Hana To Karasu

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A história foi repostada para a correção de alguns erros ortográficos e equívocos no enredo. Como havia explicado antes, certo dia pensei em Itachi Uchiha e Hana Inuzuka. Eles, de alguma forma, fizeram sentido pra mim. Espero que gostem e que entrem na luta comigo por um mundo com mais ItaHana, porque essa fanfic tem anos e até hoje não tem uma fanart digna deles dois. Só essa da capa mesmo. Créditos à minha Nee-san que conseguiu achar. No mais, é isso. Divirtam-se!

Eu sabia que eu não era a única e, justamente por isso, era frustrante para mim reconhecer estar submetida àqueles olhos sem fundo.

Difícil mesmo era desviar quando ele percebia os olhares. Eu era craque nisso, modéstia à parte, mas as outras meninas tinham que enfrentar o constrangimento de serem pegas no flagra pelo Uchiha prodígio. Mas, sabe, até que valia a pena...

Era minha "missão" favorita. Ranking S de dificuldade! Ficar olhando pro Itachi que nem uma retardada, sem que ele percebesse. Me deem crédito, eu só tinha cinco anos!

Eu falava com todos da sala, brincava com todos, aprontava com todos e sorria com todos. Todos, menos ele. É claro que ele não deveria se importar, afinal, ele era um prodígio. Mais que isso, era um Uchiha! Não acrescentava em nada falar ou não comigo.

É certo que os Uchiha não eram como os Hyuuga no quesito "ego infinitamente grande" – não tem páreo para aqueles narcisistas de olhos albinos – mas também não eram de se misturar. E por isso eu tinha certeza que eu fazer parte do seleto círculo social do Itachi não fazia diferença para ele. Foi assim por um período da academia, até ouvir um pigarreado atrás de mim:

— Eu tenho alguma doença? — Muito bem, aquele foi o grande dilema da minha infância: ficar ali babando ou sair correndo?

— Como você quer que saiba? Tenho cara de médica nin? – Tentei disfarçar com um sorriso infantil, mas a verdade é que eu não sabia onde enfiar a cara.

— Pra falar a verdade, tem sim! – Ele sorriu acatando a piada – Mas é que ninguém brinca comigo. Ficam me olhando como se eu fosse algum estranho, ou como se eu tivesse alguma doença terminal... – “Doença terminal”... O garoto só tinha sete anos! Como ele poderia conhecer essas palavras?!

— Olha, eu não sei o que é doença "vermival", mas eu não acho que você tem não. E pra você acabar com o chororô, eu te concedo a honra de brincar comigo. Pode ser?

Não ouvi resposta, mas acho que atravessar o parquinho me puxando pelo braço queria dizer sim. A gente não voltou para academia depois do intervalo. Passamos o dia todo brincando, rindo e pregando peça nas pessoas da cidade. Eu bem que tentava, mas não conseguia evitar olhar para ele gargalhando. Ficava envergonhada por ele me pegar olhando que nem uma boba, mas ele só sorria e me dava um cutucão.

No fim da tarde, no caminho para casa, ele ia me agradecendo pelo dia, disse que tinha sido muito divertido e que seria muito legal se um dia ele pudesse fazer aquilo de novo. Me soou meio tristonho para uma criança de sete anos, mas eu ignorei a melancolia do momento e também agradeci pela tarde.

— Você é uma boa amiga, Hana. Seria bom te ver de novo também. Gosto de você! – Ele me deu um sorriso fofo e um peteleco na testa. Aquilo doeu, só para frisar.

— Tá bem. – Disse passando a mão na testa – Também gosto de você. Não dos seus petelecos, mas você é gente boa... Bom, até amanhã, Itachi-kun!

— Kun? – Ele perguntou, meio desconfiado.

— Tem problema? Desculpa! Eu não sabia que...

— Calma! Não tem problema, não! – Ele riu – Só não estou acostumado a esse tipo informal de tratamento... Até uma próxima vez, Hana-chan!

Ignorei o fato de não saber o que significava a expressão "tipo informal de tratamento" e também não consegui assimilar aquele "chan" que acompanhava meu nome. Tinha que me preparar psicologicamente para o peteleco iminente. Espremi os olhos aguardando a dor no meio da testa, mas o que senti foi mais suave e delicado que isso. Recebi um beijinho no lugar do peteleco.

E aquela foi a última vez que vi o Itachi.

No dia seguinte recebemos a notícia na sala de que o Uchiha Prodígio era realmente um prodígio. Tinha se formado na academia, agora era um gennin. Se continuasse no mesmo ritmo, em pouco tempo, seria jounin. O que não tardou a acontecer...

Os anos passavam e as notícias iam chegando. Itachi na ANBU, Itachi de namorada, Itachi capitão da ANBU...

Itachi assassino do próprio clã. Itachi nukenin. Eu não conseguia acreditar. Nunca acreditei. Aquela retaliação do clã Uchiha nunca me convenceu. Aquele menino para quem passei dois anos olhando, na sala de aula da academia, aquele menino que eu vi sorrir enquanto derrubava baldes d'água na cabeça de civis, quando fugimos da aula, aquele menino que beijou minha testa com uma ternura que eu não sentiria igual novamente, aquele Itachi não seria capaz disso. Acho que eu era a única a pensar assim.

XXX

A tarde me era muito nostálgica, para ser sincera. Me trazia bons sentimentos, uma boa lembrança.

A rotina no hospital sempre era exaustiva. Quem diria que os bichos de Konoha tinham a vida tão ativa quanto a dos próprios ninjas! Era bom lembrar do tempo em que tudo era mais fácil, quando a minha preocupação era somente em fugir para não trocar as fraldas do Kiba. Mas até aquela tarefa desagradável me fazia falta quando eu me dava conta de que meu irmãozinho cresceu. E já tinha passado por tudo aquilo... Tentar salvar o Sasuke quase matou o meu irmão. Deveria ser mal de Uchiha causar dor nas pessoas da vila. Deveria ser a sina deles causar dor em mim.

Começou a ventar um pouco forte demais, o clima nostálgico se perdeu em meio as folhas e... Corvos. Não me intimidavam, mas meus trigêmeos e eu sabíamos que algo além dos pássaros estava por perto.

— Eu disse que você tinha cara de médica nin. – E aquele foi o dilema da minha vida adulta: abraçar ele com todas as minhas forças, dizer o quanto senti sua falta na academia, ou me atirar ao suicídio certo lutando contra Itachi Uchiha.

— Sinto informar sobre o seu erro absoluto. Sou veterinária. – Definitivamente, depois de tantos anos e tantos acontecimentos, medo não era a sensação que ele me causava. Eu estava cautelosa, porém, aguardando qualquer movimento, suspeito ou não.

— Ainda é médica. – Ele continuava tão estoico quanto podia me lembrar, mas, seja lá como estivesse me sentindo, manter um diálogo tão cordial com um nukenin não era o ideal. "Aguardar ou agir?" — Nem pense nisso. — Ele falou calmamente. Calma e sedutoramente, prevendo que eu uniria minhas mãos em um jutsu antes mesmo que as movesse – De todas as pessoas dessa vila, você é a última que quero ver ferida.

— Sério? E o que você caracteriza por "ferimento"? Porque os meus, definitivamente, não podem ser vistos ou curados. Seu irmão não pensou nesses ferimentos quando foi atrás do Orochimaru e deixou os amigos para serem mortos. Meu irmão ficou ferido na carne, mas eu... Eu fiquei ferida na alma por vê-lo naquele estado. – Eu bem que tentava rosnar, fazer alguma coisa que intimidasse, mas eu conseguiria fazer isso com qualquer um, menos com ele – E você não pensou nisso quando...

— Quando matei minha família? – Aquela vozinha que eu lembrava estava bem diferente. Era agora uma voz rouca, grave, fria.

— Não. – Enchi meus olhos d'água. Kuso! – Quando você se formou na academia e esqueceu de mim. Quando foi pra ANBU e arrumou uma namorada. Quando foi embora e eu nunca mais soube de você...

— Então você não está com medo de estar na presença de um nukenin? Um renegado que, sozinho, assassinou seu clã inteiro. – Ele se aproximou – E que poderia matar você agora sem que ninguém ouvisse nada?

— Eu lido com a morte todos os dias. Morte de animais, de gente, às vezes. Fui ensinada a não ter medo dela. – Forcei minha postura mais austera – De você eu tenho muito menos.

— Eu confesso que não esperava esse posicionamento. Você tem consciência de que tanta audácia poderia ser responsável pela sua morte?

— E você seria o assassino, eu suponho. – Sorri para disfarçar a lágrima teimosa que me escapou – Estou esperando, então.

— Você sempre me surpreendeu, Hana...

Itai! Minha vontade era de gritar, mas se não fiz isso nem quando era criança, por suposto que agora não faria mesmo. Aquele peteleco doeu também. Muito.

— Você também me surpreende... – Passei a mão na testa.

— Eu senti falta da minha amiga. – Eu pude perceber um leve movimento dos músculos faciais ao redor da boca. Acho que aquilo era o mais próximo de sorrir que ele conseguia – Senti falta de olhar pra alguém que me olhasse como você. Mas ninguém tem olhos como os seus. Foi bom te ver de novo, Hana-chan. Queria que tivesse uma próxima vez.

Meus trigêmeos rosnavam alto, esperando um sinal meu, algum comando, qualquer coisa que lhes permitissem atacar, mas eu estava imóvel. Aquilo seria um genjutsu? Não, eu era quem estava paralisada, sem ação alguma de defesa, submersa naqueles olhos negros... O brilho da kunai que Itachi segurava foi a última coisa que eu vi antes de, mais uma vez, fechar meus olhos com força. Não esperava não sentir dor, mas esperava que fosse rápido, que atingisse algum órgão vital e eu morresse instantaneamente.

Mas eu esqueci que um ninja deve ser imprevisível, e Itachi Uchiha era senhor feudal nessa arte! Senti um braço em volta do meu corpo, uma mão segurando delicadamente meu rosto e uma dormência nos lábios. Um beijo tão terno quanto os olhos do menino que eu conheci na academia. A essa altura meus trigêmeos estavam latindo enlouquecidos contra os corvos que voavam em minha volta.

Aquela foi a última vez que eu vi o meu Uchiha.

Notas finais
E é isso, guys. Espero que tenham gostado. Deixem suas opiniões, com carinho e com delicadeza. s2 Aos pouquinhos, estou voltado à ativa. UHUU! o/ Kisus :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!