Half a Heart Percabeth
2 Capítulo 2.
Notas iniciais
De San Francisco, onde eu morava com meu pai, até NY, onde vou passar alguns anos, um vôo demora seis horas e meia, então, eu teria que ficar esperando acordada mais uma hora.
Quando eu acordoo a primeira coisa que noto é que já está anoitecendo e eu provavelmente chegarei de noite ao aeroporto e mais tarde ainda no apê da tia Nancy. Mas quem liga? É julho e estamos nas férias de verão!!!!!!!!!!!!!!
Enquanto eu fico esperando o tempo passar, penso na minha vida e todas as coisas que eu fiz durante os meus 15 anos passaram como um filme na minha cabeça, assim como os melhores momentos da minha vida e, como sempre, Luke estava neles.
Bom... acho que ainda não contei quem ele era, ou melhor quem é Luke. Ele era o meu melhor amigo, crescemos juntos e o conheço desde quando tinha cinco anos. Ele também foi meu primeiro namorado, meu primeiro amor. E também, um dos motivos para eu estar mudando de cidade...
Não gosto muito de falar sobre ele pois há três meses nós terminamos. Nosso namoro, mesmo que curto, foi verdadeiro, intenso e especial para mim. E eu ainda não superei o nosso término. Eu ainda o amo.
É difícil esquecer uma pessoa com quem você passou sete anos da sua vida. Quando eu era pequena e caía, Luke estava lá para me ajudar a me levantar. Quando eu ficava triste pois tirava uma nota baixa, Luke estava lá pra me fazer sorrir. Quando eu chorava por ver as outras crianças com uma mãe, Luke estava lá para me dizer que um dia ela voltaria.
Apesar de ser também meu namorado, Luke era meu amigo e também meu irmão mais velho. Ele era dois anos mais velho que eu. Sempre que eu precisava, ele estava lá para mim. E de repente, tudo mudou...
Eu me lembro de estar na casa de Luke quando a notícia veio: ele iria se mudar para a Austrália. Aquilo foi demais para mim, foi como um soco bem no meu estômago. Luke iria se mudar para outro continente, a milhões de quilômetros de mim.
As últimas semanas com Luke foram as melhores da minha vida. Nós passávamos o dia inteiro juntos. Saíamos juntos, estudávamos juntos, fazíamos tudo juntos, até que o dia da sua partida chegou. Fui com ele até o aeroporto onde sua família estava também. Lembro de dar um ultimo beijo em Luke. Lembro de seu corpo entrando na sala de embarque, lembro de mim chorando quando anunciaram seu vôo, lembro que o mês seguinte foi o pior de todos: eu tentava me isolar ao máximo das pessoas, da escola, do até do meu pai.
Eu e Luke decidimos namorar a distância mas é claro que isso não deu certo. Os horários eram diferentes, as obrigações eram outras... e assim fomos nos afastando cada vez mais e mais, até que dois meses depois sem o Luke eu recebi uma carta sua.
Annie.
Decidi te mandar esta carta pois não sei como te falar isso. Os anos que passei ao seu lado foram os melhores da minha vida e nunca irei esquecê-los. Mas certas coisas mudam, e as pessoas também.
Annie você me faz falta. Você não sabe como fiquei no primeiro mês sem você. Mas a vida continua. A minha está continuando e não quero que fiquemos presos nessa relação que não vai ter um futuro. Agora quero apenas ser seu amigo, como sempre fui.
Eu conheci uma garota e seu nome é Skyler. Ela me completa. Quero continuar com ela pois ela é a única que consegue me distrair da realidade que ambos estamos vivendo. Sim, eu amo Skyler. O que tive com você sempre será lembrado, mas é hora de continuarmos nossas vidas. Espero que entenda. Eu te amo, Annie.
Luke.
Eu lembro de ter ficado chorando horas e horas no meu quarto pensando nessa maldita carta, não queria acreditar que Luke tinha desistido de mim. Desistido de nós.
Naquele dia eu soube que era hora de continuar, por um lado ele estava certo: aquilo não teria futuro. Ele estava numa metade do mundo e eu, na outra.
Então, eu parei de chorar e decidi que se Luke tinha me superado, eu também superaria ele. Mas é claro que nada disso aconteceu, e aqui estou eu. Indo para NY. Tentar dar um rumo para minha vida. E é por isso que hoje, quando eu descer deste avião, tudo vai ser diferente. Eu farei ser diferente.
***
Depois de um longo devaneio sobre o meu caso com Luke, já é hora de descer desse avião, onde a situação está crítica pois minha bunda já tá até quadrada de tanto ficar sentada.
A aeromoça vem e nos avisa que dentro de quinze minutos iremos pousar. Então, quando anunciam a nossa chegada, pego meu travesseiro, meu cobertor e minha bolsa e vou me direcionando à saída do avião.
Quando desço do avião sinto uma das melhores sensações do mundo: a de liberdade. Respiro bem fundo antes de descer as escadinhas e prometo a mim mesma que serei feliz aqui.
Um carrinho vem nos pegar e logo vamos para o desembarque. Vou logo procurar minhas malas e as encontro. São apenas duas, mas são grandes. Fico completamente perdida mas logo vejo o cabelo castanho claro de tia Nancy que vem em minha direção com os braços abertos.
— Annabeth! Como você cresceu! Estou feliz em te ver garota. — ah não, essa história de novo não. Ela logo me da um abraço e eu retribuo.
— Oi tia Nancy! Também estou feliz de ver a senhora e obrigada por me dar um teto, papai ainda acha que sou um bebê.
— Seu pai nunca muda! — ela diz e dou uma risada só para não deixá-la sem graça, afinal nem teve graça...
— Vamos indo porque já está tarde e amanhã tenho muitas coisas para fazer, mas não se preocupe Edith ficará com você, ela é a minha cozinheira. Amanhã vamos conhecer alguns... — enquanto tia Nancy fala e eu finjo que escuto, vou reparando nas pessoas que estão aqui. Umas choram de tristeza e outras de alegria. E, mesmo não querendo, lembro de quando me despedi de Luke. Volto a prestar atenção no que tia Nancy fala. — ... e então depois das quatro tenho uma reunião importante para ir. Agora vamos comer alguma coisa na cafeteria daqui pois você deve estar faminta e essa comida de avião é uma porcaria.
— Não, tia. Não precisa se preocupar eu como qualquer coisa mais tarde.
— Menina você precisa comer está muito magra, venha. — Sem opção, sigo tia Nancy até a tal da cafeteria.
Atravessamos o aeroporto todo até chegarmos nessa bendita cafeteria. Minhas pernas ficam doendo por um bom tempo. A tia Nancy inventa cada coisa, viu...
— Annabeth espera aqui que eu vou pedir nossos cafés, a fila está grande, acho vou demorar um pouco.
— Tá bom. — Respondo um pouco mau humorada pois eu só queria ir para casa, tomar um bom banho quente e ter uma boa noite de sono, mas não, a gente tinha que tomar um café e eu nem gosto de café.
Enquanto espero tia Nancy na fila reparo num casal bem jovem que vem em direção à cafeteria. Eles estão de mãos dadas e a garota é ruiva, e é... bonita. O garoto é alto, forte e musculoso, está sorrindo para a garota que o beija várias vezes — credo eles são muito melosos, nossa será que eu e o Luke fazíamos isso? — e passa a mão pelos cabelos escuros dele. Eles sentam na mesa ao lado da nossa e não deixo de reparar no quanto o garoto é bonito: cabelos bem escuros, olhos verdes e braços fortes. Gente que deus grego é esse? Não me importaria nem um pouco de ser melosa com esse cara. Ai Annabeth, mas o que é isso? Volto minha atenção para os dois, na verdade para o garoto. A garota diz algo que não consigo entender e se levanta, vejo para onde ela vai e é para o banheiro. O garoto se joga na cadeira, e olha para mim. Eu logo tento desviar o olhar para ele não perceber que eu tava vendo a conversa deles, mas já é tarde porque ele me dá um sorrisinho de canto e logo se levanta em direção ao balcão.
MEU. DEUS. DO. CÉU.
Fico até parecendo um pimentão. Mas ele já tem uma pessoa, então tira o cavalinho da chuva, Annabeth. Eu já havia ficado com garotos bonitos. Eu já havia namorado Luke, que é bonito também. Mas esse cara... esse cara parece aqueles modelos que posam pra teen vogue, que são tão lindos que nem parecem reais.
A menina volta do banheiro e se senta na mesa. Ela me olha de lado mas logo desvia o olhar, como se não se importasse com a minha presença ali. Não deixo de reparar que ela é beeeeeeem bonita, mas não tão bonita quanto o namorado. Seus olhos também são verdes, mas não tão verdes quanto os do garoto.
Logo tia Nancy chega e desvio a atenção da menina para tia Nancy.
— Aqui tá seu café, Annabeth. — ela me diz entregando o copo de isopor.
— Obrigada tia. Não precisava se preocupar, sério. — falo bebendo um gole e dando um sorrisinho para ela.
— Que isso, você é minha sobrinha e agora eu sou a sua responsável — ela retribuiu o sorriso e vejo que esse tempo com tia Nancy será bom para nós duas, já que ela é bem sozinha e eu, bem... eu sou eu.
— E então... o que você pretende fazer nessas férias? — ela me pergunta tentando quebrar o silêncio.
— Ah, eu não sei. Quem sabe conhecer todos os lugares legais daqui, tentar fazer uns amigos... — e eu sou cortada pelo celular de tia Nancy que começa tocar. Nooooooooooooossa que barulho irritante!
— Me desculpe querida, se você me dá licença — eu concordo com a cabeça e ela atende e se levanta em direção a um local menos barulhento.
— Ah... Olá, sim é ela. Não, pode falar...
Ela se afasta e percebo que o garoto bonito já chegou em sua mesa. Ele está falando com a garota que praticamente o ignora enquanto mexe no celular. Garotos assim não deveriam ser ignorados. Logo ele desiste de tentar falar com a menina e passa a batucar na mesa enquanto ela fala no telefone com alguém.
Ele olha para o lado e nossos olhares se encontram DE NOVO. Fico sem graça então abaixo a cabeça tentando não ficar parecendo um pimentão. Ai Annabeth, pra que que você tem que ser tão branquela e ficar tão vermelha toda hora que um garoto te olha assim? Acho que ele percebe que eu fiquei um pouco sem graça então para de me olhar.
Termino de beber o café e vou jogar o copo de isopor fora. Antes de me levantar olho para o lado e tia Nancy ainda está no telefone. Vou em direção ao lixo e jogo o copo fora. Quando me viro dou de cara com uma camisa azul xadrez e logo me arrependo de ter saído daquela porcaria de cadeira. Merda, penso.
— Err... me desculpe eu vim jogar isso aqui fora também — ele aponta para um outro copo. — Eu te machuquei? (ps isa: awnnnnnn gente) — olho para cima e me deparo com aquele deus grego e quase me perco nos seus olhos verdes intensos. GENTE QUE CARA É ESSE?
— Não! Que isso! — respondo ao deus grego com um sorriso forçado — Não me machucou não, eu sou forte, fortíssima! — mas o que foi isso Annabeth???????? "Fortíssima" ?????????? Meu dia não poderia ficar pior. Na verdade poderia sim.
— Tudo bem então, senhora fortíssima. — ele me retribui com aquele sorrisinho dele. Mas por quê você faz isso cara???
Tento sair logo dali quando tia Nancy — obrigada tia, nunca conseguirei te agradecer por isso — aparece segurando minhas duas malas e me chama.
— Annabeth, vem, vamos embora!
— Annabeth é um nome legal, tchau Fortíssima. — o garoto acena para mim e eu tento não corar mas não é isso o que acontece. Minha voz não sai, então apenas dou um sorriso.
AI MEU DEUS!!!!!!!!! Por dentro grito o mais alto que consigo, enquanto por fora pareço uma pimenta que vai explodir a qualquer momento.
Eu não deveria me sentir assim mas quer saber? Que se dane! Eu nunca mais vou ver esse cara mesmo...
Tia Nancy e eu caminhamos então para o estacionamento e, quando chegamos no carro, coloco minhas malas no porta malas de seu Volvo preto e seguimos para casa.
Enquanto tia Nancy dirigia pela cidade até chegarmos em Manhattan, lembrei dos acontecimentos do dia, ou melhor, da noite: deixei para trás minha vida passada, me senti livre pela primeira vez na vida e "flertei" com um super gato que acha meu nome legal.
Minha primeira noite em NY havia sido boa. Eu só não sabia que algo aconteceria em breve, muito em breve...
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