[HIATUS] Mudanças impuras

25 Buscando um novo rumo


Notas iniciais
OLÁ!!! Para compensar os atrasos nas postagens dos últimos capítulos, eu lhes estou entregando este de forma mais rápida. Hahaha... Devo, porém, avisar aos leitores acanhados que o início deste capítulo possui um teor hentai extremo, pois decidi não poupar palavras quanto aos detalhes quentes. Espero que leiam com gosto. Beijinhos e nos encontramos na nota de baixo.

Dico move o carro pela estreita passagem de entrada do charmoso e simplório motel à beira da estrada. Assim que o estaciona em frente ao quarto que havia locado, solta o cinto de segurança e avança sobre Louise, empurrando-a contra o banco acolchoado e a beijando com gosto. Enfia a língua em sua boca, pedindo passagem e lhe arranca um suspiro abafado, enquanto a mão direita perde o controle, ganha vida própria, deslizando da nuca para o pescoço, para atravessar por baixo do lenço e encontrar destino certo nos seios, massageando e instigando os bicos a ficarem eriçados, mesmo sobre sua blusa.

— Oh! Ei, espera! Se era pra transarmos dentro do carro... não precisaríamos ter vindo a um motel. — A muito custo, Louise consegue falar, ao passo que solta um gemido de prazer incontido, por ter a boca de Dico agora enfiada no seu colo, mordendo de leve o montinho de pele macia.

Dico olha-a por cima das negras sobrancelhas espessas e sorri. Num movimento relâmpago, sai do Fiat, dá a volta e abre a porta do passageiro, fazendo um gesto de reverência, como se fosse um chofer de luxo, que lhe solicita a sair do veículo. Louise revira os olhos, ri achando engraçado que ele ainda esteja a cortejá-la com gestos galantes e educados. Quando se retira através da abertura, fica em pé diante dele, observa-o fechar e acionar o alarme do veículo, depois se encaminhar à porta do quarto, abri-la e novamente lhe dar passagem, com a mesma postura burlesca de vassalo abnegado.

— Entre, minha rainha. — A voz de Dico sai gentil e solene. Contudo, assim que dá uns passos e adentra pelo recinto, Louise escuta a porta ser batida com alguma força. Depois é agarrada por trás, numa pegada firme e envolvente. — Agora você não me escapa mais... amiga. — anuncia em um timbre rouco e sensual, mordiscando-lhe a orelha.

— Ah, seu... ! — Louise vira o rosto em sua direção e teria dito algum palavrão, mas ele abocanha com fervor os lábios dela, empatando-a de falar, respirar ou mesmo pensar sobre qualquer coisa a mais. Trata logo de lhe tirar o blazer escuro. Em seguida, insere a mão por baixo da blusa e a levanta pelos braços forçando-a também a sair, deixando-a desnuda da cintura para o alto, apenas com o lenço azul-anil estampado de estrelinhas preso à goela.

Louise, que é sempre tão ativa no sexo, neste momento, está sendo dominada e adorando.

Enquanto lambe e morde seu pescoço, Dico guia uma das mãos, vai ao encontro do cós da calça jeans, abrindo o zíper com destreza, ao passo que a mão esquerda lhe apalpa os seios, sem reserva alguma, apertando os bicos e os girando deliciosamente, explorando cada cantinho dos gomos veludosos, atrevidamente, ele penetra a mão por dentro do tecido jeans, acomodando-a, pelo fundo e mais um pouco, até achar a intimidade dela, pulsante e molhadinha, friccionando os dedos, mapeando o terreno para deixar evidente o seu império sobre ele. Louise solta outro gemido, com a boca aberta. Busca assim regular a respiração, arqueando o corpo e intensificando a masturbação que lhe é proporcionada. Ela movimenta o braço direto para trás e por baixo para encontrar o cume formado pela ereção dele, pelo meio da calça, confirmando o quanto ele está excitado. O toque da mão dela em seu membro, evidentemente rígido, no tecido esticado, é um motivo a mais para Dico arfar de desejo. Ainda segurando-a pela cintura, ele faz com que ela se vire de frente para si. Enfim, Louise tem a oportunidade de agir conforme sua vontade e capricho. Ela o envolve pela nuca com as mãos. O beijo é mais forte que antes, pois começam a travar uma batalha saborosa, em que fôlego de ambos é que sai perdendo. As mãos dela passam a agir. Mas desabotoa apenas os primeiros botões no alto da camisa, pois a impaciência logo surge e ele mesmo a levanta por sobre os braços esticados, jogando-a para longe, assim como faz com os sapatos, a calça e a cueca, parecendo um sedento, já que em momento algum deixa de lhe roubar mais beijos molhados. No entanto, depois de encontrar-se despido, ele resolve desacelerar. Conduz Louise para a cama, onde a faz sentar-se. Ajoelha-se e passa a retirar as botas de couro dela. Só neste instante é que um pequeno feixe de timidez o assola, através de um rubor em sua face, porque ela o contempla avaliando cada parte exposta do corpo viril, indo deter o olhar sobre o falo graúdo e de glande menos escura que a pele amorenada. Este órgão de beleza singular parece pulsar e crescer a cada ocasião em que ele se move, tirando a bota, escorregando a calça dela pelas pernas depiladas, trazendo junto a calcinha. Então ele sorri, meio acanhado, quando fica de pé, oferecendo-lhe uma visão privilegiada. Ela, porém, devolve-lhe uma gargalhada safada, fica linda com os cabelos curtos e escuros a cair pela testa, deixando à mostra somente o olhar pervertido.

— Vem aqui, deixa eu olhar melhor pra isso. — Louise coloca as mãos nos quadris dele e aproxima o rosto ao órgão latejante de Dico, que dá um gemido forte, ao sentir quando ela escorre os lábios umedecidos englobando toda a extensão do falo hirto. Sem vergonha ou aviso algum, ela suga com vontade, num vai e vem, altercando rapidez e lentidão, brincando ao mesmo tempo com os testículos, que lhe parecem duas bolas carnudas e macias, que vão ficando mais durinhas enquanto as aperta suavemente com os dedos, sem desviar os olhos dos dele, que se fecham comprimindo-se, como que se direcionando para outra galáxia.

— Hum... Ah! Louise... — O belo nome parece ecoar tanto fora como dentro de Dico, que está inebriado de prazer. Com doçura e em movimento incentivador, ele acaricia os cabelos sedosos, reunindo uns fios na mão, e buscando ar com a boca para o alto. Sempre se lembrando de baixar a vista para não perder as expressões que ela faz, pois que se sente mais provocado com seu jeito libertino de ser. Entretanto, só permite que isso dure uns minutos, pois, com uma dificuldade prevista, afasta a cabeça de Louise, curva-se e volta a beijá-la, indo para cima de seu corpo e a convidando a se deitar na cama. Ela, então, pensa que ele a iria penetrar sem prevenção.

— Dico... a camisinha! Ah, inferno! Dessa vez eu que esqueci! — Sua voz está um tanto falha, eufórica. Mas logo se lembra de que estão em um motel e que, por certo, sempre há este produto ali à disposição dos clientes. — Busca naquelas gavetas ali... deve ter alguma! — aponta na direção de uns armários presentes no local.

Dico, porém, apenas estende o braço para alcançar a própria calça caída no piso, de onde tira do bolso a embalagem que procuram.

— Espera aí! Você tava com esse preservativo no bolso o tempo todo?

Ele lhe sorri outra vez, só que agora de forma um tanto travessa, ao passo que rasga o cantinho da embalagem e começa a pôr a camisinha em si. Depois, monta-se de quatro ajeitando as pernas dela, já as abrindo para recebê-lo. Mas Louise detém-no, com as mãos empurrando um pouco os ombros dele.

— Você planejou esta noite, não foi? Planejou tudo... a rosa... o lenço... e o modo todo cheio de não me toques. Me deixou confusa de propósito! Estou certa? — olha-o com ar de genuína curiosidade.

— E se eu disser que sim, Louise... muda alguma coisa? — Dico fica meio apreensivo e prende a respiração uns segundos.

— Bem... Eu... — põe-se a pensar na situação e conclui que, de qualquer forma, ela jamais pararia o sexo pela metade. “Só se o quarto começasse a pegar fogo literalmente!” Sorri, fazendo-o relaxar outra vez. — Olha... Eu só não gosto da ideia de me sentir um brinquedo em suas mãos. Você me enganou direitinho, seu santo do pau oco!

— Você vai já saber... — beija-a docemente e acaricia o rosto dela, virando-o de lado para se achegar rente ao ouvido. — ... que o meu pau não tem nada de oco.

Louise abre a boca em expressão de surpresa ao notá-lo tão ousado, mas não tem mais tempo para falar nada, uma vez que ele se põe em peso por cima dela e a penetra, causando em ambos uma pequena exclamação prazerosa. Sem perder tempo, Dico inicia a movimentação prazerosa sobre o corpo de Louise, que agora fecha os olhos, devido ao arrepio que percorre todo o seu ser, em ondas de arrebatamento. Ela ergue as mãos e as arrasta, com as unhas, pelas costas de Dico, percorrendo um trajeto, do começo ao fim da coluna vertebral, marcando-lhe a epiderme até esta adquirir pequenas linhas vermelhas, estimulando-o em dobro.

O suor é visível nos corpos em estado de completo frisson a se esfregarem sem interrupção, por incontáveis minutos. Até que Louise demonstra querer mudar de posição e ele consente de imediato. Ela se coloca em cima e ele fica por baixo. Ela se senta no membro ereto e umedecido pelas secreções deles e pela que é própria do preservativo, e enquanto as mãos de Dico estão livres para explorar o belo corpo à sua frente, sempre tateando os seios macios com verdadeira adoração, como faz com os ombros e o pescoço, ainda enfeitado com o lenço, Louise cavalga em busca de maior prazer, subindo e descendo feito uma dançarina voluptuosa, sem ter noção da visão fantástica que é, aos olhos dele.

No intervalo de uns minutos a mais na sequência ritmada de suspiros e gemidos, seguidos de muitos beijos e toques despudorados, Louise sente-se levada ao ápice, largando-se sobre o peito dele, com a cabeça na curva do seu pescoço e arfando bastante, por sentir o fôlego escasso.

— Aguenta só mais um pouquinho, anjo. — Dico sussurra e geme deliciosamente ao ouvido dela, que sente o coração parar, ao levantar a vista e se surpreender com a expressão apaixonada que ele faz para si.

Dico toma-a num beijo forte e lento, introduzindo a língua para encontrar a sua, querendo absorver todo o sabor da preciosa boca, ao passo que segura os seus quadris e a ampara, sem muito esforço, nos movimentos de subida e descida, enquanto ergue o tórax, intensificando a penetração. Após novos instantes nisso, finalmente ele libera um som gutural, pende a cabeça para o lado, cerra os olhos e os comprime com força, jorrando seu líquido seminal em abundância, preenchendo a camisinha ajustada em seu membro, enquanto a abraça mais uma vez.

Louise gira com o corpo para o lado, jogando-se na cama, em total exaustão, desgrudando-se dele e procurando devolver aos pulmões o ar perdido, como ele também o faz.

Como num ato de sincronia, eles se olham e Dico não contém um riso divertido, meio irônico.

— Hum? Ai, para, Dico! Do que você tá rindo? Que chato... eu hein! — fica irrequieta, tentando levantar-se da cama para catar suas vestes, pois vê o riso dele como uma forma de caçoar do fato de ela ter cedido à atração que existe entre eles, apesar de ter afirmado que seriam apenas amigos e nada além disso.

— Perdão, anjo! Não fica brava... Vem aqui! Temos que acertar uma coisa. — Ele a puxa de volta à cama e passa os braços por cima dela, colocando-os um de cada lado. — Louise, eu quero estar com você, não apenas numa noite para um sexo sem compromisso. Eu quero assumir algo com você. Você aceita?

— Dico... é melhor a gente ir embora. Tá muito tarde pra ficarmos de conversa boba. Eu tô com sono, cansada... — desvia os olhos, demonstra alguma agonia, enquanto bagunça os cabelos e se remexe em busca de fuga.

— Por favor, me dá uma resposta direta. Eu não quero ser só um amigo... Isso está óbvio. Eu quero mais! — Dico segura o rosto dela e a beija outra vez e, quando a desprende, vê que Louise tem um semblante apreensivo. Assim, ele sopra o ar pela boca, com resignação. — Tá! Eu desisto de tentar fazer você falar o que eu quero ouvir. Se você tem medo de assumir uma relação.... o problema é seu, mas eu tenho que te informar que agora é tarde, Louise. Nós já estamos em uma... quer você queira quer não.

Dito assim, ele sai de cima dela e a deixa livre em seus movimentos. Levanta-se da cama, vai em direção ao banheiro com finalidade de tomar uma ducha rápida.

Louise fica pensando no que ele disse e em como a tem tratado de maneira dedicada, atenciosa, a cada momento em que eles estão juntos, sendo mesmo irresistível. Suspira de forma cedida, enquanto se ergue saindo da cama e indo ao banheiro para encontrá-lo dentro do box, recebendo o jato de água do chuveiro nas costas, braços e nádegas robustas.

— Eu aceito. — A voz dela sai firme, embora em volume baixo.

Dico vira-se, analisa-a dos pés à cabeça, apreciando os contornos da sua nudez e experimentando uma alegria imediata pela sua maravilhosa conquista. Louise sorri captando o olhar penetrante dele. Então ele a puxa para se molhar toda junto com ele, inclusive o lenço, a única peça que não saiu do corpo de Louise, em momento algum desta noite. Eles voltam a se beijar, experimentando a sensação de que um novo destino os aguarda.

[...]

Uma claridade solar matinal penetra nos olhos de Lavínia que os abre e fecha algumas vezes, tentando acostumar a retina à visão um tanto ofuscante, já que esteve em descanso por longas horas. Ela os esfrega, com o dorso das mãos em punho cerrado, a fim de despertar mais e ajeita as longas madeixas loiras para trás. Retira, então, as cobertas pondo-as na lateral do seu corpo sobre a cama. Senta-se, busca situar-se, pois ainda experimenta um sentimento de estar desorientada, sem saber ao certo onde se encontra. No entanto, gradativamente, a memória é ativada e a faz reconhecer o antigo quarto na residência dos seus pais.

Uma leve batida na porta a sobressalta um pouco.

— Bom dia, Lavínia. Como está se sentindo? Melhor? — Darlene adentra o quarto. Está constrangida e nem consegue fixar diretamente os olhos em Lavínia, mas mesmo assim parece disposta a abordá-la com uma renovada postura de carinho e atenção. Porém, é interessante ver que ela contrasta sua atitude ansiosa com as vestes sofisticadas. Exibe saia longa de viscose cinza, camisa verde-musgo de mesmo tecido, dando destaque à sandália rasteira e ao colar perolado, numa mostra óbvia de vaidade inabalável.

— Sim, acho... que já estou melhor. — A voz da jovem sai em tom amargo e distante.

— Então, por que você não desce e toma o seu café da manhã? — Darlene sugere, tentando ser amistosa ao máximo.

— Não quero. Estou sem fome. — responde secamente.

Lavínia levanta-se, caminha ao closet enorme, que ainda guarda uma infinidade de roupas suas, as quais nem mais se lembrava de ter ali. Abre-o e busca algumas peças. Sem escolher muito, pega calcinha e sutiã, depois, uma calça jeans azul-claro, uma blusa de algodão lilás e um tênis também em tom claro. Ainda ignorando a mulher à sua frente, mete-se no banheiro e, um tempo depois, volta já asseada e trocada, inclusive com a sua bolsa vermelha a tiracolo, que foi parar no banheiro, desde a noite passada.

— Filha, acredito que sua cabeça deve estar bem confusa com tudo o que houve. Aquela conversa horrível que tivemos ontem, antes de você cair adoentada, certamente a assustou muito... Eu também fiquei em estado de fúria ao descobrir a sua origem. Eu tenho dívidas com você que nem sei se um dia poderei pagar, mas... eu queria tanto que você me permitisse tentar. — Darlene diz em tom humilde de pedido, cabisbaixa. Ela está sentada na cama da garota, onde a esperou pacientemente sair da suíte. Agora corre a mão pelo edredom como se estivesse alisando-o, passando-o a ferro quente, numa atitude cíclica, quase irrefletida.

— Vamos deixar o tempo... passar um pouco, tá certo? Eu preciso me achar no meio... de-dessa loucura. — Lavínia anuncia, irrequieta, enquanto evita olhá-la diretamente e se esforça para ser menos agressiva. — Eu vou voltar pra república... Quero re-rever minhas colegas... quero re-retomar meu curso. Quero minha vida de volta à normalidade.

— E quanto ao seu pai? O que vai fazer a respeito dele? Vocês têm que conversar... e... — A mulher tenta encontrar justificativas para que Lavínia e o pai possam também chegar a um entendimento, apesar de tudo.

Lavínia mostra-se pasmada e um pouco enojada.

— Você vai perdoá-lo? Vai simplesmente a-aceitar o que ele fez? Você mesma disse que ele a-agiu como um hipócrita e praticamente a o-obrigou a me adotar... sem saber de onde eu vinha. Eu nem sei mais o que pensar direito! Eu só quero fa-fazer uma única pergunta pra ele e... dependendo da resposta... Não sei mesmo se poderei perdoá-lo.

— Preste atenção, Lavínia... O que há entre mim e o seu pai é algo só meu e dele. É pessoal e complicado, mas é só nosso. Eu já passei por cima de muita coisa pra ficar com ele, porque eu sempre o amei... e esse amor sempre foi mais forte que tudo. Mas... hoje eu confesso que estou como você. Eu não sei exatamente o que sentir e o que pensar.

— Viu? O modo como você sempre me tratou... com frieza e crueldade... eu até entendi o porquê de ser assim. Você não co-conseguia me tratar como uma mãe amorosa, pois quando me o-olhava... via semelhanças entre mim e mulher que foi a a-amante dele. Mas compreender que ele tenha agido como agiu... isso é difícil demais pra engolir! No seu lugar... eu não o perdoaria! — Ela não consegue entender por que Darlene é condescendente com o marido, a despeito dos desgostos que ele lhe provoca.

— Menina, não cuspa pra cima porque pode cair na sua cara. Espero que você nunca ame dessa forma... Um amor tão forte que te rasga por dentro e te faz ultrapassar qualquer limite, só pra não perder a pessoa amada. — Não há agressividade em Darlene, apenas franqueza mesclada a desgosto.

— Eu jamais amarei dessa forma... Jamais! — apregoa, em tom arrogante.

— Tudo bem, filha, acalme-se porque eu nem vou perguntar quem é Henry. — diz, com um pequeno traço irônico, e faz Lavínia ficar retesada, prender a respiração, arregalando um pouco os olhos. Darlene continua: — Sim. Foi este o nome que você pronunciou várias vezes em seus delírios de febre. Mas isso não importa. Tudo que você deve pensar no momento é que Greg ainda é seu pai e a ama mais que tudo neste mundo.

— Onde ele está? Já foi trabalhar? Aposto co-como foi. Ele é viciado nesse trabalho! — Lavínia alivia-se em não ter que falar de Henry e trata de desviar o assunto para a devoção do pai à firma.

— Não, filha... Seu pai está descansando porque ele passou quase a noite inteira aqui nesta poltrona, à beira da sua cama, velando o seu sono. Lavínia, se você soubesse o que ele sofreu neste período em que você esteve sumida. Ele não sossegou nenhum dia. — Darlene segue advogando em favor do marido pérfido.

Subitamente, a porta do quarto é aberta e o senhor Gregory entra, trajando um conjunto de pijama com listras verticais em branco e azul, e chinelas marrons. Ele tem visíveis olheiras abaixo dos olhos denunciando a noite mal dormida. A imensa preocupação pode ser visualizada, a partir de um vinco profundo no meio da testa, entre as sobrancelhas, já grisalhando.

— Bom dia. — Ele emite a saudação para as duas, mas os seus olhos de um azul-cinza são direcionados apenas para a filha.

— Bom dia. — As duas respondem em uníssono. Darlene em tom meramente educado e Lavínia, com secura.

— Bem... Lavínia, se você mudar de ideia e quiser tomar café, basta descer, mas lembre-se que a mesa não fica posta por muito tempo. — Ela vence o medo da rejeição e dá um beijo no rosto de Lavínia, que fica sem reagir devido à surpresa. — Eu estou mesmo feliz que você tenha voltado são e salva. Vou esperar que o tempo seja meu amigo e a faça me ver com bons olhos, daqui para a frente. Quero ser apenas a sua mãe... a que eu sempre deveria ser.

Após dizer as palavras ternas, Darlene caminha para a saída do quarto a fim de deixar pai e filha a sós, na esperança de que conversem e se entendam. Todavia, antes de se retirar, ela ainda lança sobre o marido um olhar de tristeza reprimida.

Ao se verem sozinhos, pai e filha se avaliam por uns segundos.

— Filha, vejo que se sente um pouco mais disposta. Que bom. Parece um sonho tê-la de volta em casa. — O senhor Gregory aproxima-se um pouco e a olha com seriedade. — Mas eu preciso saber exatamente onde e com quem você estava.

— Eu já disse! Eu falei isso ontem, lembra? — Lavínia volta a se agoniar, segurando firme a alça da bolsa com uma das mãos, ao passo que a outra invade pelos cabelos afastando a franja da testa para o lado, gesto inútil, já que esta retrocede incontinenti.

— Tudo bem! Eu refaço a pergunta... Qual é o nome do filho da Abigail? – demonstra estar muito curioso.

— Não sabe qual é o nome do filho da mulher com quem o senhor teve u-um caso? — observa-o, incrédula, tentando ganhar tempo para elaborar uma fuga do interrogatório que se inicia.

— Como eu me lembraria do nome de um garoto que eu vi pouquíssimas vezes... há muitos anos? Vamos tentar outra vez, Lavínia. O nome dele é Henry? — envia-lhe a pergunta sem rodeios e a avalia.

— Não! — Ela mente, mas seu coração acelera rápido, forçando-a a respirar com a boca aberta e tentar mover-se o menos possível para que ele não perceba o quão nervosa está. Recorda-se do que Darlene comentou sobre ela ter dito o nome “Henry” por vezes seguidas, durante os seus desvarios febris. Então, resolve completar a mentira, olhando para qualquer canto menos para ele. — Henry é... um rapaz, com quem eu estudei no... no ano passado.

— Ah! Está certo, mas... você ainda não me falou qual é o nome de quem eu quero saber. — persiste, deixando claro que continuaria exigindo o nome, até que ela lhe dissesse.

— É Diego! — continua com a mentira.

— O quê? Mas esse não é o homem com quem você estava começando a namorar... antes de sumir sem deixar rastro? — Gregory fica confuso.

— É... bem, sim... Mas o fato é que ele só fi-fingiu interesse em um namoro para poder se aproximar e... e ter como me falar sobre... o que houve... no passado. — As mãos e a testa dela agora suam por conta do completo nervosismo.

— Onde eu posso encontrá-lo? Dê-me o endereço... ou alguma referência de localização. — O senhor Gregory parece mesmo disposto a caçar o homem que ousou levar a sua filha e ainda colocá-la contra ele.

— O que vo-você quer com ele? Já não ba-basta o que lhe fez? – Ela desconfia que ele queira pôr a polícia no encalço de Henry.

— Lavínia, esse homem é um criminoso! Ela a manteve presa e a manipulou como quis, fazendo você ficar contra mim... que sou seu pai! — encara-a como quem se indigna por ter que anunciar o óbvio.

— O único crime que ele co-cometeu... foi me contar o que houve no passado. Eu estive com ele esse tempo to-todo... porque eu quis. Eu não fui manipulada coisa nenhuma! — rebate, teimosa.

— Um estranho se aproxima de você... te leva para não sei onde e te enche a cabeça contra a sua família... e você ainda o protege! Por quê? Por que faz isso? — Gregory demonstra contrariedade, impaciência.

— Por piedade. Pai... as coisas que ele me disse... o modo como falou... sobre ter ficado órfão... apenas com nove anos de idade por culpa da sua traição! E... depois sobre eu ser a irmã dele. Tudo isso me co-comoveu e me fez sentir pena dele. — Ela tem os olhos postos em direção ao piso, enquanto lágrimas começam a cair por seu rosto pálido. Em seguida, volta a olhá-lo. — Por acaso ele mentiu? Diga! Em que ele mentiu?

O pai desvia os olhos e suspira pesado.

— Sobre isso... Eu preciso que você tenha calma e me escute... — hesita, nervoso.

— Não. Eu não quero me acalmar! Eu quero que o senhor... responda... apenas sim ou não à pergunta que vou fazer. — encara-o, decidida. — Você ... foi mesmo ca-capaz de me tirar... ainda recém-nascida... dos braços da minha mãe?

— Filha... eu... eu... — A ansiedade é tão intensa que ele trava a língua.

— Diga sim ou não! — A ordem de Lavínia ecoa, sonora e agressiva, por todo o recinto.

— Sim... mas... eu preciso que não se exalte e me deixe explicar. — pega-a pelo braço, mais nervoso.

— Não! Não quero mais ouvir! Olha, tudo o que o senhor disser agora... neste momento, não vale nada. Não vale nada! Porque eu tô de-decepcionada demais. Eu não sei quem é você. Não sei mais! — puxa o próprio braço e se livra da mão dele. Ela chora e se agita, afastando-se. — Eu nem sei... quem eu sou! E-Eu me sinto perdida, decepcionada! Eu preciso de paz! E quero distância do senhor agora...

— Filha, não me trate dessa forma. Não alimente ódio por mim. Eu não suportaria! — declara, suplicante.

— Então... Deixe eu tentar me re-recuperar um pouco. Me dê tempo... até que eu sinta vontade de ouvir as suas explicações... porque agora... eu realmente não quero. O que eu mais de-desejo é voltar pra ... república e pros meus estudos. — anuncia, como quem não permite ser contrariada.

— Lavínia, não se afaste de nós outra vez. Por favor, filha! Tudo bem... Se você não quer ouvir a minha explicação, eu compreendo, acho justo. Eu espero até você querer, até que seja o momento certo, realmente não acho que seja agora. Mas não precisa nos desprezar... porque ainda somos a sua família.

— Eu não vou sumir de novo! Só vou voltar aos meus a-afazeres de antes. Continuaremos a nos fa-falar por telefone... Ou eu posso vir a-aqui... um dia.. quando a minha raiva tiver diminuído um pouco. — exibe agastamento em sua voz e nos gestos afobados. De fato, por mais que tente, Lavínia não consegue parar de sentir mágoa, decepção e vontade afastar-se de tudo o que faça referência à sua nova realidade de vida, que lhe parece um tormento seguido de outro.

— Tá certo, minha filha. Será como você achar melhor. — Ele se conforma ao menos em saber que ela permitirá que eles não a percam de vista novamente.

— Tem mais. Eu exijo que o senhor a-abandone essa ideia de... procurar o filho da Abigail. E nem ouse meter a polícia nisso. Não ouse! — despeja a advertência.

O senhor Gregory acena com a cabeça de modo positivo, mas em seu olhar há um brilho de cólera e desconfiança.

— Agora eu já vou. Pegarei um táxi e espero chegar... a tempo de encontrar alguém lá na república. — fala, menos exaltada.

— Espere! Eu vou lhe dar algum dinheiro... para o que precisar. — Ele anda na direção da porta a fim de deixar o quarto e ir ao seu para buscar a quantia que menciona.

— Não precisa. Eu não quero, pai... Sou maior de idade. Pretendo arcar com todas minhas contas, de agora em diante. O senhor não precisa mais se preocupar co-com os meus gastos. — declara, amargurada.

Entretanto, ele ignora sua rejeição, caminhando pelo corredor amplo e aberto nas laterais. Trata-se de um espaço que conduz aos quartos por um lado e, pelo outro, podendo-se ver toda a extensão da imensa sala lá embaixo através de um parapeito que é, na verdade um enorme corrimão de aço e vidro temperado, que conduz à escadaria branca e aos móveis requintados do ambiente, na parte inferior.

Lavínia já vai ganhando alguns degraus para ir à saída da residência, quando o Senhor Gregory a alcança.

— Aceite! — estende a mão com umas notas em dinheiro dobradas e seus olhos a encaram com insistência. — Filha, fique pelo menos com este... que servirá para pagar o táxi... Ah! Mas isso é tolice. Tudo que é meu também é seu... e da sua mãe. Todo o meu esforço é por vocês! — Não espera mais por resposta, pega a mão dela e põe o dinheiro em sua palma, fechando-a a seguir com a dele por cima, fazendo uma leve pressão. Em seguida, desconsiderando a carinha fechada de obstinação que ela faz, beija-lhe a testa, sobre os fios prateados da franja crescida. — Eu vou ligar pra você todos os dias, filha, e se você não atender... eu vou pessoalmente, só pra ver se você está mesmo lá com suas colegas. Entendeu? Eu não vou mais perder você... nunca mais! — determina, com voz embargada pela emoção.

Lavínia não lhe dá nenhuma resposta, apenas recomeça a descer a escada e segue, mais uma vez sem olhar para trás, largando o seu pai com expressão de arraso físico e mental, considerando que algo nela está quebrado, que não é mesma garota meiga, dócil de antes. Por isso, sente um repentino temor, tentando prever quais escolhas ela irá fazer em sua vida, de agora em diante.

[...]

O som do toque do celular soa uma, depois outra e mais uma vez. A tela se acende e o Galaxy preto vibra sem parar. O nome de Frida se destaca em letras neon sobre o painel luminoso. O braço desnudo de Henry se estica à mesinha de cabeceira para alcançar o aparelho. Ele força a vista, ainda sonolento, de modo a identificar quem o perturba.

— Algum problema, Frida? — pergunta, espreguiçando-se, bocejando e se assustando, ao notar um estranho braço feminino sobre seu tórax também nu.

— Como assim algum problema? Menino, você quer me fazer ter um infarto? — O sermão estridente o faz afastar o celular do ouvido, incomodado, enquanto estica novamente o braço para alcançar, desta vez, o isqueiro e o maço de cigarros. Acende um. — Como é que você sai daqui com a Lavínia, dizendo que a levaria para onde ela quisesse, depois você não volta pra cá, não liga... Não dá um único sinal de vida? Sabe quantas vezes eu te liguei, desde ontem? Eu te liguei umas vinte vezes. E você não podia ligar de volta, não? Ah, mas não...

Henry fica escutando as palavras da aflita senhora sem demonstrar emoção alguma, além de tédio, e desânimo para respondê-la. Com o fumo entre os dedos, dando algumas baforadas, e o celular na outra mão, ele se remexe erguendo mais o belo tronco para sentar encostado à cabeceira da cama, o que acaba por despertar a morena pelada que dormia, quase em cima dele. A mulher o olha e sorri como se o conhecesse há anos, admirada não somente com o corpo másculo diante de si, mas igualmente com o belíssimo par de olhos, que ficam mais azuis quando iluminados pela luz do dia. Ele, por sua vez, ainda nem lembra como ela veio parar ali no apartamento dele, ou melhor, na cama dele.

— Henry! Filho, você tá me ouvindo? — Frida chega a suspeitar que ele tenha desligado o celular.

— Estou, sim, Frida... Não precisa se preocupar porque deu tudo certo e eu estou ótimo, magnífico. Olha, eu tô meio ocupado aqui agora, ok? Eu te ligo depois... tchauzinho! — É rápido e não espera para ouvir os xingamentos indignados dela. Ele dá outro trago no cigarro, analisando a figura à sua frente, com os olhos um tanto comprimidos, e coçando a cabeça, de espessos fios, curtos e loiros. — Bom dia... Como é mesmo o seu nome? — cria coragem e pergunta diretamente.

— Ai, gatinho! Desse jeito você até me magoa. Bom dia... e meu nome é Patrícia. Não se lembra da noite sensacional que tivemos? Bem, na verdade, teria sido melhor se você não tivesse passado o tempo todo me confundindo com uma tal... Lavínia. — A garota de pele morena, cabelos alisados e olhos negros o encara, fazendo expressão de manha.

— Ah! Não... Desculpe. Eu acho que tô lembrando. Quer dizer... mais ou menos. — Enquanto a vê se levantar da cama e se vestir, com uma habilidade impressionante, percebe que está de fato recordando, aos poucos, o que houve.

— Olha, fofinho... Eu nem devia ter passado a noite aqui com você. Não costumo fazer isso. Mas é que nós bebemos tanto e eu acabei capotando, depois de transarmos.

Ele olha para o próprio membro exposto, franze o cenho e se questiona se fez sexo desprevenido com essa estranha, pois isto seria um problema a mais para atormentá-lo. Contudo, suspira aliviado ao ver duas camisinhas usadas e jogadas sobre o piso, a uns escassos metros dali.

Agora, vestida, ela anda à suíte, com a sua bolsa dourada de festa em mãos. Vai à pia, abre a torneira, lava o rosto e continua a falar bobagens em tom alto – que Henry nem presta atenção –, ao mesmo tempo em que tira de dentro da bolsa uma pequena escova dental. Depois de higienizar os dentes, embeleza-se, pondo batom sobre os lábios, brincando com a imagem no espelho. Promove um estalo com a língua no palato ogival, de satisfação, por ter passado a noite com um homem belo. Volta ao quarto, fica em pé diante dele, sorrindo-lhe e levantando as sobrancelhas, num gesto engraçado, em demonstração de expectativa. Henry observa-a melhor e, embora perceba beleza na mulher, considera seu visual bastante exagerado, o que o faz rir com o canto dos lábios em menção de certo escárnio, algo quase imperceptível, verificando que ela usa um vestido tomara-que-caia vermelho gritante, muito curto e uma sandália azul com laços que rodeiam o tornozelo, com um salto altíssimo. De repente, sabe exatamente o que fazer. Levanta-se, sem acanhamento algum por estar despido, pega de dentro do bolso da calça, largada a um canto qualquer do chão de cerâmica, a sua carteira. Abre-a e retira umas notas em dinheiro, entregando-as a ela.

— Tome aqui... para comprar uma peça de roupa inteira da próxima vez. — O riso simpático não esconde a ironia.

Ela pega o miúdo bolo de dinheiro entre os dedos, contando-os, guardando-os na bolsa dourada e lhe abrindo outro sorriso maior que o anterior, por notar que ele a remunerou mais do que haviam combinado.

— Veja, meu lindo... Se fosse por mim, seria tudo grátis, o problema é que estou com umas dívidas pra quitar. Mas prometo que, se houver uma próxima vez... eu juro que não cobro um único centavo. — declara em tom lascivo.

Henry somente a olha e sua expressão é incompreensível. Então, vendo-o tão desprovido de emoção, a mulher se enerva um pouco, parece lembrar-se de algo importante, abre novamente a bolsa de festa, retirando de lá um pequeno pedaço de papel grosso e quadrado.

— Este aqui é meu cartão, gatinho. Estão aí meu número de celular e e-mail... Fique à vontade para me chamar sempre que quiser. Eu adoraria ver estes seus olhos lindos outra vez. — afirma, olhando-o, admirando-lhe os traços másculos.

Ele pega o cartão e a encara por uns segundos, como quem nem sabe o que dizer. No entanto, a resposta através do seu silêncio é um sinal de que ele a está convidando para ir-se embora, o que ela não demora a perceber.

— Bem... Eu já vou indo.

— Tá certo. Eu te acompanho até a porta. — Finalmente Henry volta a falar, aliviado que ela se manifeste a ir sem que ele tenha que ser direto. Só que antes de acompanhá-la, ele busca na suíte uma toalha que enrola na cintura, a fim de cobrir as partes íntimas. Ele a conduz à porta de saída do apartamento, abrindo-a para dar-lhe passagem.

— Olha, foi mesmo um prazer te conhecer. — A mulher ergue o braço direito e lhe acaricia o rosto, que tem uma modesta barba já querendo surgir. Olha-o com doçura e até alguma compaixão. — Te digo que, mesmo sem saber coisa alguma sobre esta tal Lavínia... posso afirmar que ela é uma tola, que não sabe o que está perdendo porque você é uma delícia de homem. Até logo. Eu te vejo por aí.

Ela se retira. Henry fecha a porta e volta ao quarto, onde novamente se lança na cama e fica fumando o resto do cigarro, pensando no que a mulher lhe disse. Gradativamente, ele retoma à memória tudo o que houve no dia anterior, a começar pelo momento em que viu Lavínia afastar-se dele, indo ao encontro do pai, na agência de consultoria financeira. Lembra-se de ter ficado numa aflição terrível por um bom tempo, vendo-a ir-se embora sem olhar para trás. Após, ele foi para a Sorelle’s Technical Marketing, sua empresa, a fim de pôr o serviço atrasado em dia, trabalhou feito um louco, ajudando na criação de um slogan-capa, links e ícones diversos para uma empresa vendedora de produtos de limpeza em geral, acertando os detalhes, aprovando ou recusando as propostas e sugerindo opções de configurações, esquemas e finalizações, fazendo até o serviço que deveria delegar a funcionários. Com efeito, tentou ocupar-se ao máximo na empresa no intuito de não pensar em Lavínia e, no fim do expediente, já quase anoitecendo, ele decidiu que precisava de uma nova distração mental. Dirigiu até o bar mais próximo e escolheu uma mesa ao fundo para se sentar. Pediu uma doze de vodca, depois outra, e mais outra. Logo percebeu que estava sendo observado por uma mulher sentada, também sozinha, a umas duas mesas adiante. Ela se aproximou, assim que ele resolveu enviar-lhe um sorriso safado e cheio de más intenções. Não demorou e Henry compreendeu que se tratava de uma garota de programa, mas ele não se importou com isso, ao contrário, achou-a um ótimo consolo para sua mente angustiada. Portanto, não viu problemas em levá-la para o seu apartamento, onde fez com que ela bebesse mais junto com ele. O demônio da luxúria reinou absoluto. Foram para o quarto e as carícias foram evoluindo até culminar em sexo. O problema é que, por euforia e embriaguez, ele teve, em várias ocasiões ao longo da transa, a nítida sensação de estar, não com uma estranha, e sim, com Lavínia. O nome da loira escapou de seus lábios sem controle algum, por inúmeras vezes. Assim, tendo em mente apenas a mulher amada, terminou por transar com uma desconhecida e lhe permitir passar a noite com ele.

Henry remexe-se na cama para voltar à sua atual realidade, sabendo que a visão de Lavínia não o deixará em paz e ele precisará de um controle emocional a mais, senão acabará enlouquecendo de vez. Anda à suíte, joga o cigarro no cesto de lixo, bem como o cartão que a mulher lhe entregou, tira a toalha da cintura para entrar no box e tomar um banho, e ir para mais um dia de trabalho, ciente de que será muito longo novamente.

[...]

Notas finais
Hahahaha... Que calor!!! Ui!! Estão sentindo??? Hahaha... Bem, resta saber como ficará a vida destes personagens, pois a partir de agora tudo pode acontecer. Espero que tenham apreciado a leitura e os encontro em breve, assim que a inspiração me "premiar" e o tempo ajudar. Beijos!!!