente a porta da sala, vendo seus pais carregando suas bagagens até o carro.

- Boa viajem! – disse Hideko após seus pais terminarem de carregar as bagagens.

- Não é assim que se despede de alguém, vem cá e nos dê um abraço! – disse sua mãe, com seu jeito meigo, sorrindo e abrindo os braços esperando um abraço.

- Não, você sabe que eu não gosto de contatos físicos e despedidas, então apenas se despeçam e saiam.

- Simpática como sempre! – disse ironicamente um homem alto vestindo um terno preto, os cabelos curtos e negros desajeitados e com um cavanhaque – Se esse for seu jeito de se despedir, então... Tchau Hideko! – ele deu uns tapinhas em sua cabeça e seguiu até o carro.

- Tchau, filha! Mantenha a casa limpa, inclusive seu quarto, deixamos um pouco de dinheiro na sua cômoda, não atenda números a cobrar, não se esqueça de estudar pra sua prova de matemática de amanhã, não coma besteiras fora de hora, suspenda os lanchinhos da madrugada, feche bem a casa de noite, não diga a ninguém que está sozinha em casa, não atenda a porta para estranhos...

-Mãe, já tenho 15 anos, eu sei me cuidar!

- ... assim espero, filha!

- Hatsumomo, ligeiro, vamos nos atrasar para o voo! – gritou Mikato do carro.

- Já estou indo querido! – disse ela olhando para ele sorrindo – Tchau filha, voltamos mês que vem. Te ligamos quando chegarmos em Oklahoma. – Disse olhando para Hideko.

Hatsumomo andou dando passos rápidos até o carro, segurando as lágrimas em seus olhos. Ela entra no carro e eles partem em direção ao aeroporto. Hideko os olhava e acenava da porta de casa. Quando os perdeu de vista, fechou a porta e sentou-se no sofá; ficou parada por alguns minutos, até que veio em sua mente a imagem de uma mulher alta, de cabelos longos e negros, vestindo um kimono vermelho e dourado.

- Ainda dá tempo.... – pensou ela ao olhar para o relógio pendurado na parede.

Saiu de casa correndo; pegou sua bicicleta nos fundos da casa e saiu pedalando como se estivesse em uma competição. Parou em frente de um santuário xintoísta enorme, cercado por um muro de madeira, dentro vários templos de madeira. Ao lado do portão estava escrito: “Ise Jingu”. Ela prendeu a bicicleta junto com outras e entrou no santuário.

Desde criança Hideko vai ao Santuário, mais especificamente no Kōtai Jingū, o templo sagrado de Amaterasu, que só pode ser visto por de trás de uma cerca; e no dia do Kannamesai, antes das pessoas chegarem pro festival.

Como de costume ela se sentava em um banco em frente ao templo, mas nesse dia foi diferente, um brilho estranho chamou sua atenção para dentro do templo, uma luz estranha emanava pelas frestas da porta. Ela se aproximou do portão para ver melhor essa luz estranha, ao se encostar no portão notou que ele estava destrancado; olhou ao redor, tinha apenas um grupo de turistas ao longe tirando foto da paisagem. Empurrou o portão e andou em direção da porta. Ao entrar na sala viu o Yata no Kagami refletindo o brilho alaranjado do sol no rosto da estátua da Amaterasu.

Hideko se ajoelhou na frente da estátua em respeito a Deusa, e ficou admirando sua beleza em meio aquela luz. Ficou analisando cada detalhe da imagem, os longos cabelos preto, seu kimono florido, até o símbolo embaixo de seus pés.

- Esse símbolo... o mesmo símbolo entalhado no espelho... o mesmo símbolo... do meu colar... – ela pensou perplexa, olhando cada objeto. – E meu colar parece se encaixar no entalhe da estátua... será que devo? O que será que vai acontecer? Bom, não custa nada tentar! – ela tirou o colar do pescoço e o encaixou na estátua.

Nesse mesmo instante, um vento forte atravessou a sala, o som metálico do portão batendo no trinco é ouvido lá de fora, logo em seguida se ouve passos nas pedras se aproximarem do templo. Hideko tira o colar e corre pra janela por onde entrava a luz do sol. Se esgueira pelo templo sem que os monges a visse e saiu do Santuário.

Chegando em casa ela liga a Televisão e coloca o disco de God of War III no console e se senta no chão pra jogar. Quando ela começa a jogar vê um vulto caindo na grama lá fora. Ela vai lá fora ver o misterioso objeto que caiu do céu e se depara com um garoto de aproximadamente dez anos esparramado na grama.

- Aai! Não to... me sen..tindo... be... – disse o garoto antes de desmaiar.

Hideko vê se ele não tem nada quebrado no corpo, pega ele no colo e o leva pra dentro de casa. Deita ele sobre um colchonete no chão da sala, dá uns remédios para dor e volta a jogar GoW.

Depois de duas horas deitado, o garoto tenta se levantar.

- Aaiii!!! – disse o garoto.

- Você está bem, garoto??

- Agora sim... quem é você?

- Eu que te pergunto! E onde você estava quando caiu?

- Não lembro meu nome... só lembro que eu estava voando e um pássaro bateu em mim e eu caí. Apenas isso.

- Voando? Aposto que você tava brincando na árvore e caiu. Já é tarde, onde você mora? Eu te levo pra casa.

- Não sei, só me lembro de ter caído.

- Ok! Durma aqui então, amanhã se você não lembra de nada te levo na delegacia.

- Ok.

Eles se levantam, Hideko desliga a TV e o vídeo game, leva o garoto pro quarto e vai dormir. Depois de ter deitado na cama, o garoto tira seu celular do bolso e atende.

- Oi. Sim! Ta indo tudo como planejado! Sim! Vamos pra segunda etapa, então! Certo! – ele desliga o celular e vai dormir com um sorriso no rosto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.