Hand Grenade
2 Capítulo 2 - oh, if I could just believe.
O resto do do dia correu normalmente. As aulas acabaram e lá pelas duas da tarde eu entrei em meu carro, ligando o rádio e colocando um CD do The Strokes para tocar, quanto dirigia até um velho café perto da universidade, onde eu ia sempre para escrever.
O café se chamava Nick&James e era um lugar aconchegante, com o melhor mocaccino que qualquer um poderia experimentar.
Entrei pela pequena porta de vidro e me dirigi ao balcão, cumprimentando Bert, um dos funcionários, pelo caminho.
- Oi, flor, o que vai querer hoje? — Rose, a senhora que atendia os clientes e prepara os cafés, me perguntou, com o sorriso bem humorado habitual.
- O de sempre, Rose. Tenho um artigo para escrever e só disponho de três horas para isso, espero que um dos seus mocaccinos milagrosos me ajude. — falei, bem humorada, colocando a mão na testa fingindo desespero.
- É pra já, Flor. Aliás, adorei sua última matéria sobre as houpas inspiradas no estilo homeless. Quem diria, hein? — eu sorri e agradeci em resposta, me sentando em umas das mesas redondas de madeira escura e pegando meu MacBook da bolsa, ligando-o em seguida.
Bert trouxe meu café e eu, depois de agradecer, tomei um grande gole, sentindo o líquido quente descendo por minha garganta, já melhorando meu humor e me dando inspiração para escrever. Era incrível como um pouco de cafeína podia me ajudar nesses momentos.
Escrevi uns três parágrafos sobre sapatos oxford e influência da moda masculina nos sapatos da estação e parei, olhando em volta, batendo os dedos na mesa, impaciente por mais idéias. Quando voltei minha atenção ao notebook, escutei o sino da porta tocar, porque ele tocava cada vez que alguem a abria, então olhei para ver quem entrava.
- O que vai pedir? — ouvi Rose perguntar ao rapaz que entrara. Ele estava de costas para mim, então não podia ver seus rosto, mas quando ele se virou pude ver que era o mesmo do episódio da biblioteca. Rapidamente voltei minha cabeça para baixo, olhando de canto para ele, discretamente, é claro.
- Eu quero cinco cappuccinos, dois descafeínados, e... uns 3 donnuts, obrigado. — a voz dele era um pouco rouca, porém suave. Quase musical.
Ele se sentou em uma mesa próxima a qual eu estava sentada, de frente para mim. Eu me escondi disfarçadamente por trás de meu notebook, mas depois de alguns segundos ele me notou ali, eu acho, pois me encarou, como na bilbioteca. Eu o olhei também, não tão disfarçadamente agora, pois eu odiava mais que tudo que ficassem me encarando, então o olhei de volta com uma expressão nada agradável, como se eu estivesse realmente incomodada.
Ele sorriu. SORRIU. Para mim? só devia ser, porque foi um sorriso meio debochado e sarcástico, nao possuía mais o tédio de antes e era claro que ele olhava em minha direção enquanto sorria. Eu, indignada, comecei a escrever coisas aleatórias em meu notebook, apenas para criar um motivo para não olhar mais para ele. Ao perceber isso ele levantou uma sombrancelha e riu levemente, como se eu fosse alguma idiota ou coisa assim.
Seus cafés foram entregues e ele foi embora, provavelmente trabalhava em algum lugar perto daqui, afinal havia levado muitos cafés.
Tentando esquecer sobre o garoto, o qual eu não sabia nem o nome, me concentrei em escrever, ou digitar. Em mais ou menos uma hora consegui terminar, então guardei tudo, paguei pelo café e saí do lugar, entrando em meu carro.
Normalmente eu envio por e-mail o que escrevo para a revista, afinal é muito mais fácil, mas a secretária de Judith Nolan — minha editora-chefe — havia me ligado para informar que Nolan queria falar comigo, então dirigi calmamente até o prédio da revista, estacionando bem em frente ao edifício.
Entrei no amplo hall de entrada do prédio, meus saltos fazendo barulho ao bater no chão de mármore escuro. Entrei em um elevador e subi até o último andar, o qual pertencia a Paradise Kiss — a revista de moda para qual eu escrevia.
-Olá, Meg, Judith queria falar comigo. Ela está livre agora? — perguntei para a recepcionista do andar.
-Está sim, — Meg respondeu prontamente — ela está esperando por você na sala dela.
-Ok, então vou para lá. Obrigada. — andei até o grande escritório com paredes de vidro e entrei pela porta onde estava escrito: J. Nolan — editora-chefe.
-Olá, Judith. — falei, simpática. — Queria falar comigo? Eu acabei de terminar a matéria, se quiser posso te entregar agora.
-Queria sim, Sophie, tenho um assunto importante para tratar com você. Entregue a matéria para meu novo assistente depois, agora preciso que você me responda.
-Pode dizer, sou toda ouvidos. — falei, meio rindo. Eu e Judith não éramos as melhores amigas claro, mas sempre nos tratávamos bem, afinal fazia mais de um ano que eu escrevia para a revista, apenas como freelancer, claro, mas era algo bem frequente.
-Não sei se você sabe, mas estamos querendo mudar a cara da Paradise Kiss, para dar uma reanimada nos leitores que sempre estão querendo coisas novas. Então decidimos que queremos você como colunista, afinal já estamos bastante acostumados e satisfeitos com seu desempenho e seu estilo de escrever, acho que você faria um ótimo trabalho. Você aceita? Se não for atrapalhar sua faculdade, é claro.
Eu realmente estava em choque, quase não podia acreditar. Eu gostava muito de escrever para a revista, mas nunca pensei que eles me dariam algo fixo, afinal eu nem tinha terminado meu curso superior.
-Nossa, Judith, isso é incrível! É claro que eu gostaria, adoro escrever para a revista, uma coluna só para mim é mais do que eu poderia desejar a essa altura! Obrigada pela oportunidade. — falei sorridente e alegre e ela sorriu também, satisfeita.
-Que bom que aceitou, nós vamos adorar você oficialmente no time. — ela disse, brincalhona.
Eu sempre pensei que se um dia eu tivesse uma chefe, era seria um porre, mas a senhora Nolan era realmente muito simpática, nada parecida com essas carrascas metidas que vemos em filmes. — Bom, pode começar amanhã, se quiser, já separaremos um espaço para você. Passe aqui amanhã, para acertar o contrato, ok? — ela falava rapidamente e eu apenas concordava com a cabeça, mais séria agora. — Aliás, esse é meu novo assistente. — ela disse, fazendo um sinal para alguém que parecia estar atrás de mim. Quando o homem entrou e foi para o lado dela eu fiquei mais perplexa do que estava antes, mas agora o motivo era totalmente diferente. — Esse é John, meu filho mais velho. Ele voltou da Escócia há um mês, então vai estar me ajudando na revista, para ver como tudo funciona. — ela falou e ele sorriu para mim, me cumprimentando e eu o cumprimentei de volta. Eu não podia acreditar que era o mesmo de mais cedo, afinal ele não tinha nada em comum com pessoas que trabalham em revistas, ele era tão...normal. Não era nada sem graça, era bonito e possuía um ar diferente, mas não fazia mesmo o estilo de homem que se importa com o mundo da moda.
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