HOW FAR DOES THE DARK GO?

2 Capítulo 2 - Amigos e Inimigos


Fiquei ali parada por longos minutos, até processar tudo que havia acontecido. Comecei a ter um pequeno ataque, senti que não podia respirar, estava em choque de mais para poder fazer qualquer coisa. Tentei me acalmar o máximo possível, antes de levantar e retornar para minha casa.

Quando cheguei lá, minha mãe estava deitada na sala, com o celular ao lado, prestes a me ligar. Tentei disfarçar e subir as escadas, sem que ela percebesse que algo de errado havia acontecido, mas ela sempre sabia quando havia algo de errado comigo.

— O que aconteceu? — bufei, descendo os degraus que eu tinha subido e voltei minha atenção para seu rosto que permanecia sério.

— Não aconteceu nada! — disse tentando esconder meu nervosismo ao máximo.

Coloquei um sorriso falso no rosto e chamei por meu cão, que me acompanhou até o andar de cima. Ele ainda parecia um pouco nervoso. Fomos enterrompidos no meio do caminho por minha mãe, novamente.

— Não vai quer comer algo? — ouvi ela gritar.

— Não! Quero tentar dormir um pouco mais, antes de me levantar para ir para escola!

Respondi e abri a porta do meu quarto. Peguei meu pijama no armário e fui tomar um longo banho, para deitar logo de seguida.

Já na cama, rolei de um lado para o outro, tenta dormir, mas tudo que vinha na minha cabeça, era o rosto daquele cara. O rosto desse cara não saia de minha cabeça. E, apesar de tudo, não estava mais com tanto medo... apenas curiosa.

Desisti de tentar dormir, levantei indo até a escrivaninha e acendendo a pequena luz que havia ali. Abri meu pequeno caderno de desenhos, que havia ganhado do meu pai... antes dele morrer.

Sinto muito a falta dele. Já tem um ano que ele foi assassinado por meu tio. Mal conhecia Carlos, mas já o considerava como um pai.

Peguei alguns lápis de cor e comecei a esboçar o rosto que não saía da minha mente. Não deixei nenhum detalhe faltando, como se tivesse visto aquele rosto milhares de vezes na minha vida.

após alguns minutos, finalmente senti o sono me dominar por completo. Fechei o caderno e voltei para minha cama. Escorreguei dentre as cobertas e caí num sono profundo.

Acordei por volta das seis e meia da manhã, me preparando para mais um dia de escola.

— Filha, estou indo para o trabalho, se precisar ou acontecer algo, me ligue!

— Ok, tchau, mãe! — me despedi dela e fui tomar o café da manhã, antes de sair.

[...] Me aproximava da escola, com certo receio, pois me sentia observada a todo momento. Avistei de longe minha amiga, Leah, que não parava quieta. A mesma se encontrava sentada no nosso banco habitual.

— Leah! — gritei lhe abraçando.

— Como você está? — ela retribuíu o abraço.

— Estou bem!

Nisso, começamos a falar de diversos assuntos, até o momento que o sinal bateu e tivemos que caminhar para sala de aula.

— Quando é que você vai conseguir um namorado? — Me assustei com sua pergunta e não pude deixar de corar.

Balancei a cabeça negativamente e respondi:

— Não, eu realmente não quero um no momento!

— Você é tão sem graça! Tem milhares de meninos aqui que morreriam para ter um encontro com você.

Isso não era verdade, mas conseguia milhares de olhares por onde passava...

— Hey! — Leah acenou com a mão na minha cara.

Voltei à realidade e apenas sorri com o nada.

— Desculpe... Eu estou muito cansada hoje!

— Hey, perdedora! — o dia estava bom de mais para ser verdade.

Me virei, dando de cara com Alyson. Ela era... como posso dizer? A vadia da escola que me atormentava desde que comecei a estudar aqui, dois anos atrás.

— O quê você quer? — falei impaciente.

— isso é jeito de se falar com uma amiga sua?

— Amiga? Nem que me fodam!

Tentei me virar e ir embora, mas ela me puxou de volta. A raiva já estava me consumindo.

— O quê vai fazer? Me matar, igual seu tio fez com o puto do seu pai?

Uma força do além me consumiu, me fazendo dar vários socos repetidos na cara daquela vadia.

— Ninguém fala do meu pai! — gritei.

Assim que terminei de bater nela, senti como se alguém tivesse me dado um soco no estômago. Coloquei a mão no local, tentando amenizar a dor, mas só piorava.

Uma rajada de vento forte surgiu, dificultando um pouco o que eu ia fazer. Do nada a dor parou e o vento se foi. Eu estava sem entender nada, até que vi Alyson no chão, sangrando.