Notas iniciais
Ninguém mais acompanha a fic? To chateada, mas entendo, afinal, tanto tempo sem postar dá nisso.

Abri a conversa com a garota, e não era a primeira conversa deles, eu não queria ler, estava me segurando muito, afinal, eu não tinha nada a ver com a vida dele, mas não pude me conter, ele sempre se meteu na minha vida pessoal, ele sabe de tudo o que acontece e eu não sei de nada, o quão injusto isso soa?

Comecei a rolar a conversa para conseguir achar um começo, mas estava demorando muito, parei no começo da semana anterior e comecei a ler, eles não conversavam todos os dias, mas conversavam bastante, provavelmente mais por webcam, mas ainda assim dava para entender o que eles diziam ali.

Lia coisas que não podia acreditar. Nós não tínhamos mais nada, ele podia conversar com quem quisesse sobre o que quisesse, e como quisesse e eu não podia dizer nada sobre isso, porque fui eu que o mandei embora, fui eu que o tirei da minha vida, não que eu me arrependa, ele era possessivo demais e eu não estava mais tão feliz. Mas quem eu queria enganar? Eu me importava com o que ele fazia e com quem ele conversava, ainda mais quando meu nome surgia na conversa, eu realmente queria saber o que eles conversavam sobre mim, o que ele falava sobre mim para as garotas ou até para seus amigos.

Nem sequer mexi no computador, o deixei ali quando avistei seu celular em cima da mesinha de centro da sala, como ele deixou o celular aqui? Peguei o aparelho e tinha senha de números, fiquei pensando durante um tempo, tentei a data do aniversário dele e nada, a data do nosso primeiro show e nada, resolvi ver se a senha era a mesma da época que namorávamos e era, meu aniversário.

Abri o whatsapp dele e ele não apagava nenhuma conversa, sem contar os inúmeros grupos de que ele fazia parte. Eu não conseguia parar de olhar o papel de parede do whats, não era uma foto nossa e nem uma foto dele, era um foto que ele tirou na casa da minha avó, eu reconhecia aquele lugar, passara minha infância toda lá e ele também, era especial.

Continuei a olhar e tudo o que via eram conversas sem nexo algum, quando abri uma conversa com Liam e meu queixo caiu.

“ Quando eu a vi ontem eu não sabia o que fazer ou o que pensar, e então ela veio pra cima de mim e eu fiquei sem reação, mas não a beijei, acho que fiz a coisa certa mas me arrependo tanto, seria tão bom beijá-la de novo, nem que fosse só uma vez.”

Foi o que o Tyler disse, e foi realmente estranho ler sobre a noite passada, já que a última coisa de que eu me lembrava era de Alice beijando Thiago e eu e Giu comemorando.

“Você fez o certo cara, tenho certeza de que se você tivesse a beijado ontem e ela se lembrasse de algo ficaria furiosa contigo. Mas se vocês não se beijaram quer dizer que não rolou mais nada, que você se controlou o suficiente para não leva-la para cama?”

Foi ai que minha curiosidade ficou mais aguçada, queria saber se ele tinha mentido pra mim sobre noite passada, se fizéssemos alguma coisa ou não.

“Me controlei. Se achei errado beijar ela, imagina transar com ela. Não que ela não tenha tentado, porque tentou, mas eu não cedi, sei que parece bem gay e que agora eu me arrependo disso também, mas não queria ela bêbada, não daquele jeito. Me arrependo de tudo o que fiz quando estávamos juntos cara, você sabe, já conversamos sobre isso, que me arrependo de ter deixado as coisas daquele jeito, de nunca ter me achado bom o suficiente pra ela e ter estragado as coisas com medo dela me deixar.”

Era o suficiente, eu não queria ler mais nada, não conseguia ler mais nada, quando fui colocar o celular na mesa de centro um pigarro surgiu e eu levei o maior susto da vida. Fui pega no flagra!

– O que estava fazendo, mocinha? – ele perguntou e eu fiz cara de assustada.

– Quer me matar do coração? – perguntei e ele riu.

– Se assustou? Tá devendo? O que estava fazendo com meu celular? – ele perguntou e eu fiz que não.

– Nada. – respondi e ele arqueou as sobrancelhas.

– Estava procurando um filme e uma garota veio falar com você.

– No celular? – ele perguntou.

– Não. No Skype.

– O que o tem o meu celular a ver com isso?

– Fiquei curiosa, tá bem? – resmunguei. Me levantei do sofá e fui até a cozinha para sair de perto dele, mas não funcionou, ele veio atrás de mim e me encurralou perto da janela da lavanderia.

– Me diz, o que viu? – ele perguntou e eu suspirei.

– Está me sufocando.

– Deixa de ser dramática.

– Eu não vi nada demais, não fiquei olhando seus grupos de sacanagem e nem suas conversas com suas amiguinhas, só fiquei impressionada com a foto de fundo.

– Foto de fundo? Fala sério Hanna, estava vendo minha conversa com quem? Com seu irmão?

– Não.

– Com quem?

– Com o Liam. – falei e ele riu.

– Podia ter escolhido uma conversa melhor. – ele riu debochado.

– Eu não sou curiosa como você, se fosse teria fuçado tudo sobre essa tal de Clara.

– Clara? – ele perguntou e eu assenti. – Foi ela que me chamou no Skype?

– Por que? Está mais preocupado em falar com ela do que terminar essa conversa comigo?

– Deixa de ser... – ele parou, me olhou malicioso e sorriu. – Está com ciúmes? – ele perguntou e eu gargalhei.

– Se enxerga Tyler. – resmunguei e ele sorriu.

– Não acredito, você está com ciúme. Quem diria que algum dia você ia ter ciúme de mim. Agora sabe como eu me sinto?

– Que nojo! Você é tão sínico que intitula o que você tinha como ciúme, aquilo não era ciúme. – resmunguei e tentei sair dali, mas ele não deixou. – Eu vou embora.

– Não. Vamos esquecer esse assunto tá bem? Podemos ficar pelo menos um dia sem discutir sobre qualquer coisa.

– Não é justo. – murmurei.

– O que não é justo? – ele me ouviu e virou-se para me olhar novamente.

– Não é justo que eu não saiba nada sobre você. – resmunguei baixo e ele sorriu.

– O que quer saber? Pode perguntar o que quiser, mas só depois que eu pegar um sorvete. – ele falou e eu assenti sorridente.

Ele foi até a cozinha e voltou minutos depois com um enorme pote cheio de sorvete de flocos com cobertura, vários confeitos e até bala de ursinhos. E eu não pude evitar sorrir.

Se sentou ao meu lado no sofá e colocamos o filme, peguei uma das colheres e comecei a comer. Não conseguia me concentrar no filme e acho que ele percebeu.

– Fala.

– Falar o que? – perguntei e ele riu.

– Sei que quer me perguntar algo, pode perguntar.

– Qualquer coisa?

– Sim.

– Está bem. – Já que ele estava concordando resolvi me aproveitar da situação e perguntar tudo o que eu queria saber.

– Sem zombar de mim ou ficar perguntando o porque eu quero saber isso, só me responda, okay? – o intimei e ele assentiu, rindo.

– Quem é essa Clara?

– Nós nos conhecemos a uns dois meses em uma balada que eu fui com o Chris e começamos a conversar, não conversamos nada demais, só ficamos algumas vezes e nem sequer transamos. – ele respondeu e eu arqueei as sobrancelhas sem acreditar na última parte, mas continuei.

– Você tem saído com alguém?

– Nenhum romance se é isso que quer saber.

– Nada de sexo?

– Não.

– Desde que terminamos a mais de dois meses? – perguntei e ele assentiu.

– Por que não pergunta logo o que quer saber? – ele resmungou e eu não entendi.

Eu ainda estava meio chocada com o fato de ele não ter transado com ninguém, tudo bem que eu também não tinha feito nada, mas pra mim isso era comum, pra ele não.

Será que ele estava apaixonado por alguém?

– Está apaixonado por alguém? – perguntei, para logo depois me arrepender.

– Sim. – ele respondeu e eu fiz bico e fechei um dos olhos, tentando entender aquele sim, tão seco. – Pergunta.

– Perguntar o que?

– O que eu quero responder Hanna, pergunta sobre nós, o porque nós terminamos, o porque de eu ser daquele jeito, se eu acho que mudei desde então, se eu me arrependo do que fiz, se eu ainda te amo, pergunta.

– Eu não quero saber essas coisas.

– Por que não? Qualquer pessoa normal iria querer.

– Eu não sou normal, tá bem? Eu não quero saber como você está sobre nós dois, eu quero saber sobre sua vida longe de mim, sobre o que tem feito porque é o que você sabe sobre mim e eu acho que se você sabe eu tenho o direito de saber.

– Tudo bem então, me responda essas coisas.

– Que coisas? – perguntei confusa.

– O porque nós terminamos , o porque de eu ser daquele jeito, se você mudou desde então, se arrepende de algo, se ainda me ama. Eu quero saber, se você não quer, eu quero.

– Quer mesmo saber? Tudo bem. – respirei fundo e comecei pela primeira pergunta, de cabeça erguida. – Nós terminamos porque você é um idiota, porque era possessivo e nunca me deixava fazer nada que eu queria, ficava se preocupando com cada garoto com quem eu conversava, não confiava em mim quando quem não deveria confiar era eu, falou um monte de coisas ridículas na minha cara. Nossa relação começou a ser só sexo, nós nem conversávamos mais, você só pensava naquilo. Além do ponto crucial de tudo, você não confiar em mim.

Falei e ele ia falar algo, me interromper, mas ele fez todas as perguntas juntas e eu as responderia da mesma forma.

– Você era, ou é, possessivo porque sente que todos vão te deixar, tem medo de que as pessoas te abandonem, mas isso não vai acontecer, todas as pessoas que continuam na sua vida até hoje é porque se importam com você, se eu estou aqui agora e ainda olho na sua cara e tenho coragem de conversar contigo é porque me importa com você, porque você sempre cuidou de mim e eu cuidaria de você, mas não deixou que eu o fizesse. – terminei e logo continuei antes que ele pudesse dizer algo. – Eu mudei sim, amadureci, percebi que ficar com alguém que não me faz feliz não vale a pena, alguém que não gosta de mim e que não se importa com meus sentimentos, por isso não quero mais um relacionamento com ninguém. — Eu ainda tinha duas perguntas pra responder e confesso que não queria que ele se lembrasse da ultima. – Eu não me arrependo de nada que fiz, só do que me arrependo é de ter te amado demais e não ter acabado com aquilo antes.

– Só me diz uma coisa, se você se sente assim porque é que ainda sente ciúme de mim, por que quer saber da minha vida?

– Respondendo as duas perguntas... – respirei fundo e ele ficou me encarando como se esperasse ansioso pela resposta. – Eu ainda amo você.