HOW FAR DOES THE DARK GO?

6 Capítulo 6 - Esperar o quê?


Duas Horas depois

— Finalmente! — suspirei, desabando na cama.

Graças ao ato de Jeff, em matar aquelas garotas, tive que ficar duas horas arrumando a bagunça dele, para não gerar suspeitas para mim.

Primeiro corri para casa, gritando por minha mãe, ela me perguntou o que havia acontecido e eu lhe disse que, quando estava no parque, teve um ataque de animal. Ela chamou a polícia e os enviou para procurar nos bosques.

Eu tinha mudado os corpos de lugar os colocando na floresta, onde eu sabia que a polícia iria encontrá-los. Mas os coloquei para o oeste, direção oposta de Jeff.

Após deixar os corpos lá, invadi o sistema de irrigação do parque e o configurei para acionar durante uma hora. Após um tempinho, já era quase impossível ver o sangue que havia ali antes.

Me senti mal por mentir e cobrir tudo, mas eu não poderia ficar em apuros.

Os policiais disseram que iriam procurar em toda floresta do lado oeste. Agora eu estava sozinha em casa, pois minha mãe havia ido trabalhar.

Desci as escadas, acompanhada de Frost, senti como se estivesse sendo observada, mas não havia ninguém por ali.

Cheguei na sala de estar e peguei o controle para ligar a televisão, coloquei ele do meu lado e voltei minha atenção para a tela que começou a fazer estática. Um vento forte soprou, vindo de todas as direções.

Fiquei um pouco assustada, mas era como se já conhecesse esse sentimento de perigo. Por alguns segundos, pensei ter visto os objetos ao meu redor levitarem e alguém me observando ao longe, do lado de fora próximo a floresta.

Tudo voltou ao normal e eu senti algo estranho, como um sentimento de calmaria repentina.

Ignorei tal acontecimento e subi para o meu quarto. Abaixei bruscamente para pegar meu espiral de baixo da cama. Mas ela tinha sumido...

Senti como se meu coração tivesse parado por alguns instantes.

— Não, não, não, não! — repeti várias vezes, antes de revirar a casa toda.

Entrei em um certo desespero. Liguei para minha mãe, perguntando se ela havia o visto em algum lugar, nada. Um dos últimos presentes de meu pai adotivo sumiu.

Desligo o telefone, tentando me convencer a esquecer aquilo. Arrumei toda a casa, por causa da bagunça que eu tinha feito. Me sentia de coração partido. Voltei para meu quarto e me sentei na cama. Coloquei meus fones e comecei a ler meus livros.

Não sei por quanto tempo estive ali, provavelmente já era por volta das oito ou nove horas da noite. Quando pude sentir uma presença próxima a mim. Todo o meu corpo estremeceu ao ver seu rosto. Eu havia me esquecido como era a sensação.

— O que você quer, Jeff? — perguntei indiferente.

O olhei mais fixamente e notei que usava o mesmo hoodie branco, me perguntei se ele tinha outras roupas além daquela. Ele estava de pé, ao lado da janela. Eu estava com a mente muito perturbada para me preocupar.

— O que você quer? — voltei a repetir.

— Por quê está brava?

O ar engatou um pouco em meus pulmões. Me ajeitei na cama, ficando um pouco mais confortável.

— O último presente de meu pai, minha espiral, sumiu.

Não sei o motivo de ter dito isso a ele, muito menos o motivo de ele estar aqui. Não mencionei o fato de ter alguns desenhos dele e de sua faca. Me pergunto se ele havia descoberto e levado meu espiral.

— Eu não à peguei, se é isso que pensa! — ele afirmou, como se tivesse lido minha mente.

Tentei buscar algum sinal de mentira em seu rosto, mas era difícil, já que não conhecia suas feições de mentira. Apenas aceitei o fato dela ter sumido, sentei-me novamente na cama e me coloquei a pensar um pouco.

Jeff POV

Me senti um pouco estranho, só estando lá com ela. Como se tivesse feito isso milhares e milhares de vezes. Algo nela me intrigava, só não sabia dizer o que era.

Aproximei-me cautelosamente, sentando ao seu lado. Por alguns segundos percebi ela estremecer.

Coloquei minha mão em seu ombro, tentando confortá-la. Mas nunca fui bom em confortar os outros, nem mesmo quando Liu e eu éramos crianças. Apesar de não ser o momento certo, precisava de algumas respostas.

— O quê fez com os corpos?

Ela respirou fundo, antes de começar a falar usando os mínimos detalhes. Me surpreendi com a forma em que ela dizia como enganou os policiais, como mudou os corpos de lugar e limpou todo o rastro de sangue.

Essa garota era realmente inteligente! O demônio dentro de mim se remexia, dizendo que algo estava errado...

Minha mente parou no segundo em que percebi o quão próximo nossos rostos estavam próximos. Engoli em seco, seus olhos brilhavam como safiras e pareciam mudar de cor por alguns segundos. Perguntei a mim mesmo o que ela estava pensando.

Dei um passo para trás, afastando ela de perto de mim. Coloquei meu capuz e fui andando em direção a janela, ficando de costas pra ela.

— Obrigada por ficar aqui comigo, Jeff. — ouvi sua voz suave dizer.

— Não pense que por isso ainda não irei matar você. — observei a chuva fina que caía ao lado de fora da janela. — ainda nos veremos novamente, Rebeca. E esse será seu último dia de vida. Então, aproveite!

Pulei pela janela, correndo em direção à floresta, sem olhar para trás, apenas correndo.