Hands Of Time

2 A tempestade sempre vem em má hora


"É muito difícil ir embora — até você ir embora de fato. E então ir embora se torna simplesmente a coisa mais fácil do mundo."

— Árvores. Árvores. Árvores. Esse lugar só tem árvores. – reclamou Cecilia, a irmã mais nova de Riley do banco de trás do carro. Riley, sua mãe Ashley e Cecilia estavam voltando de carro do Aeroporto de Beacon Hills. Isso mesmo, Beacon Hills, a cidade no meio do nada como Cecilia gostava de chamar. Elas haviam acabado de descer de um voo vindo de São Francisco direto para o meio do nada. A Sra. Romero achou que seria uma ótima ideia recomeçar em uma nova cidade, tranquila, após a morte de seu marido e pai das garotas. As duas, porém, lutaram contra a ideia desde o começo, mas ambas sabiam que quando a Sra.Romero quer algo, ela consegue e nenhuma das duas estava disposta a contrariar essa posição.

Então a algumas horas atras elas estavam dizendo 'adeus' a suas vidas em São francisco e caminhando para suas novas vidas em uma cidade que elas já chamaram de 'lar'.

— Pare de reclamar Cecilia, a gente ainda nem chegou. – argumentou Ashley.

— E nem vai chegar. – comentou Riley olhando o engarrafamento à frente provavelmente devido à tempestade.

— Ótimo. – Cecilia disse amargamente.

— Cecilia, por favor.

Riley gemeu silenciosamente enquanto sua mãe e irmã continuavam a discutir, o que tinha se tornado muito comum após a morte de seu pai, sempre que as duas começavam a discutir, Riley se afastava não querendo se meter na briga entre as duas. Mas agora Riley estava presa em um carro com as duas em mais uma de suas discussões. Ela abaixou-se para pegar sua bolsa em baixo do banco puxando-a para seu colo e procurando seu celular naquele amontoado de coisas, assim que ela o pegou percebeu uma mensagem de sua prima Hayden brilhando na tela.

Val ainda está na delegacia. Vocês estão chegando? – Hayden.

Ela da uma rápida olhada para o engarrafamento à frente antes de digitar uma resposta.

Presas no engarrafamento. Isso vai demorar. – R.

Riley pressionou o botão de enviar, mas a mensagem foi cancelada pela falta de sinal. Ela bufou em resposta antes de se virar para sua mãe.

— Mãe. Seu celular também está sem sinal?

— O que? Como assim sem sinal? – Pediu Cecilia desesperadamente olhando em seu celular. Sua mãe pega o celular do bolso e o encara por alguns segundos antes de responder.

— Sim. Acho que um raio deve ter acertado a torre.

— Com todas essas árvores o raio vai acertar a torre? Porque não me acerta logo de uma vez?

— CECILIA!

— Mãe! Ficar sem celular é como ficar sem cérebro, ou sapatos.·.

Riley olhou para fora novamente antes de se virar para tirar o cinto.

— Riley o que está fazendo?

— Vou tentar conseguir algum sinal. – respondeu abrindo a porta do carro e saindo sem esperar uma resposta. Um vento gelado percorreu seu corpo e fez com que Riley puxasse a jaqueta para mais perto. Ela levantou o celular para o alto, mas se sorte. Suspirou desanimada quando uma voz ao seu lado a fez sobressaltar.

— Também não consigo nenhum sinal. – Riley olhou atentamente para o garoto ao seu lado um tanto atordoada antes de responder.

— É. É uma droga

O garoto estendeu a mão e sorriu.

— Sou Theo.

— Riley. – respondeu devagar aceitando a mão estendida de Theo e cumprimentando-o. – Eu provavelmente deveria voltar.

— Claro. Nos vemos por ai, Riley.

Ela lhe deu um sorriso hesitante antes de caminhar em direção ao carro e abrir a porta sentando se novamente no banco. Sua mãe se virou para ela com um olhar curioso.

— Conseguiu algum sinal?

— Não. Nada.

—Eu vou tentar – Cecilia teimosamente abriu a porta do carro, mas antes que conseguisse sair, gotas de chuva começaram a cair fazendo com que ela voltasse para dentro. – Deixa pra lá.

Riley soltou uma risadinha fazendo com que Cecilia bufasse.

— Mas então... Quem era aquele? – pediu Cecilia.

— Ãhn?

— Aquele quem?

— Aquele garoto que você estava conversando lá fora. — Cecilia curvou-se mais para frente no banco ficando perto de Riley.

Riley hesitou.

— Ah. Esse garoto. O nome dele é Theo. – respondeu simplesmente.

— E? – insistiu.

— E nada. A gente só trocou umas três palavras, o que mais você esperava que eu soubesse?

Cecilia deu um sorrisinho falso.

— Uma dessas palavras poderia ser um numero de telefone.

— Cecilia!

— O que? Ele era um gato.

Riley olhou para ela pasma.

— Ah Meu Deus Cecilia, você tem 12 anos.

— E dai? Só por isso não posso achar ele um gato?

— Não mesmo. Você é a minha irmãzinha.

Cecilia revirou os olhos para a irmã.

— Quase treze! Você só é' três anos mais velha do que eu. 'Okay?

— E eu sou vinte e seis anos mais velha que você e concordo com a sua irmã. – intrometeu-se a Sra. Romero.

— Mãe! – protestou Cecilia.

Mais alguns minutos se passaram sem grande movimento até que finalmente o transito começou a andar. Cecilia quase soltou um grito de animação, e Riley quase adormecida no banco da frente pegou seu celular querendo obter um pouco de musica, desenrolou os fones e relaxou sob o som da sua banda favorita observando à janela enquanto passava pelos lugares antes conhecidos e frequentados por Riley que lhe traziam diversas lembranças – boas e más.

Assim que pararam no sinal Riley conseguia ver à rua em que sua antiga casa costumava ficar, a Sra. Romero havia pensado em compra-la de volta, mas ao pensar nas memorias que a casa traria para si e para as filhas desistiu da ideia e ao invés disso comprou uma casa do outro lado da cidade, próximo ao colégio de Beacon Hills. Riley olhou para o pequeno parque através da janela quando um sentimento de nostalgia a atravessou ao se lembrar de como costumava o frequentar todo o final de semanas junto de sua irmã Cecilia de apenas 3 anos na época e seu pai. Ele sempre pensou que esse parquinho não iria durar por muito tempo por causa das novas construções de lojas e shoppings que tinham vindo para Beacon Hills. Aposto que ele ficaria feliz de saber que durou por tanto tempo, aposto que se ele ainda estivesse aqui ainda nos levaria lá para empinar pipas ou andar de bicicleta como costumava fazer, pensou Riley.

Mas ele não estava. Não mais. Ele estava morto e não poderia nunca mais as levar para pescar no lago perto da casa de seus avós sempre que iam os visitar nas ferias, ou ir ao Baile de pais e filhas muito comum no antigo colégio de Riley, ou as levar para um piquenique de comemoração como quando Cecilia ganhou a feira de ciências na escola, ou até mesmo reclamar de como a previsão do tempo, nunca realmente acertava a previsão do tempo. Tudo isso fazia falta a Riley, seu pai e ela eram muito próximos, foi ele que a ensinou a tocar piano, foi ele que a ensinou a empinar pipa e a pescar, ele que construiu sua casa na árvore de seu quintal. Ela também era próxima de sua mãe, mas não era a mesma coisa, ela havia se tornado muito distante após a morte do pai, passava a maior parte do tempo trancada em seu escritório e quase nunca falava. Riley se afundou um pouco mais no banco tentando não chorar e se concentrar na musica que saía de seus fones de ouvido, mas era praticamente impossível. Beacon Hills não lhe trazia bons pressentimentos. Riley sentia como se a pequena cidade escondesse terríveis segredos.

E Riley nunca esteve tão certa.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.