HOLD THE LINE - Livro #01

25 CAPÍTULO 25 - No Remorse (season finale)


Notas iniciais
Esse é o último capítulo da primeira temporada da fanfiction e também desse livro. Em breve estarei liberando o segundo livro da quintologia, muito obrigada a todos que estão acompanhando a fanfiction. O segundo livro já deu início no wattpad na minha conta @bossyladies, não sendo dividio por lá como é por aqui. Assim que ele estiver cem por cento concluido por lá, o trarei para cá. Não disponibilizo ao mesmo tempo, pois agora a minha intenção principal é postar somente fanfictions completas no Nyah, já que entro pouco nessa plataforma e não recebo o feedback que desejo como ocorre no wattapd. Deixarei vocês agora com o último capítulo, boa leitura.

MARÇO DE 1984

Relaxando completamente os músculos contraídos da face devido à ardência que sentia sobre o tórax esquerdo, Louise abriu os olhos quando o som incômodo que recordava a broca do dentista cessou por completo. A respiração estava mais leve, porém a ansiedade havia dobrado quando os minutos de tortura chegaram ao fim. Finalmente ela poderia apreciar a sua mais nova "loucura adolescente".

Estando cansada de encarar todas as manhãs a horrível cicatriz deixada pelo buraco de bala somado com a cirurgia que a fez utilizar durante semanas o gesso toracobranquial, o qual parecia a pior armadura existente e lhe rendeu longos dias de tortura e dependência materna. A adolescente optou por cobrir com algo que tivesse significado e a recordasse que a vida era muito curta para não fazer as coisas por medo do julgamento alheio.

— Essa é a flor mais esquisita e maneira que eu já vi — Falou Eddie sorrindo radiante para a amiga que havia topado encarar as agulhas do tatuador ao seu lado.

— Sim, ela é. — Disse Louise sorridente aproximando do espelho para poder observar melhor a obra de arte.

Marcado para sempre em sua pele com tinta preta, o desenho que Eddie julgava como sendo a flor mais feia e maneira que tinha visto na verdade se tratava da cabeça aberta do Demogorgon. O responsável pela arte havia sido Will, que mesmo desgostoso com a escolha de Lola ao pedir um desenho como forma de agradecimento o fez mesmo assim.

Quando Louise contou para todos os amigos que cobriria sua cicatriz de guerra com tatuagem, ninguém levou a sério suas palavras. Até mesmo Eddie Munson, o qual foi o responsável por leva-la ao tatuador, pensou que Lola não prosseguiria com o plano. Apesar de estar mais ousada em suas atitudes e aberta a novas experiências, a menina permanecia sendo uma jovem exemplar que seguia as ordens da mãe, cuidava do irmão e mantinha as notas altas continuando com o sonho de ingressar em uma excelente faculdade. Cobrir a cicatriz com o seu pior pesadelo era a maneira que Lola trabalhava seus medos, preferindo encarar todos os dias à imagem do Demogorgon que as marcas da bala.

Outro motivo que fazia a escolha da Louise ser o Demogorgon ao invés de tatuar qualquer referência ao seu ídolo David Bowie sobre a cicatriz era a história narrada para os moradores de Hawkins através do jornal local. Para esconder a existência de Eleven, o envolvimento do governo e todas as partes da história que pareciam sair do roteiro de um filme de ficção científica, seu nome estava estampado na manchete da primeira página com o título de "A heroína da cidade". As pessoas deixaram de chama-la como "Aberração Henderson" pelos corredores do colégio, tratando Lola pelo nome de batismo quando virou o assunto mais comentado após ter salvado as crianças de uma tentativa de "assalto envolvendo sequestro".

Por mais que soubesse que aquele tipo de publicidade seria útil futuramente para sua aplicação na faculdade, ela não se considerava heroína. Muito pelo contrário. Louise sabia que a verdadeira heroína era Eleven, a garotinha que carregaria para sempre dentro do seu coração. Fora a menina que se sacrificou para salvar as crianças, El foi a verdadeira responsável pelo quarteto estar vivo sem ter virado sobremesa de Demogorgon, enquanto Louise apenas teve a sorte de conseguir sair com vida junto do irmão mais novo e amigos apesar de ferida.

— Agora posso riscar a tatuagem da minha lista de coisas para morrer antes de fazer — Zombou Louise fechando os botões perolados da camisa de seda rosa claro quando o tatuador terminou de cuidar de sua nova pintura corporal. — Quero ver a cara do Jonathan quando ele perceber que tive coragem de me tatuar.

— Espero que ele não bata em mim — Brincou Eddie estendendo o sobretudo preto que Louise tinha pendurado no cabideiro junto com sua jaqueta de couro. — Acho que ele já não vai ficar muito contente quando souber que vi seus... — Ele apontou para o próprio tórax enquanto assoviava — Você sabe.

— Edward Munson! — Reprendeu Louise abrindo a boca estupefata ao estapear o melhor amigo nos ombros, fazendo o mesmo rir e correr passos à frente ao deixar a loja — Você não viu, eles estavam cobertos com uma peça de roupa chamada sutiã.

— De qualquer forma acho que ele não vai ficar contente. — Edward esperou Louise o alcança-lo para seguir caminhando ao seu lado.

— Você fala como se eu fosse contar esse pequeno detalhe — Lola revirou os olhos enquanto balançava a cabeça negativamente.

— Não, você vai mostrar — Provocou o roqueiro lançando olhar malicioso em direção à menina. — E não são detalhes pequenos.

— Eu não vou mostrar nada e pare de ser idiota. Acabou! Acabou ingresso de graça para você no cinema. Acabou Edward, pode parar de ser o meu Gandalf. — Com as bochechas rubras pelo comentário, Louise gesticulou fingindo estar ofendida com o seu companheiro de aventuras o fazendo gargalhar.

Quando chegou ao conhecimento de Eddie que Louise estava hospitalizada, ele não hesitou em visitá-la levando consigo algumas fitas cassetes com suas bandas favoritas, além de dois pôsteres do David Bowie roubados da revista da sala de espera do hospital. Assim como Steve Harrington, o roqueiro a visitava todos os dias durante seu tempo livre, passando horas conversando com a amiga.

Durante uma das visitas do amigo, Louise confinou para Eddie sobre a sua extensa lista de desejos das coisas que ansiava fazer antes de morrer. Algumas eram tolas, completamente supérfluas que rapidamente seriam riscadas, enquanto as outras soavam fantasiosas por conta do costume terrível de Louise de exagerar nos detalhes. Diferente de Jonathan que julgava a lista da namorada algo idiota e que ela jamais levaria para frente, o roqueiro viu aquilo como um desafio a ser cumprido.

Utilizando um bloquinho de notas e canetas coloridas, Eddie ajudou Louise a montar sua lista escrevendo primeiro os desejos mais fáceis de serem realizados e deixando os mais complexos ou irreais para o final. Vendo o interesse do melhor amigo em ajuda-la a realizar sua lista estúpida encontrando soluções para vários dos itens absurdos a serem cumpridos, Louise não hesitou em convidá-lo para ser seu companheiro de aventuras.

Para a surpresa e felicidade da adolescente, o roqueiro assumiu com prazer o cargo de companheiro, sendo o melhor parceiro de aventuras que ela poderia ter desejado encontrar. Antes mesmo que Louise tivesse retirado o gesso do corpo eles já tinham riscado oito itens da extensa lista de afazeres que a menina chamava carinhosamente de "Coisas para morrer antes de fazer". O nome da lista dava-se pelo fato de que se fosse em outras épocas, quando não havia colocado sua vida em risco contra criaturas interdimensionais e fazia questão de manter-se invisível pelos corredores do colégio, ela teria inventado desculpas esfarrapadas para recusar caso fosse convidada para qualquer atividade listada permanecendo em sua zona de conforto.

— Azar o seu, se me dispensar não termina a lista — Eddie mostrou a língua para a melhor amiga. — Está pronta para abrir mão do seu casamento com o Bowie?

— Não ouse usar o Bowie contra mim, senhor Munson — Louise agarrou Eddie pelo colarinho da jaqueta de couro e o puxou para frente, enquanto o "ameaçava" ironicamente ela fechava um dos olhos aproximando o aberto do rosto do rapaz — Ou sua guitarra sentira minha fúria.

— Pegou pesado, Louise Madeleine Henderson — Eddie a empurrou pelos ombros, afastando-a do próprio rosto — Muito pesado.

— É assim que me sinto quando usa o Bowie — Lola sorriu sem mostrar os dentes e colocou as mãos no bolso, voltando a caminhar ao lado do melhor amigo. — Existem três coisas que não pode zombar.

— Deixe-me adivinhar: David Bowie, Dustin e Jonathan — Respondeu Eddie listando os itens na ponta dos dedos.

— Quase — Ela franziu o nariz ajeitando os cabelos quando passaram na frente de uma vitrine espelhada — Na verdade é David Bowie, minha família e minhas crianças.

— Se tivesse que salvar David Bowie e Jonathan de um incêndio, quem você salvaria? — Perguntou Eddie abrindo a porta da van para Louise entrar. Aquilo não era um ato cavalheristico, mas a van era tão velha que somente o rapaz conhecia os macetes para fazê-la funcionar corretamente.

— Fácil, David Bowie — Respondeu Louise colocando os pés no painel quando Eddie ingressou pelo outro lado.

— Uau! Você nem ao menos hesitou — Com um sorriso zombeteiro na face, Eddie a encarou levemente chocado — Entre eu e o David Bowie.

— Sabe que é o Bowie — Respondeu Lola curvando os lábios e franzindo o nariz.

— Eu e o Jonathan? — Perguntou Eddie aproveitando a parada no semáforo para olhar as expressões de Louise.

— Uh! Eu amo essa música — Falou Louise ignorando propositalmente a pergunta do amigo enquanto aumentava o volume do rádio, fazendo "No Remorse" do Metallica ressoar pela van quase estourando as caixas de som.

— É sério, Lou? — Eddie riu fraco balançando a cabeça negativamente. — Não vai me responder? Tudo isso porque você me escolheria no lugar do seu namorado.

Durante alguns segundos Louise abriu a boca para contestar a observação do amigo, porém ele não estava errado em cogitar que ela o escolheria em um incêndio ao invés do Jonathan. Por mais que tivesse assumido o relacionamento com o Byers mais velho desde a noite que tomou o tiro, as coisas não estavam fluindo como havia sonhado em suas fantasias antes de dormir.

Diferente do que vinha ocorrendo entre ela e Eddie Munson, o qual fez questão de estreitar os laços de amizade com Lola desde o instante que soube de sua internação, ficando realmente preocupado com o bem-estar da garota e começando a frequentar a casa da família Henderson se apresentando para Cláudia como um bom amigo. A amizade entre ela e Jonathan começou a esfriar no instante que assumiram o relacionamento amoroso.

Em certos momentos Louise tinha a impressão de que Jonathan estava ao seu lado por obrigação, como se devesse o relacionamento para a menina que ajudou a salvar seu irmão. Outras que estava com ela por tédio, como se nunca fosse capaz de encontrar qualquer outra pessoa que o amasse e teria de conviver com Lola até o resto dos seus dias. Porém quando recordava que foi o próprio Jonathan que assumiu o relacionamento em voz alta para Joyce e Will, ela preferia acreditar que a distância era um traço de personalidade que já existia durante seus anos de amizade, mas somente quando ingressou no relacionamento foi capaz de notar.

Entretanto Louise evitava pensar ou falar com outras pessoas sobre suas inseguranças em relação ao namoro que desenvolvia com Jonathan. Por conta de seu péssimo costume de aumentar a proporção dos problemas e desconfiar naturalmente de qualquer coisa boa que acontecia em sua vida devido aos traumas do passado, ela acreditava que tudo poderia fazer parte da sua imaginação ansiosa. Afinal Jonathan não era um péssimo namorado.

Por mais que estivessem namorando a pouco mais de quatro meses, os dois não chegaram a tornar as coisas mais físicas e intensas, dando um passo importante na relação e riscando outro item da lista de coisas para fazer antes de morrer. Mesmo com Louise demonstrando interesse no evento inúmeras vezes quando estavam sozinhos, Jonathan preferia manter suas mãos no lugar e não ultrapassar as barreiras. Apesar daquilo a frustrar, ela enxergava como sua maneira de respeita-la e que no momento certo ele faria uma surpresa romântica com flores e chocolate ao som de Prince.

Outra coisa que a fazia gostar do relacionamento com Jonathan era o fato dele não ser ciumento. Ele não se importava de Louise passar grande parte do seu tempo livre com Eddie e os outros meninos do Hellfire Club, já que o próprio costumava desmarcar compromissos com Louise por estar dividindo seu tempo entre o trabalho e cuidar de Will. O único desgosto de Jonathan era quando Louise pegava carona com Steve para voltar para casa depois das sessões de cinema quando Cláudia estava ocupada ao invés de ligar para ele busca-la. Ele também não era do tipo territorialista, embora estivessem namorando e os mais próximos de ambos soubessem do relacionamento, ele raramente a beijava em público para mostrar domínio ou pegava em sua mão.

— Vou aceitar seu silêncio como uma resposta positiva — Disse Eddie risonho notando que estava certo sobre sua suposição. — Agora todas as vezes que ver o Jonathan irei lembrar que você não o salvaria de um incêndio.

— Já disse que gosto muito dessa música? — Perguntou Louise apontando para o rádio por alguns segundos antes de fingir tocar uma guitarra invisível no ar.

— É óbvio que você gosta, é Metallica — Sorrindo Eddie terminou de virar o volume do rádio, fazendo com que suas vozes fossem sobrepostas pelos solos de guitarra da canção.

Antes de ingressar na estrada intermunicipal que ligava a cidade vizinha de volta para Hawkins, o casal trocou olhares divertidos enquanto cantarolavam com toda força do pulmão as músicas de metal que Louise havia selecionado no mixtape feito especialmente para Eddie como agradecimento por sua amizade.

Empolgada por ter completado mais um item da sua extensa lista de afazeres, Louise colocou a cabeça para fora da janela na intenção de sentir o vento gelado bagunçar os cabelos até onde conseguia aguentar enquanto cantava o refrão da música seguinte da fita cassete. Desde o momento que retirou a "armadura" horrorosa de gesso que utilizou por longas semanas, Louise sentia que os próximos meses do ano de 84' tinham tudo para serem perfeitos. Afinal sua vida finalmente estava caminhando de modo positivo. Não era mais obrigada a ouvir desaforo nos corredores, havia se entendido com Steve Harrington, tinha um novo melhor amigo para contar, namorava o cara dos seus sonhos e, o melhor de tudo, não precisava mais se importar com Demogorgons.

Notas finais
Mais uma vez agradeço do fundo do meu coração pelo carinho, muito obrigada a todos que estão acompanhando, vocês são incríveis e até o próximo livro.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!