Hans

6 Forte


Notas iniciais
Em primeiro lugar obrigado a Sra. Ella Fitzgerald pela inspiração.... Eu escrevi com ajuda de sua poderosa voz. Esses dias estive pensando... Quantos tapas, sopapos, socos e bofetões será que o Hans levou ao longo das minhas fics. E por falar em Hans... Ô família complicada esse rapaz tem. Estava eu estudando sobre a Tia dele, a Duquesa Luísa, e descobri um filme chamado "En Kongelig Affære" ou "O amante da Rainha"; Conta a história dos avós e pais do Hans. Aluguei, assisti... e reescrevi um capítulo inteiro he he.


Adeus, adeus! nativas costas
__Somem no azul do mar;
Ventos suspiram, ondas postas,
__Guincha a espuma a vogar.
O Sol se põe lá no horizonte,
__Seguimos os voos seus;
Boa noite agora a quem te aponte,
__Terra natal---Adeus!

Lord Byron

[extraído de ChildeHarold´sPilgrimage, Canto I, de Lord Byron–-- Traduzido por Ivan Justen Santana]

Elisabela estava distraída observando o lugar, mesmo sendo perto de sua casa ela nunca estivera de facto dentro do grande hotel. Ao se identificar, um funcionário uniformizado a conduziu para um espaço reservado do hall principal, uma espécie de ponto de encontro ou “sala” de recepção.

O salão de recepção era lindo. A iluminação era indirecta porem forte o bastante para deixar as paredes brancas claras como dia. Haviam pequenas palmeiras adornando próxima as pilastras e lindos arranjos de flores pela sala e debaixo dos lustres.

As mesas brancas de vidro à sua frente tinham sofás rasteiros igualmente brancos e o salão estava cheio de turistas que chegavam e partiam, pessoas elegantemente vestidas, funcionários e seguranças do Hotel.

Percebeu que muitos dos que estavam lá estavam distraídos com aparelhos eletrônicos ou laptops. Provavelmente havia um Wifi hub para os clientes disponível ali.

Sentou-se perto de um homem de terno que lia um grande jornal em inglês.

“New York Times...” reconheceu ao ler involuntariamente a manchete na capa aberta em sua direção.

“Playboy Caçador de tesouros acha relíquia no fundo do mar ” A foto trazia um jovem de olhos verdes e cabelos castanhos sorrindo, ao fundo o nome “Flynn Rider” podia ser lido na proa de um Navio.

Flap!

O homem fechou o jornal contrariado com a pequena jovem que se inclinava em sua direção, Elisa, como que acordando de um transe, se desculpou e sentou-se ajeitando o cabelo por cima do ombro. O homem se levantou e saiu, e atrás dele estava parado um senhor sorridente, de roupas escuras e um pequeno Kepáh na coroa da cabeça.

Elisa não sabia dizer a quanto tempo ele estava parado lá. Ele não parava de olhar para ela. Tinha cinzentos olhos gentis, com um simpático sorriso em seus bigodes brancos. Embora seus cabelos fossem grisalhos, ele tinha uma expressão tão jovial e suas rugas tão sutis, que quase não dava para dizer se sua idade era de 30, 40 ou 60 anos.

–Senhorita Elisabela Amaro de Bragança e Oldenburgo? — Disse com forte sotaque português.

Elisa piscou. Não estava acostumada a ouvir seu próprio nome, exepto talvez, por quando seus pais lhe chamavam a atenção.

–Perdão senhor... nos conhecemos?

–Não, não exatamente, me chamo Nahin Ben Nain...E é parte de meu trabalho conhecer as pessoas, de ti por exemplo, sei disto:

E começou a fazer um discurso no mínimo constrangedor.

“Senhorita Elisabela Amaro de Bragança e Oldenburgo, 20 anos. solteira. Irmã gêmea mais nova de uma linhagem de três raparigas. Teu pai trabalha em consulto jurídico e é advogado associado da Arthur Lavigne, uma das mais tradicionais firmas de advocacia do Brasil. Tua mãe é neurocirurgiã conceituada, tendo inclusive figurado entre o corpo docente da Universidade de Dresden, na Alemanha, e é membro da Academia Brasileira de Neurocirurgia. E ambos actualmente se encontram velejando em sua segunda lua-de-mel em Provance, França.

Inteligente, Sois uma das mais jovens formandas no curso de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Sui Generis, Tendo em visto que tua monografia sobre as alterações sazonais na temperatura do Atlântico e a relação com o desaparecimento de certas correntes marínhas chegou a ser recentemente publicada em nota na Scientific American Magazine.

Tua família tinha casa permanente em estado de Santa Catarina, até que, por motivo de trabalho, mudaram cá para o Rio em 2004.“

Elisa não sabia onde enfiar a cara, esse homem sabia de coisas a seu respeito que ela fazia de tudo para ocultar. Elisa detestava chamar atenção. E muito mais a atenção que seu nome e sua família recebiam mundo afora...

–Unh... O senhor trabalha para algum jornal?

–Ah? Não, não senhora, sou psicólogo... Quer dizer, fui. Actualmente estou a trabalhar como historiador amador a tentar terminar meu livro. Tua história me chamou a atenção, rapariga. Parece ser cousa de ficção, hehe. Perdoe-me a tagarelice, é que eu não tinha idéia que a senhorita me viria ver pessoalmente sem se anunciar.

Elsa, ainda constrangida, pensava no que responder. Seus olhos passeavam pelo salão dentre uma ou outra olhada furtiva para a porta de saída. Nahin percebeu sua insegurança e tomou a palavra.

–Senhorita Elisa, o que sabes a respeito de um homem de nome Hans Westergärd?

Ela parou e o olhou fixamente. Enquanto ele punha os óculos e tirava um velho livro de sua maleta.

Verão 1840

“Sabe, eu conheço bem esse tipo de gente.”

Dizia um dos guardas que estavam parados em volta da cela de Hans. Seu sargento prontamente retorquiu:

–Não fale com o Prisioneiro!

–Não estou falando, estou falando pra vocês.

–Lundgren!

–Senhor!

–Apenas NÃO FALE.

O guarda fez uma careta, mas acatou. O silêncio voltou por um minuto interminável até que o sargento ouviu outro de seus guardas comentar.

–Mas eu conheço bem esse tipo de gente.

–Quietos!

E mais um minuto interminável se seguiu. O Sargento puxou um pequeno pente e começou a pentear seus longos bigodes. Mas alguns minutos passaram, os olhos do guarda Bjorn pesavam e ele morgava baixinho.

–Raios! Acorde idiota!

O sargento deu lhe um tapa que o fez cair... Ele levantou coçando a nuca e endireitando o chapéu. Hans permaneceu em silêncio. Agachou, endireitou as luvas...

O silêncio tedioso se instaurou novamente, O pobre guarda Lundgren mordia os lábios aflito. O Sargento virou-se para seus homens. Mais alguns minutos...

–Olhem! Eu vou cagar, se quando eu voltar eu ouvir um pio que seja vou tratar para que façam TODA vigília noturna pelo resto da noite, principalmente você Lundgren!

Mal o sargento sumiu a sombra de um beco, a língua do guarda Lundgren pôs-se a trabalhar...

–Eu conheço bem esse tipo de gente, sabe? Principezinho criado pela mamãe com o bom e o melhor, envolto em bailes, livros, dúvidas existenciais e dilemas amorosos, pfft! Vivo encontrando tipos assim La no distrito, geralmente presos por arruaça, devassidão ou coisa pior.

–Que quer dizer? – Disse o guarda Bjorn se espreguiçando.

–Não é óbvio? Gente que tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante! Se ele passasse necessidade como a minha família no último inverno, estaria ocupado demais tentando por comida na mesa para sair por aí roubando o que é dos outros. Dinheiro demais deixa as pessoas mal acostumadas!

Hans que aparentemente parecia indiferente à conversa, abriu a boca:

–Se acha que a vida de um reles soldado é tão desprovida de luxo...

Hans ergueu o braço e o levou a direção do guarda que saltou para trás.

–Quer trocar de lugar comigo? Lundgren, é isso?

Os guardas piscaram, olhando para o braço erguido de Hans, e começaram a rir.

–Há há há, Boa Príncipe! Mas hoje não, obrigado.

Hans continuou, sua voz falava com certa autoridade de quem já comandou homens.

–Cavalheiros, não se deixem enganar. Vocês são soldados das Ilhas do Sul! Treinados para a Guerra, certo? Mas o que é a guerra, senão cabeças coroadas tentando roubar o aquilo que é do outro? Usando da vida de soldados como vocês no processo?

Os guardas se entreolharam sem saber como responder, foram pegos de surpresa pelo argumento.

–Eu, por outro lado, tentei roubar uma cabeça coroada sem arriscar da vida de soldado algum! Derramando o mínimo possível de sangue. E por isso fui chamado de traídor! Vocês acham isso justo?

–Bem... eu... eu não sei.

Antes que o guarda Lundgren pudesse contra argumentar, o trotar de um cavalo o assustou. Puxando uma luxuosa carruagem, um cavalo negro irrompeu não muito longe. Parando em seguida.

–Ajude-me a descer, Janden. Ah obrigada.

Viram uma senhorinha baixinha com um capuz que lhe cobria o rosto, mas não os longos cabelos brancos frisados que desciam por seus ombros. Ela tinha um vestido muito elegante e andava com a ajuda d e uma bengala e seu servo, Janden o cocheiro. Um homem calvo, de baixa estatura nariz grande e vermelho e ar inteligente.

Ela parou próximo a eles e falou com uma voz cheia de autoridade, mesmo para alguém de idade avançada.

–Ordeno que soltem esse homem, agora!

–Não podemos madame, ele é prisioneiro por ordem do Príncipe Viktor! E... Quem a senhora pensa que é para nos dar ordens vovó?

–Quem eu penso que sou, hu hu hu.

E sorrindo, a velhinha baixou o capuz.

E viram assustados que uma lenda viva da história das Ilhas do Sul estava parada na frente deles!

Era Luísa Augusta, Rainha Mãe de Weselton*1, Irmã de Frederico, o fecundo e tia paterna do príncipe Hans.

Janden, o cocheiro, fez questão de anuncia-la solene.

–Sua Majestade Luísa Augusta! Rainha de Weselton, Duquesa de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Augustenburg e Princesa das Ilhas do Sul!

–Está bom para os senhores?

Uma senhora de idade avançada, porem detentora de vigor e presença. E cujos cabelos brancos e sinais da idade transpiram a experiência de quem viveu a vida toda lidando com a fogueira das vaidades das cortes europeias, e ainda que fosse Rainha em Weselton, sempre passava os verões em sua terra natal, Sydlige øer, as Ilhas do Sul.

Os guardas ficaram parados, com os olhos arregalados. Janden sorria.

–Senhores? A rainha está esperando...

Os guardas, atrapalhados pegaram as chaves da cela e das algemas de Hans e, deixando cair as correntes ao chão, libertaram-no.

Hans não resistiu e, enquanto saía da jaula com a ajuda dos guardas, olhou bem para o guarda Lundgren e brincou.

–Eu perguntei se você queria trocar...

E deu o braço para a Tia, conduzindo-a de volta a carruagem. Ela o olhou de rabo de olho e cochichou.

Hänsel Westergärd... Tsc, tsc. Você foi um menino muito, muito travesso! Eles não te maltrataram, maltrataram querido?

–Não Tia Luísa, estou bem. Abençoado o dia que você convenceu papai a re-abolir a tortura.*2

–Fale baixo, Hans! Essa noite, as mulheres conspiram! Uma Rainha de verdade age aonde o Rei não reage, e a mulher descobre o que o homem não vê!

E piscou um olho, voltando-se rapidamente para o cocheiro de sua carruagem.

– Vamos, Janden! Antes que eles percebam que acabamos de lhes roubar um prisioneiro, heheh.

O cocheiro disparou a carruagem enquanto os guardas olhavam embasbacados.

Momentos depois o sargento reaparece.

–Ah que barrigada... Uhm? LUNDGREN! BJORN! CADÊ O PRISIONEIRO!

Os Guardas ficaram olhando paralisados, Lundgren ,quem diria, finalmente perdera a vontade de falar.

Luísa recolhia o capuz.

–Há o truque do capuz preto com a postura autoritária, meio clichê, mas sempre funciona!

–Tia, o que a senhora fez? Eles poderiam a prender por me ajudar!

–Pffft!... Bobagem rapaz! Seus irmãos são meio dramáticos, sabe? Um mal que vocês puxaram de seu pai, mas eles não são bobos de se meter com a Titia aqui... Ei! Ajudei a limpar a bunda suja de cada um dos treze, lembra?

O príncipe fez uma careta, Luísa parecia divertir-se.

–E não agradeça a mim, meu sobrinho, eu estou velha pra me meter nos seus problemas, se queres agradecer a alguém por eu vir te soltar, agradeça a Rainha!

–A Rainha?

–Um doce de menina, não? Ela me procurou em meus aposentos pedindo mil desculpas pela alta hora da noite, como se eu me importasse! Disse-me que precisava de ajuda para falar contigo, a princípio a pobrezinha queria vir pessoalmente, o que seria péssimo para a imagem dela na corte...

Hans concluiu pensativo.

–Então ela procurou alguém que tivesse autoridade porem independente da corte.

–Afinal, que dano esse pequeno escândalo causaria em uma mulher em final de carreira como eu?- Tia Luísa sorria levantando as sobrancelhas brancas. – Fora que seu irmão não tem autoridade para me mandar prender.

–Brilhante! Não há como ninguém associar minha fuga a ela! Mantendo a reputação da Rainha Emmanuelle intacta!

Luísa suspirou, seus olhos cansados voltados à janela, na direção do velho palácio de Christiansborg onde nascera.

– E eu sei o peso de ser a “Rainha estrangeira”! Emmanuelle está aprendendo a duras penas a suportar a mesma responsabilidade de minha Mãe, a Rainha Caroline*, o peso de ter olhos, em uma terra de cegos!

Olhou de volta para o sobrinho, Hans devolvia-a o olhar.

–Ora rapaz! Todos nós já cometemos erros crassos na vida. Aquela “pequena aventura” de seu pai e eu com Napoleão quase nos custou as cabeças e as coroas acima! He he, se bem que, se você conhecesse Bonaparte como eu conheci... Também cairia a ilusão de poder dominar o Mundo!- ergueu os punhos — Napoleão transpirava esse ímpeto, ele tinha uma... Presença!

Apertou levemente a bochecha sardenta do príncipe. Sua voz porém, era séria.

–E você meu, pequeno Hansël, tem o mesmo brilho faminto nos olhos...

–Quase chegando!- Disse Janden, o cocheiro.

–Ótimo Janden querido, a essa altura aqueles guardas já devem ter se apercebido de nossa pequena fuga, é melhor tomar cuidado!

Olhando o lado de fora da carruagem, Hans percebeu que eles não estavam indo na direção do consulado de Weselton, mas sim do distrito do naval.

–Aonde estamos indo vovó?

–Para a Alfandega. O quanto antes deixares o país, melhor!

–Eu pensei que a rainha...

–Ela quer lhe falar Hans, mas você agora é um traidor foragido e certamente vocês não podem ser vistos juntos, hehe. Tome!

Tia Luísa o entregou seu capuz. Enquanto a carruagem desacelerava e parava ao lado do prédio da Alfandega, onde tudo começou.

Era alta madrugada e as únicas luzes visíveis eram as lamparinas a gás, e o silêncio só era quebrado por um ou outro mio de gato que se esgueiravam pela noite, atraídos pelo cheiro de peixe dos velhos depósitos ou pelo relincho de um ou outro cavalo distante. Hans pôs o capuz e antes de sair da carruagem sondou os arredores, percebeu que outras três carruagens estavam paradas ali, se a rainha veio, certamente não estará sozinha.

Ele fez que ia sair quando sua Tia o segurou pelo braço e o olhou com firmeza.

–Meça bem suas palavras Hans! O coração de uma mulher é algo forte, porem frágil!

Hans entrou no prédio ainda tentando entender as palavras de sua Tia. Quando no pátio interno da construção, avistou um vulto.

Ficou de prontidão para o que que que estivesse nas trevas, e para sua surpresa, viu se aproximar...

–Sitron!

Hans correu e com um sorriso nos lábios, pôs-se a esfregar o focinho do amigo equino.

–Imaginei que gostaria de leva-lo convosco, Hans

Uma voz feminina, de repente luzes se acenderam e ele viu que estava cercado por seus irmãos Andrew o vaidoso, Linus o incompreendido, Derek e Damian os gêmeos calamidade e Robert o Agressivo. Bem como Marie, a esposa de Grant o ingênuo.

–Ei o que o Hans faz aqui? Não diga que ele vai também?- Perguntou Andrew.

A Rainha Emmanuelle estava à frente deles, segurando Marie pela mão. Ela parecia bem séria.

–Cavalheiros, podem ir na frente, eu quero falar com Hans a sós.

–Ah, mas a gente...

A Rainha lançou-lhes um olhar tão severo, que os meninos escolheram o pescoço sob os ombros e deram meia volta.

Hans se aproximou. Ela o olhou fundo nos olhos e perguntou:

–Você está bem?

Hans sorriu.

–Foi um dia cheio Majestade, mas sim, estou...

Slapt!

A tapa que a Rainha desferiu foi tão rápido que Hans sequer percebeu até sentir a dor lhe queimar o rosto. Marie se assustou e se afastou. Ela nunca vira Emmanuelle assim.

–Seu Bugiardo, stronzo! E ainda sorri com essa cara de Pau! IMBECILLE! Tem idéia do que fez?

–Eu sei o...

– IO NON FINITO DE PARLARE, CASPITA!

Hans calou-se, tinha medo até de pensar.

–Em prima di tutto, você NÃO sabe o que fez! Ela é só uma garotinha de quatorze anos! Como você ousa fazer isso com a gente! O que vai ser de nós agora?

Ele não entendia do que ou de quem a rainha estava falando. O fato ela misturar italiano com dinamarquês não ajudava em nada!

–Metade! METADE dos livros no quarto dela tem o seu Ex-libris? Ela adora cavalos por influência sua, sabia? Você era um modelo masculino mais presente na vida dela do que o PAI!

E ele começou a perceber.

Para seu próprio assombro, ela falava de sua lille havfrue , sua pequena sereia, Giovanna!

–E o que vai ser de nós, naquele palácio. Envelhecendo sem ninguém... Ninguém em quem confiar realmente, sem ninguém com quem contar. Dio mio!

As lágrimas da rainha caiam no chão como gotas de chuva. E pela primeira vez Hans pode ver que seus actos repercutiram em nuances inimagináveis, naqueles que ele nem imaginava afectar.

–E agora Hans? Como é que eu vou explicar amanhã quando ela acordar e souber que dos doze o que ela mais gosta e mais preza é um traidor? Um conspirador assassino? O que que eu vou dizer pra ela Hans? Quando ela me perguntar o que você fez de errado?

A rainha sentiu os dedos de Hans lhe tocarem os lábios.

“Shhh!”

Ele lhe pediu silêncio. Seus olhos verdes fixos no chão, sua expressão tensa.

Respirou fundo, olhou para a Rainha. Segurou suas mãos e assim permaneceu.

Marie e Sitron estavam aflitos perto do portão para as Docas, O fogo das lâmpadas oscilava pelo pátio escuro.

A Rainha Emmanuelle continuava chorando. Hans sentia que precisava dizer alguma coisa, mas sabia que nada de sua lábia... Do que prometesse ou do que dissesse, iria melhorar aquela situação. Não Havia nada a pedir, ninguém a convencer.

Começava a ponderar as sábias palavras de sua tia.

Hans! O coração de uma mulher é algo forte, porem frágil!”

Por fim ele a segurou por cima dos ombros e, de olhos fechados lhe dirigiu as mais sinceras palavras em sua breve vida de mentiras. Palavras exauridas como um suspiro que se tornavam firmes como uma confissão a cada silaba proferida.

(Clique aqui se quiser ver a canção completa)

Excuse me for a while,

(Desculpa-me por um quanto)

While I’m wide eyed and I'm so damn caught in the middle

(Enquanto abro os olhos e me sinto tão apanhado no meio disso tudo)

I excused you for a while,

(Eu desculpo-te por um quando)

While I’m wide eyed and so damn caught in the middle

(Enquanto de olhos arregalados eu me sinto tão apanhado no meio disso tudo)

And if a lion, a lion, roars would you not listen?

(E se um Leão, um Leão, Rugir não ouvirias?)

If a child, a child cries would you not give them?

(Se uma criança, uma criança chorar não te importarias)

Yeah I might seem so strong (sim, Eu posso parecer tão Forte)
Yeah I might speak so long (sim, Eu posso falar muito)
I’ve never been so wrong (Eu nunca estive tão errado…)
Yeah I might seem so strong (sim, Eu posso parecer tão Forte)
Yeah I might speak so long (sim, Eu posso falar muito)
I’ve never been so wrong (Eu nunca estive tão errado…)

E tentando confortar as lágrimas da rainha, Hans percebia que talvez tenha perdido algo precioso naquela noite. para sempre.

O amor verdadeiro, de uma criança inocente.

Hans

(Bonus: devido a um refluxo de inspiração, tentei desenhar a rainha Emmanuelle, como ficou?)

Notas finais
*1No universo de Hans, Jean-Baptiste Bernadotte nunca ascendeu ao trono de Weselton(Suecia), tendo Carlos XIII vivido tempo o suficiente para que Cristiano Augusto, filho de Luísa Augusta e primo de Hans, ascendesse ao trono no lugar do tirano. *2Na Dinamarca, torturar servos e prisioneiros era permitido segundo a lei. Tendo sido temporariamente abolida pelo rei Cristiano VII para, em seguida, ser reinstaurada por sua madrasta, a rainha Juliana-Maria de Wulfenbüttel. *Caroline Matilde, foi uma princesa britânica que desposou o rei Cristiano VII da Dinamarca (Ilhas do Sul) aos 14 anos. Descobriu-se sozinha e abandonada, longe de casa e casada com um rei louco (Cristiano sofria de esquizofrenia). Quando a doença de seu marido o tornou vitima das manipulações do Conselho Real, ela tomou as rédeas da situação. Tomou o poder de volta com a ajuda do médico e melhor amigo de seu marido: Struensse, Amante da Rainha, e pai biológico de Luisa Augusta. Foi responsável indirecta por grandes mudanças, tirando a Dinamarca do atraso e a tornando um reino “das luzes” segundo os ideais iluministas. O que acharam? No próximo, um capítulo quase todo dedicado a Elisa...