Half of My Heart
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Oliver Queen POV (Point of View)
Depois de ter dormido com a Isabel, senti um peso no peito. Não sei ao certo porquê pois o que estava a sentir era algo que desconhecia ou que sempre me tinha passado despercebido.
Quando, ao abrir a porta, encarei com a Felicity e ela viu a Isabel sair do meu quarto, senti que aquilo havia sido um erro.
Não o facto de ter levado a Felicity comigo nesta viagem, mas o facto de ter dormido com a Isabel.
Arrepender-me de ter passado a noite com alguém não é algo que acontece frequentemente, até porque eu raramente tinha relações duradouras.
A única que tive foi com a Laurel e a única vez que me lembro de ter dormido com alguém e me tivesse arrependido foi quando a traí com a Sara.
O regresso a casa depois desta passagem pela Rússia foi uma viagem silenciosa e desconfortável. A Felicity mal olhava para mim e poucas palavras me dirigiu e eu estava a odiar esta situação mais do que imaginara.
Ela era a única em quem eu confiava e não podia aguentar vê-la afastar-se de mim por algo que aconteceu e do qual eu me arrependia profundamente.
Magoá-la era a última coisa que eu queria. Só o pensamento dela se afastar de mim deixa-me com medo.
Quando chegamos à empresa, pensei em diversas maneiras de lhe pedir desculpa.
Sei que não lhe devo justificações, temos uma relação que não passa de amizade, mas pensar que ela ficou magoada por causa do que aconteceu entre mim e a Isabel faz-me sentir um canalha.
Saí do meu escritório e dirigi-me à sua mesa para lhe entregar uns papéis que ela deveria deixar na sala da Isabel. Não sabia como abordar o assunto, mas como a Felicity não é conhecida por deixar assuntos inacabados foi ela quem deu início à conversa.
– Porque ela? – Pergunta-me Felicity referindo-se a Isabel. – Tirando as óbvias pernas de modelo – diz rematando a pergunta.
A pergunta apanha-me desprevenido, mas respondo-lhe da forma mais sincera que consigo.
– Aconteceu. Não significou nada. – Respondo e percebo que esta justificação não ia ser suficiente – Por causa da vida que levo, acho que é melhor não ficar com alguém com quem eu me possa importar.– Termino, vendo Felicity a levantar-se da secretária e a dirigir-se à porta. Suspiro e fecho os olhos sem que ela se aperceba disso.
Sinto que a Felicity pára antes de sair em direcção ao gabinete de Isabel e percebo que o assunto ainda não estava terminado por ali.
– Eu acho– inicia ela — que tu mereces alguém melhor. E depois disto, acho que, de certa forma, conseguimos resolver este assunto.
Sai da empresa e vou a caminho de casa a pensar naquilo que a Felicity me disse. “Eu acho que tu mereces alguém melhor.” Com a vida dupla que eu levo, pensar em alguém melhor para mim é algo muito complicado.
Para além da Sara, que descobriu recentemente o meu segredo, a única mulher em que confio e que sabe quem eu sou realmente é a Felicity. Confiar o meu segredo a mais alguém é impensável, pois tornar-se-ia um risco ser descoberto.
E começar uma relação com um segredo deste tamanho, é meio caminho andando para ela não resultar.
Chego a casa rapidamente, a esta hora as estradas estão praticamente vazias e o caminho também não é longo. Pouso a mala na entrada e dirijo-me à sala de jantar onde sou servido pelo meu empregado.
A casa está tão silenciosa que me incomoda. Ter tanto espaço numa casa e não ter com quem a dividir, a não ser os meus empregados, faz-me sentir sozinho. A meio da refeição sou interrompido pelo toque do meu telemóvel e do outro lado da linha ouço um Roy preocupado.
– Oliver, é o Roy– Diz ele nervoso- A Thea, ainda não chegou a casa e eu não sei o que fazer. Foste a primeira pessoa que me lembrei que me pudesse ajudar.– diz muito rápido.
– Roy, acalma-te– digo tentando eu próprio manter a calma. – Explica-me exactamente o que se passou – termino.
– A Thea – diz Roy mais calmo.- saiu antes de mim do clube e ainda não chegou a casa. Já tentei ligar-lhe mas ela não me atende e não sei a quem mais recorrer – Roy acaba de falar e fica silêncio do outro lado da linha.
– Roy, não te preocupes, eu trato disto – diz Oliver – Vai tentando entrar em contacto com ela e qualquer informação que tenhas diz-me. – Termino a chamada e a primeira coisa que faço a seguir é ligar para a Felicity. Só ela é que me pode ajudar numa altura como esta.
Enquanto marco o número de telemóvel, olho para as horas e vejo que já é tarde. Só espero que não a vá acordar.
Depois de poucos toques, Felicity atende o telefone e conto-lhe o que se passou com a Thea.
– Claro que te ajudo Oliver– Diz Felicity — mas já está tarde, e como sabes, eu não tenho carro e não me parece que vá sair a esta hora sozinha e apanhar transportes públicos- Responde atrapalhando-se enquanto fala o que me deixa um sorriso no rosto, apesar das circunstâncias. Só ela para me pôr assim num momento destes, penso — preciso que peças alguém para me vir buscar senão for incómodo.– Ela termina a frase e recordo-me que já tinha dispensado o motorista esta noite.
– Sim Felicity, eu já passo aí para te ir buscar – digo rapidamente – dispensei o motorista hoje, por isso vais ter que me aturar – respondo divertido- estou aí dentro de meia hora. Até já. – digo desligando a chamada não sem antes ouvir a resposta dela do outro lado.
–Até já. Responde Felicity terminando assim a nossa conversa.
Depois da nossa conversa na empresa, não imaginei que voltasse a falar com ela na noite de hoje. E pensar que íamos estar novamente juntos, ainda que fosse por causa da Thea estar desaparecida, consegue acalmar-me, porque sei que com ela ao meu lado, e com a sua ajuda, tudo se vai resolver.
De certa forma, ela é a minha esperança e é a isso que me agarro quando a situação se torna insuportável.
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