Half-Blood School NY (HIATUS)
24 POV Nico - Amigos?
Notas iniciais

POV Nico
Alice dormia tranquilamente nos meus braços e eu só fui perceber que ela dormia quando o filme estava na metade. Depois de todo aquele clima tenso que a Ally estava vivendo, alguns dias se passaram e eu chamei-a para passar a tarde em casa comigo na sexta-feira. Ela aceitou após eu insistir, mas eu sabia que ela precisava de se divertir e de se alegrar depois de um período de luto. Eu me sentia muito mal por poder fazer só isso, mas o que eu mais queria nesse momento era vê-la feliz e faria o que eu pudesse para ver aquele sorriso lindo que me deixava todo bobo por ela...
O filme acabou e eu cutuquei ela de leve.
–Lice? Lice? Acorda, pequena.
Ela se mexeu e olhou nos meus olhos.
–Eu dormi, Nico? Me desculpe! Eu estava muito cansada... Eu não estou conseguindo dormir direito... — Seus olhos denunciavam uma tristeza desconhecida por mim. Ela sofrera muito com a perda de dois membros da família e eu quis beijá-la até essa tristeza sumir...
Eu segurei seu rosto entre minhas mãos e beijei seu nariz de leve. Eu tinha que me controlar, éramos só amigos... Mas como eu queria experimentar o gosto dos seus lábios...
–Tudo bem, Lice. O que quer fazer agora?
Ela sorriu de leve e vi seus olhos se iluminarem um pouco.
–Que tal você tocar para mim, Nico? Faz uns bons anos que não te vejo tocar... Tínhamos uns 13 anos? — Ela riu.
Eu sorri, me lembrando.
~FLASHBACK ON~
Eu dedilhava o violão, cantando baixinho a primeira música que tinha aprendido a tocar. Alice me observava, sentada em uma cadeira, na minha varanda. Seus olhos castanhos me observavam, vívidos e se deleitando com o que viam. Lice sempre gostou de meninos que tocavam violão e esse foi meu impulso para aprender a tocar, mas depois eu me apaixonei e aprendi a tocar baixo, guitarra e bateria.
A música parecia flutuar entre nós, nos conectando. Alice era minha melhor amiga e eu estava apaixonado por ela.
Do you hear me, I'm talking to you
Across the water across the deep blue ocean
Under the open sky, oh my, baby I'm trying
Boy, I hear you in my dreams
I feel your whisper across the sea
I keep you with me in my heart
You make it easier when life gets hard
Lucky I'm in love with my best friend
Lucky to have been where I have been
Lucky to be coming home again
Você consegue me escutar? Estou falando com você
Do outro lado da água, do outro lado do profundo oceano azul
Sobre o céu aberto, oh, nossa, meu bem, estou tentando
Garoto te escuto, em meus sonhos
Sinto o seu sussurro do outro lado do mar
Te guardo comigo em meu coração
Você torna as coisas fáceis quando a vida fica difícil
Sortudo, pois estou apaixonada pelo meu melhor amigo
Sortudo por ter estado onde estive
Sortudo por estar voltando pra casa novamente
Ooh
Quando eu acabei de cantar, os olhos de Alice tinham um brilho que eu nunca tinha visto antes. Deixei o violão em uma cadeira e Lice se levantou, sorrindo. Ficamos nos encarando e eu a segurei pela nuca, puxando-a devagarzinho para mim. Eu tinha esperado muito tempo por aquele momento histórico e tão clichê. O melhor amigo apaixonado pela melhor amiga. Mas eu não me importava com que os outros iam pensar. Não me importava se erámos jovens demais ou que provavelmente eu iria me mudar em poucos meses. Eu só queria juntar meus lábios aos dela, nem que fosse por uma vez. E foi o que eu fiz. O beijo foi suave e bem apaixonado e quando nos separamos, segurei seu rosto e selei seus lábios com os meus. Alice olhou nos meus olhos e fez carinho na minha bochecha. Nossos lábios iam se encontrar de novo quando o celular de Alice tocou. Ela sorriu, envergonhada e atendeu. Seu pai estava ligando pedindo que ela fosse para casa. Nos despedimos com um beijo completamente apaixonado, incentivado pelos nossos hormônios adolescentes.
Depois daquele dia, resolvemos ser só amigos, porque não éramos maduros o suficiente para namorar, além de sermos muito novos. E então a mãe de Alice faleceu, ela se afastou bruscamente e as coisas desandaram. Minha irmã se mudou para estudar em outro colégio e meu pai foi transferido e minha mudança — junto com eles — foi inevitável. Eu até tentei procurar Alice para conversarmos e talvez até resolvermos nossas ''paradinhas''. Eu ainda queria ficar com ela, seu beijo era uma delícia... Mas Alice simplesmente sumiu do mapa. Não atendia os meus telefonemas, não respondia minhas mensagens e eu cheguei até a ir na casa dela, mas ninguém atendia o interfone. Então eu desisti. Não devia ter desistido, eu sei mas eu iria me mudar e como você acha alguém que não quer ser encontrado?
Eu sempre pensava nela, mesmo assim. Ela sempre seria parte de mim.
~FLASHBACK OFF~
Alice me encarava.
–Claro, eu vou adorar tocar pra você, Lice. Você sempre teve uma quedinha por músicos, né? — Pisquei pra ela, ainda pensando naquele dia tão mágico pra nós dois.
Ela corou, sorrindo.
–Nicolas!
Eu ri e corri para pegar meu violão. Quem sabe eu não ganhava outro beijo hoje? Aposto que meus olhos brilharam só de pensar na possibilidade... Voltei para a sala com meu violão e sentei-me do lado da linda menina. Ela me olhou na expetativa.
–O que você quer que eu toque, Lice?
Ela sorriu, enigmática. Ah, eu adorava quando ela fazia isso. Flertava comigo sem nem perceber que eu quase me derretia com pequenos gestos nela que me atraiam.
–Me surpreenda. Você sempre foi bom nisso.
Eu sorri de orelha a orelha com o comentário e comecei a tocar e cantar.
Friends just sleep in another bed
And friends don’t treat me like you do
Well I know that there’s a limit to everything
But my friends won’t love me like you
No, my friends won’t love me like you
We’re not friends
We could be anything if we tried
To keep those secrets safe
No one will find out
If it all went wrong
They’ll never know
What we’ve been through
So I could take the back road
But your eyes will lead me straight back home
And if you know me, like I know you
You should love me, you should know
Amigos apenas dormem em camas separadas
E os amigos não me tratam como você trata
Bem, eu sei que há um limite para tudo
Mas meus amigos não me amam como você
Não, meus amigos não me amam como você
Nós não somos amigos
Nós poderíamos ser qualquer coisa, se nós tentarmos
Para manter esses segredos seguros
Ninguém vai descobrir
Se tudo deu errado
Eles nunca saberão
O que nós passamos
Então eu poderia tomar o caminho de volta
Mas seus olhos vão me levar de volta pra casa
E se você me conhece, como eu te conheço
Você deve amar, você deve saber.
Aquele mesmo clima de anos atrás se instalou e ficamos nos olhando, sem coragem o suficiente para agir e cruzar a linha fina que separava a amizade do amor. E eu nem sabia se ela ainda se sentia do mesmo jeito...
Alice colocou meu violão em cima do sofá e me abraçou apertado. Ficamos bastante tempo só ouvindo nossas respirações e batidas de dois corações entregues... Meu coração estava entregue ao amor, ao nosso amor, mas o coração de Alice... Ele estava entregue a dor, à dor da perda do irmão, da mãe e ao medo de amar novamente. Eu pude ler tudo isso em seus olhos quando ela olhou pra cima e me encarou. Eu beijei sua testa delicadamente.
–Eu vou tentar te curar, minha pequena. Eu vou te curar ou não me chamo Nicolas.
Ela sorriu emocionada e se afastou. Eu já ia reclamar quando ela puxou as mangas da sua blusa para cima e me mostrou cicatrizes de cortes e eu saquei na hora o que era. Eu já suspeitava. Não a julguei, eu só queria que ela parasse e se recuperasse. Queria que ela fosse curada e salva desse poço de dor em que estava vivendo.
–Isso não importa, Alice. Eu vou te ajudar a parar. E pra mim, mesmo com todas essas cicatrizes internas e externas, você continua sendo a moça mais bonita do mundo...
Ela olhou para mim, com os olhos marejados. Uma lagrima escorreu pelo seu belo rosto e eu beijei sua testa novamente. Uma lagrima escorreu pelo meu próprio rosto e eu apertei Ally contra mim.
–Você não vai escapar de mim, Lice. Eu não vou deixar.
Ela beijou minha bochecha, demoradamente.
–E Lice...?
–Sim?
–Você aceitaria ir ao Baile de Outono comigo?
Ela me abraçou ainda mais forte. Meu coração explodia dentro de alegria no meu peito.
–É claro, Nico. Achei que você nunca ia me convidar...
Eu ri.
–Obrigada por tudo. Você me faz sentir como se eu fosse a menina mais especial do mundo.
Eu sorri, verdadeiramente feliz com aquele comentário.
–Para mim, você é.
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Continua...
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