Haikyuu!! One-shots

3 Mulheres n̶ã̶o̶ usam terno [Sugawara Koushi x Reader] (II)


Foram três tentativas frustradas de tentar devolver os sketches. Tinha decidido assumir a mentira de que não mexera em nada. Porém, a demora em encontrá-la disponível o fez ter tempo suficiente para repensar sua decisão. Afinal, sempre fora péssimo em mentir para [Nome]. Por fim, acabou encontrando-a com as colegas do clube de futebol. A princípio, ouviu apenas as vozes, que discutiam energicamente no canto da arquibancada do campo da escola. A lateral de concreto o escondeu, de forma que elas sequer notaram sua aproximação.

Eu já expliquei, Mako! — A raiva que permeava a voz de [Nome] o fez estacar. – Eu chutei a bola na cara do Kenichi porque ele fez um comentário super nojento sobre meninas que jogam futebol. Você deveria me agradecer por não só ter desmascarado aquele embuste e ter te livrado dele, como já ter me vingado adequadamente!

Uma delas parecia estar chorando.

— Tá, tá bom, [Nome]. Não se exalte. – Era a voz eternamente apaziguadora de Haru. – Uma hora ela vai entender que você fez um favor pra ela. Deixar de ser trouxa leva tempo.

Houve um protesto generalizado misturado com risos, juntamente com um comentário “A [Nome] mordeu a Haru e agora temos duas cavalas no time”. Um barulho de luta se seguiu ao comentário, mas, no fim, estavam todas rindo.

— Ah, mas isso é sério, Mako. Você tem que confiar em mim. Ele foi um es-croto! Eu já estava muito puta da vida ontem por causa dos comentários ridículos que ouvi em casa anteontem. Aquele meu tio babaca (que graças a Deus foi embora ontem de manhã – eu não preciso de um inútil pra cuidar de mim e do Katsuo na ausência dos meus pais, me poupe!) veio me encher enquanto a gente assistia Skyfall. Eu comentei – com meus irmãos— que se eu fosse uma espiã, com certeza usaria um terno que nem o James Bond porque além de ser mais prático, eu amo terno. Daí o imbecil comentou que mulher não usava terno. Essa eu ignorei. Daí, continuei falando que o que me irrita nesses filmes de espionagem é o fato de o protagonista sempre ser homem. E os poucos que têm com mulheres sempre são aquelas Femme Fatalle que acordam maquiadas e lutam de cabelo solto e roupa colante minúscula. Fora que sempre tem a cena ridícula que ela tem que aparecer (semi)nua pra seduzir um aquela-palavra-mesmo-que-a-Haru-nunca-deixa-eu-falar-que-rima-com... – [Nome]! – Tá, tá bom. Vocês entenderam. Daí vocês acreditam que o nojento falou que era por essas e outras que meus pais penavam tanto comigo. “Começou com esse absurdo de jogar futebol. Agora quer usar terno. Tem certeza que você não é uma...”. Só que eu não deixei ele falar. Parti pra cima dele. Claro que a Rie nee-chan me segurou. Eu teria acabado com aquele trouxa. E ele ainda teve a audácia de gritar que eu nunca ia arrumar um namorado antes de bater a porta! Eu gritei que preferia ficar sem namorado do que arrumar um namorado que vai ficar me dizendo o que eu posso e não posso fazer por ser uma garota! Aí me aparece um completo perdedor como o Kenichi no dia seguinte com o mesmo discurso ridículo que não namoraria uma menina que joga futebol nunca porque somos todas um bando de tra...

— A Mako não precisa saber as palavras exatas! – berrou Haru tapando os ouvidos da caloura. – Só precisa saber que ele não é um bom partido e que você já se vingou (descontando até sua raiva do seu tio no coitado).

— Coitado? Coitado!? Ele é um grande...

— Cheeeegaaaaa [Nome]! Já entendemos sua raiva e seus motivos por mandar o Kenichi pra enfermaria com o nariz quebrado. Agora pare de tentar corromper as calouras com esse seu vocabulário que fica impossível toda santa vez que você fica possessa!

Todas riram. Até Sugawara riu. Porque era a mais pura verdade. E isso só mostrava o quanto [Nome] era um poço de sinceridade, um livro aberto... Traço que ele admirava tanto nela. Neste instante, uma silhueta avançou pelo campo, fazendo um aceno.

— Ah, é a treinadora. Acharam uma sala. Vamos! Reunião pós-treino!

Todas soltaram um “siiiim” arrastado e desanimado, o que rendeu uma série de cascudos em todas, menos em [Nome], que escapuliu disparando pelo campo. Haru disparou atrás dela e todas as outras seguiram as duas às gargalhadas. Sugawara observou a cena com um sorriso tenro no rosto. Aquela era a essência de [Nome]. Apenas sendo ela mesma, com suas emoções intensas, sua irreverência diante de qualquer coisa que parecesse injusto e seu gosto incorrigível por gracinhas, era capaz de levantar o ânimo de qualquer pessoa, até nas circunstâncias mais improváveis.

Resignando-se de sua quarta tentativa frustrada de devolver a pasta, Sugawara suspirou e tornou a seguir para o prédio principal.

*

Sua última aposta do dia finalmente rendeu o resultado esperado: encontrou [Nome] (sempre adiantada) na sala de estudos para mais uma aula de inglês. Sugawara cumprimentou a amiga e se sentou. Decidido a acabar logo com a questão dos sketches, meteu a mão dentro de sua pasta e apertou o plástico roxo. De repente, a lembrança da conversa que [Nome] tivera com as amigas do clube de futebol voltou como um grande sinal de “atenção!”. Seria um bom dia para devolver a pasta e ser sincero, dizendo que espiara os desenhos que ela se esforçara tanto para esconder? Engoliu em seco. Agora que chegara até ali, devia ir até o final. Prendendo a respiração, Sugawara puxou a pasta para fora e deslizou-a sobre a mesa na direção de [Nome]. Quando a garota percebeu o movimento, arregalou os olhos, primeiro para a pasta e depois para Sugawara.

— V-você esqueceu ontem...

Ela puxou a pasta bruscamente para o peito, os lábios apertados em sua inconfundível expressão de vergonha.

— V-você... O-Olhou dentro da p-pasta?

Espelhando o estado de embaraço da amiga, o terceiranista assentiu, mas sem conseguir olhá-la nos olhos. A garota apertou o plástico e olhou para baixo, o rosto fervendo. Sem uma palavra, abaixou-se para colocar a pasta em sua mochila. Quando ela se endireitou, Sugawara sentiu o peso do clima desconcertante entre os dois. Por isso, agiu rápido.

— F-Ficou bem legal. A história. Até onde você fez ficou muito legal. Achei super interessante o fato de a história não ter falas e ser tão fácil de entender.

Ela assentiu, parecendo ainda mais sem graça, e murmurou um tímido “obrigada”. Sugawara apertou os lábios disfarçadamente. Sua tentativa falhara. Porém, tinha uma carta na manga. Com uma das melhores versões de seu sorriso doce, retomou a organização de seus materiais e suspirou:

— Ah... foi bem nostálgico. Me fez lembrar bastante do começo do juvenil. Você estava aprendendo a desenhar, então desenhava bastante. Mas você sempre parecia mais inspirada pra desenhar quando estava com raiva de alguma coisa. Você desabafava toda sua raiva nos mangás que rabiscava. – Ele fez uma pausa na qual abriu seu estojo e separou lápis e borracha. – É um jeito bem... inteligente de desabafar.

— Ah! – Ela deu uma risada diante da lembrança. Bingo! – Verdade... Lembra quando estávamos estudando sobre história do Egito e vimos aquele filme? – Acho que era o “Príncipe do Egito” – Eu estava tão brava com aquele imbecil do Tatsuo por ter caçoado das minhas chuteiras que desenhei uma história na qual ele sofria todas as pragas que aparecem no filme! Foi um prazer desenhar um sapo saindo da boca dele!

Os dois riram alto com a lembrança.

— Ai – suspirou [Nome]. – Ter aprendido a desenhar não foi uma total perda de tempo, afinal de contas. Me diverti bastante e ainda frustrei completamente a expectativa da minha mãe!

Ela riu alto enquanto Sugawara assumia uma postura pensativa.

— Verdade... Ela te colocou na aula de desenho para aprender pintura a óleo, mas você sempre pintava mangás nas telas!

Ela riu mais uma vez, entretanto, pouco. O riso morreu rápido demais e sua expressão se tornou levemente frustrada.

— Ela já tinha esgotado todas os recursos para me fazer parecer mais “feminina”. Foi realmente a última tentativa. Depois, finalmente me largou com o meu futebol. Mas sempre faz questão de me jogar na cara que eu vou ser um menino pra sempre e que vou ficar pra titia...

A atmosfera da sala tornou a ficar pesada. Sugawara tornou a apertar os lábios, pensando numa saída.

— Não ligue pra esse tipo de comentário, [Nome]-chan – tentou num tom talvez mais baixo do que deveria. Não por não ter segurança em sua fala, mas por não saber se funcionaria.

— É um pouco difícil não ligar quando repetem tanto isso na sua cabeça... Todo santo dia.

Sugawara percebeu que os olhos da amiga haviam ficado brilhantes. Tinha que continuar tentando!

— Essa distinção, esses rótulos... Você provou muito bem nessa sua história que não faz sentido. Digo, olha como a agente 012 ficou legal usando um terno de espiã. Ficou muito melhor que qualquer outra personagem espiã que eu já tenha visto em um filme. Eu quase consegui ouvir ela falando “Meu nome é Bond. Jane Bond.”.

O ar cabisbaixo de [Nome] se desfez num segundo. Ela encarou o amigo com os olhos arregalados, que continuavam brilhantes, mas de um jeito muito diferente. Por fim, com um tom sonhador, ela repetiu bem baixinho:

— Bond. Jane Bond. – E depois, elevando de súbito a voz, soltou uma gargalhada e deu um tapa no ombro do amigo. – Meu Deus! Eu amei isso! Acho que agora que tenho o nome perfeito pra ela, tenho ânimo pra continuar... Muito obrigada, Suga-kun!

Sentindo o peito esquentar ao vê-la aparentemente resolvida com a situação, Sugawara acompanhou-a no entusiasmo até que ela o lembrou subitamente que tinham de terminar aquela unidade do livro de inglês naquele dia. Os dois mergulharam em uma hora de estudos até que, enfim, [Nome] empurrou a mesa, acabada.

— Acho melhor pararmos por aqui. Já começamos a próxima unidade então tá tranquilo. – Ela deu um longo bocejo. – Melhor a gente ir.

Os dois juntaram os materiais e Sugawara insistiu em acompanhá-la até em casa. Fazia tempo que não tinham um tempo a mais para conversar. Sugawara queria saber mais detalhes sobre o que ela estava planejando para a história, mas [Nome] permaneceu misteriosa.

— Ei – disse Sugawara, de repente. – Posso sugerir o acréscimo de um personagem?

[Nome] olhou para ele com uma interrogação entre as sobrancelhas, o que o fez sentir-se subitamente nervoso.

— É-É só uma ideia que me ocorreu... Já que estamos quebrando paradigmas... Que tal colocar um cara na história que vai ser salvo por ela?

[Nome] estacou de súbito, fazendo Sugawara tropeçar. Ela tinha uma mão no queixo e um olhar muito concentrado. Permaneceu assim por quase um minuto até, por fim, bater palminhas e dar um pulo de comemoração.

— Você é um gênio, Suga-kun! – E, sem aviso nenhum, pulou nas costas do amigo e lhe deu um beijo estalado na bochecha. Depois, pulou para o chão e fez uma pose heroica. – Vai ser o melhor mangá já feito!

O terceiranista permaneceu no mesmo lugar, os olhos perdidos no espaço e a mão tocando levemente o lugar onde [Nome] o beijara...

O mesmo em que a agente 012.

No instante em que ela se virou para olhá-lo, uma porta no fim da rua se abriu e uma silhueta feminina se recortou contra a abertura luminosa.

— [Nome]! – Sugawara reconheceu a voz de Rie. – Onde é que você tava, sua bocó? Tô te ligando faz hora!

— Eu tinha avisado que ia estudar inglês com o Suga-kun hoje!

— Mas atende pelo menos a porcaria do celular!

— Aff, eu devo ter esquecido ele no silencioso! Foi mal! Já tô indo! – Ela se virou para o amigo. – É melhor eu ir. Obrigada por me acompanhar, Suga-kun. Amanhã eu te falo o que eu pensei sobre sua sugestão!

— Ah... Tá bom! – Sugawara sentiu como se tivesse acordado de um transe. – Até amanhã! Ah-ei! Espera!

[Nome], que já disparara na direção de sua casa, estacou bruscamente e se virou com um olhar interrogativo.

— Que tal você fazer o personagem que sugeri com o meu cabelo?

A interrogação permaneceu no rosto de [Nome], mas agora acompanhada de um sorriso desconfiado.

— Ah... É que você sempre me salvava no juvenil. Sabe, dos caras que gostavam de zombar de mim.

O sorriso desconfiado de [Nome] cresceu para um autêntico e brilhante. Com uma risada, gritou:

— Gostei da referência! Vou usar.

Na última frase ela lançou um olhar sugestivo, aquele mesmo olhar maroto que o prendera nas páginas do mangá e o engolira para o sonho maluco. Ele acenou, gesto espelhado pela amiga, que disparou para dentro de casa. Por algum motivo que não compreendeu muito bem, Sugawara esperou até que visse as luzes do quarto de [Nome] serem acesas para ir embora. Contudo, mal tinha dado três passos, uma melodia mais do que conhecida alcançou seus ouvidos, fazendo seus lábios se curvarem de forma doce.

We're talking away

I don't know what I'm to say

I'll say it anyway

Today's another day to find you

Shying away

I'll be coming for your love, ok?

(Estamos conversando à toa

Eu não sei o que dizer

Direi de qualquer maneira

Hoje é outro dia para encontrar você

Me evitando

Estarei vindo pelo seu amor, ok?)

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.