Habibi

1 Está nevando, Malik.


Notas iniciais
"Habibi (حَبيبي) is an Arabic word whose literal meaning is my beloved (for a male object of affection; the feminine form is habibati and colloquially habibti). But it also has the meaning of Friend or Darling. It originates from the adjective habib (beloved). In addition to its literal meaning, the term can denote any of several less formal relationships and can serve as a term of endearment at the corresponding level (e.g., friend or darling)."
http://en.wikipedia.org/wiki/Habibi

Altaïr apertou a mão de Malik com força contra a sua, ambos saindo do ônibus, andando pelas ruas agora. Claro, atraíam olhares, e apesar da cara emburrada constante de Malik e a cara fechada de um Altaïr insatisfeito, o clima entre os dois até que não estava tão ruim.

-O que estamos fazendo aqui mesmo?

-Comemorar um mês de namoro, seu idiota.-Malik respondeu.-E seu aniversário.

-Isso não deveria ser surpresa?

-O quê? Você sabe que hoje é seu aniversário, não tenho como fazer nenhuma surpresa.

-Tem razão. Foi tolice achar que eu ganharia alguma festa...

-Pare de fazer chantagem emocional, idiota. Estou aqui com você, a coisa mais importante da sua vida sou eu e eu estou com você no seu aniversário, então pare de reclamar. Idiota.-Malik bufou, puxando a mão que segurava a do maior rudemente.

Altaïr sorriu, voltando a pegar a mão do menor, beijando as costas das mesmas e então erguendo o olhar dourado para ele. Malik corou, desviou o olhar e resmungou alguma coisa enquanto ambos continuavam a andar em direção a entrada do parque de diversões agora.

Um mês parecia coisa pouca, mas para um casal que brigava por tudo e o tempo todo, era algo realmente importante, quase impossível.

Tinham se conhecido bem no começo de dezembro, quando tudo e qualquer coisa ou era vermelha ou branca ou verde por causa do natal. Natal, natal e natal e aquelas malditas cores estavam em todo lugar. Malik achava que se visse mais alguma decoração com aquelas três cores, acabaria tendo um ataque epilético ou algum distúrbio nervoso, mas para sua sorte, um amigo lhe convidou para uma festa da empresa onde trabalhava que aconteceria no dia 1° de dezembro.

Malik foi para a festa – quase sendo arrastado pelo amigo, mas foi – vestindo simples calças jeans, um blazer e uma camisa branca por dentro, e, claro, seu simpaticíssimo sorriso só que não. Nunca fora uma pessoa muito sociável mesmo.

A festa acontecia numa boate fechada, onde os funcionários da empresa podiam levar quem quisessem, então ali havia de tudo: parentes, amigos, alguns penetras muito inteligentes e pessoas simplesmente perdidas.

Malik pediu uma dose de vodca e enquanto seu amigo morria de dançar com algumas meninas, o sírio de cabelos negros e olhos castanhos estava encostado na parede, observando a maioria dançar no meio da boate, as luzes coloridades piscando, o DJ ao fundo com aquela música que Malik não considerava música alguma, apenas barulho.

Até que algo lhe captou o olhar. Um outro homem surgiu do meio das pessoas dançando, mais alto do que si, com um tanto mais de músculos e um jeito de andar que lembrava o de um predador.

“Problema problema problema problema”, era o que o consciência de Malik gritou quando viu a figura, que simplesmente chegou, puxou uma das meninas para si e a agarrou, dançando com ela de uma forma tão sensual que Malik sentiu a garganta ficar seca.

Ele passava as mãos nas coxas dela, apertava suas nádegas debaixo do vestido colado, passando a boca por seu pescoço de um jeito que... Malik pediu mais uma dose de vodca, limpando a garganta. A boate era meio escura, aquele cara estava rodeado de gente, ninguém mais parecia perceber a forma como ele tocava aquela menina, ou mulher, pouco importava.

Malik tomou a segunda dose de vodca rapidamente, sem desviar o olhar dos dois na pista de dança. Em alguns minutos, sentiu a calça começar a ficar apertada, e quando estava no meio da terceira dose da bebida, não teve certeza se foi sua mente lhe pregando peças ou se realmente aconteceu, mas aquele rapaz, aquele predador, pareceu olhar diretamente em seus olhos.

Ele tinha olhos dourados que podiam ser vistos de longe, mesmo no escuro, mesmo que por um relance, marcantes, penetrantes. Malik obrigou-se a bufar, desviando o olhar. Mas que besteira. Estava suando por causa de outro cara? De outro cara que nem conhecia, aliás? Revirou o olhar, começando uma quarta dose e se levantando. Quem sabe um pouco de água no rosto lhe fizesse bem.

Foi até o banheiro, passando por toda aquela multidão de pessoas dançantes, esgueirando-se até o outro lado da boate onde ficavam os banheiros. Pelo menos eram grande se, devido aquela ser uma festa praticamente privada e apenas para o pessoal da empresa, não estavam lotados. Só o fato de não ter que pegar uma fila já alegrava Malik.

Olhou-se no espelho e jogou água no rosto, ignorando o olhar dos outros homens sobre si. Além de si, haviam mais uns sete talvez, não quis contar para ter certeza, a maioria olhando-se no espelho, ajeitando os cabelos, lavando as mãos... Malik deu de ombros e entrou num dos boxes, fechando a porta atrás de si com um ferrolho deveras fraco, pensou. Alguém facilmente abriria aquela porta, se quisesse.

Abriu a braguilha da calça, encarando o membro recém-desperto. Sentia-se idiota por ter ficado excitado apenas em ver um cara dançar com uma menina, e se fosse ao menos pela menina... Mas não. Era pela forma como ele a tocava, como passava as mãos nela, como a apertava... Ninguém nunca fizera aquilo com Malik.

Sentiu a boca ficar seca, levando uma das mãos até o próprio membro, começando a movimentá-la devagar, apoiando as costas contra a porta do boxe, ouvindo as pessoas entrarem e saírem do banheiro.

A ideia de fazer aquilo sabendo que totais estranhos estavam bem do outro lado dava uma espécie de excitação a mais. Malik ofegou baixinho, aumentando a velocidade da mão, começando a respirar de forma pesada. Sem revistas nem internet por aí, tinha que recorrer a própria imaginação, lembrar, imaginar, fantasiar, mas tudo o que tinha em sua mente naquele momento era aquele cara passando a mão naquela menina de uma forma tão cheia de luxúria, a forma como as mãos dele se movimentando, a forma que a língua dele deslizava pelo pescoço dela...

Malik imaginou-se ali, nos braços dele, ao invés dela. Não que Malik fosse gay, mas em sua cabeça, enquanto fazia aquilo, ele não queria se preocupar se estava de acordo com as normas da sociedade ou não. Ele queria sentir prazer, não importava como.

Pendeu a cabeça para trás, respirando com a boca, tendo cuidado para não soltar nenhum gemido. Ele o seguraria com força, deixaria marcas em sua pele, o apertaria, e então...

-Sei que está aí.-Ouviu atrás da porta do boxe, de repente tirado de todas as fantasias, a mão subitamente parando em seu membro. Parou não porque alguém tinha falado, mas porque era uma voz masculina – claro, idiota, estavam num banheiro masculino! — e porque falava num árabe fluente.

Malik era árabe, crescera ouvindo homens falando árabe, mas nunca pensou que sua língua pudesse se tornar algo tão sexy de se ouvir.

-Vá embora.-Respondeu então, apesar da curiosidade de saber quem era e como sabia que Malik falava árabe e tudo o mais.

-Abra a porta. Sei o que está fazendo.-Ele continuou. Falava alto, sem se preocupar que alguém ouvisse, afinal, ainda deveriam haver outros homens naquele banheiro, mas Malik duvidou que algum deles falasse árabe.-Você passou os últimos tempos me olhando sem parar, acha que não sei o que está fazendo aí? Fugindo para o banheiro assim, desse jeito? Não... Eu vim atrás da minha platéia...

-Já mandei... Ir embora.-Malik ofegou, engolindo em seco. Não sabia o porquê, mas sentia as pernas bambas.

-Deixe-me entrar... Era nisso que você estava pensando, não era? Em mim, tocando você... Apertando, te guiando... Abra, Malik...-A forma como ele falava, como pronunciava cada sílaba, cada palavra... Pelos céus, era como se falasse algo extremamente proibido, como se...

Malik balançou a cabeça. Estava ficando louco, sim, estava ficando completamente maluco, principalmente quando resolveu afastar o ferrolho da porta para o lado, abrindo-a, o outro entrando rapidamente e fechando-a atrás de si.

Antes que Malik pudesse sequer falar direito, o outro já tinha lhe empurrado contra a parede do boxe, tomando sua boca num beijo repleto de luxúria, invadindo-a como um conquistador, degustando cada espaço, cada canto da sua boca com uma vontade inédita para o sírio de cabelos negros.

Era muito bom.

O outro árabe levou ambas as mãos até as calças de Malik, mais baixo do que ele, empurrando-as para baixo junto com a roupa íntima que ele vestia para que nada o atrapalhasse enquanto ele tomava o membro do menor com ambas as mãos, com movimentos rápidos, firmes, tudo isso sem sequer chegar perto de quebrar o beijo, agora ambas as línguas lutando por controle um da boca do outro.

Mas o árabe dos olhos dourados foi extremamente injusto.

Quando Malik estava quase ganhando terreno naquela briga ferrenha, o outro se afastou, partindo para seu pescoço, mordendo com força, lambendo, sugando, seguindo até o lóbulo da orelha onde Malik sentiu todo seu corpo se arrepiar, precisando levar uma das mãos até a boca para não gemer, as pernas meio bambas.

Uma das mãos do estranho ainda lhe masturbava, num ritmo constante que logo se tornou uma tortura, lento demais, o membro pulsante em sua mão exigindo mais velocidade, a outra mão do árabe de olhos dourados massageando os testículos do mais baixo.

Uma transa de banheiro numa boate lotada estava sendo muito melhor do que todas as outras transas que Malik já tivera, ele precisava admitir. Abriu os olhos que nem sequer percebera ter fechado, ofegando, virando o rosto e sentindo o cheiro dos cabelos do outro. Algum perfume francês caro, podia adivinhar, mas era um perfume extremamente agradável, nada enjoento, nada doce, era algo mais bruto, algo mais masculino que misturado ao suor fazia Malik querer inspirar cada vez mais.

-Gosta do meu cheiro?-Ouviu a voz, ainda falando em árabe, do outro, que afastou-se do pescoço do moreno para olhar em seus olhos. O estranho era lindo, com traços tipicamente árabes ainda que os cabelos fossem de um castanho claro e a pele não fosse tão escura quanto a de Malik, mas além disso, uma cicatriz atravessava o lado direito dos lábios dele, verticalmente. Malik por alguns instantes pensou em como ele teria conseguido uma cicatriz tão... Atraente...

-Dane-se.-Malik respondeu. O estranho a sua frente sorriu e voltou a beijá-lo, afastando as mãos para que pudesse abrir a própria calça, deixando-a cair aos seus pés junto com a roupa íntima também, quebrando o beijo pouco depois. Ambos estavam ofegantes, mas Malik parecia ser o único com as pernas bambas e coração a mil ali. O outro parecia como simplesmente estivesse se divertindo.

-Quer retribuir o favor?-Ele perguntou, com um pequeno, quase imperceptível, sorriso se formando nos lábios.

-E se eu não quiser?-Malik respondeu, sentindo a ereção do outro praticamente roçando na sua.

-Por mim tudo bem... Habibi.-Sorriu mais largamente.

-Não me chame assim, você nem me conhece...

-Parece gostar de estar fazendo sexo com um estranho.

-Não estou fazendo sexo com ninguém, você apenas estava apenas me batendo uma...

O outro sorriu, levando uma das mãos até o queixo de Malik, deslizando o polegar por seus lábios.

-E você gostou, não gostou...? Não estou sendo muito melhor do que suas fantasias...?-Ele perguntou. A voz intencionalmente rouca enquanto olhava bem nos olhos de Malik, a mão livre juntando ambas as ereções, movimentando-se devagar, fazendo Malik ofegar baixinho.-Você não gostaria de sentir mais...?

Malik mordeu o lábio. Aquele idiota sabia argumentar.

Com um grunhido irritado, Malik se ajoelhou no chão. A ideia de estar ajoelhado num chão de um banheiro não lhe agradava, mas o chão parecia muito mais limpo do que o chão da própria casa, isso ele deveria admitir, então tentou esquecer o assunto e encarou o membro pulsante a sua frente, lambendo da base até a ponta, as mãos sobre as coxas do maior.

Malik nunca tinha feito sexo oral noutro homem, então se baseou no simples fato de fazer o que imaginaria dar mais prazer se fosse ele ali de pé. Pôs a ponta dentro da boca, sugando, deslizando a língua, usando uma das mãos para segurar melhor o membro enquanto a outra mão massageava seus testículos, ouvindo o maior ofegar.

Sugou com mais força, afastando-se, lambendo todo o membro para então abocanhar de uma vez até a base, sentindo a ponta em sua garganta, voltando a sugar enquanto deslizava a língua por todo ele, literalmente chupando, ignorando a sensação desconfortável, principalmente quando ouviu um gemido rouco vindo da boca do maior.

Ah, Malik gostou de ouvir aquilo.

Continuou com aquilo por mais alguns minutos, e não podia negar, não era ruim. A parte mais divertida era ver que o outro tentava não ficar com as pernas bambas e também tentar conter os próprios gemidos, mas então sentiu uma mão sobre seus cabelos, e achou que ele fosse puxá-los, bruto como parecia ser. Mas as mãos sobre suas madeixas negras delicadamente o afagou, fazendo Malik erguer o olhar, encarando as órbitas douradas do maior enquanto tinha seu membro em sua boca, fazendo de um jeito subitamente lento.

Foi imediato, tipo, BOOM, apaixonado. Malik estava apaixonado, fim, era isso. Claro, não era nada romântico se dar conta que estava apaixonado por alguém enquanto estava de joelhos no meio de um banheiro rezando para que ninguém vesse por debaixo da porta que havia um cara de pé e outro cara ajoelhado pelo espaço, obviamente no meio de um bom sexo oral, claro que não, se as crianças perguntassem, era melhor dizer que pelo menos não tinha sido num banheiro, mas era verdade. Romântico ou não, Malik estava apaixonado por aquele maldito estranho, logo ele, que nunca acreditara em amor a primeira vista.

A mão em seus cabelos puxou as madeixas de leve, vendo que o de olhos dourados mordia o lábio, quem sabe pensando se deveria pedir para que o outro parasse ou não, mas Malik se afastou, de qualquer forma, lambendo os lábios quando viu que um fio de saliva pendia entre o membro ereto do outro e sua boca, se levantando então.

-Agora, habibi...

-Já disse para não me chamar assim.

-Malik.-O outro sorriu, as mãos indo parar debaixo da camisa que o menor vestia. Aliás, ambos ainda vestiam as partes superiores das roupas.-É um bom nome, mas gosto mais de habibi.-O maior sorriu, alcançando um dos mamilos do outro e apertando.-Agora... Vamos para a melhor parte.

-O quê? Penetração? Nossa, que divertido.

-E você quem vai ficar por baixo.

-Eu?! Mas por quê?!

-Porque sim, e porque acho que eu já fiz isso mais vezes do que você, você não me parece um cara gay com experiência, e sim, um cara que acabou de se descobrir gay por minha causa. Agora, se fizer a gentileza...

-Foda-se.

-Não, eu quero foder é você. Vamos, Malik, eu prometo... Ser o mais gentil que puder. Por favor?-O estranho pediu, olhando fundo nos castanhos do menor, até que Malik bufou e deu de ombros, ficando de costas para ele, xingando baixo e erguendo um pouco mais o quadril enquanto se apoiava na outra paredinha do boxe. O lugar era apertado, não nem podia conseguir uma posição melhor do que aquela.

Ouviu uma pequena risada atrás de si, sentindo uma das mãos quentes do maior sobre as nádegas, apertando de levinho enquanto pouco depois sentia um dedo umedecido penetrando sua entrada.

Ok, aquilo doía um bocado, mas Malik era orgulhoso demais para soltar um pio que fosse. Trancou o maxilar e fechou os olhos com força enquanto o outro colocava um segundo dedo, tesourando, dilatando o máximo que podia da passagem, até colocar um terceiro dedo, ouvindo um murmúrio de dor vindo do menor.

O árabe de olhos dourados se curvou sobre Malik, uma mão ocupada com sua entrada, a outra estimulando seu membro agora, os lábios próximos ao seu ouvido.

-Shhh, habibi... Vai passar, vai passar...-Ele murmurou, a voz rouca, beijando a nuca do menor, os ombros, as costas, até voltar a ficar totalmente erguido atrás dele.

Malik engoliu em seco, mas algo no jeito que o maior falava mexia não com seu corpo, mas com seu coração. Fazia-o parar de pensar na dor e concentrar-se apenas em suas palavras. Até que ele pareceu tocar um ponto diferente dentro de si, fazendo Malik ofegar mais alto, mordendo a língua para não soltar nenhum gemido.

-Encontrei...-O ouviu murmurar, retirando os dedos minutos depois, Malik sentindo uma estranha sensação de vazio em si, mas durou por pouco tempo, principalmente quando sentiu o membro do maior penetrando-lhe, lentamente. Ainda sentiu um tanto e dor, mas tão logo que sentiu o membro roçando em sua próstata, esqueceu aquela dor e concentrou seus esforços em não gemer, mas ficava cada vez mais difícil.

O outro árabe esperou, sentindo todo o aperto e o calor contra seu membro. Aquilo era delicioso, de todas as formas possíveis. Quente, tão quente, tão apertado, a passagem do menor contraindo-se o tempo todo e apertando mais ainda...

Curvou-se sobre o menor, entrando um pouco mais, ofegando, mordendo seu ombro sem muita força, apenas para manter a boca ocupada. Se alguém soubesse o que estava acontecendo ali naquele boxe, não seria coisa boa, então precisavam ser discretos... Ou ao menos tentar.

-Posso...?-O estranho perguntou, lambendo onde tinha mordido.

-Vai logo, idiota...-Malik murmurou, mas a voz saiu tão tremida e tão falha que era mais um gemido.

O estranho estocou uma voz, arrancando um gemido alto do outro. Doer, doeu, mas o prazer era maior, e se não fosse, Malik já teria dado um basta naquilo há tempos. Pelos céus, ele estava realmente gostando de fazer aquilo com outro homem.

O maior estocou então mais uma vez, três, quatro, cinco vezes, e então Malik perdeu a conta. Apenas fechou os olhos e ofegou cada vez mais alto, gemendo baixinho, sentindo a mão que ainda o estimulava, assumindo o mesmo ritmo das estocadas.

-Altaïr... Geme meu nome, Malik... Meu nome, vai...

-Vá s-se... D-Danar...

O maior sorriu, apertando a base do membro do menor, fazendo-o soltar um murmúrio de dor misturado a outra coisa.

-D-Diz meu nome, Malik... Anda, vai... Altaïr...

Malik trancou o maxilar, sentindo a velocidade e a força das estocadas aumentarem, fazendo-o quase chegar ao paraíso. Era perfeito, quente, rápido, forte, extremamente masculino e ainda assim, bem no fundo, ele era gentil. Malik mal conseguia raciocinar, não com todo aquele prazer tomando conta do seu corpo, não com o outro dentro de si, e sem querer, se pegou murmurando seu nome misturando aos gemidos, baixos, abafados para não chamar atenção.

-A-Alt-Altaïr... M-Mmnn...-Gemia, dando graças por estar se apoiando na parede e sendo segurado pelo outro de certa forma, senão iria desabar, pelos céus, iria desabar.

-M-Malik...-Sentiu os beijos na nuca, lhe provocando ainda mais arrepios.-Malik, Malik...

O mais baixo fechou os olhos, pensando se talvez alguém no banheiro estivesse ouvindo o barulho dos corpos se chocando – Malik não tinha pensado nisso, tinha que admitir – ou se alguém ouvia a forma como Altaïr lhe chamava, ou até os gemidos contidos do moreno. Mas esqueceu, em segundos, esqueceu-se de tudo, da casa, dos amigos, da família, do próprio nome, o que restava ali agora eram apenas ele e Altaïr.

Chegaram ao orgasmo quase juntos, e Malik só não caiu no chão porque sentiu o braço firme do maior ao redor de si, lhe abraçando, fazendo-o ficar de pé e o prendendo contra a parede, ainda sem sair de dentro de si.

Estavam ambos ofegantes, ofegantes demais para que conseguissem dizer alguma coisa que fizesse sentido, os músculos todos relaxando, sentindo os espamos correndo pelo corpo, aproveitando toda a moleza que o orgasmo proporcionava.

Malik não estava mais bêbado, claro, mas o que aconteceu depois foi meio nebuloso. Depois veio descobrir que Altaïr entrara praticamente de penetra da festa, já que a única pessoa que conhecia ali era um dos seguranças que o colocara para dentro e que tinha visto Malik chegando junto com seu dito amigo.

Depois que Malik se afastou para beber, Altaïr fora pedir informações ao tal amigo porque, segundo ele, Malik era “o moreno mais mal-humorado e ainda o mais charmoso que vira em toda sua vida”, e que precisava chamar a atenção dele de um modo... Ao menos, inusitado (isso é, atraindo o olhar dele dançando com uma completa estranha).

E graças ao amigo de Malik, Altaïr também conseguiu o número do outro árabe, tanto que no dia seguinte, em plenas 7 da manhã, já estava ligando para o moreno (mesmo tendo sido ameaçado de morte por ter acordado um Malik numa manhã de domingo e ainda com ressaca) mas foi insistente o bastante para que ele aceitasse sair consigo.

Malik nunca entendeu o porquê de Altaïr insistir tanto em si, e Altaïr nunca entendeu o porquê de Malik nunca lhe mandar embora do seu apartamento quando acabavam virando a noite e o sol nascia. Na verdade, Altaïr nunca entendeu por que Malik acordava mais cedo só para fazer café para o maior (e mais velho também).

E no entanto, agora estavam no meio de um parque de diversões, de mãos dadas, juntos, Malik emburrado como sempre, Altaïr aparentemente indiferente, mas ambos sabiam que não era assim.

-Quer andar na roda gigante, habibi?-Altaïr sorriu, apontando para o brinquedo, fazendo Malik corar.

-Já disse que não gosto quando me chama assim, seu imbecil.

-Mas você é o meu habibi...-Altaïr murmurou, abraçando a cintura do outro, colando as testas, mas nãos os lábios. Fazia isso quando queria olhar diretamente nos castanhos do menor, cor de chocolate, o mais puro e mais delicioso de todos.

-As pessoas estão olhando, idiota.

-Deixe que olhem. É meu aniversário e nosso primeiro mês completo de namoro, então podemos fazer o que quisermos, e nesse momento, quero... Olhe, Malik, está nevando.-Altaïr disse, subitamente surpreso, estendendo uma das mãos para tocar nos cabelos do menor, pegando uns floquinhos de neve.-Realmente achei que fosse nevar esse ano, mas não tão cedo...

-Vamos morrer de frio, não trouxemos agasalho nenhum...

-Meus braços estão sempre abertos, se quiser calor.-Altaïr sorriu, levando uma cotovelada nas costelas, não tão forte, do menor, rindo baixo, enquanto Malik murmurava um “imbecil” e andava a sua frente, arrastando-o pela mão.

Realmente, tinha começado a nevar.

Altaïr apressou o passo para andar ao lado do menor, lhe dando um beijo no rosto, fazendo o moreno corar feito um pimentão. Malik parou de andar então, encarando o chão, os flocos de neve caindo lentamente, fazendo Altaïr parar também.

-O que foi, habibi?

-Feliz aniversário, seu imbecil.-Malik murmurou, tirando uma caixinha de dentro do bolso enquanto Altaïr começava a rir.-E p-pare de f-fazer conclusões precipitadas! Não estou pedindo você em casamento, idiota, é só um anel de... Compromisso. Se vamos namorar, se é pra valer... Então é melhor que, quando as mulheres olharem pra você, e os caras também, eles vejam que você já é meu, entendeu?

Malik ralhou, mas Altaïr sorriu, pondo um dos anéis de prata que estava dentro da caixinha no dedo anelar, e colocando o anel que sobrara no dedo do moreno.

-São bonitos.

-É claro que são! Acha que eu escolheria coisa que não prestasse e que...!

-Malik.-O de olhos dourados voltou a se aproximar, segurando ambas as mãos do menor.-Seus cabelos já estão brancos, por causa da neve. Se você ficar bonito desse jeito quando for mais velho, mal posso esperar para envelhecer junto com você...

-N-Não seja e-estúpido, Altaïr!-Malik exclamou, desviando o olhar enquanto Altaïr também corava de leve, ambos continuando a andar de mãos dadas pelo parque, realmente atraindo olhares por onde passavam, não por serem um casal homossexual, mas sim porque as pessoas nunca tinham visto um, casal tão feliz quanto aqueles dois antes.

Notas finais
Ah, bem, espero que tenham gostado ♥ Não se esqueçam de dar os parabéns ao Altaïr porque sem ele não teríamos o Desmond e não estaríamos aqui, ok?
De qualquer forma, pediram lemon, eu entreguei lemon! Como esse é meu master OTP, o meu OTP mais importante e mais querido de todos, tentei caprichar bastante, mas me avisem dos erros que tiver na fic, okay?
Até mais e mandem reviews!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!