HOW FAR DOES THE DARK GO?
22 Capítulo 21 - A Garota de azul II
Tudo estava escuro, pensei que poderia estar de noite ainda. Minha cabeça latejava como se alguém tivesse acertado com uma pá.9
As lembranças de noite passada ainda eram confusas. Lembro de voltar para o hotel, contar para Jack o que está acontecendo em Scary e de não conseguir encarar Rebeca após agredi-la.
Abri meus olhos, caminhei até o interruptor, prestes a ligar as luzes, alguns raios de sol atingiram minha visão pois alguém havia aberto as cortinas.
— Precisamos de luz natural. — sua voz ecoou pela sala.
— Já acordada?
— Jack encontrou com alguém e teve que ir. Disse que nos encontraria daqui algumas horas, para o grande final.
— Como assim?
— Enquanto dormia, conversamos bastante sobre nossos planos. E ele me contou algumas histórias.
Pelo seu tom, essa conversa não iria acabar agradavelmente. A pior parte, não era isso e sim o sobretudo vermelho em cima de uma das poltronas que me chamava muita atenção.
— Onde conseguiu um desse? — apontei para tal.
— Desse o que? — olhei novamente e não havia nada.
Não sei dizer como uma peça de roupa poderia me deixar tão perplexo por alguns segundos.
— Jack me contou que Slender nunca quis me machucar. Só estava irritado com tudo que vêm acontecendo. Sobre sua família e a perda de seu braço esquerdo, no caso, você.
— Onde quer chegar com isso?
— Vou parar essa briguinha e juntar todos. Pois o que está acontecendo com Scary, não afeta somente vocês. Mas também a mim. É meu dever proteger as pessoas dos dois mundos.
— Está delirando se pensa que vai fazer isso.
— Não pedi sua permissão.
Uma rajada de vento se formou, num piscar de olhos, estávamos na floresta. Na passagem entre a estrada e outros locais.
— Por que nos trouxe para esse local?
— Tenho que conferir uma coisa.
— Rebeca, chegou cedo!
— Quem é essa? — apontei para a garota em minha frente que não desmanchava o sorriso, mesmo vendo o meu rosto.
— Essa é minha amiga, Priscila. Ela está me ajudando em algo importante.
— Finalmente reencontrei o famoso Jeff the Killer.
— Nos conhecemos?
— De um pequeno incidente em outro mundo.
— Não há tempo para explicar! — Rebeca apressou-se em dizer ao notar minha cara de dúvida.
Coloquei minhas mãos no bolso, sentindo minha faca totalmente afiada. Havia uma pequena cidade do outro lado da avenida, se eu conseguisse atravessar, talvez pudesse me divertir um pouco.
Sai sem dizer nenhuma palavra, mas pela minha postura, era possível se notar o que eu planejava fazer. Não queria ser muito seletivo, logo escolhi a primeira casa.
Entrei pela porta da cozinha, onde estava uma mulher preparando algo para o almoço. A agarrei por trás, tapando sua boca. Peguei a bandeja de sua mão e atirei longe.
Bati sua cabeça repetidas vezes nos armários. Em nenhum momento ela conseguiu gritar. Peguei a faca e cortei sua garganta.
Cheguei na sala e só havia um cara assistindo televisão. Acabei rápido com esse, em uma única facada. Ouvi barulho de passos no corredor, se afastando.
Segui os passos e vi o mesmo sobretudo que parecia um vestido, de uma cor diferente, azul.
— Hey! — chamei, mas a única reação da garota foi correr. Não consegui ver seu rosto.
Uma luz surgiu e ela simplesmente sumiu, sem deixar rastros. Já sabemos três coisas, essa garota conhece Rebeca, usa um sobretudo azul e têm poderes.
Fui até o quarto de onde ela tinha saído e vi dois corpos estirados no chão. Podemos acrescentar um quarto item na lista, ela é uma assassina. Pelo estrago nas pessoas, deve ser das boas.
[...]
Rebeca
O relógio marcava duas da manhã. A velha mansão não parecia muito diferente dos últimos dias, a não ser pelo sangue azul pelo chão.
Meu corpo estremecia sob a madeira do chão gélido. Agonizando com tamanha dor, pensando em uma possível morte, mesmo que fosse impossível. Meu rosto coberto de sangue, minhas mãos refletindo luzes intensas na tentativa de curar a ferida em meu abdômen.
O campo de visão foi ficando distorcido, mas ainda sim conseguia ver seus rostos me observando. Não sabia o que sentir... Raiva ou tristeza?
Aos poucos, tudo foi escurecendo e eu pensei que aquele seria meu fim mais do que merecido após as coisas que fiz, mas eu sentia que muita coisa estaria por vir.
Em um grande impulso, retomei o ar de meus pulmões e levantei da cama. Aquele foi um dos piores pesadelos que tive. Andei de um lado para o outro no quarto, tentando afastar isso de minha mente.
Não foi um simples pesadelo, era uma visão. Não consegui assimilar entre passado e futuro. Precisava de um pouco de ar. Não me incomodei com as manchas de sangue na parede, nem com os corpos estirados no chão. Jeff fez uma obra de arte nessa casa noite passada.
Ficamos fugindo por meses. Diria que por um ano completo se tivesse total certeza.
Os dias passam e fica mais difícil esconder a verdade deles. Todo lugar que vou, ela acaba me encontrando. Se um deles à visse, seria totalmente desastroso.
— Rebeca?
— Jack! Desculpe se te acordei, tive um pesadelo e fiquei andando para me distrair.
— Sem problemas, não foi por isso que vim aqui.
— Por quê, então?
O segui até a sala, o meu livro de magias estava aberto na mesa de centro e brilhando. Não entendi muito bem, fui me aproximando aos poucos até conseguir ler as palavras ali escritas.
— Isso não faz o menor sentido. — Dizia para mim mesma. — É só uma página em branco!
— Por que brilha tanto?
Respirei fundo ao cair a ficha por completo.
— Está em branco pois está se escrevendo sozinha de forma que não possamos ver ainda.
— Como assim? Escrevendo o que?
— O mesmo que escreveu para Graciele pouco antes de sua morte... Está escrevendo meu percurso até lá, pois está próximo.
Fechei o grande livro e sentei no chão derrotada. Aquele meu pesadelo só poderia ser meu futuro! Minha morte na velha mansão com todos me olhando.
Desejei estar em qualquer outro lugar, abri meus olhos e estava próxima a um lago. Apenas de pijama. Senti um imenso frio.
— Veste isso ou ficará doente! — Sua voz surgiu atrás de mim, jogando um sobretudo vermelho em mim.
— O que faz aqui?
— Senti que estaria em apuros. Só queria ter certeza de que...
— O livro começou a escrever, Jess! O livro começou a se escrever sozinho!
Ela ficou em silêncio, enquanto eu soluçava em desespero.
— Não estou pronta para morrer. — desabafei.
— O tempo pode ser reescrito, Becky.
— Não aquele! Graciele tentou e só piorou as coisas.
— Mas você está se esquecendo de algo.
— O que?
— Ela não era a última.
Refleti em suas palavras e tomei uma postura mais séria, pensando em algo que pudesse fazer para consertar isso. Ela quase que imediatamente me respondeu, como se tivesse lido minha mente.
— Qual é!? Você têm poderes! Já pensou em usá-los para resolver tudo isso?
— Não estou totalmente segura quanto a usá-los.
— Tem quase um ano que se lembrou quem é, o usou poucas vezes. Se continuar dessa forma, vai desaprender por completo e acabar nos matando.
— Tem razão. — olhei para baixo, virei e comecei a andar até um carro ali perto.
Peguei as chaves do bolso dela, sem muito esforço. Ela não se importaria. Mas eu precisava dirigir um pouco e me distrair de tudo.
Coloquei o pé no acelerador, tentando conter minhas emoções, mas tudo despencou de uma vez.
Perdi o controle do carro por alguns segundos e bati em um poste. Fechei os olhos, tentando não pensar na dor. Abri e vi alguém se aproximando, pisquei e vi seu rosto com um grande sorriso permanente na janela. Senti sangue escorrer pelo meu rosto, continuei piscando lentamente até cair no sono profundo, não sem antes notar que ele foi acertado na cabeça por ela.
— Vai me agradecer por isso! — ela falou.
A primeira coisa que vi ao abrir meus olhos, foram pequenas flores e trevos. Estava sob a relva de uma imensa floresta. Fui me levantando, olhando ao redor, Jeff estava parado em um árvore, de braços cruzados, sem dizer uma única palavra.
— Está sangrando. — ele disse.
Tentei me aproximar e ele se afastou em dois passos.
— Não se aproxime!
Parei no lugar em que estava, sem entender. Estava muito perdida em mim mesma no momento.
— Quanto tempo vai levar para me contar a verdade?
— Como assim, Jeff?
— Você conhece a garota de azul ou não?
[...] O sol se pondo, o silêncio. Mais uma casa, sem nenhuma vítima, estava completamente abandonada, no topo de uma colina. Sentei na poltrona de frente para janela. Os raios refletidos em meu rosto, Jeff parado ao meu lado.
Meu rosto coberto de sangue dum vermelho vivo que seria impossível de se acreditar.
— Como viemos parar aqui? — perguntei.
— Aparecemos na floresta e eu te trouxe para cá.
— Jeff, eu preciso te contar algo. – fiz bastante esforço para me levantar e ir mancando até perto dele.
O mesmo se manteve imóvel, com a expressão mais séria que conseguia imaginar. Sua mão segurava a faca firmemente, não hesitaria por conta disso. Ele me atacou algumas vezes, mas agora eu tinha mais chances de me proteger.
— Eu sei quem é ela! A garota que você viu outro dia, matando aquelas pessoas, eu conheço ela.
— Como?
— Ela é minha irmã.
Esperei por diversas reações, principalmente o silêncio. O que tive, foi um grande susto quando ele deu um soco na parede que acabou se rachando com tamanha força.
— Está mentindo! Mentindo novamente.
— Não estou, Jeff.
— Por que eu nunca a conheci antes? Na época antes do acidente? Você dizia não ter família. Que eram apenas você e Dave.
— É mais complicado do que parece!
— Então me explica!
— Não poso.
— Não pode ou não quer?
— Não posso!
— Não pode ou não quer, Rebeca? – Ele gritou tão alto que me fez estremecer e permanecer calada. – Sabe o que é realmente complicado? Entender como eu me meti nisso.
— O que quer dizer com isso?
— Eu amei você antes do assassino. Mas agora eu mudei! Posso ter recaído um pouco, me deixado levar por sentimentos antigos. Mas isso foi no passado. Eu posso ter salvo sua vida nesses anos e tentado te machucar também.
— Jeff, para.
— Estive envenenado desde que te encontrei. Deixei de ser o assassino que era, com grande poder e reconhecimento, para ser um cara qualquer bem meloso. Preocupado com uma garota que deveria estar morta á muito tempo.
— Queria que eu tivesse morrido na festa?
— As coisas estariam bem melhores se tivesse.
— Ótimo — acenei com a cabeça, indo em direção à porta. – Está livre para ir embora e voltar a ser quem era. Pode voltar aos seus assassinatos a sangue frio.
Arranquei o colar de meu pescoço e o atirei nele.
— Não preciso mais disso. Tenho poder suficiente para me manter viva quanto tempo for necessário. E nem se preocupe com Slender, eu mesma me entrego a ele.
Não consegui terminar meu discurso sem vê-lo quebrar o colar em suas mãos e sair pela porta da frente. Me abaixei, juntando cada pedacinho.
Observei aquilo, de joelhos, por horas. Até sentir sua presença ao meu lado.
— Então, ele foi embora?
— Não acha que é uma péssima hora para aparecer?
— Talvez.
— Eu já me desculpei com você, por que ainda me inferniza?
— Você é minha irmã. E aquele assunto não vem ao caso.
— O que você quer?
— Não pode ficar ai sentada, sofrendo, como se não tivesse nenhuma responsabilidade. Temos assuntos para resolver antes que as escrituras no livro se tornem fixas e alguém consiga ler.
— Por onde quer começar?
Ela alargou tanto aquele sorriso, que nem imaginei ser possível. Estralou os dedos e aparecemos em outro lugar.
Respirei o ar do local, identificando cada coisa pelo seu cheiro, daquela velha e enorme mansão. Havia sangue por toda parte, mas a única coisa que me chamou atenção foi um bilhete próximo ao corpo de uma garota.
“Vermelho sempre combinou com você! Hora de voltar aos antigos hábitos. Uma grande batalha está vindo e você precisa estar preparada.”
— Quem deixou isso pra mim?
— Você sabe quem foi.
— Então, Slender finalmente descobriu! – gargalhei alto, de forma assustadora. – Ele deve estar pulando de alegria.
— Não foi ele que fez o bilhete. – Uma voz surge dentre a escuridão — Fui eu!
Encarei de cima á baixo aquela garota loira, seus olhos verdes castanhos tão escuros, quase que pretos. Sabia que já tinha visto aquele rosto em algum outro lugar. Mas onde?
— Quem seria você?
— Wendy, a filha de Slender. A garota que você salvou no outro dia.
— Por que sinto que as coisas ficarão mais divertidas?
��Continua...
Fale com o autor