Half The World Away
1 Capítulo único
Notas iniciais
Seu celular toca pela milésima vez em três dias, mas você simplesmente ignora – como fizera anteriormente. Estica-se ainda mais no sofá, passa as mãos pelo rosto e também ignora os indícios de barba que começam a aparecer. Você está atordoado demais, cansado demais, machucado demais. Suas mãos só conhecem o caminho até a garrafa de uísque que para em pé no tapete, seus pensamentos só conhecem o caminho até a maldita noite em que você, de alguma forma, pusera tudo a perder. Cinco meses, cinco malditos meses e ele ainda não voltara para você. Por que demora tanto? Ele voltará, uma hora ele há de voltar, mas algo no seu interior grita que a verdade está clara: ele se fora, e talvez, para sempre.
Sua última lembrança é de ter sido observado por um par de olhos azuis, que brilhavam em um misto de raiva, indignação e acima de tudo, dor. O rosto dele estava perto demais, a respiração entrecortada, a franja grudada na testa pelo suor e o punho fechado ao lado do corpo – e a sua situação não era muito diferente. Mas após toda aquela briga, você só conseguia encará-lo, como se de alguma forma pudesse mantê-lo ali, parado. Você o encarava tão profundamente que por um momento aquele pareceu ser o núcleo terrestre. Ah, Liam, você sabia que era tarde, ele estava se afastando.
— Noel...
E ele parou a centímetros da porta para te encarar, não disse uma palavra, mas sua expressão era óbvia: vá em frente. Porém, o seu orgulho pareceu se enroscar ao redor de sua garganta e você quase se esquecera que havia mais gente assistindo àquela cena. Noel também parecera se esquecer, e então ele desistiu de esperar que você falasse e foi embora. Você riu de forma doentia, aquela era só mais uma briga entre milhares, não era?
O que ninguém soube é que vê-lo se afastar daquela maneira havia roubado metade de você.
Cinco meses e nada de telefonemas, nada de mensagens, nada de bater à sua porta. Vamos lá, por que ele estava sustentando essa ideia por tanto tempo? A Oasis já não importava, por mais que essa fosse a coisa mais importante da sua vida. O dinheiro já não importava, a droga da fama tornara-se apenas um fardo. Porque nada, nada poderia ter a mesma significância sem ele por perto. Porque ele estivera presente por tanto tempo em sua vida que o simples pensamento de nunca mais tê-lo ao seu lado lhe fazia querer vomitar. Porque tudo iria se fundir em um buraco interminável, manchado de cinza, cinza do céu nublado daquele maldito país, daquela maldita cidade, cinza da cor do passado, cinza – uma cor sem vida, onde as únicas melodias produzidas são preenchidas por acordes de um passado que agora parecia longe demais. Você parecia longe demais.
Você limpa algumas lágrimas que começam a cair, murmurando palavrões desconexos e insultando seu irmão com a força que lhe resta. Estava doendo, doendo de um jeito tão óbvio. Tão óbvio quanto o fato de que Noel era a pessoa que você mais amava.
Você o amava, você o ama, mas você o deixara partir.
E agora, toda essa culpa se perdia dentro de você, e você se perdia dentro daquela dor. Você pega a garrafa de uísque e a lança contra a parede, assiste ao vidro se estilhaçando e ri. E então sente a falta dele, você fecha os olhos e o ama... A meio mundo de distância.
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