HOW FAR DOES THE DARK GO?

13 Capítulo 13 - Início de Viagem


Rebeca POV

— Pegou tudo que precisa? — ele perguntou pela milésima vez.

— Sim, Jeffrey! — falei impaciente, largando tudo na mochila. Ele ficou parado me observando, não entendi o motivo — O quê foi?

— Como sabe meu nome inteiro?

— Eu... — realmente não tinha resposta para essa pergunta. — ouviu isso? — perguntei, me afastando dele e indo até a janela. Não consegui ver nada, então ignorei isso.

— Temos que ir rápido!

Fechei a bolsa e desci para fazer uns últimos ajustes. Coloquei comida o suficiente para Frost. Tranquei as portas e janelas, depois voltei ao andar de cima. Jeff estava parado, observando o céu.

— Podemos ir?

— Podemos!

Ele pulou a janela, então a tranquei. Peguei a mochila e desci as escadas, tranquei todas as janelas e portas, contei até 10 e abri a porta. Algo em mim se revirou no momento em que fechei a porta atrás de mim, eu estava completamente louca em fugir junto com Jeff. Apesar de sua personalidade parecer diferente agora, ele ainda poderia me matar a qualquer segundo, em um piscar de olhos.

Dei uma última olhada na casa, antes de seguir caminho até a entrada da floresta. Jeff se encontrava parado, observando o céu já escuro pois, segundo ele, era a melhor forma de viajar. Em momento algum ele disse para onde iríamos, repetindo a mesma frase.

— Confia em mim? — ele perguntou estendendo a mão em minha direção.

— Sinto que posso confiar. — disse sorrindo e segurando sua mão gélida. Por alguns segundos pensei ter visto algo em seus olhos, algo como um brilho, um brilho maníaco em meio a total escuridão.

Nós caminhamos por longas e longas horas, talvez eu esteja exagerando, mas não sou acostumada a caminhar por um tempo muito longo. A coisa que mais me incomodava no ambiente, era o silêncio entre nós. Jeff, percebendo meu incomodo, puxou assunto, fazendo algumas perguntas.

— Antes do ocorrido... Estive te observando, você e sua mãe — por quê não estou surpresa com isso? — Você não se parece nada com ela e muito menos com seu pai, pelas fotos que vi em sua casa.

— É meio complicado de se dizer... — fiz uma pausa, parando no meio do caminho, pois estava exausta. Ele pareceu não se importar, então prossegui com minha fala, enquanto sentava no tronco de uma árvore. — Karen e Carlos eram meus pais adotivos. Isso já têm uns 3 ou 4 anos? Não sei, o tempo parece congelar ao meu redor.

Disse essas últimas frases, observando tudo ao meu redor.

— Você vivia em abrigos antes disso? Ou orfanatos... Coisas do tipo!?

Eu soltei um pequeno riso de sua resposta. Quem dera se aquela fosse a verdade.

— Fui encontrada em um hospital, em coma, Karen tinha acabado de começar seu emprego lá, por algumas semanas. Ela cuidava de mim! Até o dia em que acordei — olhei para Jeff, que parecia estar prestando atenção em cada detalhe da história.

— Por quê não voltou para casa quando acordou?

— Eu não me lembrava de nada. — uma lágrima ameaçou descer pelo meu rosto, mas a segurei. — O único registro que tinham sobre mim, era meu nome, pois alguém o colocou nos "documentos" do hospital. Eu não podia voltar para casa, não porque não queria e sim porque não lembrava!

— Ninguém veio atrás de você?

— Não. — falei me levantando, mostrando que estava disposta a voltar para nossa caminhada. — E você? — ele me olhou com cara de dúvida, isso era novo. — Como conseguiu ficar... Assim?

— É uma longa história. — ele disse cortando o assunto.

Bocejei, demonstrando meu total cansaço, estava morta de sono.

— Podemos parar por essa noite, para você dormir um pouco, se quiser.

— Tudo bem! — larguei a mochila no chão e me deitei, encostei a cabeça sobre ela e a última coisa que me lembro de ter visto, foi Jeff tirando a faca de seu bolso e a afiando em uma árvore.

Jeff POV

Assisti Rebeca cair no sono, enquanto eu afiava minha faca e calculava a distância que tínhamos percorrido. Ela parecia tão calma enquanto dormia. Não sei como ela conseguia, tendo minha presença por perto. Por mais perigoso que fosse ela estar comigo, seria mais fácil despistar Slender.

Por suas histórias, ela não tinha uma vida perfeita, mas era mil vezes melhor do que a minha, que era um verdadeiro banho de sangue, todos os dias. Não sei o que farei se perder o controle. Posso acabar matando ela. Mas se minha aura for tão escura nesse momento específico, sei que o colar ira me manter bem longe dela.

A pedra protege seu usuário de qualquer perigo sobrenatural, ou de uma alma muito sombria. E quanto mais ela usar, mais forte ficará. Dizem que, depois de um tempo, o usuário começa a absorver o poder para si, não precisando mais do objeto.

Mas ninguém o usou por tanto tempo para comprovar isso.

Pensei na noite em que acordei no meio da floresta, sem entender nada do que estava acontecendo. Fui para a cidade mais próxima, obter respostas, então soube que haviam se passado meses, desde a luta com Slender.

Achei que era uma oportunidade perfeita de fugir para algum lugar distante, já que, provavelmente, ele pensaria que estou morto. Mas eu estou presa à ela, por mais que eu negue, eu sinto algo por essa garota. Precisava saber como ela estava, então voltei para a cidade dela.

Me impressionei por encontrar ela agindo de uma forma normal. Como se nada tivesse acontecido. Até um dia que observei ela de longe, ela estava sentada no banco da praça e começou a chorar. Não pude fazer nada, apenas me afastar, por mais que quisesse ficar.

Quando sugeri que ela viesse comigo, era pelo fato de querer sua companhia, eu queria ter ela o mais perto possível. Há muito sobre ela que eu ainda não sei. Pois tudo ao seu redor parece ter vida.

Rebeca POV

Eu pisquei e abri meus olhos, para o sol brilhante da manhã. Notei que estava no chão, coberta com o moletom de Jeff. Esfreguei meus olhos, com as mãos e me espreguicei. Olhei entre as árvores ao meu redor, nenhum sinal de Jeff. Levantei afastando a terra de minha roupa.

Ouvi o barulho de água fluindo, estranhei isso, pois não me lembro de ter ouvido na noite passada. Peguei a bolsa, coloquei o moletom de Jeff e fui andando em direção ao barulho.

Segui o som, até chegar em um rio e a cena que vi, nunca iria deixar minha mente. Eu literalmente congelei, encostada na árvore, observando a cena. Jeff estava no rio, de costas para mim, ele estava sem camisa e apenas de shorts.

Música: Leave me Lonely — Ariana Grande

Tentei me afastar sem ser notada, mas acabei por pisar em um galho, chamando sua atenção. Senti meu rosto ficar quente, tentei desviar o olhar, mas não pude deixar de notar seu corpo muito bem estruturado.

— Eu não sabia que você estaria aqui se... Banhando — não conseguia desfocar de seu corpo, chegava a perder o folego.

Ele parecia rir de minha reação. Em um gesto com as mãos, me chamou para mais perto. Eu fiquei com um certo receio. Mas deixei as coisas ali, fui tirando o moletom calmamente, logo depois a camiseta que estava e minha calça. Jeff observava cada movimento que eu fazia, por mais estranho que aquilo fosse, não me sentia desconfortável perto dele.

Dei um rápido mergulho, para já me acostumar com a água gélida, que refrescou todo o meu corpo. Nadei no fundo, até chegar nele. Estava agindo por puro impulso, mas estava amando cada segundo disso. Sai de baixo d'água, deslizando para cima, até chegar na altura de seu rosto. Minha respiração ficou cada vez mais ofegante. Estava a centímetros de seu rosto.

Levantei minha mão direita, passando pelo seu rosto, cheguei perto de sua cicatriz, mas ele segurou meu pulso, me impedindo de prosseguir. Com sua mão livre, me puxou para mais perto de si. Não vou mentir que senti meu corpo todo se arrepiar, mas não só pelo fato de estar junto a ele, mas também pelo fato do que eu sentia nas partes baixas.

Ele foi se aproximando cada vez mais de meu rosto, até o momento em que finalmente nos beijamos. Aquele grande beijo de cinema, se assim poderia dizer. Gostaria de ficar ali o dia todo se possível, mas precisava respirar. Infelizmente, precisava respirar.

Nos separamos por alguns segundos, fomos voltando para a margem, sem dizer uma única palavra, assim que chegamos em terra firme, ele me prensou em uma das árvores e voltou a me beijar, dessa vez, com mais desejo ainda.

E eu não conseguia resistir...