Notas iniciais
Eu deveria estar atualizando "La Passion"? Deveria, porém estou aqui. Não deixem de me amar por isso. E confiram a glicose de vocês antes de começar a ler, porque vai ser bem açucarada!

Muita gente fala que fugir dos problemas não é a melhor opção, mas como ninguém paga as minhas contas, peguei minhas malas, meu carro e me mandei pra outra cidade. Nunca tinha ido aquele lugar, mas foi o primeiro consultório que me deu retorno sobre a vaga de enfermeiro, então eu apenas aceitei e fui. A cidade era pequena, bem diferente da cidade grande na qual eu vivia, mas era muito bonita e parecia ser bem acolhedora.. não que eu estivesse esperando criar vínculo com ninguém agora. Na verdade, era o que eu menos gostaria de fazer no momento. Minha ideia era virar um zé ninguém em uma cidade do interior, acordar, trabalhar e voltar pra casa, e fim. Essa seria a minha vida de agora em diante.

Todo o trajeto até minha nova casa foi angustiante. Eu não consegui nem ir dirigindo, tive que pegar um ônibus, o que significava que tudo pela cidade eu teria que fazer a pé. Pelo menos ela era pequena. O ônibus estava cheio, mas dei sorte que a pessoa que sentou ao meu lado não era de papo, então fomos em total silêncio até o nosso destino. Assim que chegamos na rodoviária, peguei minhas malas e fui direto para o local em que eu ia morar.

Cheguei na casa que eu tinha alugado, deixei minhas malas na sala mesmo e fui dar uma volta para ver a casa melhor. Pois é, eu tinha alugado sem ter visto a casa pessoalmente, mas quem liga. Eu, pelo menos, não ligo. Para minha sorte o local era bem arejado e encantador, mas muito iluminado. Apenas um quarto, sala, banheiro e cozinha. A primeira coisa que eu fiz foi fechar todas as cortinas. Talvez aquele clima ensolarado da cidade fosse ser um problema. De qualquer forma, era o de menos, porque o resto, tudo estava se encaixando em minhas expectativas.

Já era quase noite, então tomei um longo banho, mas toda vez que eu deitava na banheira tentando relaxar e fechava os olhos, flashs passavam pela minha cabeça e faziam meu coração acelerar. Que merda. Definitivamente, fugir não era a solução, mas era o melhor que eu poderia fazer no momento. Era a única coisa que eu tinha a capacidade de fazer, na verdade. Desisti de tentar relaxar no banho, então me sequei, coloquei meu pijama e deitei na cama. Demorou para eu conseguir dormir já que, novamente, minha cabeça tinha um turbilhão de memórias e pensamentos. Eu repassava cada momento, cada fala, cada acusação, cada desespero, tudo outra, e outra, e outra vez.

"vítima? a culpa foi sua!"

"você morreu pra mim!"

"sai da minha vida!"

Porém, nem o sono conseguiu me salvar daquilo tudo, porque, obviamente, eu sonhei com aquele dia: noite, risadas, uma surpresa inesperada, um olhar de desespero. Assim como eu vinha sonhando nas últimas 4 semanas. Acordei de madrugada assustado, principalmente porque demorei alguns segundos para lembrar onde eu estava. Tentei respirar fundo e contar até 100 de trás pra frente para poder controlar a minha respiração e me acalmar. Antes de chegar no 40, contudo, eu adormeci, e dessa vez foi de verdade, porque só acordei com o despertador tocando: 06h da manhã. Era o meu primeiro dia como o enfermeiro Potter naquela cidade.

Me levantei e senti o peso de uma noite mal dormida em meu corpo. Fui a cozinha e deixei o café fazendo, enquanto eu fazia minha higiene matinal e me preparava para o primeiro dia. "Tenho mesmo que pentear o cabelo?" Me perguntei em frente ao espelho. Fiquei alguns segundos me encarando, e lembrei de um outro alguém que eu já fui. Um outro alguém que era feliz e amado. Respirei fundo, joguei água no meu rosto e fui terminar tudo o que tinha para fazer. As cortinas continuaram fechadas quando eu sai de casa. Assim como o meu coração.

Notas finais
Espero que essa tentativa de fic dê certo. Até mais!