GORDON SAIU RAPIDAMENTE PELOS CORREDORES, tentando chegar logo à recepção. Se conseguisse isso, poderia pegar o trem de volta e sair do complexo.

Ele se sentiu sortudo por não ter encontrado nenhuma daquelas criaturas no caminho. O pé de cabra em sua mão, apesar de preparado pra atacar, não oferecia segurança alguma.

Ao passar pelo refeitório, Gordon ouviu um barulho. Aparentemente, o microondas estava ligado. Ele se aproximou para olhar e viu que uma caneca girava em seu interior. Ele desligou o aparelho, abriu a porta e de dentro saiu um odor doce e envolvente. Chocolate quente. Mas aquela não era hora de tomar nada.

Depois de andar mais alguns metros, a claridade da recepção podia ser enfim vista pela dobra do corredor. Ofegando pelo longo percurso, ele parou antes de virar, tentando recuperar o fôlego. Afinal se mover com o traje de trabalho sem estar carregado era o mesmo que correr com um peso de vinte quilos nas costas.

A visão da recepção foi nada menos do que pavorosa. Praticamente tudo estava revirado, os computadores destruídos e havia sangue nas paredes e em muitas partes do chão.

-Olhe pelo lado bom... — disse ele para si mesmo. -... não tem monstros aqui... ah!, MERDA!!

A porta da recepção, que levava aos três estava destruída, ao ponto de nem mesmo um rato conseguir passar. Só lhe restava uma opção: subir.

BlackMesa ficava no subterrâneo. Se os trêns falhassem ou dessem problemas, a saída era seguir para cima, através da saída de emergência. O problema é que a porta da área da saída fora esmagada e não havia passagem também. Então, ele olhou para a entrada do duto de ar e suas lembranças o reportaram para um mês atrás.

-Gordon, eu já disse, você não ganharia de mim nem que eu te desse um minuto de vantagem! — disse Barney rindo.

-Ora, vamos! Eu não vou fazer nada no almoço mesmo. E também seu turno já está acabando. — respondeu Gordon provocando. -Ou está com medo de perder?

-Ha, só nos seus sonhos, amigo!

-Isaac! Pode cronometrar dessa vez? — perguntou Gordon.

-Gordon! Eu estou no meio de um procedimento. Quer que eu pare pra ver quem atravessa primeiro os dutos de ar? — disse o cientista com uma cara não muito simpática.

-Bem, eu posso pedir para o Eli, mas ele não é tão legal quanto o senhor. — disse Gordon num tom de quase súplica.

-Está bem. Mas é a última vez hoje. Vocês deviam ter vergonha. Tão adultos e brincando pela tubulação de ar.

Os dois riram enquanto subiam pela entrada e se preparavam para sair. Então os pensamentos de Gordon voltaram mais rápidos que qualquer coisa que ele já vivenciara.

Em sua direção, três “zumbis”vinham sedentos pelo seu sangue. Um deles usava um traje policial. Gordon segurou firme o pé de cabra e se atirou na frente deles.

-Podem vir, seus monstrengos!

A cada golpe, Gordon parecia estar mais habilidoso. Um deles veio na direção de sua cabeça, com os destes triscando. Ele meteu o pé de cabra no pescoço, fazendo jorrar sangue contra a parede atrás deles.

Alguns segundos depois e os três zumbis estavam estraçalhados no chão. Gordon enxugou o suor do rosto e rumou para o duto de ar. Ele não andaria ali para sempre, até porque poderia ter alguma substância tóxica no ar e havia possibilidades dela vazar pelos dutos. Apenas atravessaria para a sala anterior, e assim conseguir passar pelas escadas até a superfície.

O duto era estreito e mal dava para ele atravessá-lo, já que geralmente ele andava pelos dutos sem o traje. Ele desejou que na outra sala houvesse uma estação de recarga.

A sala do outro lado estava escura e vazia. Mas Gordon conseguiu avistar o painel dourado e laranja da estação de recarga do traje. Em dois minutos a roupa estava totalmente recarregada. E para ajudar, também ficara bem mais leve e proporcionava maior proteção.

Ao se mover para as escadas, Gordon tropeçou em algo aparentemente mole. Ele se levantou e acionou a lanterna do traje. O corpo de um policial fora reduzido a meros trapos de carne. Mas algo brilhou por baixo do cadáver quando Gordon passou a lanterna sobre ele. Uma pistola. E estava carregada.

-Hum, ele nem deve ter tido tempo de usar... — disse ele com desânimo.

Agora ele tinha uma arma de verdade. Mas mesmo assim, prendeu o pé de cabra à cintura, caso precisasse. Então saiu da sala, para um enorme corredor iluminado, onde no fim podia-se ver as escadas.

De repente, as luzes do corredor começaram a piscar, e o chão a tremer levemente. Gordon sentiu sua cabeça latejar e uma voz masculina e grave sussurrar seu nome.

“Doctor Freeman...”

[Bum!]

O chão onde ele estava cedeu e desmoronou. Pelo tempo da queda, provavelmente ele caíra uns quinhentos metros abaixo. Aquilo já estava começando à irritar.

Gordon se levantou, tirou o pó do rosto e tento focar a visão. Estava em uma sala que ele nunca tinha entrado. Mas aquilo não era o pior. Do outro lado da sala, pelo vidro da janela, ele viu, cerca de vinte zumbis, andando de um lado para outro, como se estivessem procurando algo.

Se eles o visse seria o fim. Era impossível lutar com todos eles ao mesmo tempo e sobreviver apenas com uma pistola e um pé de cabra. Gordon sentou-se no chão, e massageou a cabeça tentando entender a situação. Estivera tão perto da saída. E agora teria que provar sua vida mais uma vez.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.