Halstead's
1 1 - Will
—Eu vi o modo como você me beijou, você queria tanto quanto eu.
Will me perseguia, sem sair do meu encalço. Mas dessa vez era diferente, ele não me deixaria escapar sem respostas.
Me virei pra ele, tomando coragem, pronta para negar o que quer que fosse.
—O que você quer de mim afinal, Will?
—Só quero saber se foi real ou se estou louco...
A resposta veio rápida e fácil.
—Você está louco.
—Sam!
—Você é meu melhor amigo, Will – fitei ele com cautela — você sabe de todos os meus segredos, sabe de toda a merda que aconteceu comigo. Não posso me dar ao luxo de ferrar toda nossa amizade por um simples beijo.
—Não foi só um simples beijo, Sam — seu olhar praticamente me implorava por uma confirmação -Você sabe disso, sei que você sentiu também.
—Por favor, Will...apenas deixe isso de lado.
—Não posso.
—Mas você precisa. Pela nossa amizade, esqueça o beijo.
Ele apenas me ignorou, se aproximando de mim, seguindo por um caminho perigoso.
—Eu tenho sentimentos por você, sempre tive.
—Will não...
—Eu não consigo sair com outras garotas, por que sempre estou com você na minha cabeça — fechei os olhos com força, tentando ignorar aquelas sensação clichê no estomago — não consigo seguir em frente com minha vida porque estou apaixonado por você. E isso machuca, você não faz ideia do quanto.
—Will...
—Ontem a noite, por um minuto, pensei que pudesse estar apaixonada por mim também -seu olhar se tornou intenso — e agora você me diz isso. Você acha que mesmo que depois daquele beijo eu vou conseguir ser apenas seu amigo?
—Minha amizade é tudo que eu posso te dar, Will. Deixei isso bem claro no dia em que nos conhecemos. Você sabia que nós dois juntos nunca iria acontecer, e ainda assim...
—Eu simplesmente não consigo evitar.
—Nós somos apenas amigos — repeti, numa tentativa tola trazer razão de volta a situação- não posso perder você, por favor Will.
—De uma chance para mim, Sam – ele colocou uma mão em cada lado do meu rosto, me forçou a olha pra ele- de uma chance para nós.
Num mundo onde eu não tivesse que me preocupar com inimigos armados, ou ex namorados vingativos, nós teríamos uma chance. Mas eu era insegura demais, paranoica demais, e também era péssima em relacionamentos.
Nossas testas estavam juntas, sua respiração estava um pouco acelerada. Eu jurei pra mim mesma que ninguém nunca machucaria Will, mas ali estava eu, prestes a quebrar a promessa.
Respirei fundo, aproveitando meus últimos segundos de amizade.
—Eu não posso – me afastei dele – sinto muito, Will.
O olhar magoado em sue rosto meu partiu o coração. Queria apenas abraçá-lo e confortá-lo, mas não adiantaria em nada, por que eu era a culpada de tudo.
Ele assentiu, e pegou o casaco que estava no braço do sofá. Sem dizer uma palavra ele foi em direção a porta.
—Will...
—É melhor a gente dar um tempo, Sam –ele disse, sem nem mesmo olhar pra mim- nos vemos por aí.
Eu sabia o que aquilo significava, não nos veríamos mais, ele me evitaria o máximo possível.
O perdi. Meu melhor amigo, o homem que eu amava.
Fiquei parada por algum tempo, tentando compreender toda a situação.
Peguei as chaves do carro e segui pra fora.
Você tem que ser meio casa grossa pra ser policial, Dom me disse uma vez. Levei isso como lema de vida. Por isso nunca demonstrava fraqueza em publico, sempre aparentava ser confiante, e nunca, em hipótese alguma, eu chorava na frente de alguém.
Isso significa que quando bati na porta de Hank, fungando e com os olhos avermelhados, ele já imaginou o pior.
—O que aconteceu?- ele questionou em alerta, seus olhos percorrendo meu corpo, se certificando que eu não estava ferida.
—Posso entrar?
—Claro – ele me deu passagem, segui direto para a sala.
—Você está me deixando preocupado, filha . O que aconteceu?
—Nada — nem eu mesma acreditei na minha mentira.
—Se isso fosse verdade você não estaria chorando – ele me encarou cauteloso- me diga o que aconteceu para que eu possa te ajudar.
Olhei em volta, apesar de não ter passado toda a minha adolescência aqui o lugar ainda era familiar, ainda parecia meu lar.
Não sei ao certo como era a expressão no meu rosto, mas Hank percebeu que eu estava mal. Ele indicou o sofá, e logo se sentou ao meu lado.
—Eu ferrei com tudo – disse baixo.
Ele me olhou, esperando que eu explicasse o resto, mas eu não consegui.
—Há sempre um jeito de consertar as coisas –ele tocou meu ombro.
—Eu nem sei porque vim aqui, eu só...
—Você é sempre bem vinda Sam, aqui sempre será a sua casa.
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