[HIATUS] Mudanças impuras
52 O revés é o novo olhar
Notas iniciais
Lavínia move-se ficando de costas para Henry, com uma mão enxuga as lágrimas que ainda escorrem por seu rosto, tenta não chorar mais, pois sabe que precisa buscar recompor-se antes de lhe dirigir qualquer nova palavra. Em sua outra mão sustenta com firmeza a pequena fotografia de Abigail, a mulher que representa para si uma lacuna ainda intransponível em sua origem, a saudade de um gesto, de uma palavra que nunca houve e nunca haverá, e que se une a diversos sentimentos amargos e confusos.
Henry permanece quieto somente a observando, com uma expressão circunspecta.
Eles continuam na esquina da casa noturna, protegidos da chuva, que persiste em cair, sob a marquise estreita.
— E-Eu não sei exatamente o que pensar... — gira o corpo e torna a se pôr de frente para ele, porém, sem conseguir encará-lo. — Como você mesmo disse, eu tenho muito motivos para se-sentir raiva e decepção... para achar que o me-melhor é ficarmos bem distantes um do outro, sem contato algum... — interrompe-se, pois outra vez se sente desassossegada, precisa respirar fundo. Ela baixa a vista, olha para a foto e se põe a refletir. — Por outro lado, no meio dessa situação ca-caótica, há algo que eu não consigo esquecer... não consigo desprezar... — retoma a fala com voz um tanto suave, chorosa, como se estivesse num monólogo. — Nós nascemos da mesma mulher, temos o mesmo sa-sangue correndo em nossas veias, por isso é tentador demais querer acreditar que nem tudo está perdido... que podemos re-recomeçar do zero, sermos os irmãos que devemos ser e encontrar a paz que nós dois pre-precisamos... Mas... Mas...
— Mas...? — Henry questiona, incentivando-a a prosseguir.
— Mas, na realidade, eu não sei se isso tem a mínima condição de fu-funcionar... porque... Ai, meu Deus! Isso parece tão incrível... tão absurdo. — confessa com voz razoavelmente branda, apesar das palavras conflitantes.
— Só há um jeito de sabermos, Lavínia, e esse jeito é arriscando... Afinal, como iremos descobrir se não tentarmos? — Ele inquire, desafiando-a.
— Eu não sei nem po-por onde podemos começar, ou melhor, re-recomeçar. — passa a mão no cabelo repondo uma mecha para trás, enquanto sente o frio da madrugada tornar-se mais forte. Está tão cansada mental e fisicamente que sente suas forças esvaindo-se.
— É, eu entendo, sei que nada disso está sendo fácil, nem pra mim nem pra você. Mas nós podemos começar com coisas simples como... como... — Henry procura na mente algo que seja relativo ao convívio normal de irmãos, olha para o lado, observa pessoas saindo da boate, entrando em seus carros e indo embora. Uma ideia lhe surge, resolve tentar. — Agora, por exemplo, você pode aceitar que eu lhe dê uma carona até a sua república... Tá de madrugada, chovendo e não seria seguro você ficar nessa esquina esperando um táxi ou a carona de outra pessoa... sei lá... De todo modo, só seria uma forma de darmos um passo à frente... O que você acha?
Os olhos de ambos, por fim, se encontram e se prendem. Henry e Lavínia, inusitadamente, experimentam uma sensação de empatia, como se partilhassem igual vontade de cessar a guerra, mesmo sem solucionar todos os porquês, de suplantar as dores, os desejos, e acalmar o coração machucado. E, neste momento singular, é como se o estrago que ele provocou não tivesse um peso tão significante e as coisas de fato pudessem tomar um novo destino. Ou ao menos é isso o que ela precisa muito acreditar.
Contudo, a loira mais uma vez foge do contato visual, leva alguns segundos avaliando que atitude deve tomar.
— Errr... Ah... Bom, eu a-acho que nesse po-ponto você tem razão, não há como saber de algo sem tentar antes. Então, eu... eu aceito a sua carona e isso quer dizer que... — respira fundo e outra vez ergue a vista para olhá-lo. — Henry, eu estou disposta a abandonar o passado, esquecê-lo co-como se nunca tivesse existido e me esforçar pra que esse re-recomeço dê certo, se você prometer que vai fa-fazer o mesmo... Você promete? Promete em nome da Abigail, em nome da nossa mãe bi-biológica, que está sendo honesto, que está a-arrependido de tudo o que fez e quer mudar de verdade? — vence o nervosismo e a timidez para encará-lo com olhos de quem faz uma autêntica súplica.
Henry lança seus olhos muito azuis diretamente sobre os dela e promove um clima de suspense no ar. Após um tempo, os olhos dele baixam por apenas um segundo e voltam a se erguer, exibindo um viço incompreensível para ela.
— Eu prometo. — Enfim responde, lacônico, e embora não haja emoção aparente, sua voz soa firme, segura.
Novo instante de silêncio é feito e o barulho da chuva fina invade seus ouvidos. Lavínia continua com expressão meio vaga.
— Então... Vamos? Meu carro tá logo ali. — Henry quebra a mudez e indica o rumo em que há uns automóveis estacionados, um pouco além da entrada da boate.
Lavínia somente meneia a cabeça em sinal positivo. Todavia, antes de mover-se para acompanhá-lo, estende a mão tencionando devolver a fotografia.
Ele recusa.
— Fique com ela.... Aliás, eu a trouxe pra você, pois imaginei que gostaria de conhecer o rosto da sua verdadeira mãe. — admite simplesmente.
De novo, Lavínia apenas assente, guarda a foto na sua bolsa a tiracolo e agora, sim, acompanha-o.
Ele avança uns passos, mas diminui a velocidade do caminhar para que ela o alcance, observando-a abraçar-se ao próprio corpo, demonstrando estar com frio, sensível aos pingos d’água minúsculos e ao vento gelado. Henry pensa em retirar o terno e o emprestar para que ela proteja a cabeça, os cabelos, mas tem consciência de que seria um gesto estranhamente atencioso, que Lavínia rejeitaria incontinenti. Andam somente uns metros e quando chegam ao carro, destrava-o, abre a porta do lado do passageiro e a espera entrar.
Súbito, Lavínia sente o coração acelerar porque percebe que está com medo de ser sequestrada novamente. Ela se mantém parada, em pé, olhando para o banco estofado e amarronzado através da porta aberta e seus olhos dizem tudo sobre o receio que a domina.
— Eu não vou fazer nada com você. — Ele garante suspirando, já ficando impaciente. — Só vou te levar pra casa, pode confiar.
A loira baixa o rosto, acanhada, não esboça palavra alguma, somente entra, senta, retira a bolsa do ombro e a põe sobre o colo, procurando afastar os pensamentos ruins da cabeça.
Ele fecha a porta, rodeia o veículo, entra e dá a partida.
Os dois optam por ficar calados. Ele dirige com os olhos fixos na estrada mantendo a expressão enigmática, ao passo que ela assume uma postura resignada, vendo os pingos de chuva baterem no vidro e o limpador de para-brisa movimentar-se de um lado para o outro cumprindo seu serviço ininterrupto, monótono. Todavia, assim que ele estaciona a mini van na frente do portão de ferro cinza, Lavínia não consegue disfarçar o alívio e desprende o ar num arquejo meio ruidoso. É lógico que ele percebe, mas não ousa comentar, somente se volta, enfim, olhando-a diretamente.
— Ok. Está entregue. — descontrai.
— Errr... O-Obrigada. — repõe a bolsa ao ombro já se preparando para sair.
— Não por isso. — replica, espontâneo.
Ela abre a porta do veículo.
— Até logo, Henry. — despede-se com menos apatia. Sua boca se contrai de modo quase imperceptível numa expressão risonha. Ela sai, fecha a porta e, em poucos passos, já está de frente para o portão, destranca-o e some da vista de Henry, ao adentrar na pequena moradia.
Por seu lado, ele aciona de novo o carro, guia-o pela rua chuvosa e, por fim, permite-se sorrir sinceramente.
[...]
Quatro horas antes...
Olhando-se no pequeno e quadrado espelho, que está afixado à parede acima da pia, Rafa passa o pente no cabelo pela milésima vez para ajeitá-lo de modo a ostentar um topetinho rebelde, a seu ver, muito charmoso. Ele está ansioso, embora não queira admitir isso nem para si mesmo. Encontra-se na suíte do quarto da república onde reside há dois anos, desde que ingressou na faculdade, e na qual é o líder do grupo, apesar de ser o mais jovem, posto que lhe foi dado, na verdade, por falta de concorrência e iniciativa, nenhum dos demais garotos fez questão disso e, principalmente, porque, desde o começo todos gostaram do lema adotado pelo bad-boy: cada um por si e que se danem todos. Deste modo, Rafa é considerado um bom líder, pois realmente evita meter-se na vida dos seus colegas, o que só faria em caso extremo e isso felizmente nunca aconteceu. Por outro lado, ele também não permite que interfiram no seu modo de viver, deixa claro a todos que é mesmo um garoto materialista, individualista e um tanto excêntrico-neurótico, odeia que mexam no que lhe pertence. Em razão disso, ao sair da suíte, adentrar no quarto e ver Alan e Vagner deitados na sua cama, muito acomodados enquanto comem pipoca, atentos ao filme que está iniciando-se na TV, ele trata logo de mostrar o seu desagrado.
— Os dois... Fora da minha cama! — chama a atenção dos rapazes falando com irritação, dando a ordem.
Alan, entre chateado e conformado, ergue-se e vai para a outra cama, a de Vagner, o rapaz que é o colega de quarto de Rafa e que tem consigo uma dívida de gratidão, já que quando ele foi expulso da república que antes vivia, por motivos que nunca foram devidamente esclarecidos, e veio pedir para ficar nesta, de imediato, houve certa rejeição, somente o bad-boy achou que não seria um problema recebê-lo como novo integrante do grupo e sua opinião indulgente acabou fazendo com que Vagner fosse aceito. O ponto controverso é que, antes de Vagner aparecer, Rafa tinha o quarto só para si, pois concordou com os demais em ficar com o menor da casa, o que lhe era bastante conveniente. Porém, no fim, sobrou para ele ter que dividi-lo, pois não quis retroceder, parecer um sujeito sem opinião definida, dizer que mudou de ideia e que Vagner fosse buscar abrigo em outra república. Teve que engolir o sentimento de desconforto e assentir sem queixas, já que foi ele quem os fez aceitarem o novo colega. Sendo que tal desconforto aumentou quando, com o tempo e o convívio, Rafa começou a compreender por que Vagner conseguiu arranjar confusão onde morava e ser expulso de lá, pois, sempre que pode, ele expõe a sua personalidade maldosa, folgada e zombeteira.
— Ahhh... Rafa, por quê? — Vagner faz cara de ofendido, manhoso. — Deixa de ser chato, cara, olha pra sua cama, é o dobro da minha e fica de frente pra televisão, daqui é melhor pra gente ver o filme.
— É lógico que a minha cama é maior que a sua, Vagner, porque ela é de casal e se ela tá de frente pra televisão é porque a televisão também é minha... Agora, se você não quiser que eu seja mais chato e mande vocês irem assistir na TV defeituosa da sala, vaza da minha cama, idiota! — refaz o comando, mais agressivo. Na realidade, Rafa nem está tão irritado, apenas não quer perder a fama de garoto mal encarado, brigão e orgulhoso, de quem nunca volta numa ordem dada.
Com movimentos propositalmente lentos e sorrindo de forma desdenhosa, Vagner resolve obedecer. Ele pega a vasilha com as pipocas e vai unir-se a Alan na cama que é sua.
Rafa anda até o roupeiro, tira a blusa branca que está usando, apanha uma cinza, veste-a, depois troca-a por uma vermelha, com a qual, finalmente, conforma-se, achando-a boa para combinar com a calça jeans e o tênis escuro. A seguir, coloca por cima da blusa escolhida uma jaqueta marrom de couro sintético. Por fim, nota o olhar observador dos rapazes sobre si, fica um pouco constrangido e decide dizer algo para desfocar a atenção deles.
— Alan, cadê o restante do pessoal? — questiona referindo-se aos três garotos que completam o grupo, simulando curiosidade, enquanto enfia a mão em algum lugar no roupeiro, remexe, tira de lá alguma coisa que põe dentro do bolso zipado e oculto da jaqueta.
— Eles saíram... — Alan responde, ao passo que termina de mastigar e engolir as pipocas que estão em sua boca, sentindo-se espremido, já que Vagner o havia empurrado para o canto da parede. — O Gustavo foi visitar a namorada, já o Cássio e o Jorge foram pra balada, curtir a noite, disseram que estavam precisando beber e beijar na boca... ou algo assim. — ri lembrando-se das bobagens que os amigos soltaram antes de sair.
— Ah, tá. E vocês? Vão mesmo ficar enfiados no quarto numa sexta-feira à noite vendo filme na TV? Fala sério! Isso é que eu chamo de tédio. — Rafa caçoa, enquanto pega da gaveta uma colônia e borrifa o líquido aromático nos pulsos, por trás das orelhas e para o alto, acima da cabeça.
— Estou aqui por culpa da Su. — Alan fala da namorada dele, que se chama Suzana. — Nós tínhamos combinado algo, como sempre fazemos, mas ela me ligou agora há pouco desmarcando tudo, dizendo que está com cólicas, dor de cabeça e essas coisas de mulher... Fazer o quê, né?
— Bom... Quanto a mim, o problema é que as minhas duas namoradas resolveram me dar um gelo... ao mesmo tempo. — Vagner justifica, fazendo Alan e Rafa revirarem os olhos, pois já estão fartos de escutarem essa conversa na qual ele se gaba ter duas namoradas.
— Vai ver elas se cansaram ou, o que é mais provável, descobriram que você não passa de um safado mentiroso. — sugere Rafa, espontâneo.
Alan não se aguenta e termina soltando uma gargalhada, mas pensa melhor e se contém ao supor que Vagner pode ter-se zangado com o comentário ríspido feito por Rafa, mesmo que este não tenha demonstrado real intenção de ofender. Contudo, Vagner também libera um riso alto, porém, seu riso soa mais como um disseminar de chispas ardentes, cáusticas. Depois, ele aperta os olhos na direção do bad-boy, analisa-o de maneira insolente.
— E você, hein, Rafa? Pela sua preocupação com o visual e em ficar todo perfumado, dá pra ver que a sua noite promete. Tem encontro marcado, é? Diz aí pra gente... A garota é gostosa?
O único modo que o bad-boy encontra para esconder o constrangimento é através da grosseria.
— Isso não é da sua conta, idiota. Cuida da sua própria vida que da minha cuido eu!
Assim dito, Rafa decide ir à suíte para conferir o cabelo de novo e, principalmente, para se afastar das observações inconvenientes de Vagner. Neste momento, o celular dele, que está em cima da mesinha baixa que fica entre as duas camas, toca. Vagner, sem embaraço algum, estica o braço, pega o telefone e vê o nome “Fábio” destacado na tela luminosa.
De repente, o aparelho é violentamente arrancado de Vagner e ele sente a mão de Rafa fechar-se no colarinho da sua camisa, puxando-o com um solavanco, obrigando-o a ficar de pé e a topar-se contra seu corpo, que está inflado como um galo de briga, parecendo maior do que de fato é. Então Vagner o arrosta e percebe que há fúria em seus olhos.
— Quem te autorizou a tocar no meu celular??? — Rafa esbraveja, já ficando vermelho, quase no tom da camisa que veste.
— Que violência é essa, cara? Eu só peguei o seu celular para te entregar... porque achei que você não tinha escutado... Eu, hein! Que cara mais estressado! — defende-se o outro, mostrando indignação.
— Nunca mais faça isso, tá ouvindo? Nunca mais ouse tocar no que é meu!!! — Rafa grita, irado. A seguir, empurra-o jogando-o em cima de Alan e da vasilha plástica, que entorna e espalha as pipocas para todos os lados.
O clima fica tenso.
Alan permanece quieto e Vagner somente contrai a boca e quase sorri, enquanto meneia a cabeça debochando da mostra de descontrole emocional de Rafa ante uma situação que lhe parece natural, corriqueira. Entretanto, igualmente se cala para não piorar o estado do seu colega de quarto, embora, em seu íntimo, sinta vontade de fazer exatamente isso.
Rafa dá as costas para eles e atende à ligação.
— Oi. Eu já tô pronto. — fala, sucinto, buscando acalmar-se.
— E eu já estou estacionado aqui na frente da sua república. — responde Fábio, descontraído.
— Ok... espera um minuto, tô saindo. — anuncia, em tom prático.
— Tá bem. — Fábio anui.
A ligação é encerrada.
Rafa encara Vagner outra vez, com expressão séria.
— Toque de novo no que é meu e você vai me ver estressado de verdade... Depois não diga que eu não te avisei. — ameaça claramente. Após, ele sai deixando Vagner pasmado, considerando a sua reação bem exagerada.
— Você viu isso? Viu como ele me tratou só por que eu toquei na merda do celular dele? — sentado, gira o tronco e se dirige a Alan, que está catando as pipocas espalhadas na cama e as repondo na vasilha.
— É, eu vi, sim, Vagner, e acho que você mereceu. — Alan expõe, com sinceridade. — Todos aqui sabem que o Rafa é pavio-curto e não gosta que mexam nas coisas dele, mas você provoca... Qualquer dia desses...
— Espera, eu volto já... — Vagner interrompe o discurso do outro e sai correndo porta afora.
— Pra onde você vai? E o filme??? — Alan pergunta, com voz gritante, mesmo sabendo que Vagner vai longe e não mais o escuta. Bufa e lamenta que sua sexta-feira à noite esteja mesmo sendo um fiasco, pois na verdade gostaria de estar em outro lugar, ou melhor, nos braços da sua bela Suzana, por quem é muito apaixonado.
Vagner corre, atravessa os cômodos, chega à sala, vai à janela e a abre o suficiente para dar uma olhada lá fora. A chuva fina ainda cai, o vento também persiste, porém, consegue ver quando Rafa abre a porta do Corsa cinza-escuro e entra, unindo-se a outro rapaz. Força a vista e constata que não há mais ninguém além deles dentro do veículo, que é ligado e segue até desaparecer na rua úmida. Fecha a janela, mas permanece ali com uma sensação estranha tomando conta de seu corpo, da sua mente. Recorda-se do que houve há poucos minutos, quando Rafa segurou-o pela gola da camisa e o puxou violentamente para cima, ação que fez com que seus corpos se topassem um no outro. Ele sentiu toda a vibração aguerrida que emana naturalmente do menino machão, observou o fogo acesso em seus olhos raivosos e isso foi o que bastou para compreender que tal episódio o deixou excitado e que, mesmo agora, lembrando-se dele, ainda está excitado. Ele escorre a mão até ao meio da sua bermuda, apalpa o membro por cima dela e constata a ereção, caminha para o banheiro, que fica perto da sala, cerra a porta, reclina-se nela por dentro, baixa a bermuda e a cueca, segura o membro hirto e começa a bombeá-lo, soltando pela boca alguns fracos gemidos. Pela primeira vez na vida, masturba-se pensando em um garoto. O pior é que ele tem certeza de que nunca, jamais sentiu essa atração, esse desejo carnal por alguém do mesmo sexo. Tudo o que está sentindo é novo e só há um culpado: Rafa. E a questão fica ainda mais confusa ao levar em conta que ele e Rafa são heterossexuais. Aliás, no que tange ao bad-boy, realmente desconhece qualquer indício que aponte o contrário. Portanto, descobrir esta súbita e intensa atração é algo que ainda não sabe como encarar.
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