Half of My Heart
8 Capítulo 6
Notas iniciais
(Oliver ON)
Depois dela se debater, lá consegui pegar na Felicity ao colo e deixá-la no seu quarto, deitada na sua cama.
Podia fazer isto todas as noites.
O beijo que ela me deu, tão próximo dos meus lábios, deu-me uma vontade louca de a beijar e de não a largar mais.
Este sentimento que tenho por ela é mais que atracção, é mais que desejo.
Não. Isto não me pode estar a acontecer.
Eu não posso estar apaixonado pela Felicity.
Eu tenho que lutar contra este sentimento e concentrar-me na minha missão.
Depois de deixar a Felicity no quarto dela, desço as escadas que dão acesso à cozinha e à sala, pego na louça que tínhamos usado e ponho-a no lavatório com um pouco de água para depois ser lavada. Olho para o relógio que trago no pulso. Já marcam as 5 horas da madrugada. Nunca imaginei que fosse tão tarde. É mesmo verdade quando se diz que o tempo passa depressa quando estamos em boa companhia.
Estou a debater-me com a vontade que tenho em ficar aqui e dormir no sofá e o meu iminente regresso a casa. Neste momento, a última coisa que me apetece é regressar para minha enorme casa, fria, sem vida e sem cor.
A casa da Felicity é aconchegante, quente, cheia de luz e cor. Cheia de vida.
Tudo aquilo que eu, secretamente, desejava um dia conseguir ter.
Depois de me debater com a minha própria indecisão, decido que vou passar a noite no sofá da Felicity.
Posto isto, começo a preparar-me para me deitar.
Tiro o calçado e as meias, em seguida as calças, ficando só de boxers e de t-shirt. Arrumo a minha roupa num canto da sala, apago a televisão e a luz e acomodo-me no pequeno sofá.
Pego na manta com a qual Felicity tinha estado coberta e ponho-a sob as minhas pernas. A casa está quente, por isso com certeza não vou apanhar frio algum.
Fecho os olhos e entro num sono profundo, pedindo aos deuses para que pelo menos esta noite, os meus pesadelos não me atormentem.
(Felicity ON)
Acordo, olhando para o relógio do meu quarto, que marca as 6h30 da madrugada. Reparo que ainda estou vestida e ponho-me a pensar como vim parar ao meu quarto. Estava tão cansada que não me lembro sequer de ter subido as escadas.
De repente lembro-me.
Oliver. Sim, não me lembro de subir as escadas porque ele me carregou ao colo, contra a minha vontade, por elas acima, deitando-me na minha cama.
Antes de descer para beber um copo de água, troco de roupa. Visto as calças do meu pijama, seguido da camisola que sempre usava para dormir. Apesar de ser inverno, a vantagem de ter um apartamento pequeno, com aquecimento central é que raramente preciso de vestir muita roupa para dormir.
Saio do meu quarto, descalça, descendo as escadas com os olhos ainda meio fechados do sono. Chego ao final das escadas que dão acesso à sala e à cozinha e aproximo-me desta.
Tiro um copo do armário e pego na caneca de água que esta em cima do balcão. Ponho água no meu copo e olho em direcção do lavatório, vendo a louça que usei com o Oliver colocada em água para ser lavada.
Distraída, olho em direcção da sala e no meu sofá vejo uma movimentação estranha.
Será isto mesmo verdade? Pergunto a mim mesma.
Será que o Oliver ficou aqui a passar a noite?
Pouso o copo junto com a restante louça para lavar e vou em direcção da sala, tentando não tropeçar em nada pelo caminho.
Confirmo, isto é mesmo verdade e tenho o Oliver a dormir no meu sofá, coberto apenas com a manta que eu ainda a pouco tinha sobre as pernas. Ao aproximar-se da mesa que está em frente ao sofá, tropeço, fazendo barulho acordando o Oliver, que se levanta sobressaltado do sofá.
– Oh, Oliver, desculpa, não te queria acordar. – Digo atrapalhada. Ainda bem que a luz não está ligada, senão neste momento ele ia ver-me mais corada que um tomate. – Eu…Bem…Eu estava com sede, vim aqui beber um copo de água e como vi que estava alguma coisa a mexer-se na sala aproximei-me para ver o que era. Não que eu tenha coisas desconhecidas a movimentar-se pela sala todos os dias, mas achei estranho ver movimento e aproximei-me para ver o que era. – Falo tão depressa que parece que atropelo as palavras e fico sem saber se o Oliver percebeu o que eu disse.
– Felicity – Começa Oliver com voz de sono e muito calmo, agarrando-me na mão – Não te preocupes, está tudo bem. Só tive pena que interrompesses o meu sonho, mas pensando bem, a realidade é bem melhor. – Ouço o Oliver dizer isto e vejo um sorriso a formar-se no seu rosto. Será que ele estava a sonhar comigo?
Ele levanta-se do sofá e ajuda-me a levantar dando-me novamente a mão. Estamos tão próximos, os nossos corpos estão a centímetros um do outro, e sinto que o Oliver põe um dos seus braços à volta da minha cintura.
Aproximámos os nossos rostos e os nossos lábios unem-se num beijo terno, mas repleto de paixão.
Isto está mesmo a acontecer? Ou estarei eu a ter mais um daqueles meus sonhos loucos onde eu e o Oliver estamos realmente juntos?
Passado uns minutos, o beijo pára e olho nos olhos do Oliver para confirmar que isto é mesmo verdade.
– Isto aconteceu mesmo? – Pergunto ao Oliver quando nos afastamos.
– Felicity, desculpa, eu não devia ter feito isto. – Ouço o Oliver dizer e percebo que isto aconteceu realmente e que eu não estou a sonhar.
– Eu não estava a sonhar, tu estás mesmo aqui e nós beijámos-nos. – Digo sentindo-me ao mesmo tempo, feliz e um pouco constrangida com esta situação.
Pareço uma adolescente que é beijada pela primeira vez pelo rapaz de quem gosta. Esta sensação é tão estranha.
Vejo que o Oliver se afasta de mim, indo em direcção à sua roupa que está pousada em cima do sofá.
Não, depois disto eu não posso deixar ir embora. Eu não vou deixar que esta noite, ou será dia?, acabe assim. Ele tomou a iniciativa. Deu o primeiro passo que eu nunca teria coragem para dar.
– Oliver? O que estás a fazer? – Pergunto quando ele se afasta de mim.
– Felicity, eu tenho que ir embora. Isto não pode acontecer, eu não posso pôr em risco a tua segurança. – Responde Oliver começando a vestir-se.
– Oliver, como vais pôr em risco a minha segurança se tu és o melhor protector que eu podia ter? – Digo-lhe isto e tomando coragem vou na sua direcção e pego numa das suas mãos. – Não me deixes Oliver, não assim e não depois do que se passou.
– Felicity, isto é um risco. Eu não te quero perder. Não quero perder a tua amizade, não quero que penses que me estou a aproveitar da situação Felicity. – Ao ouvi-lo dizer isto noto o som da preocupação na sua voz.
– Oliver, tu não me vais perder. Nunca vais perder a minha amizade e o meu carinho. Mas o que tu não me podes pedir é para ignorar o que se passou. – Neste momento acho que nenhum de nós os dois está com sono e já conseguimos ver o sol a espreitar pela janela.
Ao dizer-lhe isto, aproximo-me mais dele e agora sou eu quem tomo a iniciativa. Os nossos lábios estão próximos e eu beijo-o, pondo os meus braços em volta do seu pescoço. Sinto que ele me envolve nos seus braços, fundindo os nossos corpos, como se fossemos um só.
Após terminarmos mais um beijo intenso e cheio de paixão, algo que pelos vistos, nós os dois ansiávamos há tempo demais, aproximámos-nos da pequena varanda do meu apartamento, sentámos-nos nas duas pequenas cadeiras que tenho junto a uma pequena mesa e de mãos dadas, com alguns beijos pelo meio, vemos juntos o nascer do sol.
Fale com o autor