Half Blood

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá galera, esse short eu escrevi pra um amigo que jogava RPG comigo, mas gostei muito e decidi postar. Caso ela seja bem recebida pode vir a ter continuação.
Espero que gostem! ♥

É normal encontrar uma criatura horrenda dentro de um beco, literalmente comendo outra pessoa, mastigando suas vísceras, engolindo as entranhas e parecendo se deliciar com seus órgãos? E se essa pessoa é seu suposto padrasto?

Eu com certeza não achei que aquilo fosse normal, no começo eu achei que era ilusão. Talvez o tombo que eu havia levado na educação física tivesse prejudicado minha visão (e meu raciocínio), entretanto eu fui reparando naquela cena e ela foi se tornando cada vez mais real. Meu ímpeto foi sair correndo (afinal que merda era aquela?), mas eu não conseguia me mexer. Olhei para os lados assustado, tentei pedir ajuda só que todas as pessoas que passavam por mim achavam que eu estava louco.

- Sai dai! — ouvi alguém cochichar. Procurei pela dona da voz e vi uma garota abaixada atrás das latas de lixo do beco. — Sai logo, ou você quer virar comida também? — Eu olhei para a garota, olhei para aquela coisa, olhei para a garota de novo e quando voltei meu olhar para a besta, ela também estava olhando pra mim. O rosto deformado do meu padrasto estava todo sujo de sangue, os dentes afiados sendo mostrados em um sorriso doentio e aqueles olhos totalmente negros voltados para mim. Ele começou a se aproximar, chegando cada vez mais perto e então eu senti meus músculos responderem aos meus comandos novamente. Contudo já era tarde, eu nunca conseguiria correr rápido o suficiente para fugir, era o meu fim. Seria devorado pelo meu padrasto, ou pelo monstro que ele era. Fechei os olhos pensando em como teria um fim de vida trágico, um garoto de apenas 18 anos que não usava drogas e que só tentava ser alguém na vida morreria de uma maneira um tanto incomum. Por um momento eu aceitei a ideia de morrer e no momento seguinte algo se chocou contra meu corpo e me derrubou no chão. Quando abri meus olhos percebi que não era o monstro que havia me acertado, me deparei com algo bem mais bonito do que meu padrasto.

- Eu falei que era pra você sair dali! — Ela disse com o rosto bem próximo ao meu, seu halito era de halls de morango. Ela se levantou em questão de segundos e então me dei conta de que uma luta acontecia ali. Uma outra garota junto com um outro garoto estavam tentando matar meu padrasto, mas não pareciam estar se dando muito bem. Me levantei para ter uma visão melhor do que acontecia e então a garota que havia me derrubado entrou na luta para ajudar o que pareciam ser seus amigos. Todos tinham no máximo dezenove anos e estavam lutando contra meu padrasto-besta-demoníaca. O que estava acontecendo ali?

- Vai ficar só olhando ou dá pra vir ajudar? — a outra garota disse me fuzilando com o olhar por alguns instantes. Logo depois o monstro a agarrou pelo cabelo e a sua espada (sim, espada, como nos filme medievais) veio parar nos meus pés. Eu agachei e peguei aquela arma, era bem mais leve do que aparentava e brilhava com sua cor de ouro mesmo dentro de um beco escuro. A garota que havia "salvado" a minha vida deu grito e então eu vi que ela havia sido empurrada para uma parede, seu escudo já não estava a seu alcance e ela mal parecia estar acordada quando atingiu o chão. Agora restava apenas a besta e o cara alto. E eu.

Sem pensar duas vezes eu corri em direção àquela coisa e fui percebendo que o corpo do meu padrasto também estava totalmente deformado. Mãos com dedos muito longos e unhas parecendo garras; Um corpo magro, parecia feito apenas de osso, mas sua barriga estava estufada, muito estufada; E suas pernas eram finas e compridas.

Eu estava a segundos de rasgar sua barriga com aquela espada, mas ele me viu e assim que eu cheguei perto o suficiente ele deu um salto, praticamente voou por cima de mim até parar do outro lado do beco, perto da garota desmaiada.

- Charlie! — A outra garota gritou quando o monstro agarrou a menina desmaiada pelo tornozelo e saiu correndo de lá com ela. A outra garota, que agora eu podia perceber que era loira (não que fizesse diferença), saiu correndo atras do monstro, mas ele já estava muito longe. Então ela voltou furiosa.

- Isso é tudo sua culpa! — Ela veio para cima de mim, agarrou sua espada que estava em minhas mãos, me prensou contra a parede e colocou a ponta afiadíssima da espada em meu pescoço.

- Olivia... — O cara começou a adverti-la.

- É tudo culpa dele Fred! — Ela olhou pro cara loiro e eu percebi que eles tinham uma semelhança absurda. — Se você não tivesse ficado parado ali como um idiota, a Charlie não precisaria salvar sua vida e nós teríamos acabado com aquele lestrígone.

- Ele era meu padrasto. — foi a unica coisa que consegui dizer, eu ainda estava digerindo toda aquela situação. Mais uma vez passou pela minha cabeça que eu só poderia estar louco.

- Mais um motivo pra te matar, seu idiota! — Ela gritou na minha bem na minha cara e apertou ainda mais a espada na minha garganta.

- Calma aí, maninha. — O tal de Fred se aproximou. — Olha a cara dele, ele não deve estar entendendo nada.

- Eu... — Tentei dizer.

- Cala a boca! — Ela gritou mais uma vez. — De quem você é filho? — Ela perguntou, mas eu não respondi, vai que ela estava pensando em ir atras da minha mãe para mata-la também. — Responde, seu idiota! — Ela tirou a espada da minha garganta e a passou pelo meu braço esquerdo fazendo um corte não muito fundo, mas que doeu exageradamente. — De quem você é filho? — Ela perguntou novamente.

- Elizabeth, minha mãe se chama Elizabeth!- Disse me segurando para não gritar de dor, coloquei minha mão direita sobre o braço machucado e a senti se encharcar de sangue. Olivia me soltou e começou a andar em zig-zag pelo beco.

- E seu pai? — Fred perguntou, ele estava bem mais calmo do que sua irmã.

- Eu não o conheço, me abandonou com minha mãe quando eu ainda era bebe. Agora será que dá pra parar com a entrevista e me ajudar aqui? — Eu olhei o ferimento. — Eu não sei nem se o que acabei de ver é real, estou sangrando e esse corte ta doendo pra caralho! — Disse apertando os olhos de dor, parecia que meu braço todo estava pegando fogo.

- Ele é um não-reclamado. — Fred disse como se nada demais estivesse acontecendo ali.

- Meu braço ta em chamas, alguém me ajuda? — Disse enquanto a dor piorava. Olivia estava estranhamente quieta, sentada em um canto do beco, com os olhos vidrados no nada.

- Toma aqui. — A mão de Fred se estendeu a minha vista com uma garrafa térmica pequena. — Tome só um gole. — Ele disse. Peguei a garrafa um pouco desconfiado, mas tomei um pouco sentindo o gosto do café.

- Café? — perguntei injuriado, tudo bem que era minha bebida preferida, mas não é como se ela fosse magicamente me curar.

- É Nectar, seu idiota. — Olivia disse saindo de seu estado de transe. Eu senti um formigamento no braço esquerdo e quando olhei, o ferimento não estava mais lá. — Vamos sair daqui Frederich! Temos que encontrar Charlie. — Ela disse e puxou seu irmão pelo braço.

- Mas e... Qual é o seu nome? — Ele me perguntou.

- Cahill.

- Mas e o Cahill? Temos que leva-lo para o acampamento. — Continuou.

- Vocês não vão me levar para lugar nenhum! — Reclamei.

- Tá vendo, ele não quer ir. Vamos embora. — Olivia disse decidida.

- Você é um semi-deus, cara! Você tem que ir para o acampamento. Seu padrasto era um lestrígone e provavelmente ia te matar qualquer dia desses, não vai demorar muito pra aparecer um outro monstro desses querendo te devorar. — Ele me alertou.

- Eu não sou nada disso. Vocês estão loucos! — Comecei a me afastar deles — Ou talvez eu esteja louco. — Disse ainda me afastando.

- Olha aqui, ninguém está louco não! — Essa garota só sabia gritar. — Essa é a realidade e se você não aceita o azar é o seu. Eu só quero achar minha amiga. — Então ela saiu em disparada para fora do beco.

- A Charlie deve estar na casa dele! — Frederich gritou antes que ela desaparecesse fora do beco. — O padastro dele deve te-la levado para lá. Ele provavelmente mantem um estoque de "comida" lá, deve caçar só quando o estoque acaba. — Olivia começou a voltar para perto de nós.

- Nos leve até sua casa! — Ela me ordenou.

- Não vou leva-los la.

- Ah, mas você vai sim. — Ela disse e chegou perto novamente, eu achei que Olivia fosse me macucar outra vez, entretanto a garota apenas fechou os olhos e respirou fundo, quando os abriu novamente seu olhar era tão superior que me fez sentir como se eu estivesse encolhendo. — Nos leve até a sua casa agora! — Ela disse com uma voz que deve ter ressoado pela cidade inteira, não pela altura e sim pelo tom autoritário. A primeira coisa que veio a minha mete foi dizer sim, então eu balancei a cabeça e comecei a andar com os dois atrás de mim.

- Eu nem sei porque estou fazendo isso. — Disse ainda atordoado.

- Porque por sua culpa nossa amiga foi sequestrada e agora deve estar presa em algum lugar da sua casa prestes a virar comida de lestrígone. — Ela disse como se aquilo fosse a coisa mais obvia do mundo. Continuamos a andar pelo quarteirão que ainda restava para chegar na minha casa.

- Se aquele realmente era o meu padrasto...

- Era ele! — Eles afirmaram juntos.

- Tá, então, todo esse tempo... Quando ele beijava minha mãe... Quando ele me olhava assustadoramente...

- Ele queria te devorar! — Eles disseram juntos outra vez.

- Isso não pode ser verdade. — Disse balançando a cabeça negativamente.

- Mas é! — Eles afirmaram juntos novamente.

- Vocês tem uma especie de sintonia ou o que?

- Somos irmão gêmeos, temos literalmente uma sintonia. — Olivia disse e Fred concordou, agora tudo fazia sentido. Quer dizer, não tudo, estava longe de ser tudo, mas pelo menos aquilo fazia sentido. — Além de idiota ainda é lerdo. — Ela soltou.

- Olha eu tenho nome e já disse que é Cahill. Não precisa ficar me chamando de idiota toda hora. — Eu reclamei enquanto virava a esquina, estávamos a poucos metros da minha casa. Mas os irmãos se entreolharam e pareceram sacar uma coisa que nçao sabia antes. — O que foi? — Eu perguntei curioso.

- Poseidon. — Fred disse e Olivia apenas concordou com a cabeça.

- O que? Eu não entendi...

- Já sabemos que é seu provável pai, depois explicamos mais. — Olivia colocou fim no assunto.

Eu resolvi não insistir, já estávamos em frente a minha casa. Era um daqueles típicos duplex de New York, com uma escada na frente, uma porta de madeira e com outras casas parecidas coladas as suas laterais. Subi as escadas e abri a porta.

- Mãe? — Gritei.

- Aqui na cozinha! — Ela gritou de volta. Fiz sinal para que eles entrassem e me acompanhassem pelo corredor. Eu entrei na cozinha, mas os dois ficaram escondidos atras a parede, fui até minha mãe e depositei um beijo em sua testa. Olhei em volta procurando por Lucius.

- Onde está o Lucius? — Perguntei para minha mãe enquanto ela estava terminando de preparar a janta.

- Chegou faz pouco tempo, disse que estava exausto. — Ela desviou o olhar da comida e me encarou. — Você sabe como ele está trabalhando duro ultimamente, deixe-o descansar.

- Tudo bem. — Concordei. — Vou para o meu quarto.

- A comida fica pronta daqui meia hora, tome um banho e venha comer, Cahill!

- Pode deixar mãe! — Disse voltando para o corredor. Segui para o meu quarto, Olivia e Fred tiveram que passar sem serem notados pela minha mãe, o que não foi difícil. — Entrem. — Abri a porta do meu quarto e eles adentraram.

- Onde ele costuma passar a maior parte do tempo? — Olivia me perguntou sem perder tempo.

- No trabalho. — Respondi. — Se bem que agora eu nem sei mais se ele realmente trabalha...

- Quando ele esta em casa, idiota! — Ela revirou os olhos. — Onde ele costuma passar o tempo quando está em casa?

- Ah ta... — Eu disse pensando um pouco. — Na biblioteca.

- Vocês tem uma biblioteca em casa? — Frederich perguntou.

- Na verdade é uma quarto desocupado com uma mesa, uma cadeira e vários livros espalhados pela mobília. — Expliquei.

- Tanto faz, isso não é relevante. — Olivia disse e se sentou na minha cama.

- Claro que você pode se sentar. — Eu disse sarcasticamente e logo ela se deitou na cama. — Deitar também, fique a vontade.

- Eu penso melhor quando estou sentada ou deitada. — Ela esclareceu.

Ficamos um tempo assim. Olivia estava concentrada olhando o teto, Fred de pé encarando a irmã e eu ainda sem saber de nada.

- Cahill? — Ouvi a voz de minha mãe abafada pela porta, abri a mesma apenas o suficiente para colocar meus rosto para fora.

- Sim?

- Tem alguém ai? Lucius disse que ouviu vozes desconhecidas.

- Só eu. — Menti. — Ele saiu do quarto? — Indaguei.

- Está na cozinha me fazendo companhia, já que meu filho parece preferir falar sozinho em seu quarto. — Ela disse em um tom brincalhão. Mas aquilo me deixou preocupado, não podia deixar minha mãe sozinha com aquela coisa.

- Eu já estou indo para lá, mãe! — Disse fechando a porta. — Ele está na cozinha agora, não posso deixar minha mãe sozinha com ele. — Sussurrei para os dois que estavam dentro do meu quarto.

- Você distrai ele, eu e Fred vamos para a biblioteca. — Olivia sussurrou de volta enquanto levantava da cama.

- Ta bom. — Eu disse já abrindo a porta do quarto para poder sair.

- Primeiro fala onde é a biblioteca né, cara. — Fred disse.

- Claro, é só voltar para a porta de entrada, vocês vão entrar na porta a esquerda que é a sala e vão ver que no canto oposto tem uma porta branca, lá é a biblioteca. Mas não sei como é que ele pode esconder a "comida" lá, é um lugar pequeno e bagunçado.

- Nós vamos dar um jeito de achar. — Olivia respondeu e me empurrou para que eu saísse do quarto.

Andei pelo corredor de volta a cozinha com eles atras de mim. Entrei na cozinha e dessa vez fechei a porta para que eles pudessem passar sem serem vistos.

- O cheiro está bom! — Disse tentando disfarçar meu nervosismo. Lucius estava lendo um jornal, por isso não conseguia ver a cara do meu padrasto. Fiquei imaginando se ela estaria deformada como antes.

- Como foi o dia hoje meu querido. — Minha mãe me perguntou.

- É, como foi o dia hoje? — Lucius abaixou o então pude ver seu rosto. Estava normal, tirando pelo olhar que me fuzilava dizendo: "se você contar alguma coisa do que aconteceu eu devoro você e sua mãe aqui e agora".

- Foi bom. — Disse engolindo seco. — Nada demais.

Minha mãe serviu a comida na mesa e então começamos a comer.

- Está sem fome hoje, meu filho? — Ela perguntou preocupada. Eu não estava com um pingo de fome, não enquanto estava sentado na mesma mesa que um monstro.

- Vi umas coisas nojentas hoje e perdi o apetite. — Disse remexendo a comida sem vontade alguma de comer.

Voltamos a comer em silencio por um tempo, passaram-se poucos minutos, mas eu estava preocupado. Como eu saberia se Olivia e Fred haviam conseguido resgatar Charlie?

Lucius então se levantou abruptamente da mesa, começou a cheirar o ar como se estivesse sentido algo queimado.

- Você os trouxe aqui, não foi?! — Ele disse cheio de raiva. Eu pude perceber que ele estava se transformando, aos poucos ficando maior, com dentes mais afiados e seus olhos enegrecendo.

- O que foi? — Minha mãe perguntou assustada.

- Nada eu acho que... — Comecei a dizer sem saber realmente o que falar.

- Seu moleque idiota! — Ele gritou e bateu na mesa fazendo a comida voar para todos os lados. A Porta da cozinha então se abriu, eu pude ver Olivia com sua espada e o escudo de Charlie, enquanto Fred carregava Charlie desmaiada em seus braços.

- Só eu posso chama-lo de idiota! — Olivia esbravejou. Ela entrou correndo, saltou sobre a mesa e pegando impulso na mesma pulou sobre Lucius, que agora já estava quase com sua forma de lestrígone completa. Eu agarrei o braço de minha mãe e a puxei para fora da cozinha.

- Pega a chave do carro e sai daqui! — Ordenei para ela.

- Cahill... — Ela começou a falar.

- Mãe, eu vou ficar bem. — Disse segurando seu rosto. — Eu te amo, ta? Só quero que você vá pra casa de alguma amiga e não diga nada a ninguém. Te ligo quando tudo acabar. — Ela apenas assentiu e saiu correndo. Frederich passou Charlie para o meu colo e foi tentar ajudar sua irmã na luta, eu fiquei novamente sem saber o que fazer. Eles não ganhariam aquela luta sozinhos, mas que habilidades eu tinha?

- Filho! — Minha mãe me chamou parada na porta de saída da casa.

- Vai logo! — Exclamei, mas ela veio até mim e me entregou um colar com uma concha pendurada.

- Seu pai pediu que eu te desse isso com dez anos, só que eu não queria que você tivesse lembranças dele. Ele disse que sempre que estivesse em uma emergência você deveria segurar a concha com força e pensar nele e talvez surja alguma solução. — Depois disso ela saiu e eu pude ouvir duas coisas: o som do carro indo embora e o som do grito de Olivia. Eu precisava ajuda-los! Coloquei Charlie deitada perto da porta de saída e corri para a cozinha.

O local parecia um campo de guerra, todo destruído, alguma coisa estava pegando fogo em um canto, sangue borrifado em alguns lugares e um monstro parado no meio do local. Olivia estava perto de seu irmão em um canto, parecia que ele estava ferido e aquilo claramente afetava aos dois. Eles realmente tinham uma ligação. Lucius estava de costas para mim, andando em direção aos irmãos que se escoravam na parede. Eu peguei uma faca no chão e corri até o lestrígone tentando enfiar a lamina em suas costas, mas a faca apenas quebrou como um galho seco de árvore. Lucius se virou para mim, agarrou minha camisa e começou a me levantar do chão.

- Eu deveria ter te devorado na minha primeira chance! — Ele disse com uma voz irreconhecível, sua boca se abriu e ficava cada vez maior, parecia que ele iria me engolir de uma vez só. Eu lembrei das palavras anteriores de minha mãe: "Ele disse que sempre que estivesse em uma emergência você deveria segurar a concha com força e pensar nele e talvez surja alguma solução". Eu coloquei minha mão dentro do bolso, onde havia guardado o presente, apertei a conheçam com força e pensei que, quem quer que fosse meu pai ele não me deixaria na mão naquele momento. Quando dei por mim não estava mais segurando o colar e sim uma voluptuosa espada de lâmina em um to azul marinho. Olivia viu aquilo e então pulou sobre o monstro para distrai-lo, ela bateu nele com as próprias mãos já que sua espada estava jogada em algum canto longe. Eu aproveitei o breve momento de distração de Lucius e cravei espada azulada em sua barriga, usando toda a minha força para subir com espada até seu peito, fazendo um belo de um estrago. Olivia e eu caímos no chão e o lestrígone desapareceu, deixando em seu lugar um amontoado de pó. Apertei a pequena concha que estava desenhada no pumo da espada e ela voltou a forma de um colar, coloquei-o em meu pescoço e agradeço mentalmente Poseidon, tendo uma certeza súbita de que ele era meu pai.

Olhei para os lados, ainda alerta achando que ele surgiria novamente em alguma lugar.

- Acabou! — Olivia exclamou com um suspiro de alivio. Então ela se arrastou até o irmão. — Pega a Ambrósia dentro da minha bolsa! — Ela disse, só depois de alguns instantes é que eu percebi que ela estava falando comigo. Peguei a bolsa dela que estava jogada dentro da pia e comecei a procurar a Ambrósia sem nem sabe o que era. — Me dá essa bolsa aqui, rápido! — Ela fez sinal com a mão para que eu fosse até lá, entreguei-lhe a bolsa e ela pegou alguma comida enrolada no que parecia ser papel alumínio. Tirou uma pequena parte daquilo e colocou na boca de seu irmão. Só então reparei no estado de Frederich, ele estava com um ferimento aberto no peito e todo ensanguentado.

- Pai, por favor! — Olivia olhou para cima e começou a pedir, eu vi que seus olhos estavam cheios de lagrimas e que ela lutava para não chorar. — Não me deixa sem ele, o senhor sabe que não somos completos um sem o outro! — Ela exclamou. A noite que estava totalmente estrelado começou a ficar nublada, eu me aproximei da janela da cozinha e vi nuvens, muitas delas brilhando com raios, até que um desses raios caiu bem perto da janela e ouvimos um barulhos quase ensurdecedor. Olhei para Frederich e ele estava abrindo os olhos, o ferimento em seu peito havia se curado e Olivia o abraçava como se não fosse o soltar nunca mais.

Fui até ele e o ajudei a se levantar, saímos da cozinha e andamos pelo corredor até a porta de saída. Peguei Charlie em meu colo, reparando em como ela era linda.

- Ela vai ficar bem? — Perguntei preocupado.

- Vai, ela só tem que sair do transe em que o lestrígone a colocou. — Fred esclareceu. Voltei a olhar para a garota, reparando nos traços perfeitos de seu rosto, seu cabelo cor-de-chocolate e seu corpo extremamente leve para uma guerreira.

- Para de babar na minha amiga e vamos sair embora logo, antes que, sei lá, apareça a medusa aqui! — Olivia disse.

- E para onde vamos? — Indaguei curioso.

- Acampamento meio sangue, o seu novo lar, idiota! — Ela disse rindo.

Notas finais
E então? Será que devo continua-la?
Ah, só para dar um gostinho de quero mais tem um bônus, é só ir pro próximo capítulo. ;)

Beijos da Nah