Half-life: o Enigma de Nihilant

3 Capítulo 3 - Consequências Inesperadas


TUDO ESTAVA CONFUSO. O ambiente estava devastado e cheio de luzes piscando. Um barulho ensurdecedor de sirenes parecia querer estourar os tímpanos.

Todo o corpo de Gordon doía. Parecia ter levado uma surra.

Ainda se recuperando da experiência conturbada, ele tentou se levantar, apoiando-se nas pernas bambas. Agora mais calmo, ele pode ver a dimensão do estrago. O laboratório estava destruído. E os pedaços superiores da máquina de raios flutuavam presos em nuvens de raios verdes.

-Que diabos aconteceu...

A porta de entrada fora amassada como se fosse feita de papel. Gordon saiu por ela, tateando em meio ao escuro. Depois de atravessar de volta uma parte do caminho, ele se deteve na sala onde Eli e Isaac estavam.

O local havia sido atingido pela explosão, e não sobrara nada intacto.Também não haviam corpos nem sinais de sangue ou qualquer evidência sobre a morte deles. Gordon continuou a andar, tentando voltar ao nível superior. Logo a frente estava o primeiro impecílio: o elevador.

Gordon não sabia se o elevador tinha energia o suficiente para funcionar, mesmo porque toda a área estava usando a energia reserva do gerador. Uma porta de vidro e aço o separava de elevador também. E ela não abria.

Rapidamente ele procurou pela área alguma coisa pra quebrar o vidro. Mas nada que ele encontrava parecia resolver o problema. Então, escondido entre algumas ferragens ele viu uma coisa vermelha brilhar. Um pé de cabra. Aquilo era estranho, mas Gordon não parou pra pensar. Retirou as ferragens de cima e quebrou o vidro com o pé de cabra.

O elevador, mesmo sem energia, parecia ser mais seguro que subir por aquelas escadas. Mas ele não poderia demorar e esperar que a energia se restabelecesse. E nem havia garantia que isso acontecesse.

Logo na metade da escada, o elevador podia ser finalmente visto. Estava preso dois andares acima. Será que haviam pessoas dentro?

Quando Gordon atingiu a altura da janelinha de vidro do elevador, pôde ver que não havia ninguém dentro.

A porta do andar de cima já estava aberta. Provavelmente alguém tentara sair pelo elevador, mas como estava preso, desistira. Gordon manteve o pé de cabra preso à cintura, caso precisasse novamente.

A visão com certeza não era animadora. Havia sangue espalhado por todo o local. No chão, um rastro de sangue e poeira marcava um caminho que ultrapassava a porta de saída do laboratório. Uma onda de medo e pavor invadiu o corpo de Gordon. Que diabos estava acontecendo ali?

Ele caminhou lentamente pela sala, ladeando o sangue no chão. Então ele ouviu um ruído estranho. Parecia um lamento, misturado à um choro. Ele se virou, procurando de onde vinha o barulho. Num canto, perto de uma parede cheia de botões, embaixo de um monte de entulhos, um homem vestindo um jaleco branco rasgado agonizava.

Em seu crachá amarelo, lia-se Dr. Brenner – Laboratório de Energia Cinética. Gordon se abaixou e começou rapidamente a retirar os pedaços do teto que caíram em cima dele.

-Dr. Brenner, o senhor... está bem? — ofegou Gordon tirando uma placa de gesso enorme das pernas dele.

O homem estirado no chão só gemia. Seu rosto estava gravemente cortado, e um pedaço de madeira estava enfiado em sua barriga.

-Dr. Brenner, por favor... consegue se lembrar... do que aconteceu aqui?

-Dor... barulho... monstro... — disse ele em meio à gemidos.

-O que? Não estou entendendo...

-Monstros... pegaram o Wallace...

Ele virou a cabeça, indicando o caminho de sangue e morreu.

Gordon deixou o corpo ali e começou a seguir o rastro vermelho. Aquilo era muito estranho e pavoroso ao mesmo tempo.

-Vou sair daqui logo. Voltar a recepção e pegar umas férias...

O corredor estava deserto. E nenhum som era ouvido. A cor do sangue no chão estava ficando mais viva, o que revelava a proximidade. Mas a cada passo, um ruído estranho deixava o clima ainda mais tenso. Então, a fonte do ruído foi revelada.

Medo, pavor, terror. Nada parecia representar a sensação daquela cena. Debruçado por cima de um corpo humano aberto e com as vísceras saído pra fora, um corpo macilento e cinzento parecia se alimentar. O monstro sentiu a presença de Gordon e se levantou. Parecia um corpo humano. Mas seus braços possuíam enormes garras e ele não tinha cabeça. No lugar dela, uma massa amarelada, gosmenta e cheia de dentes rangia ameaçadoramente para ele.

-Minha nossa, o que é isso?

A coisa pareceu reagir à voz dele, porque começou a se mover em sua direção.

Gordon não conseguia correr. Suas pernas não respondiam. Sua única opção era ficar e lutar. Mas lutar com o que?

Gordon passou a mão pela cintura e agarrou o pé de cabra.

-Vamos ver se você é tão valente assim...

Gordon não conseguiu terminar a frase. O monstro pulou em cima dele, brandindo os dentes furiosamente contra o rosto dele. Ele fazia força, mas parecia que o mostro era mais forte.

-Ahh... s-sai... de cima de mim! — berrou Gordon empurrando ele com força. O monstro cambaleou e caiu no chão. Gordon, antes que o monstro pudesse se levantar cravou o pé de cabra no meio do pescoço. Um jorro de sangue fez uma poça em volta dele. Gordon arrancou o pé de cabra e saiu de perto, dirigindo-se para o corpo que servira de alimento para o monstro.

-Ai meu Deus... Dr. Morris! — disse ele checando os bolsos do cadáver e olhando para o crachá. -O que está havendo aqui...

Como se já não bastava toda a cena anterior, Gordon teve que provar sua bravura novamente. Aparentemente a “cabeça amarela” se desprendera do monstro e vinha saltando em sua direção.

-Mas o que...?

Quando a cabeça pulou, Gordon respondeu com o pé de cabra, partindo a cabeça ao meio.

-Argh! Que nojo!

Com certeza estava na hora de sair dali.