Hades I Terra-inversa
4 Capítulo 2 - O Resgate - Parte II
Notas iniciais
“Pesadelo”, pensou Oliver, comprimindo os olhos e desejando com todas as suas forças que acordasse naquele instante com o barulho do despertador. No entanto, para seu desespero, nada aconteceu. Persistentes, o som ensurdecedor da chuva e os trovões gritavam como monstros no horizonte. Os passos ocos do Caçador de Recompensas pareciam mais próximo do que nunca. Um cheiro de fuligem, como se uma fogueira fosse recém apagada, rescendia no ar com a chegada do inimigo. “Pode ser uma árvore queimando”, cogitou Oliver na crença de que sua insanidade poderia estar mascarando tudo isso. E se tivesse tropeçado e batido a cabeça no meio da floresta, e agora estivesse delirando em algum canto? Receou que a loucura o dominasse, assim como fez com a sua mãe. “Esquizofrenia”, repetiu em pensamento, “E se eu tiver esquizofrenia como a da minha mãe?”
– Oliver, – chamou Pierre baixinho. – o que vamos fazer?
Por um momento, o humano quis rir. Não era fácil pedir para uma pessoa que vivia uma rotina, mesmo que cheia de mentiras, acreditar em tudo aquilo. Nem Pierre, nem aquela coisa parada em frente ao sofá, existiam. Ignorou a pergunta do Leprechaun e continuou observando a criatura. Na realidade, era uma pessoa, embora mil vezes mais assustadora e mórbida. Conseguia ver, pelo reflexo dos raios que entrava pela janela, que ele usava uma blusa xadrez vermelha e preta encardida, uma manta negra que envolvia o pescoço e a nuca, uma calça jeans comprida e rasgada e, por fim, um boné esfarrapado cobria o topo da cabeça. A aba estava voltada para o rosto, que no momento não conseguia enxergar. Uma energia densa e pesada o envolvia, capaz de fazer qualquer humano ficar tonto e nauseado apenas de chegar perto. Ele era um pesadelo ambulante.
Oliver cobriu a boca. A arma era a sua única esperança de que poderia esmigalhar os miolos de qualquer um que tentasse matá-lo. Secou o suor da testa com a mão trêmula. Os olhinhos miúdos de Pierre cintilavam de medo.
– Vamos esperar... – ponderou o humano. – Talvez ele vá embora e possamos sair daqui.
Quando a atenção de Oliver voltou para o inimigo, ele não estava mais lá. Ambos tiveram de esperar; não havia mais som de passos na casa. Até a chuva amenizou um pouco e em questão de segundos, o silêncio reinou lá fora, como se o tempo congelasse. Agora, apenas as gotas despencando do telhado tic-taqueavam sobre o assoalho da varanda.
– Aonde ele foi? – indagou Oliver.
Pierre deu de ombros.
– Ele pode ter ido caçar alguma coisa – disse Pierre amedrontado.
– Vamos, então!
– Espere! – pediu o leprechaun trêmulo. – Ele ainda pode estar ali! E se for uma armadilha?
– Eu estouro os miolos dele! – retrucou Oliver com uma confiança que nem ele mesmo acreditava.
Oliver usou o cano da carabina para afastar a porta de metal. Esperou alguns segundos e deu o primeiro passo para o corredor. O coração martelava fundo em seu peito, enquanto um frio descia da garganta para o estômago. Pierre avançava logo atrás dele com as mãozinhas pousadas sobre as costas de seu “protetor”. Não havia ninguém nos dois quartos, muito menos na cozinha, que Oliver enxergava de onde estava. Engoliu a seco, aliviado ao chegar à sala vazia. A porta de entrada batia com uma brisa.
– Ele não está aqui – murmurou Oliver.
Pierre assentiu e parou ao lado do humano.
– Vamos aproveitar e fugir, então...
Os dois concordaram e deixaram a casa. Não foi tão fácil quanto parecia; agora que sabia que o inimigo espreitava o mato lá fora, a casa começava a parecer segura.
– Espere! – exclamou Pierre apontando para a floresta.
Som de passos na grama. Poderia ser a chuva que despencava da copa das árvores, mas o humano sabia que não. Alguém se aproximava. Mirou a carabina na direção do perigo e esperou. “Tic-tac, tic-tac”, dizia o gotejar na varanda. Três pessoas, assustadas e encharcadas de água e barro, emergiram dos galhos. Usavam roupas comuns, especialmente coletes verdes daqueles que vinham com repelente para espantar mosquito.
– Wow! – exclamou um deles, um homem negro e de idade mais avançada. Ele ergueu as mãos. – Não nos mate!
– Quem são vocês? – perguntou Oliver pressionando o gatilho.
– Estávamos acampando por aqui! E... algo nos atacou. Acabamos nos perdendo e... e... Céus, não sei o que está acontecendo! – contou outro, um homem de cabelos grisalhos e vincos de rugas no rosto.
Oliver notou que Pierre já estava em sua forma humana.
– Vamos sair daqui, Oliver. Melhor continuarmos antes que o caçador volte!
– Shhh! – retrucou o humano grosseiramente. Depois, voltou-se para os três campistas. Eram eles que estavam no acampamento. Algo em sua mente, ao invés de se alegrar, fez perceber que eles aparentavam saúde. Lembrava-se de ver sangue no acampamento. Oliver tinha a natureza desconfiada de nascença. – Vocês estão bem?
– Um pouco! – respondeu o de rosto vincado, como se lesse os pensamentos de Oliver. – Acho que fomos atacados por um urso ou algo do tipo... Mas nos perdemos de dois amigos nossos. Um deles atirou no monstro, mas não foi suficiente para segurar ele. Corremos e conseguimos nos safar... Não sei o que aconteceu com os outros.
Oliver baixou um pouco a arma. Humanos, finalmente. Respirou aliviado e ignorou os protestos de Pierre ao seu lado.
– Não somos daqui, – explicou Oliver. – encontramos essa casa enquanto buscávamos abrigo para a chuva.
– Pare de dar informações para os estranhos! – sussurrou o leprechaun. – Nunca diga que está sozinho...
– Meu carro pifou e eu me perdi enquanto buscava por ajuda – prosseguiu Oliver imutável.
– Isso é bom, pelo menos você não encontrou aquela coisa. Meu nome é Felipe – apresentou-se o homem negro. – E este velho é Marcos e o outro quietão e pálido se chama Lucas.
Oliver analisou o terceiro indivíduo. Ele era um pouco estranho, quieto demais para uma pessoa que fugia de um urso. “Está em choque, talvez” cogitou em pensamento. Queria sair logo dali e as três pessoas eram sua esperança.
– Oliver... – grunhiu Pierre.
– Podemos sair desse lugar, se você quiser – prontificou-se Felipe. – Se seguirmos para o norte, podemos sair desse mato em três horas de caminhada e chegar ao centro. Ou, se formos para o sul, em quatro horas encontraremos a praia. Há ajuda por lá também.
Oliver estava se sentindo seguro novamente.
– Ah! Como é bom encontrar alguém que saiba como sair...
– Ei, caras! – gritou alguém na floresta, atrás dos três campistas. – Acho que encontramos nossa presa da noite!
Dois homens, altos e troncudos, irmãos gêmeos pelas suas feições parecidas, irromperam as plantas e atiraram uma terceira pessoa na grama. Era um mulher jovem e pálida, que usava um lenço imundo na cabeça. Pierre soltou um grunhido.
– Mamãe! – gritou sufocado ao ir de encontro a ela.
A mulher, de bruços no chão, ergueu o rosto abatido para seu filho. A confusão invadiu a mente de Oliver.
– Meu Deus! Pierre! – exclamou ela ficando de pé aos tropeços e abraçando o filho.
– Qual é, Charles! – retrucou Marcos abrindo os braços, irritado. – Será que pode avaliar a situação antes de agir precipitado? Estamos caçando aqui!
Charles, um dos gêmeos, observou Oliver e depois Pierre.
– Perdoe-nos, chefe! – pediu ele com um quê de ironia. – Não sabíamos que havia mais gente aqui além dessa aí e aqueles três casais de campistas que estavam acampando!
Confusão. Sobre o que aqueles cinco estavam falando? As mãos de Oliver começaram a tremer de novo. Porque as coisas estavam ficando tão estranhas e complicadas aquele dia?
– O que está acontecendo aqui? – perguntou Oliver novamente com a arma em punho. – Sobre o que estão falando? O que fizeram com essa mulher? Nunca deveria ter deixado aquele carro...
– O carro... – Subitamente disse Lucas, quebrando o silêncio. – Eu o farejei há alguns quilômetros daqui, mas o vento não deixou que eu soubesse mais a respeito.
“Farejar?” pensou Oliver, cético. A história estava passando dos limites do aceitável. Dor foi a primeira coisa que sentiu quando sua cabeça ardeu e depois latejou. Pôs a mão na testa e grunhiu, e só não caiu porque seus pés estavam cravados no solo. Dores de cabeça em Oliver eram comuns quando se estressava muito, conseqüências do acidente de carro que sofrera há anos. Pierre se preocupou com seu “amigo”.
– Oh, mamãe! Estivemos procurando por você!
– Filho, você tem que sair daqui! – pediu ela abraçando a prole com apreço. – Eles são maus... Essas... Essas coisas que me pegaram são terríveis e vão matá-lo se não fugir daqui!
– Oliver vai salvar a gente, não se preocupe! Ele prometeu me ajudar!
A mãe de Pierre, uma mulher de olhos azuis e face lisa e mórbida, como se estivesse afetada por uma doença gravíssima, não acreditou que o humano perturbado e armado pudesse fazer algo por eles.
– Por favor, filho, fuja!
– Ninguém vai sair daqui, leprechaun desprezível! – exclamou Felipe mudando radicalmente de humor.
– O respeito pelas caçadas, como as de antigamente, não existe mais... – lamentou-se Charles. – Cansei de esperar, vamos à diversão, por favor!
Oliver não soube se entrou em colapso, mas quando percebeu estava rindo. A atenção se voltou completamente para ele. E se estivesse realmente esquizofrênico? E louco? Uma chuvinha fina começou a se acumular sobre seus cabelos rebeldes. Seu rosto, embora comum e não tão diferente do que se encontraria por aí, era dotado de um charme arrogante e inexplicável. Um sorriso um pouco lunático repousou em seus lábios.
– Okay, isso é uma brincadeira, não é? Uma pegadinha? Quem pagou vocês para fazerem isso? Isso só pode ser loucura! Vocês fazem parte da minha mente, não fazem?
Felipe gesticulou para os gêmeos.
– Prove que somos mais reais do que ele próprio.
Os gêmeos bateram no peito e depois arrancaram suas blusas. Pierre puxou sua mãe à força para trás de Oliver.
– Por favor, Oliver... Vamos fugir! – pediu o leprechaun.
– Eu não vou fugir! Isso não é real! – berrou Oliver largando a carabina. – Nada disso existe!
E diante deles, os gêmeos triplicaram de tamanho. Crescendo de forma grotesca e adquirindo pelos por todo o corpo, Oliver fechou os olhos e negou-se a ver o que acontecia. Tapou os ouvidos e começou a repetir para si que não era real. Queria voltar para a realidade. Queria acordar daquele pesadelo.
Pierre e Marlyn, sua mãe, gritaram, mas não puderam fugir. Congelados de medo, viram as duas criaturas, maiores do que um urso adulto e de faces lupinas, arquearem o tronco largo sobre as quatro patas. Eram musculosas, altas e extremamente peludas. Os dois eram marrom-claro e tinham olhos vermelhos rubi, que cintilavam fantasmagoricamente sobre os rostos que, embora lembrassem lobos, eram maiores e grosseiros. Seus dentes, quase incontáveis, eram navalhas prontas para dilacerar. Gotas espessas de saliva escorriam pelos cantos protuberantes das bocas. Charles avançou em passos pesados até Oliver, arrancando pedaços de terra toda a vez que usava suas garras poderosas para andar.
Oliver continuou murmurando “isso não existe” até que o bafo morno e fedido a amônia acertasse seu rosto. Abriu seus olhos e encarou a criatura, cujo corpo era diversas vezes maior que o seu. Ele poderia arrancar sua cabeça com uma única mordida.
– Não é real... – grunhiu aterrorizado.
– Oliver! – gritou Pierre preocupado.
Charles apanhou Oliver pelo pescoço e içou-o no ar. Oliver não conseguiu respirar e muito menos se soltar dos dedos potentes que o seguravam. O monstro, de pé, com seus dois metros e meio de altura, carregava Oliver como se não pesasse mais do que uma pluma. Suas orelhas pontudas e longas voltaram-se para o humano.
– Ainda acha que é uma ilusão? – questionou Charles, cuspindo saliva em seu rosto avermelhado. – Dor é real... A dor mostra que você está vivo e também lúcido. Posso fazer você suplicar por sua vida somente usando a sua dor.
Charles ergueu a outra pata e cortou a lateral do rosto de um Oliver indefeso.
– Humanos são tão idiotas... Tão... Supérfluos e facilmente enganáveis. Vocês acham que são donos da Terra. Se acham deuses e também pensam que podem enganar os outros com suas mentiras, mas é o mundo que engana os humanos... É ele que mente, é ele que manipula e faz vocês acreditarem que são poderosos e que estão sozinhos no topo da cadeia alimentar.
– Larga ele! – gritou Pierre se desvencilhando dos braços da mãe e chutando a perna do monstro. – Deixe-o em paz!
Charles atirou Oliver contra uma árvore e urrou feito um trovão. Pierre recuou acuado quando outros três monstros, idênticos de forma e diferenciados pelas cores, abriram um cerco ao redor dele e de sua mãe. Um era negro, o outro grisalho e, por fim, um de tom acafezado. Eles eram montanhas perto do pequeno morrinho que o leprechaun representava. Marlyn colocou o filho para trás de si.
– Me matem! Mas não façam mal a ele! – suplicou ela.
Oliver arquejou e ficou de joelhos. Tossiu; os cinco monstros agora entretiam-se com os leprechauns. Eles eram reais... Não eram de sua imaginação. Tinha de fugir para salvar sua vida, não importava mais se era só sua loucura ou não. Se queria viver, precisava fugir. Ficou de pé com dificuldade e usou a árvore como apoio. Os vergões das garras de Charles marcavam seu pescoço sensível. Não podia lutar contra eles – e nem queria –, então estava na hora de fugir. Aproveitar-se da isca que Pierre e sua mãe se tornaram.
– Oliver! – gritou Pierre apavorado. – Por favor, Oliver! Nos ajude!
– Eu não posso... – murmurou o humano. – Eu não... Não posso fazer nada por vocês.
Foi com tremenda dor e pavor que Pierre viu Oliver desaparecer entre as árvores ao fugir.
– O humano está fugindo, Felipe! – informou Marcos.
– Deixe-o ir... O pegaremos de qualquer jeito mais tarde. É uma pena que você, leprechaun, tenha confiado sua vida em um humano.
Oliver correu como uma criancinha acuada de seus pesadelos. Tropeçava em seus próprios pés e em qualquer coisa que houvesse no solo, mas não ousava a se deixar cair. Precisava salvar sua vida antes do que qualquer coisa. Pierre... Não podia fazer nada por ele. Era só um monstrinho... Um monstrinho que o ajudara a se desvencilhar do perigo maior. Só isso. Oliver pôs a mão na cabeça que doía como nunca.
– Não posso fazer nada! Sou só uma pessoa!
Olhou para trás e notou que ninguém o seguia. Queria berrar de alívio, mas algo o impedia. Sua consciência gritava loucamente para que não continuasse, ao contrário de seu instinto. Como Pierre poderia esperar que um humano assustado e egoísta pudesse enfrentar monstros que, até o dia anterior, não existiam para ele? Arfou com falta de ar e caiu de bruços. Comprimiu a cabeça que doía e virou de barriga para cima.
– Pare! – gritou para a própria dor. – Eu preciso fugir!
Covarde. – Foi o que uma voz fria disse no fundo de sua mente, como se fosse uma segunda consciência.
– Eu não sou covarde! – berrou Oliver para si mesmo.
Não apenas covarde, mas como um inútil. Se vai fugir, ao menos que faça isso bem feito e sem olhar para trás! – Repetiu a voz dentro de sua cabeça. Nunca a ouvira antes, mas sabia que provavelmente era o remorso. – Você já fez isso bem feito, pode fazer de novo!
– Oliver! – gritou a voz distante de Pierre.
Oliver grunhiu e uma lembrança invadiu sua mente.
Flashback I – 15 de outubro de 2004
Oliver tinha 15 anos e seu olho ardia com o soco que havia acabado de levar. Era ele e Artur, seu amigo, contra seis garotos entre dezessete e vinte e dois anos. Estavam em um beco cheio de lixo. Na rua perpendicular ninguém os via, pois além de deserta, ela era muito escura. Oliver usava um casaco de moletom, calças jeans rasgadas no joelho e uma blusa preta. Seus olhos injetados e verdes, agora de cor mais realçada devido ao vermelho do medo, encaravam os inimigos. Seu nariz estava machucado não pelos golpes que recebia, mas pela droga que havia consumido e não pago.
Devia dinheiro aos seus inimigos.
– Cadê a grana, cara? – perguntou um dos garotos.
– Eu não tenho! Já disse! – respondeu Artur, que era mais baixo e novo do que Oliver.
Um deles desferiu um soco do estômago de Artur. Oliver nada fez, pois já havia apanhado um bocado até agora. Precisava fugir dali ou acabaria morto. Mesmo que sua vida não significasse nada, não queria morrer. Não queria terminar ali...
– Eu vou pagar! – disse Oliver afastando os cabelos bagunçados e colados na testa devido ao suor. – Só mais um dia e posso roubar algo!
– O prazo acabou...
Aquela frase ajudou Oliver a tomar sua decisão.
– Desculpe, Artur – pediu o garoto cerrando os pulsos.
– O que? – questionou o amigo sem saber o que aquilo significava.
Quando Oliver ia receber um soco, esquivou-se para o lado e correspondeu com um chute seguido de uma cotovelada no nariz do inimigo. Com aquilo, acabou abrindo uma brecha para fuga que passaria apenas uma pessoa.
– Você disse que estávamos juntos nessa... – gritou Artur vendo Oliver fugir para fora do beco. Dois garotos foram ao encalço dele, os outros quatro ficaram.
Oliver não voltou e nem olhou para trás. Não chorou quando soube que seu amigo estava em coma no hospital, no dia seguinte. Devido à situação, os pais de Artur o levaram para outro estado. Ele nunca mais andaria, conseqüência da surra que diziam valer algumas gramas de cocaína. Era sua culpa que o tivesse abandonado lá, mas eram as costas dele ou a sua vida... Foi covardia que escolhesse por si mesmo.
Fim do Flashback I.
A chuva havia voltado a cair e agora banhava o rosto de Oliver, voltado para cima. A quem queria enganar? Ele era um fracasso como pessoa, filho, amigo ou protetor. Não que devesse algo a Pierre, mas deixar um inocente sozinho era um crime. Oliver prometera para si mesmo deixar os crimes no passado, enterrados onde jamais pudesse relembrá-los.
O passado nunca nos deixa, Oliver. O esquecemos, mas não para sempre. – disse sua consciência de voz gélida. – Você é um covarde e assassino, e nada disso mudou.
– Eu não posso fazer isso! – gritou Oliver com as mãos no rosto. – Eu não... Não...
Então corra, pois o tempo está contra você. Ainda há uma chance, se você quiser viver com isso. – insinuou a consciência.
Oliver entranhou os dedos na grama barrenta e baixou a cabeça. Não havia lágrimas em seus olhos, apenas medo em seu coração. Era um humano... Apenas um humano.
Fale com o autor