HOW FAR DOES THE DARK GO?
25 Capítulo 24 - Um novo começo
Notas iniciais
Rebeca
Corra! Corra por sua vida, pela vida daquele que você ama, corra! Nunca pare de correr, ou eles te alcançarão. Todos os seus monstros interiores virão atrás de você em algum momento, sem aviso prévio, sem sinais, eles apenas surgirão dentre as sombras de diferentes formas, tentando te destruir.
Nem sempre podemos destruir esses monstros, então só nos resta correr para bem longe.
O que? Me desculpe, estava esperando por um começo feliz? Sinto em lhe dizer que não o encontrará por aqui, não por agora.
Dois anos, dois anos haviam se passado desde aquela vez em que eu vi Jeff. Não nos separamos por brigas ou coisas do tipo, apenas demos um tempo oficial, para sermos nós mesmos. Nesse tempo, as coisas se complicaram um pouco.
Eu fiquei sozinha por alguns meses, correndo contra o tempo, tentando evitar minha morte. Nesse período, conheci alguém. Já tinha o visto antes, uma vez, em meio a multidão. A maior coincidência foi encontrá-lo novamente.
Mateus foi a melhor pessoa que eu poderia ter encontrado em um momento de tamanha solidão. Estamos juntos a um ano e alguns meses. Descobri coisas fantásticas sobre ele, que me ajudaram de formas inimagináveis.
Meus poderes voltaram com carga total, o que me preocupou de certa forma. Porém, isso é história para depois.
Pessoas andavam de um lado para o outro no centro da grande cidade, segui o ritmo acelerado dos outros, para não acabar sendo pisoteada ou coisa do tipo. Minhas mãos tremiam e meu corpo suava frio. Meu dia não começou como um dos melhores. Imagine acordar com uma sombra assustadora em seu quarto e ter a impressão de que irá morrer naquele momento.
Apenas um dia normal da minha vida.
Avistei o grande prédio que precisava entrar. Fui bem recebida na recepção, peguei o elevador e subi até o vigésimo andar. Aquele era um dos melhores hotéis da cidade, de tal forma que muitos ficariam boquiabertos.
Bati na porta do quarto 208 e esperei por ela.
— Está atrasada! – Jessica permanecia com as mãos na cintura e sua expressão completamente séria.
— Cortou o cabelo! – sorri notando seu novo penteado Chanel. – Ficou muito bom... Acho que vou fazer o mesmo.
— Nem se atreva! Pelo menos nisso eu quero ser diferente de você.
— Você ama ter meu rosto que eu sei. – sentei em uma das poltronas de frente para a porta que levava para varanda.
— Onde ele está?
— Quem? Matt? – ela concordou – Não faço idéia, ele disse que precisava resolver algo de família.
— Não sabia que ele tinha família.
— Fiquei sabendo a pouco tempo... Como estão as coisas em Scary?
— As mansões continuam intactas. E pelo visto, há novos moradores em todas elas.
— E as barreiras?
— Nenhum humano conseguiu ultrapassá-las.
— Por que eu sinto que você não está me contando tudo? – levantei, andando em direção a varanda, estalei os dedos e tive uma clara visão de Scary e realmente parecia tudo normal. – é, tudo parece ok.
— Seus olhos...
— O que tem eles?
— Estão vermelhos. – ela estremeceu um pouco.
Fechei os olhos por alguns segundos, depois caminhei ao espelho mais próximo.
— Desde quando isso acontece?
— Eu estou bem.
Precisava descansar um pouco. Deitei no sofá e me repousei.
Aluguei uma casa tem pouco tempo, próxima ao litoral. Seria um lugar excelente para se esconder, afastada de tudo e todos. Entrei na mesma e deixei minhas coisas jogadas em qualquer canto.
Caminhei pelo curto corredor escuro, abrindo a grande porta de madeira que me dava total acesso à sala em que guardava as armas que poderiam vir a ser necessárias algum dia.
Bem no meio ficava o pedestal onde deveria estar meu grande livro de magia. Mas ele foi roubado a uns 4 meses. O procurei como louca em toda parte, não encontrei nem mesmo sua sombra.
Um par de mãos repousou sobre meus ombros. Já tinha sentido sua presença no momento em que entrei na casa. Poderia sentir seu calor e seu cheiro a quilômetros de distância. Virei, envolvendo meus braços em torno de seu pescoço, não pude deixar de sorrir ao ver seus olhos azuis e tão brilhantes.
— Passou por mim quando entrou e nem me cumprimentou!
— Desculpe, eu precisava verificar a sala. – depositei um selinho próximo aos seus lábios e em seguida, no mesmo.
— Aconteceu alguma coisa lá com a Jessica?
— Não tenho certeza... Mas sinto que ela me esconde alguma coisa.
— Talvez não seja nada de mais.
— Mesmo assim, quis ter certeza. – apoiei meus braços na grande caixa de vidro, contendo um enorme cajado que encontrei perdido em Scary.
— Por que você não sobe e vai tomar um banho, enquanto eu faço o jantar?
— Você? Lembra da última vez que tentou cozinhar algo?
— Em minha defesa, eu não estava usando magia.
— Imagine se estivesse! – ri.
O deixei ali e subi as escadas até o banheiro. Retirei minha roupa, colocando no cesto.
Liguei o chuveiro e deixei a água quente cair sob meu corpo gélido, sentindo um imenso choque térmico. Fechei os olhos, tendo pequenos flashs de alguns acontecimentos.
— Como está tão certa de que vai morrer?
— Consigo sentir isso em minhas veias. E é uma sensação horrível.
Um calafrio correu por toda a minha espinha, meu coração acelerou de tal forma que eu acreditei estar tendo um ataque cardíaco, o ar não fluía... Estava sufocando aos poucos. Até mesmo minha visão escureceu. Abri o box e peguei a toalha para me enrolar. Virei para desligar o chuveiro e quando voltei, havia a silhueta de uma sombra em minha frente. Parecia estar segurando uma faca.
Com o pouco ar que sobrava em meus pulmões, gritei o máximo que pude. Matt apareceu em um piscar de olhos, emitindo uma luz que poderia cegar qualquer um.
— O que aconteceu? O que era aquilo?
Aos poucos, voltei a respirar.
— Não faço ideia do que seja. Mas acho que me seguiu até aqui.
— Se troque no quarto. Deixa que eu tiro os pedaços de vidro daqui.
Então percebi que o box havia se quebrado de alguma forma. Não me lembro de ter encostado no mesmo. Peguei minha muda de roupas que estavam acima da pia e fui para o quarto.
Naquele mesmo dia, um pouco mais tarde, ajudei Matt com suas devidas tarefas para algumas pessoas de Scary.
— Qual o seu progresso? – perguntei.
— Por enquanto, não descobri muita coisa. Esse governo de tal monstro novo, deixou tudo uma bagunça por Scary.
— As antigas escolhidas construíram Scary com o sangue delas, para um monstro qualquer vir a dominar em segundos. E vocês deixarem?
— Ele é mais poderoso do que pensa.
— Duvido muito! – murmurei.
— Se está tão incomodada com as coisas que ele tem feito, por que não retoma seu lugar de direito? Dominando Scary?
— Porque tenho assuntos pendentes ainda.
— Tipo quais? Seus poderes nem estão tão descontrolados e você não está morrendo.
— Não tem certeza disso! – gritei – Até onde eu sei, posso cair dura e morta a qualquer segundo nessa sala. Estava escrito no livro que eu morreria em pouco tempo. Mas não morri, porém ele continua se escrevendo sozinho, isso me preocupa.
— Desculpe, por tocar no assunto. – ele tirou uns papéis das minhas mãos e jogou longe.
— O que ta fazendo?
— Sem perguntas! – ele jogou tudo que estava na mesa, no chão.
— Sério? Agora? – perguntei rindo.
— Eu disse sem perguntas! – ele me pegou no colo e jogou sob a mesa.
Pode-se imaginar o que ocorreu depois. E tudo se transformou em uma verdadeira bagunça, que tivemos de arrumar.
Por volta das onze horas da noite, preparei um copo de café bem quente. Sentei na escada da varanda, que dava acesso a praia. Observava as ondas de longe, apesar do escuro da noite, a lua iluminava muito bem.
Refleti bastante sobre aquela sombra que me atacou mais cedo. Era apenas uma sombra, mas eu senti como se soubesse quem era, isso me atormentou muito.
Começou a ventar muito forte, um pouco de areia voou em meus olhos, larguei a caneca e tentei limpá-los. Aquilo era muito incômodo. Quando recuperei minha visão, uma luz surgiu no horizonte, me aproximei aos poucos. Meu corpo tentava permanecer no lugar, dizendo que aquilo poderia ser perigoso, mas minha mente continuava dizendo para prosseguir.
Fiquei em um estado de transe, entrando na água, ouvindo algo ou alguém chamar pelo meu nome. Havia algo dentro d’água, me submergi em segundos e não me lembro o que aconteceu depois.
“ Na última noite, houveram registros de 7 mortes. A polícia ainda se encontra investigando o caso. De acordo com pesquisas, várias pessoas acreditam ser a volta de uma das antigas lendas do mundo, que estava desaparecido desde então.
Mais informações a seguir.”
Acordei em um pulo, estava na praia ainda, mas não perto de casa, alguns quilômetros ao leste. Levantei um pouco confusa, limpei minhas roupas e fui andando de volta para casa. Todo lugar que passava, ouvia pessoas comentarem sobre as mortes de noite passada. Por alguns segundos, pensei que poderia ter sido Jess, mas isso não era seu estilo.
Caminhei, extremamente pensativa. Tive Flashs sobre alguns acontecimentos, não sabia diferenciar do real para o imaginário. Parecia que eu estava presa em um daqueles pesadelos apavorantes em que você não consegue fazer nada apenas correr , correr até os pulmões explodirem , mas não consegue fazer com que seu corpo se mexa com rapidez suficiente.
Não sabia a causa , motivo , razão ou circunstância de estar ali , apenas sabia que precisava correr o máximo seja lá do que fosse . Mas parecia que aquilo queria me matar...
Coloquei minhas mãos sob meus olhos, tentando evitar a claridade do sol que saia das nuvens. Apesar da dificuldade, meus olhos focaram em algo mais ao fundo, não era nada de mais. Apenas crianças brincando próximas ao mar.
Senti meu corpo cada vez mais leve...
— Achei você! – Mateus estava em minha frente, com o corpo todo soado e a respiração ofegante. Se quer tinha o visto chegar. – Te procurei por toda parte! Onde esteve?
— Eu estive na varanda e acordei por aqui, na areia. Não lembro o que aconteceu ontem...
Ele assentiu, buscando uma resposta para aquilo em sua cabeça. Me envolveu em um abraço reconfortante, senti seu cheiro, que poderia ser melhor, mas por conta do suor fiz uma cara de desgosto por alguns segundos. Porém, eu me senti totalmente confortável ali, com ele.
— Deve estar faminta. Vamos para casa? Você precisa comer e trocar de roupa.
— Podemos comer naquela lanchonete que fica no centro?
— Sabe que...
Parei de ouvir suas palavras ao sentir um grande aperto no peito. A imagem do cômodo de minha casa, em que guardava objetos importantes, surgiu em minha mente. Não hesitei duas vezes antes de usar minha magia para me teleportar até lá. Mateus veio logo atrás de mim, correndo até a grande porta no fim do corredor. Abri a mesma com tamanha força, que fez um estrondo enorme.
A criatura estava revirando a sala, atrás de algo. Tudo estava uma bagunça. Agi mais rápido do que poderia imaginar, pegando o pedestal e jogando em tal criatura horrenda. Ele era alto, tinha dentes afiados e todo o seu corpo era coberto por um musgo estranho e nojento que pingava pelo chão. Seus pé tinham cascos e suas mãos tinham um formato estranho.
Emiti uma bola de energia, grande e cintilante, com grande potência mágica. Aquilo, na teoria, poderia detê-lo. Magia de luz, contra criatura das trevas. O atingi repetidas vezes, até cair no chão. Mateus ajudou, utilizando de sua força corporal e agredindo o monstro.
Em uma pequena brecha, o monstro encarou meu rosto e o colar em meu pescoço, estendeu a mão tentando pegá-lo, mas desviei. Matt baixou a guarda nesse momento e foi derrubado. O monstro veio ara cima de mim, com tudo dessa vez, determinado a tirar o colar do meu pescoço.
Aquilo era o que ele estava procurando.
— Quem é você e por quê está nos perseguindo? – perguntei ao prendê-lo em um encanto que o impossibilitava de se mover. – Ou você responde, ou eu o esmago até começar a perder o fôlego.
— Rebeca! – lancei um olhar até Mateus, que o fez estremecer, se calando.
Tal criatura, emitia sons que ecoavam pelo quarto. Sua voz era alta e grossa, mas não me causava medo.
— Ele está vindo!
— Quem está vindo? – ele riu, recusando-se a responder.
Amplifiquei meu poder, fazendo com que ele fosse submetido à uma grande pressão, ficando sem ar aos poucos de forma extremamente dolorida.
— Quem está vindo?! – minha paciência já estava indo embora. Minha pressão nas alturas, sentia que poderia apagar a qualquer momento.
— Seu tempo está acabando, ele está chegando e vai matar a todos vocês. Antes ele irá roubar todo o seu poder e dominar os dois mundos. Você morrerá por ele!
— Não! – neguei, me aproximando – Mas você morrerá, aqui e agora, pelas minhas mãos!
Materializei uma faca em minhas mãos e estava pronta para matá-lo. Mateus me impediu, empurrando meu corpo contra a parede. Tentei desviar e fiz um pequeno corte em seu rosto. A criatura veio ara cima de nós, Matt foi mais rápido e o fez desaparecer.
— Por quê fez isso? Eu estava quase conseguindo as informações que precisávamos!
— Não, não estava! Estava quase o matando. Estava com aquele olhar maníaco novamente.
Fechei as mãos em um punho, a raiva tinha subido em minha cabeça, quase dei um soco nele, mas abaixei a mão. Ele tinha total razão, eu estava fora de mim.
— Tem algo vindo, Matt. Algo grande! Está vindo atrás de mim.
— E o que quer fazer a respeito?
Olhei toda a sala ao meu redor, estava uma zona. Havia um espelho ao meu lado, encarei aquele colar em meu pescoço, tendo a resposta do que precisava fazer a partir de agora.
— Precisamos de ajuda... Precisamos voltar para Mansão em Scary!
Continua...
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