Hands of Time

2 Borboleta azul


Max se divertia na casa de Chloe com a mesma. Ambas cozinhavam junto com o pai da jovem loira, William. Tudo estava perfeito e sempre alegre (O que era de se esperar quando os três se uniam).

Faziam um omelete enquanto Max com a câmera Polaroid de William, tirava foto do processo da comida.

— Ei, é minha vez de mexer também! –Disse a jovem de treze anos.

— Ok, ok, Max, dê espaço pra ela, Chloe. –Falou William entre um sorriso.

— Pai! Você que deveria sair, humph. –Bufou a loira e então, riu. – É claro que eu sou a melhor cozinheira dessa casa.

— Chloe...acho que sua mãe é que é. –Disse Maxine, sorrindo.

— Ela não está em casa, está? –Chloe deu língua de brincadeira. – Ela pode ser a melhor do restaurante dela, mas aqui e agora eu sou.

— Convencida... –Disse William. – Ok, Max, venha cá cozinhar com essa pirata metida, haha!

— Obrigada, pai. Que bom que admitiu minhas artimanhas culinárias! –E então, riu, enquanto começava a cozinhar alegremente o omelete.

— Não o explodam. –Disse William ironicamente. – Max, Chloe, venham cá. Se unem pois precisamos registrar o momento do descobrimento das duas melhores chefes de cozinha da casa. –William pegou a Polaroid enquanto Max e Chloe se abraçavam de lado e sorriam para pousar para a foto.

— Um dia meu pai terá um daqueles computadores ultramodernos. –Comentou Chloe depois da foto ser tirada.

— Espero que o flash não tenha te assustado Max. –Falou William retirando a foto da Poraloid. –Essa vale a pena ficar guardada.

Max e Chloe sorriram uma para as outras e voltaram a cozinhar.

O telefone fixo de casa toca.

— Olá? –William atende, notando ser Joyce, sua esposa, mãe de Chloe. – Ei, querida...O quê? Oh, eu não sabia que você tinha ido fazer compras. É claro que vou ir aí te buscar. –Disse sorrindo.

Depois de ter uma pequena conversa com Joyce Price no telefone, começa a procurar pelas chaves do carro.

— Merda, cadê minhas chaves?

— Isso é um dólar para o jarro de palavrões! –Gritou Chloe da cozinha.

Max ri.

— Você quer dizer para o fundo da sua faculdade. –Continuou procurando. – Chaves, por favor...

Finalmente encontrou e comemorou a vitória.

— Ahá! Vocês não conseguiriam se esconder de mim para sempre. –Logo voltou a caminhar pelo corredor de saída, se despedindo aos poucos. – E nenhuma sessão de degustação de vinho, Chloe e Max...

— Pai! –Exclamou Chloe.

— Não estrague tudo, porque essa noite sua mãe prometeu nos fazer sua mundialmente famosa surpresa de salmão com bolo de chocolate para sobremesa. – Max, você vai estar aqui também, certo?

— Não perco por bolos de chocolate ou qualquer outra receita da Joyce! –Disse Max entre risos.

— Ela nunca vai me deixar! –Gritou Chloe animada mais uma vez da cozinha.

— Isso nenhum de nós vai. Então, vou indo senhoritas. Chloe, comporte-se, tente não queimar os brigadeiros que irão fazer. –A menina deu uma risada irônica e se despediu do pai com uma acenada.

Max parou de cozinhar de repente.

— Max, o que foi? –Perguntou Chloe. – Você parece meio esquisita...

— Não sei... sinto um...dejavu. –Max tocou a própria cabeça. – Dói...acho que é ansiedade para comer bolo de chocolate.

— Eu não duvidaria. –Riu Chloe.

Max parou de rir ao ver uma borboleta azul pousar na janela da cozinha. Pensou o quanto ela era bonita e acabou sendo hipnotizada pelo ser. Observando-o, fascinada.

Cenas rápidas passaram em sua cabeça.

Chloe Price com cabelos azuis.

Chloe Price crescida.

Chloe Price desmaiada no chão aos pés de um menino, drogada.

Um banheiro.

Uma borboleta azul.

Chloe é baleada.

Percebeu nesses poucos segundos que ela estava crescida.

Finalmente saiu desse transe com um susto de Chloe.

— Max? Por que está chorando? Ei! –A loira pegou nos ombros de Max e a chacoalhou afim de animá-la.

Max também não sabia ao certo porque se sentia assim. Se sentiu atingida no peito quando a amiga disse que Max nunca iria abandoná-la. Mas lá estava ela, de mudança...pra sempre. Será por isso que estava vendo coisas?

Precisava fazer alguma coisa, estava em desespero, só de pensar que abandonar a amiga, a veria morta depois era horrível.

— E-Eu não sei, eu vi... eu... a borboleta... –Max olhou para a janela e não havia borboleta nenhuma, apenas mosquitos. — Eu estou de mudança, Chloe...eu nunca mais vou vê-la de novo... –Max disse aos choros. – E se...e se...

— Claro que vai! Existem trens...ônibus, carro, avião... seria fácil nos vermos de novo.

As imagens de Chloe sendo morta surgiram na sua cabeça de novo.

— Não, Chloe! –Max gritou. – Não vai. E-eu vou ficar. –Um lado de Max sabia que o que ela havia visto era real. Estava com dúvida e essa dúvida, estava a matando de medo.

— Como? –Chloe pareceu se interessar mais na conversa.

A cabeça de Max latejou novamente. A menina pousa as duas mãos na cabeça, tentando amenizar a dor, mas só piorava.

— Max? Max?

Max se viu furando os pneus do carro dos pais. Viu ela e Chloe pegando as coisas da mudança e botando novamente na casa. Tudo isso foi mostrado aos seus olhos em rápidos segundos.

Chloe a balançou pelos ombros.

— Ei!! Garota!! Você tá bem?! –Chloe pareceu desesperada.

— E-eu...eu vi! Eu vi como a gente pode fazer! Precisamos de...alguma coisa pra furar o pneu, de...pegar tudo juntas e botar em casa de novo, precisamos... –A menina de 13 anos parecia cada vez mais confusa. – Chloe, eu acho que vi o futuro!

— Max... o que meu pai disse sobre “sem degustação de vinho” ? –Chloe disse num tom de ironia, mas mesmo assim estava preocupada com o que a amiga estava dizendo.

— E-esquece... –Max abaixou o olhar e limpou as poucas lágrimas que sobravam. – Vamos, Chloe. –Maxine pegou o pulso da amiga com um pouco de desespero. –Vamos impedir essa mudança.

— Ok, irmã. Vai ser divertido.

***

— Max, que bom que você chegou. –Falou Vanessa na porta de casa enquanto carregava uma caixa, a levando para o carro. – Ah, olá, Chloe!

— O que é isso tudo mãe? –Max olhou assustada para o carro já lotado com coisas da casa. – Não iriamos se mudar apenas amanhã?

— Resolvemos adiantar as coisas já hoje, filha. –Vanessa ao deixar a caixa dentro da mala do carro, voltou e beijou a cabeça da filha Max. – Vamos dormir na casa de seus tios hoje, eles moram por lá, se lembra?

Chloe olhava para Max com um olhar sem esperança.

— A-ah... não, mãe, eu não quero ir...

— Filha, já conversamos sobre isso. –Vanessa pegou na mão de Chloe depois. – Sua amiga Chloe também pode nos visitar sempre que quiser.

— Vocês realmente precisam ir? –Perguntou a menina loira.

— Eu não tenho escolha... –Vanessa sorriu gentilmente.

Max teve raiva da mãe por alguns minutos. É claro que ela tinha escolha.

— Bom, meninas, eu vou lá dentro pegar mais uma caixa. O resto é com o caminhão que chegará amanhã. –E então, entrou pra dentro de casa, falando de lá de dentro com uma voz alta. – Brinquem no jardim!

Max olhou para um vergalhão encostado na cerca de sua casa. Estava triste e também com raiva, os dois ganharam.

Max precisava fazer alguma coisa.

Chloe fez primeiro e pegou o vergalhão com firmeza.

A garota entregou pra Max.

— Desculpa, eu não posso fazer isso com sua mãe. –Chloe vacilou. – Não sou tão rock n roll e tal. Eu gosto da sua mãe, maaaaas....com você fazendo eu não vou ter pesos nenhum nas costas. Então, vai! Fique com sua melhor amiga!

Max tentou sorrir, mas não conseguiu. Pegou o vergalhão e finalmente, enfiou no pneu do carro dos pais.

Forçou, mas era fraca de mais, não estava indo direito.

— Me ajude!

— Ok, agora acho que serei obrigada.

Juntas, forçaram o vergalhão contra a roda do carro e finalmente o rasgou terrivelmente.

Max riu.

— Eu não vou ir mais embora!

— Ok, Max! Você é quem manda! –E as duas se divertiram estranhamente furando um pneu.

Max agora pegou uma caixa e Chloe pegou outra e juntas caminharam até o fundo do quintal para esconder as coisas.

Na metade do caminho, Max deixou a caixa cair ao ver uma borboleta azul voar acima de sua cabeça, lhe trazendo dor de cabeça novamente e um susto.

— Hã... Max? Você está bem? Sua consciência pesou por tanta rebeldia? –Brincou Chloe.

— N-não...é...eu to bem.

Max jogou os objetos dentro da janela de casa e Chloe fez o mesmo. Chloe sorria, mas agora Max parecia preocupada com medo de o plano não dar certo.

Entrou dentro de casa depois de algum tempo botando as caixas de volta sem a mãe perceber, pegou o celular da mesma que estava em cima da mesa e discou o número do caminhão da mudança.

— Olá?

— Hey...aqui é Vanessa Caufield e eu queria fazer um cancelamento de...viagem...quer dizer, da mudança. –Max tentou imitar a voz da mãe. – Não precisam vir amanhã. Eu e meu...marido mudamos de ideia e resolvemos ficar por aqui. Não precisam trazer o caminhão de mudança, Ok? Tchau!

E desligou rapidamente.

Chloe olhava aquilo ansiosa e cheia de energia.

— Eai?

— Acho que funcionou...

— Oi ,meninas. –Vanessa passou por elas pela sala. – Querem ir em alguma lanchonete comer um lanchinho? É por minha conta. –Continuou falando mesmo lá fora. – Precisamos se despedir com estilo e... o que é isso?

Ouviram xingamentos da mãe de Max e abafaram o riso.

— Acho que é um sinal pra não se mudarmos, mãe. –Comentou Max.

— Max, você que fez isso? –Max foi até a mãe, com um olhar assustada, com suas esperanças diminuindo.

— M-mãe...eu não quero deixar essa cidade. –Max disse sem olhar nos olhos da mãe. – Você e o papai resolveram tudo isso sozinhos mas nem sequer pediram minha opinião. Eu...eu não quero ir.

— Você sabe que está em muitos problemas, não é mocinha? Espera só seu pai aparecer. –Vanessa fitou a filha com uma cara irritada, mas se continha devido a amiga da mesma estar ali presente. – Nós não podemos fazer nada enquanto a isso e...

— Eu cancelei o caminhão de mudança e eu furei os pneus. –Falou rapidamente. – Talvez tenham mais dias pra pensar. Talvez...seja o destino.

— Sabe o que é o destino? –Vanessa pegou o chinelo do pé. – O seu castigo que você vai levar!

— MAX, CORRE! –Gritou Chloe.

Max riu e puxou a amiga Chloe pelo pulso e juntas correram de volta para a casa dos Price’s enquanto Vanessa gritava pela filha.

— Deus, o que vou fazer pra arrumar a mudança?

***

Max e Chloe passaram horas e horas jogando jogo da velha, mimica, jogando conversa fora, rindo dos seus momentos que já passaram juntas, comendo, correndo pelo quintal, pulando corda, balançando no balanço, até que desanimaram de cozinhar.

Já era sete e meia da noite e nenhum sinal de William ou Joyce, os pais de Chloe. William havia saído por volta das três horas e depois disso, nenhum sinal dele. Ou da mãe de Chloe. Two Whales era perto, não tinha como demorar...Chloe começou a se sentir nervosa.

— Liga pra eles, Chloe. –Sugeriu Max.

— De novo? Eu já liguei dez vezes!

— Mande um sms...

— É...ok. –Chloe pegou seu celular e mandou uma mensagem de texto, mesmo imaginando que não adiantaria de nada.

Mandou a mensagem “Onde você e o papai estão?”

Aguardaram.

...

...

...

“Chego em casa em breve.”

— Ok, ela não me contou onde eles estão. –Reclamou Chloe. –Ai odeio quando eles saem e não me chamam...

— Devem estar num restaurante romântico, são um casal também, Chloe. –Max riu.

— É...mas eu to com fome.

Se olharam e ficaram quietas novamente até que se passou meia hora.

Alguém abriu a porta.

Joyce entrou cabisbaixa.

Chloe e Max se levantaram ao mesmo tempo, ansiosas.

— Então, senhorita Joyce, como foi o encontro romântico e... –Chloe parou de falar ao perceber sua mãe chorando e não vendo seu pai por ali. – Onde está o papai?

Joyce chegou lentamente e abraçou a filha com força.

— Chloe...minha filha...minha doce filha...eu te amo tanto... –Ela a abraçava ainda mais enquanto as lágrimas escorriam.

— M-mamãe, o que foi? –Chloe não entendia, mas a preocupação começou a subir. – Cadê o carro do papai? Cadê o papai? Por que está chorando, mãe?

— J-Joyce...? –Max se aproximou e tocou o braço da mesma, nisso, uma visão surgiu a sua mente.

Viu um velório com um retrato de William e se viu ao lado de Chloe, a consolando.

“Um acidente de carro...” ouviu alguém falar rapidamente e então, foi trazida de volta a realidade com uma forte dor perfurando sua cabeça e agora, seu peito, espantada.

— Onde está William...Joyce?

Ela não parava de chorar.

Joyce a olhou com tristeza.

— Max... –Chloe olhou para a mesma. – Seu nariz.

Max tocou-o e observou seus dedos encharcados de sangue.

— Mãe, por favor, tem como dizer o que foi? –Chloe se desesperou, impaciente. – Fale logo!

— Seu pai, Chloe! O carro, ele...bateu...

Lágrimas vieram enchendo os olhos de Chloe com uma imensa rapidez. Ela começou a tremer e Max percebeu que estava chorando também.

— N-não, não... por favor, não... –A menina cobriu o rosto com as mãos. – Não! Pai, não... –Chloe correu até o quintal, ansiosa para ver o pai e ver que tudo só foi uma brincadeira.

Mas ele não estava lá, nem seu carro.

Max foi atrás e segurou no braço da amiga.

— Chloe, eu sinto muito...

— Eu... –Max olhando para a estrada, lembrou da morte de seu animal de estimação. Seu coelho que morrera. Agora estava ali, chorando pela morte de seu pai e em breve, pela saída de sua melhor amiga da cidade. – eu te odeio, Max.

— Q-quê...? –Max paralisou, sentindo uma dor tremenda no peito.

— Você também vai me abandonar, não vai?! –Chloe olhou com fúria os olhos da amiga. – Todo mundo faz isso e adivinha? O seu destino é me largar aqui depois da porra do meu pai morrer! Vai, Max. Vai embora. –Disse isso com as lágrimas escorrendo até a ponta do queixo.

— Não diz isso, Chloe...

— Chloe, para de jogar tudo nos outros! –Gritou a Joyce entre choros. – Nós temos que ficar...unidos! Ai, meu Deus...você acha que está sendo fácil pra mim? Acha?! Por favor, venha aqui e me abrace...seu pai não iria querer nos ver desunidas.

— Meu pai...meu pai... –Chloe se ajoelhou no chão do quintal e tampou o rosto, querendo que tudo aquilo fosse um pesadelo, mas era a realidade.

— Chloe...não me expulse de sua vida, por favor. –Max se ajoelhou do lado e a abraçou.

— M-me desculpa. Eu sou uma idiota... eu...só...dói tanto... –Chloe a abraçou com força, muita força. – Eu não te odeio, Max...eu te amo, droga! Eu amo meu pai, amo minha mãe, eu amava meu estupido coelho de estimação, mas eu não aguento a vida tirando tudo aquilo que amo de mim! Não quero mais sentir isso! E se...eu tivesse que morrer para...

— Não! Não fala isso Chloe! –Max e Joyce gritaram quase a mesma coisa ao mesmo tempo.

— V-você...vai...ficar comigo aqui...em Arcadia, certo? –Chloe dizia tentando parar as lágrimas que não paravam de cair, observando o céu escurecido.

— Sempre, Chloe.

“Sempre.”

Notas finais
Gostaria muito que comentassem, sua escolha terá consequencia e a consequencia é me deixar feliz e me fazer continuar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.