Half Body — Interativa
14 A madrugada que Afonso decidiu que escolheria sua noiva.
Notas iniciais

Fourteen.
14. A madrugada que Afonso decidiu que escolheria sua noiva.
Peggy colocou a orelha na porta e segurou a respiração — seria por alguns segundos, não faria diferença — enquanto apertava mais os saltos na sua mão, segurando-os firmemente. Não deveria estar fazendo aquilo. Não deveria mesmo. Oh, e se ela fosse pega, ela provavelmente seria eliminada. Mas sua curiosidade era muito grande, e ela não pode evitar.
— Ele está se saindo muito bem — uma voz masculina falou, e Peggy forçou a orelha mais contra a porta, torcendo para que ela não abrisse de repente.
— É claro que sim, ele é irmão gêmeo — a voz feminina se sobressaiu, e Peggy reconheceu como a voz de Rainha Joanna. Por alguma razão, sabia que era dela. — Espero que ele continue desse jeito — a Rainha falou novamente, desta vez parecendo mais... Rabugenta. — Quietinho, e Arthur — explicou, e Peggy se perguntou do que eles estavam falando.
— Se nós continuarmos do jeito que estamos — o homem falou com a voz mais grave, e Peggy achou que era Rei Thomas. Ele não estava no Baile das Selecionadas quando ela saiu. — Ele continua do jeito que está — acrescentou, e Peggy se perguntou do que estavam falando.
Várias possibilidades se passaram pela cabeça da menina, mas nenhuma parecia plausível para aquela situação toda. Peggy forçou mais a orelha contra a porta, e não conseguiu escutar nada. Rapidamente deduziu que estavam em silêncio porque poderia ter percebido a menina ali.
Peggy agarrou seus sapatos e saiu correndo a passos largos, e delicados. Conseguiu descer para o terceiro andar sem chamar a atenção, e quando entrou no corredor onde estava seu quarto, partiu a andar devagar, e logo estava dentro de seu quarto, culpando-se imensamente por não ter segurado sua curiosidade e ter subido ao quarto andar.
[...]
Ayuu estava exausta. Havia decidido ir deitar quando viu que boa parte dos nobres haviam ido embora, e umas quatro Selecionadas já haviam ido para a cama. Despediu-se de Montana, que ficou resmungando sobre a menina deixá-la sozinha, depois das outras meninas com um aceno, e foi até a mesa onde Teresa estava sentada, cuidando dos pertences das Selecionadas — em geral os saltos.
Pegou seu sapato, e então olhou ao redor, procurando por Príncipe Arthur. Teresa não havia dito nada de dizer ‘tchau’ ou ‘boa noite’ para Arthur antes de ir deitar, mas Ayuu queria fazer isso. Afinal, o menino ficou muitos minutos dançando com as garotas — por mais que ele nem dançasse direito, ficava só mexendo os pés, e balançando os ombros de vez em outra.
Como não o achou, desistiu e partiu a andar para o seu quarto.
Assim que chegou ao seu quarto, a primeira coisa que fez foi tacar os saltos no canto do quarto, suspirando pesado, e fechando a porta atrás de si. Depois, a menina foi ao banheiro, esvaziar a bexiga, e se olhar no espelho, admirando a maquiagem que permanecia intacta — exceto o batom, Ayuu nem tinha mais batom nos lábios.
Voltou para o quarto, onde encontrou seu fiel companheiro, Yuki.
— Yuki! — gritou, comemorando, e se aproximando do rapaz. — Você viu o Baile? Foi incrível! — exclamou, e Yuki sorriu, assentindo com a cabeça. Ayuu deixou outro suspiro escapar pelos seus lábios, e então sentou-se na cama. — As meninas são incríveis, e o Príncipe... Ah Yuki, ele é muito mais bonito pessoalmente, e parece ser bem legal — admitiu, passando a mão pelo cabelo, começando a retirar os grampos que prendiam seu cabelo em um coque bem feito.
Ayuu levantou-se e colocou afronte a penteadeira, retirando ainda os grampos, e terminando de desfazer o penteado. Sorriu para Yuki pelo espelho.
— A Rainha e o Rei são lindos também — admitiu, ainda retirando os grampos, e voltou a fitar o amigo. — É óbvio ver de onde vem a beleza do Príncipe Arthur — comentou num sussurro, e deu uma pequena risada, voltando a se fitar no espelho, e terminando de soltar o cabelo. Passou a mão pelos fios verificando se não havia mais nenhum grampo. — O Baile foi incrível — comentou com o pensamento longe. — Você deveria ter ido ver — acrescentou, mas quando virou para o amigo, ele não estava mais lá. Ayuu suspirou tristemente, e então decidiu retirar o vestido, pegando seu pijama.
[...]
Bianca, por outro lado, estava se divertindo a beça. Havia decidido ir dançar após Kamille dizer que iria se deitar, e Bianca havia decidido que não queria ficar sozinha naquela mesa. E assim que viu Teresa segurar uma pilha de sapatos, resolveu dar o seu para a loira. E depois que deu para a loira, Bianca se dirigiu para a pista, onde Chrystal dançava animadamente com outras meninas que Bianca ainda não sabia o nome.
— Você veio! — Chrystal riu enquanto abraçava a recém amiga, pegando Bianca desprevina. — Que bom! — gritou novamente, enquanto soltava a morena, que sorriu, e fitou as outras dançando o ritmo agitado da música. Chrystal voltou a cantar, e a dançar, e Bianca aproveitou o embalo da menina, mexendo seu corpo.
— Meninas — uma ruiva se aproximou mais do centro, chamando as outras garotas para mais perto. — Tem um rapaz que está olhando fixamente para cá — comentou com um sussurro baixo, devido a mudança de música e ao silêncio repentino. — Agora, para quem, eu não sei — acrescentou sorrindo inocente, dando um passo para trás. — Meu Deus, eu amo essa música! — gritou assim que percebeu o toque agitado e rápido das batidas da sua música preferida.
— Não é para mim — Bianca logo falou, gritando devido ao som alto, e dando uma breve olhada no rapaz, que ainda olhava para aquele grupinho. — Acabei de chegar — argumentou quando viu Chrystal abrir a boca. A ruiva assentiu com a cabeça.
— Eu acho que é para a Gracie! — Chrystal gritou, e logo apontou para uma morena, que Bianca logo reconheceu. Havia visto-a na entrada no castelo. Tinham chego juntas.
— Eu acho que é para você — Gracie rebateu, sorrindo divertida, e logo depois se aproximou das garotas. — Mas lembrem-se, sem envolvimentos com outros meninos, caso contrário...
— Você está fora, fora, fora — Montana gritou, e as meninas a fitaram, mas ela apenas riu, balançando o corpo. — É a música! — deu de ombros, ainda sorrindo, e Bianca sorriu com aquelas meninas. — Mas que ele é bonito, ninguém pode negar, meu bem! — gritou novamente, olhando o rapaz, e mordendo o lábio inferior.
A morena de olhos claros ao lado de Montana abriu a boca em indignação, e Bianca não pode deixar de sorrir.
— Montana! — a menina gritou dando um leve tapa na barriga da de cabelo curtinho, que se curvou para a frente, e gritou um ‘ai’ agudo. — Dramática — cantarolou próximo ao ouvido de Montana, que riu e lhe deu a língua.
— Mas ninguém pode negar isso — argumentou sorrindo divertida, e Bianca assentiu, dando uma breve olhada no rapaz novamente, e assustou-se ao ver Príncipe Arthur ao lado do rapaz. — Ah, é aquele amigo do Arthur que eu lhe falei, Lily — Montana falou cutucando a morena de olhos claros ao lado dela, e Clarice deu uma breve olhada para o rapaz.
— É Príncipe Arthur — corrigiu, antes de se virar para Montana. — É mesmo. Ai, se você não ganhar, pode pegá-lo! — comentou dando de ombros, e Montana riu. Bianca mordeu o lábio inferior, com medo de que alguma briga começasse entre as duas. Mas nada ocorreu, e Montana voltou a dançar.
[...]
Afonso revirou os olhos ao ouvir a voz de Joseph novamente, basicamente dizendo que havia pego cinco Selecionadas já, e que estava planejando pegar mais uma até o final da noite. Afonso não tinha total certeza se Joseph estava falando a verdade — Afonso não confiava 100% em Joseph, mas também não negava que o rapaz poderia estar falando sério (e pensar nisso lhe dava calafrios).
— Nossa, cara, que legal! — Afonso falou, sorrindo e fitando Joseph, que o olhou com um olhar um tanto quanto assustado. — Estou tão orgulhoso de você — forçou um sorriso de irmão, e deu duas batidas em seu próprio peito, antes de bater de leve no ombro de Joseph. — Pega duas, em vez de uma, dê mais valor a si mesmo! — gritou, e então sorriu para o loiro, que o olhava assustado.
Afonso sorriu divertido, e então começou a sair de perto do rapaz.
— Isso foi irônico, né? — ouviu a voz de Joseph, e se virou para o menino, que estava sério.
Afonso riu. Poxa, estava se divertindo com aquele garoto.
Será que Arthur se divertia desta forma?
— Você nunca vai saber — deu de ombros, e saiu dali, procurando por Elliot. Afonso deveria mandar Thomas dar uma bronca em Elliot, porque ele definitivamente não estava fazendo o seu trabalho direito. Era a quinta vez que Afonso saia por ai procurando por Elliot, já que o menino parecia se esquecer que tinha de ficar de olho em Afonso.
Foi achar Elliot perto da mesa de comida com um prato em mãos, e pegando pequenas coisas, olhando aquela comida como se fosse algo precioso, como se Elliot nunca tivesse visto aquilo.
— Seu esfomeado — Afonso comentou assim que se aproximou do rapaz e viu o prato cheio. Elliot deu um passo para o lado, e logo colocou a mão por sobre o coração, mexendo os lábios, mas sem sair algum som. — Sério, Elliot? — Afonso indagou lhe esticando uma taça de vinho, que o loiro pegou de bom grado.
— Os Reis não estão aqui, eu tenho que aproveitar — resmungou, e logo deu um gole no vinho, e olhou para Afonso com olhos arregalados. — Porra, garoto, isso daqui é uma delícia, porque você não me deu antes?
— Porque tecnicamente eu imaginei que o meu segurança, guarda, seja lá o que você for, tinha que ficar sóbrio, não bêbado — argumentou pegando uma azeitona do prato de Elliot, que lhe deu um olhar carrancudo, antes de virar a taça, e engolir todo o conteúdo. — Vai com calma, Elliot!
— É só uma taça — resmungou, colocando a taça vazia sobre a mesa, e pegando outra taça de um garçom que passava, o qual lhe deu um olhar muito feio, que Elliot fez o favor de ignorar. — Duas, na verdade — concluiu dando mais um gole, e começando a andar na direção das mesas. — E eu estava morrendo de sede — argumentou e sentou na primeira mesa que viu. — Porra, nem para tirar os pratos sujos da mesa, os garçons servem?! — empurrou os pratos para o lado, e Afonso riu sentando-se.
— Espera, nós invertemos os papeis, e eu não fiquei sabendo? Ou você é um Arthur 2.0? — indagou divertindo, e Elliot fez uma careta para Afonso, que riu novamente. O loiro, por outro lado, concentrou-se em sua comida.
— Você deveria estar paquerando uma Selecionada, e me deixar comer em paz, obrigado — Elliot falou, e depois colocou um tanto de macarrão na boca, sujando tudo os lábios de molho branco. Afonso fez careta, e Elliot pegou o guardanapo, fitando o recém talvez amigo. — Porque está aqui? — indagou, com a boca cheia, e Afonso fez careta novamente, fazendo Elliot começar a rir.
— Okay, depois d’eu conseguir ver tudo o que tem na sua boca, eu vou sair daqui — resmungou, mas não se levantou, e Elliot bebeu mais um gole do vinho, voltando-se para Afonso. — Eu estava pensando em subir pro quarto — respondeu, dando de ombros. Havia dormido muito mal essa noite. Essas noites, na verdade. Por mais que a cama fosse gostosa, Afonso não havia conseguido colocar a cabeça no travesseiro de penas e não acordar no meio da noite gritando por culpa de um maldito pesadelo com sua mãe. Elliot havia até se assustado no meio da noite.
— Oh, não faça isso — Elliot rapidamente falou, e então pegou uma azeitona, tacando-a para dentro da boca. — Seus pais, mais especificamente sua mãe, mandaram você ficar até todos ter ido embora — argumentou, e Afonso ergueu uma sobrancelha, para logo depois rir irritado.
— Tá de brincadeira, né? — indagou na torcida de que aquilo fosse uma piada, mas Elliot negou lentamente com a cabeça, e Afonso suspirou, baixando a cabeça, e passando a mão por dentre os fios castanhos. — E eles podem ir para o quarto dormir, vagabundos — reclamou, e Elliot deu um tapa em seu braço.
— Olha como fala de seus pais, garoto — falou, e Afonso riu. Sério que ele estava fazendo aquilo?
— Cala a boca, Elliot, eu sou o Príncipe, eu falo como eu quiser — falou, e Elliot arqueou uma sobrancelha, logo ficando sério e encarando Afonso como se ele tivesse feito a pior coisa da vida dele.
Depois de dois segundos, os dois estavam rindo.
— Cara, você está ficando muito bom! — Elliot exclamou, ainda rindo, recuperando o fôlego aos poucos, e Afonso sorriu para o amigo, observando Joseph se aproximar de uma Selecionada morena. Afonso suspirou, e então fitou Elliot. — Você deveria ir lá e agir como você, sabe? — falou dando uma breve olhada na Selecionada, que parecia sorrir abobada.
— Não — Afonso deu um gole do vinho que tinha na sua taça, e se admirou por não estar bêbado. Havia bebido muitas taças de vinho durante aquela noite. — Se ela quer ficar com ele, que fique. Isso demonstra que ela não está de corpo e alma nesta Seleção — argumentou, e Elliot apenas deu de ombros voltando a comer.
Por mais que Afonso fosse fingir ser Arthur, ele não iria escolher qualquer uma só para agradar a vontade de Joanna e de Thomas. Ele escolheria aquela que lhe chamasse a atenção, que lhe desse valor, e que gostasse dele no modo Afonso, não só no modo Arthur. E aquela Selecionada estava dando bola para Joseph, era porque ela não estava ali competindo por Arthur. E se ela não estava ali competindo, Afonso não via problemas nela ser eliminada.
Fale com o autor