Hand Grenade

1 Capítulo 1 - Expectancy


Notas iniciais
cmo sabem, primeiro capítulo é sempre o mais chatinho.. mas...

Acordei em mais um daqueles dias nublados e frios de Londres. Eu acordara um pouco atrasada para a primeira aula de segunda feira, por isso me arrumei correndo, sem ligar muito se eu estava apresentável ou não. É impressionante como as melhores coisas começam naqueles dias que não nos incomodamos nem em pentear os cabelos.

Peguei meu carro em frente ao pequeno e velho prédio onde eu morava. Ele custou a pegar, o pobre veículo já estava demasiado velho e gasto, mas eu não ousaria me separar dele, Russ era como da família — sim, meu carro tem nome -.

Dirigi calmamente, enquanto ouvia uma boa música, um tanto deprimente, mas boa. Entrei no enorme estacionamento da universidade e estacionei meu carro próximo à entrada.

Eu me esforçara ao máximo para entrar na universidade e agora que entrei, não sei se fiz o certo, mas mesmo assim, eu estava cheia de expectativas para ver no que tudo ia dar, as vezes eu queria ter um mapa, pra saber onde as coisas começam e onde terminam. Não sou nenhuma excluída socialmente, tenho vários amigos, pareço estar indo bem em todas as minhas matérias, mas faltava alguma coisa.

-Hey, Soph!- ouvi Ashlee falar, enquanto apressava o passo para me alcançar.

Ashlee era minha amiga desde o colégio. Ela era baixinha e magra, com o cabelo bem comprido e meio avermelhado. Amava tudo ligado à fotografia e artes, grande razão de termos nos conhecido, em uma exposição fotográfica, anos atrás.

-Hey, Ash, tudo bem?- falei com um falso entusiasmo, me dirigindo à minha sala de aulas.

-Tudo sim! Então, pronta para aula do Sr. Roward?

Sr. Roward era nosso professor de Lingua Inglesa. A matéria é ótima, mas ele... passa longe de ser aceitável, imagine ótimo.

-Ai, nem me diga que temos aula com ele agora? Acho que não aguentarei. Desculpa, amiga, mas eu realmente não vou conseguir assistir à essa aula, acho que vou para a biblioteca, tenho umas matérias do jornal para terminar. Ok?

Ela concordou e eu tomei meu caminho à biblioteca.

Me sentei à mesma mesa de sempre, pegando meu notebook e olhando fixamente para a página em branco, que eu tinha que preencher com uma ótima história sobre sapatos -sim, sou uma escritora freelancer de uma revista de moda e saí sem nem pentear os cabelos, mas minha roupa ainda era aceitável, que fique claro.

Passei os olhos pela sala, notando várias pessoas estudando ou conversando baixinho com seus amigos, até que alguém chamou a minha atenção. Ele me olhava fixamente, mas desviou o olhar quando olhei de volta. Comecei a reparar nele, seu jeito enquanto lia seus livros, seus olhares de tédio ao ler os mesmos, mas para falar a verdade, ele não tinha nada em comum os homens que eu costumava me interessar. Ele tinha cabelos curtos pretos, o que contrastava com a pele clara e os olhos também negros. Usava um moletom azul e surrado da GAP por baixo de uma jaqueta de jeans preto e, para combinar com tudo isso, uma calça muito larga para a moda masculina atual, sem falar em seus tenis Puma, totalmente fora de contexto.

De vez em vez ele me encarava, com uma expressão não muito fácil de distinguir, e eu o olhava também, disfarçadamente, por cima de meus grandes óculos da década de 70.

Duas horas se passaram e eu conseguia pensar em tudo, menos em sapatos. A página em branco do começo do parágrafo acima ainda estava em branco.

A primeira aula acabou e eu, completamente fracassada em minha tentativa de escrever. guardei minhas coisas para ir até a sala de aula de História da Arte, sentindo o olhar do garoto queimar em minhas costas enquanto eu saía pela porta da biblioteca.

Essa universidade fica cada dia mais lotada de gente estranha, mas eu até tinha gostado de sua expressão de tédio constante, era algo diferente das pessoas efusivas com quem eu estava acostumada a ver.

Entrei na enorme sala em forma de anfiteatro e me sentei ao lado de Ash, que já havia guardado meu lugar e esperava-me enquanto folheava um livro de fotografias do Oliviero Toscani.

- Então, amiga, conseguiu terminar o artigo para a revista? — ela perguntou, fechando o grande livro de capa dura e voltando seu olhar para mim. Eu a olhei com profundo desânimo.

- Não escrevi nenhuma linha. Espero terminar depois, afinal preciso entregar amanhã. — ela apenas me olhou com pena e não disse nada, já que o professor entrara na sala e o burburinho anterior já era inexistente.

Notas finais
reviews?