[HIATUS] Mudanças impuras

34 O sabor agridoce da ilusão


Notas iniciais
Oi, queridos! Como vai a vida, hein? Espero que tudo em paz para todos, pois leitores felizes são melhores para aceitar minha louca narrativa. Bom, como o prometido, posto este capítulo agora e torço muito para que o apreciem. Há nele, cenas calientes... A saber, especialmente, um Yuri completo! Além, de ter mais novidades que nos ajudarão a compreender os fatos posteriores. Bom, sem mais delongas, desejo-lhes uma ótima leitura. OBS.: Capítulo magnificamente betado por Estrela de Rubi, autora do yaoi "Vítima do Amor". Obrigada, querida!

Os momentos posteriores ao choque de verdades estimulam Vicky a agir como um autômato, ou seja, um ser palpável e movediço, mas sem ânimo. Depois de muito chorar e de lamentar-se por conta dos desgostos e frustrações, ela decide fechar-se outra vez em seu casulo particular, mesmo sabendo que tal fachada está cada vez mais perto de ruir-se. Sabe ainda que o resto do dia, assim como os próximos, parecer-lhe-á um tormento, pois não será fácil retomar a vida normal, mas se esforçará ao máximo para seguir com a rotina, tal como preparar o almoço para todas e buscar uma distração mental, lendo um livro, assistindo à programação da TV, ou qualquer coisa que a ajude a tirar da mente os pensamentos malignos, que a têm perseguido sem descanso.

Manu encontra-se com o espírito confuso, pleno de despeito e de mágoa. Tem consciência de que sua postura com Vicky foi por demais arrogante e hostil, no entanto, ela não pôde evitar de derramar sobre a morena toda a sua exaltação, sobretudo ao vê-la com o primo, Fábio, por quem agora nutre um ódio gratuito. Além disso, sentiu-se tentada a provar para Vicky – e para si mesma – que pode superar, sim, este maldito desejo que a consome, a cada segundo que a vê, que se ilude, imaginando-a por meio de uma melhora ou um tipo de cura para a sua personalidade depressiva e fraca, de quem não tem coragem para ser feliz.

Lavínia e Louise notam o clima tenso entre as ex-namoradas, mas nada dizem, achando melhor inteirar-se adequadamente sobre os fatos, antes de tentarem ajudar a diminuir o conflito.

Algum tempo após a refeição, elas vão para a faculdade.

Manu ficará recolhida em seu quarto e de lá só sairá para ir à lanchonete.

Na faculdade, após concluídos os horários vespertinos de aulas, Louise vai encontrar-se com Dico no espaço em que costumam estar, o quiosque-lanchonete, que possui mesas e cadeiras amadeiradas rodeadas por árvores enormes, que dão ótimo sombreamento e arejo ao local. Ela envia uma mensagem para Lavínia, chamando-a para que venha ficar com eles, e estranha quando a loira responde dizendo que já está em outro ponto da faculdade, que depois ela lhe explicará onde e com quem está. “Mistério! Será que essa boneca de louça está aprontando alguma coisa?”, pergunta-se Louise.

Assim que a vê sentar ao seu lado, Dico, que não está acompanhado por Jonas ou Rafa, puxa-a para lhe dar um abraço e um beijo. Louise corresponde, sem muito vigor.

— Puxa, Louise... Agora vai me tratar assim, com essa apatia? — Dico queixa-se. Está óbvio, pelas olheiras e pelo vinco querendo formar-se no meio da testa, que o belo moreno não tem conseguido encontrar tranquilidade, em parte alguma.

— Ai, Dico, me desculpa! Eu estou tentando não desanimar, mas a verdade é que eu só vou ficar sossegada quando esse seu problema for resolvido. — Louise confessa.

Ele captura as mãos dela entre as suas, beija-as e as massageia, com carinho.

— Eu garanto, meu anjo... Também não terei sossego enquanto não me livrar dessa criatura desvairada e... quando meu filho puder estar comigo sem que eu precise me humilhar por isso.

— Se humilhar? Como assim se humilhar. Do que você tá falando? — Louise intui que Dico está referindo-se a algo mais.

— Eu tive que fazer uma coisa... que eu não gostei muito, mas que foi necessária... por hora. — Ainda com as mãos de Louise entre as suas, Dico fala e desvia os olhos escuros, como que sentindo vergonha.

— O que você fez? — Louise não perde de vista nenhuma expressão feita por ele.

— Liguei para os pais da Míriam e implorei...implorei o quanto pude, para que eles me ajudem. Eu sei que eles não gostam de mim e sabem que eu também não os desculpo por terem me obrigado a casar com a filha deles, mas sei que hoje eles têm consciência de que esta atitude só gerou sofrimentos para todos.

As mãos do moreno começam a ficar trêmulas e suadas. Louise nota e sente o coração se apertar um pouco mais.

— Nossa. Que coisa horrível. Mas... eles podem, ou querem, te ajudar? — Ela questiona, pensando no tipo de humilhações que Dico teve que suportar, no período em que esteve sob o domínio dessa família cheia de confusões e distúrbios comportamentais.

— Bem... pelo menos eles concordam que não é justo a Míriam querer usar o Rubinho para me magoar, me chantagear querendo que eu volte a ficar com ela... contra a minha vontade. Eles mesmos perceberam que esse casamento foi um erro, que nunca deveria ter acontecido, pois nunca houve felicidade entre mim e ela.

— Ai... Que ódio! Que vontade de dar uma surra nessa garota idiota, desaforada... Infeliz! — A voz de Louise ganha um tom indignado, de repulsa.

— Acalme-se, Louise... Não é com violência que iremos resolver isso. Afinal, querendo ou não, ela é a mãe do Rubinho. E, por mais louca que seja, devo ter cautela para não acabar causando mais traumas no meu filho... que é só um inocente pagando pelo erro dos verdadeiros culpados.

— Hum... Pior que você tem razão. Mas o que foi que os pais dela te disseram? Eles têm alguma influência sobre a Míriam para poder te ajudar? Quero dizer... Ela ainda pode ser controlada por alguém? — sonda as chances que eles têm de solucionar, sem grandes agonias, este transtorno enorme. Ela sabe que a jovem e inconsequente esposa de Dico é uma menina repleta de transtornos psicológicos e será capaz de cometer horrores, caso venha a descobrir, de forma definitiva, que Dico nunca mais voltará a ficar maritalmente com ela. “Essa louca não vai deixar isso barato!” Reflete Louise, lançando olhares de ânsia para ele.

— A Míriam sempre foi um problema... uma garota sem limites, mimada, que acha que o mundo gira ao redor dela... Mas, quando se trata dos pais, dos quais ainda é dependente financeira, ao menos ela os obedece, quando eles fazem pressão de verdade, quando não fecham os olhos para as suas asneiras.

— Então... eles vão te ajudar? — Louise começa a sentir-se agoniada.

— Vão, sim, Louise... Eles vão! Me prometeram que terão uma conversa séria com ela e que, no próximo fim de semana, como de costume, Rubinho estará comigo. Sabe, anjo, eu acredito que este é o começo da minha libertação. — Dico dá um suspiro aliviado e sorri, tentando transmitir coragem e positividade.

— Oh, Deus! Que bom! — Ela não se contém, abandona sua postura apática e puxa suas mãos das dele, agarrando-o pelo rosto, dando-lhe beijos apaixonados e acalorados na sua boca sorridente, agora mais, por conta desta reação maravilhosa dela. Louise é, de fato, emotiva e íntegra em seus gestos arrebatadores, tudo o que quer, neste instante, é provar o sabor delicioso dos lábios do seu moreno lindo de viver.

Dico abraça-a forte, enquanto aprofunda mais o beijo, experimentando uma calmaria bem-vinda para amenizar suas preocupações e para entorpecê-lo, por alguns minutos. Seu amor por ela só tem aumentado a cada dia e ele tem medo de perdê-la, caso sua situação com a Míriam torne-se uma bola de neve. No entanto, quando abraça e beija Louise, como está fazendo agora, o mundo inteiro não seria capaz de afetá-lo, pois sua mente se desliga e ele apenas aproveita o carinho apaixonado e ardente da sua afoita namorada.

[...]

O vento suave toca a pele da loira, ao passo que ela sorri, afável e acanhada, para o rapaz, que está recostado ao muro baixo, que contorna uma parte generosa da faculdade. Lavínia, por sua vez, permanece sentada por cima deste rebaixado muro, olhando sorrateiramente para os lados, de vez em quando, receosa de estar sendo espionada por Henry, e para Pietro, que está de frente a ela, apreciando-a em cada gesto ou palavra manifestada. Estão, precisamente, num espaço aberto, de onde podem ser vistos por qualquer pessoa que estiver passando pelas proximidades dali, seja a pé ou de carro.

— Você é com certeza a moça mais linda... que eu já tive o prazer de conhecer. — Pietro declara, com franqueza, ficando corado imediatamente. Ele nem acreditou, quando ela mesma lhe enviou uma mensagem, pelo celular, marcando que se encontrassem neste ponto da faculdade, alegando que gostaria de vê-lo a sós, para poderem conversar à vontade. Por isso, eles estão ali, há quase meia hora, falando amenidades diversas, apenas para curtir a presença amistosa um do outro.

— Ai, Pietro! Que exagero... Pois saiba que te acho um ra-rapaz muito atraente também... além de ser gentil... doce e...

Ele a interrompe quando, num afã, toma-lhe o pálido rosto entre as mãos e a beija nos lábios rosados, fazendo-a desequilibrar-se e quase cair de onde está sentada, mas ele a sustenta e a põe em pé, sem cessar o beijo.

Lavínia espanta-se com a ação repentina, mas fecha os olhos e permite que ele a explore, sem resistência alguma, abre mais a boca e deixa que a língua curiosa busque a sua e percorra os cantos íntimos dela. Com efeito, ela fica até contente, uma vez que, quando pensou em convidá-lo para este encontro casual, estava na verdade em busca de consolação e uma forma de sublimar os sentimentos corruptos que a atormentam. E embora sinta alguma culpa por estar, de certa forma, usando Pietro, ela não consegue evitar, nem pensar numa saída melhor para si. Engana-se supondo que não o magoará e que, após algum tempo de convivência, passará, sim, a nutrir legítimo afeto, o que será apropriado tanto para ela como para ele. Lavínia realmente quer que nasça, entre Pietro e ela, um bom e saudável relacionamento. Fala para si mesma que é o melhor, é o mais adequado a ser feito e que, de tal modo, extirpará Henry do seu pensamento, nem que precise sofrer mais, com as sensações obscuras que se apossam dela, quando está sozinha em sua cama.

Após mais beijos molhados e cheios de promessas, ambos ficam apenas se olhando. Ele, sentindo-se feliz demais e ela, um tanto desconfiada e com ar de quem não sabe exatamente qual o próximo passo que deve dar. No entanto, Pietro quer tirar uma dúvida sobre algo que a sua irmã, Pâmela, lhe disse, quando se falaram por telefone, mais ou menos meia atrás.

— Lavínia, a Pam me falou que você está trabalhando... Isso é verdade? – Ele questiona e Lavínia logo pensa no quanto Pâmela consegue ser rápida em suas fofocas e em como ela própria foi tola, ao confessar-lhe, mais cedo, sobre o trabalho que arranjou.

— É... Olha, é verdade, sim. Eu comecei o-ontem, à noite. Eu estou trabalhando como a-atendente... numa boate. — anuncia e olha para a expressão de surpresa que ele faz.

— Numa boate? Mas, Lavínia, me diz uma coisa, sua família é rica, ou não é? — Ao vê-la acenar positivamente, Pietro continua: — Então, já que você é ainda uma estudante e já que seus pais são ricos... por que você está fazendo isso?

— Porque eu de-decidi que não quero mais ser su-sustentada pelo meu pai... Eu quero ter meu pro-próprio dinheiro. É por isso. — Apesar de sua voz sair vacilante, ela consegue dar uma justificativa, que não convence muito o rapaz.

— Bom, sendo assim... por que você não buscou algo relacionado ao seu campo de estudo, ou seja, nas artes visuais? — persiste em tentar entender o que a leva a querer trabalhar numa casa noturna.

— Por causa do di-dinheiro... pois, na minha área de estudo, não se co-consegue um sustento financeiro... com facilidade. Ah! E eu não vejo nada de ruim em trabalhar numa boate. É só um lugar que me oferece uma fu-função remunerada... apenas isso. – Lavínia sente-se um pouco enervada, pelo olhar fixo de Pietro sobre ela.

— Nossa! Também não quero ficar aqui parecendo um cara preconceituoso... Acho que você é uma garota inteligente e sabe o que faz da sua vida e, se quer trabalhar neste local, então eu lhe dou o meu apoio... — Pietro dá a impressão de que quer dizer algo mais, porém, demonstra um pouco de constrangimento.

Percebendo isso, Lavínia resolve incentivá-lo.

— Obrigada, Pietro. Seu a-apoio, para mim, é importante. — afirma, abrindo um sutil sorriso, e não se opõe quando ele volta a apertá-la pela cintura e olhá-la, extremoso, com seus olhos muito verdes.

— Eu quero sonhar com você e eu, Lavínia ... sonhar em ser o seu namorado, será que eu posso? — confessa, olhando-a fixamente. A pergunta, tão cheia de perspectiva, deixa a loira angustiada, em seu íntimo, mas ela não quer e não pode permitir que seu cérebro raciocine com transparência, pois, se o fizer, receia ter que cortar as esperanças que ele começa a nutrir.

— Hum... É claro que po-pode, Pietro, e se, com isso, vo-você estiver me convidando para começarmos um namoro... eu aceito. Quero se-ser sua namorada. — Lavínia desvia um pouco os olhos, enquanto lhe anuncia sua resposta, respirando pausadamente.

A emoção sobrepuja o rapaz, que a abraça com força e volta a querer beijá-la, o que ela aceita depressa, sentindo, contudo, uma compressão dolorosa no peito e reza internamente que ele não observe sua falta de entusiasmo.

De repente, ela toma uma decisão drástica. Olha para ele e se força a permanecer firme na fábula à qual está deixando-se tragar.

— Pietro... a Pam me falou que hoje ela vai dormir na casa de uma colega dela, que está de aniversário e que fará uma pequena festa. — Lavínia começa a falar, assim que ele a libera dos beijos.

— Isso mesmo. Por que pergunta? — Pietro fica um pouco confuso.

— É que, co-como hoje é segunda-feira, meu primeiro dia de folga do trabalho, e-eu estou pensando agora que seria bom... eu te fazer co-companhia... já que vo-você estará só. — “O que eu estou fazendo, meu Deus?” Ela questiona a si mesma, ao passo que emite a proposta ao rapaz, que fica bastante surpreso.

— Lavínia, você quer me fazer companhia, hoje à noite? Você não acha que é apressado demais? — realmente não sabe o que pensar. Sente-se admirado e alegre, ao mesmo tempo, enquanto busca seus olhos para obter uma confirmação.

— Talvez seja mesmo... Mas eu não me i-importo com isso. Eu gostaria, vo-você não? — Lavínia experimenta a sensação de ser outra pessoa a falar e não ela.

Por estar seduzido, apesar de abismado, Pietro deixa-se levar.

— Sim! Sim, eu quero. Mas... você está certa disso? — persiste.

— Sim... Tenho. — A voz de Lavínia não é mais que um murmúrio.

Desta forma, Pietro não mais se resguarda, sente-se enlevado de desejo e não vê a hora de chegar à noite.

— Está bem. Se quer mesmo ficar comigo hoje à noite, você ficará. Mas eu tenho uma condição a impor. — olha-a, travesso.

— Uma co-condição? Que condição? — O coração da loira inicia um palpitar rápido.

— Nós combinaremos um horário para eu ir buscar você na sua república. Não quero que você dependa de táxi para estar comigo. Esta é a minha condição, e aí, tudo bem pra você? — Lavínia respira, aliviada, e sorri, mesmo com acanhamento, ao escutá-lo expondo sua “condição”.

— Tudo bem. — Ela consente.

Pietro, contrastando com o humor frouxo dela, abre um largo sorriso, satisfeito.

Assim, eles ajustam os termos para a noite. Pietro procura saber a hora que poderá passar na república e se ela pretende dormir com ele ou se prefere que, após algum tempo de companhia, ele a leve de volta. Ela pede que ele vá lá pelas oito horas da noite e anuncia que não vê complicações em dormir na casa dele, o que o deixa mais exultante ainda. O rapaz começa a pensar em formas de tornar a noite um momento muito agradável tanto para ele quanto para esta que agora é, oficialmente, a sua namorada.

[...]

Na lanchonete do Raul, Manu executa seu trabalho de modo distraído e um tanto desconexo, uma vez que sua mente encontra-se longínqua da realidade que a cerca. Está mesmo sem se concentrar em nada direito. Confunde os pedidos de lanches, bem como os clientes a serem atendidos, a cada instante e, quando lhe chamam, por qualquer motivo, ela demora a compreender o que dizem. Dayse observa a movimentação estranha da ruiva e se mostra, como não poderia deixar de ser, bastante prestativa, querendo ajudá-la, mesmo desconfiando bastante dos motivos que fazem Manu estar tão desastrada.

Quando, enfim, chega o término do expediente na lanchonete, as duas caminham, como de hábito, para o ponto de ônibus de Dayse, onde tencionam ficar namorando, até que a condução resolva aparecer, pela avenida movimentada de carros.

— Manu... Por que você está assim hoje? O que houve, hein? — interroga-a, assim que elas se sentam em um banco, localizado no ponto de ônibus. Dayse olha-a fixamente, passando o braço pelo seu ombro e a puxando para ficar bem próxima dela, ao que a ruiva não contesta.

— Não houve nada, Dayse... Apenas me sinto um pouco cansada, estressada. Deve ser porque estou indo mal no meu curso e tenho tirado notas baixas, ultimamente. — libera a explicação, desviando os seus olhos castanho-esverdeados e prendendo um pouco a respiração, para disfarçar o nervosismo.

— Manu, escute bem o que vou te falar... Eu aceito quase tudo que venha de você. Eu sei que você se separou daquela menina há pouco tempo. Sei que a relação de vocês não teve um fim de verdade ainda. E até isso eu aceito. Não sou ingênua, tola ou desatenta. Mas a única coisa que eu não aceito é mentira. Então, por favor, nunca mais minta pra mim... — Mesmo antes de Dayse concluir sua reprimenda, Manu põe as duas mãos sobre o rosto lívido e desanda a chorar copiosamente.

— Me perdoe, Dayse. Eu não quis ser hipócrita... não tive a intenção de te fazer de boba. Eu respeito e admiro tudo em você. Me perdoa! — implora e continua com seu pranto.

— Ah... Mas também não precisa ficar assim. Fique tranquila. Não chore tanto, que me dói o coração vê-la dessa forma. Puxa, Manu... Eu quero te ajudar, quero mesmo! Mas não sei exatamente o que fazer. — Dayse agonia-se demais, ao ver a ruiva em estado de desconsolo.

— Me abrace, por favor... Só me abrace bem forte!

Dayse aperta Manu em seus braços o mais forte que consegue, tentando transmitir seu calor corporal, sua vontade de acalmá-la, seu afeto incondicional.

— Manu, eu estou apaixonada por você. — Ela declara com sinceridade.

— Ai... Dayse... — Manu solta o nome da outra, entre um soluço e outro, sentindo-se mais aflita ainda.

— É verdade, Manu. Não estou dizendo isso para piorar as coisas ... digo apenas porque não posso mais negar o que eu sinto. Eu sei que você não sente o mesmo, pelo menos não ainda. Mas quero que você saiba que eu não sou uma santa... Eu tenho os meus segredos, os meus pecados. E acho que, no fundo, todo mundo também tem. — As palavras de Dayse saem firmes, suaves e reconfortantes.

— É... Acho que você tem razão. Todos temos pecados para aturar. — Manu, enfim, concede, mais amena. Aos poucos, ela vai abrandando seu choro, enquanto reflete junto com Dayse sobre a vida e o comportamento humano, que é sempre cheio de incoerências próprias à sua constituição, na essência do seu ser.

Dayse sorri, compreensiva, e volta a abraçá-la.

— Bom... se não vai mesmo me contar o que houve, melhor deixarmos isso de lado, por enquanto. Não quero ver você se sentindo mal e pressionada. Quero que enxugue essas lágrimas e me dê um sorriso. Vamos, Manu, me dê um belo sorriso, isso é uma ordem! — afrouxa o abraço, estica a mão, ergue o queixo alvo de Manu e lhe mostra os dentes, num sorriso aberto, sem sombra de despeito ou mágoa.

Entretanto, o sorriso liberado pela ruiva, em obediência, acaba surgindo anêmico, forçado, fazendo Dayse acenar negativamente a cabeça, como se estivesse ante uma criança que lhe roubaram o brinquedo e não aprecia o outro que lhe dão, mas finge agrado. Sente-se livre para beijá-la na boca entreaberta e Manu retribui com a ânsia de um esfomeado, querendo encontrar neste beijo uma resposta, um alento. As línguas se roçam vigorosamente, promovendo gemidos e sons estimulantes nos beijos molhados. Tal estímulo as leva a sentirem vontade de intensificar as carícias, ainda mais depois de já terem experimentado o ato sexual e estarem conscientes do quanto foi prazeroso, para ambas.

— Manu... você já foi a um motel alguma vez? — Dayse interrompe o beijo e busca recuperar o fôlego escasso.

— Eu? Não, eu nunca fui... por quê? — Manu pressente o convite que, mas espera.

— Você gostaria de ir hoje comigo? Podemos chamar um táxi e chegaremos lá rapidinho, o que você acha? — Dayse, na verdade, tenciona proporcionar à ruiva um sexo extraordinário, no intuito de marcar um verdadeiro momento, que será sua cartada mais eficaz. Embora não esteja irritada por ver Manu exibindo um evidente sintoma de que ainda sofre pela sua ex-namorada, ela quer fazer-se presente na vida dela; quer ser mais importante para ela do que é agora, e quer ao menos tentar.

— Eu quero, sim. Quero sentir seu corpo outra vez... bem coladinho no meu. — dizendo isso, Manu é mais ousada e volta a beijar a boca de Dayse, como um meio de assegurar suas palavras.

Assim, elas esperam um táxi passar pela avenida e esticam os braços, pedindo o seu serviço. Na verdade, elas não demoram muito nesta tarefa, pois, em razão de ser segunda-feira, o movimento de clientela para os taxistas não é tão agitado.

Assim que adentram pelo quarto do motelzinho singelo, mas charmoso, elas não perdem tempo com conversas tristonhas e reiniciam os beijos e as carícias, no intuito de se estimularem muito mais. Dayse despe-se com a ajuda de Manu, que também se deixa auxiliar na retirada de suas vestes, sendo que nenhuma das duas quer interromper os beijos e terminam por demorar bastante nesta deleitosa ocupação. As roupas vão todas caindo sobre o piso de cerâmica, em qualquer canto, e as mãos passeiam pelos corpos excitados.

De repente, Dayse afasta-se propositalmente e, depois de dar uma boa olhada, pelas prateleiras e gavetas do recinto, no que há de recurso erótico ali disponível, encontra algo que a faz rir, maliciosa, e Manu corar muito. Trata-se de um vibrador peniano. Destes que são próprios, em seu formato, para atingir, rápido, o ponto mais sensível da mulher que o utilizar. Ela o segura nas mãos e o alisa com vontade, olhando pervertidamente para a ruiva, que sente o ar querer fugir dos pulmões, imaginando o que a outra está pretendendo fazer.

— Pela sua cara... eu imagino que você nunca usou esse tipo de brinquedinho, não é? — Dayse questiona-a, enquanto se aproxima, com ar de perigosa.

— Eu... não. Eu nunca nem pensei em usar isso... — Manu é sincera e se mostra, em razão disso, acanhada.

— Pois hoje você não só vai pensar como vai experimentar... e vai gemer muito pra mim. Eu garanto. — As palavras ditas assim, sem traço de constrangimento nenhum, fazem Manu engolir uma pequena dose de saliva, para umedecer a garganta seca, e dilatar mais um pouco as pupilas.

— Dayse... você tem certeza de que isso é necessário? — Manu pergunta, ao passo que a outra a envolve num novo abraço, sem soltar o objeto peniano, que está firme em sua mão.

— Ah! Qual é, ruivinha? Está com medo de mim agora? — Dayse inquire, olhando-a sensualmente. Mordisca-lhe o queixo alvo, provoca ainda mais, e esfrega seu corpo no de Manu, sorrindo de modo fogoso.

— Não... Quer dizer... É que acho meio exagerado usarmos um vibrador... você não acha? — Mesmo dizendo isto, intimamente, já está curiosa para saber que sensações esta coisa lhe proporcionará.

Dayse achega-se ao ouvido de Manu e sussurra:

— Você vai gostar... pode confiar em mim.

Manu não mais protesta e se permite usar por Dayse, ao seu bel-prazer.

Dayse leva-a à cama, sem interromper o abraço e os beijos, acomodando-se ela mesma por cima da ruiva dominada. Em seguida, explora seu corpo branquinho e sardento, sentindo descargas de choque trespassar-lhe a espinha dorsal, enquanto lambe, chupa e morde levemente cada canto de pele, fazendo Manu arfar, enrubescer e retribuir, mesmo que esta retribuição seja menos avassaladora que a de Dayse.

Tudo está gostoso e deleitável para as duas. Porém, o estímulo ganha outro nível, quando Dayse decide que é a hora de fazer o pênis eletrônico trabalhar em Manu. Dayse aciona o sistema que faz o aparelho vibrar, na medida certa, a fim de oferecer o devido serviço prazeroso. Ela perambula nas partes mais sensíveis de Manu, toca-lhe nos bicos dos seios, que se eriçam prontamente, vai descendo pela barriga alva, chega ao baixo ventre dela, torturando-a sem dó. A ruiva geme baixinho, sem conter a vontade de ser penetrada.

— Hum...! Dayse... — está quase implorando que Dayse acabe logo com o martírio.

— Shhh....! Quietinha. Sei muito bem o que estou fazendo. Eu já disse. Confie em mim, querida. — orienta, dócil, afetuosa. Contudo, antes de introduzir o pênis na intimidade de Manu, Dayse usa, primeiramente sua mão para verificar se a outra está mesmo lubrificada e gostando da ousadia com que está sendo tratada. Ao constatar que sim, ela investe, agora, com os dedos, enfiando um, depois outro. Beija e olha o tempo todo para Manu, cuidando das expressões suscitadas por ela, que arqueja, buscando controlar a respiração falha, tendo as faces muito avermelhadas e a testa começando a suar, por conta da agonia saborosa.

Dayse, enfim, começa a conduzir, o pênis na parte íntima de Manu. Encosta-o no clitóris e deixa que a ruiva sinta a vibração, causando nela, de imediato, o primeiro orgasmo. Manu libera uma exclamação pela boca e ergue a cabeça, retesando, arqueando o corpo e se oferendo para que Dayse continue a explorá-la, o que faz sua carrasca rir, com malícia redobrada, por sentir que está ganhando pontos nesta batalha de conquista. Ela procura a mão da ruiva e a prende entre os dedos que estão livres.

— Manu... Vamos... Me toque também. Eu quero sentir sua mão em mim. — Dayse ordena e é prontamente atendida, visto que a ruiva escorrega sua mão e vai colocá-la na vulva latejante e lubrificada, dando-lhe pequenas batidas e fricções, sabendo exatamente como deve agir, pois depressa adentra com o dedo na cavidade quente e molhada, movendo-o num compasso rotativo, entre lento e apressado.

Sem mais nem menos, Dayse vai introduzindo, o vibrador acionado, pela abertura molhada de Manu, que não lhe revela que jamais teve sua intimidade penetrada por pênis algum. De fato, Manu é virgem neste sentido, pois que, anteriormente, só se havia relacionado com duas mulheres. Uma, quando era adolescente, no período ginasial, numa escola em que estudava, com uma menina chamada Sabrina. A outra garota, por sua vez, é Vicky, a morena que veio para desestruturar e causar nela um impacto emocional tão grande que talvez seja mesmo algo incurável. Todavia, agora ela não pensa em nada, nada além de aproveitar o prazer imenso que Dayse oferece-lhe. Prazer este que é único e original, para ela. As mãos experientes de Dayse fazem movimentos de vai-e-vem com o aparelho, imitando uma penetração normal, de um pênis verdadeiro. Manu passa a gemer mais alto, a contorcer-se de forma quase incontrolável e correspondendo com mais vigor, quando a outra lhe busca a língua, em sua boca, para sugá-la, simultaneamente ao movimento das mãos.

No pequeno quarto, tudo o que se pode ouvir são gemidos e arquejos das duas garotas, que vão liberando seus orgasmos, numa torrente cada vez mais acelerada. Esta viagem erótica durará por um tempo imensurável, já que ambas estarão, por horas, perdidas em carícias e ofegos até que o clímax as faça parar e lhes dê sua benéfica calmaria pós-gozo. O que está acontecendo, para Manu, é legítimo sexo, sem pudor ou limites. Uma entrega deliciosa, mas sem muito envolvimento emocional, o que é justo o oposto para Dayse, que julga estar realmente comprovando sua paixão nobre e singela. Ela se ilude, ao crer que todo o seu desempenho é o bastante para desintegrar a figura cicatrizante de Vicky sobre Manu, o que lamentavelmente não está acontecendo, de fato.

[...]

No horário combinado, Pietro surge na república, com seu veículo, um Uno em tom branco, para buscar sua namorada. Lavínia nem o deixa entrar na casa e já o encaminha de volta ao carro para, imediatamente, irem à residência dele. Lá chegando, sem delongas, Pietro a faz sentir-se à vontade, guardando os pertences que ela trouxe consigo, que considerou necessário para pernoitar, num quarto de hóspedes. Ele evidencia, assim, que não tentará nada de mais atrevido com ela, pois quer mostrar seu jeito respeitoso de ser, de quem não faria algo que não fosse plenamente permitido e consciente, por ambos, ainda mais considerando apressado demais terem intimidades, além dos beijos.

Lavínia, por seu lado, têm os pensamentos em desordem, fazendo-a agir contrariamente ao seu modo usual de moça recatada e correta. Por isso, após comerem as pizzas que encomendaram, de terem feito suas higienes, antecedentes ao pernoite, e de terem selecionado o filme que assistirão, ela sugere que o tal filme seja assistido no quarto dele, pois alega não haver empecilho algum nisso.

— Lavínia... não seria melhor ficarmos na sala mesmo? Como pode ver, o sofá é grande e confortável... e eu não quero que você ache que vou abusar da sua companhia, nesta e nem em qualquer noite que queira passar comigo. Não farei nada que você também não queira, isso eu prometo. — pronuncia afoitamente Pietro, olhando-a com seus olhos verdes, sorrindo, meigo.

Eles estão sentados no sofá, enquanto dialogam e decidem onde irão, de fato, assistir ao longa-metragem, um romance-comédia de origem francesa, que tem ironicamente o título de Fille, mon appétit est juste vous!, traduzido como Garota, meu apetite é só você!.

— Eu sei disso, Pietro. Já percebi que você é um cavalheiro... que jamais se aproveitaria de mim, se eu não quisesse. Mas... eu não me importo de fi-ficarmos em seu quarto... não vejo problema nisso. Eu vi que a te-televisão de lá é enorme e acho mesmo que se-seria muito melhor... Vamos? — enrola-se um pouco, mas termina por formar alguma argumentação. Ergue-se do sofá e faz o convite, esticando o braço e a mão, ao seu rumo, mostrando seus lindos dentes e fazendo o pobre rapaz dar um suspiro apaixonado.

— Bom... sendo assim, se você realmente não vê problemas... — Por fim, ele concorda. Segura a mão delicada que lhe é estendida, levanta-se, pega o DVD do filme e, com ele em mãos, conduz a loira.

Caminham abraçados, em direção ao quarto dele. Pietro não está totalmente à vontade, pois, embora se encontre em sua casa, experimenta um efeito de estranheza por ela o estar vendo em trajes muito informais, um conjunto de pijama, do tipo short e blusa em tecido malha-algodão, em tom azul. Contudo, o que mais o está afetando é, igualmente, vê-la tão desinibida, numa camisola feminina rendada, mesclada de branco e rosa-claro, que a deixa tão linda quanto atraente, especialmente por estar com as madeixas prateadas soltas, brilhantes, emoldurando sua bela e angelical face. E o pior, ou melhor, é que, quando ele põe o filme para rodar na TV e se recosta à cama, que é de casal – já que ele sempre apreciou o benefício do espaço e do conforto na hora de dormir – ela, à sua esquerda, como a querer fazê-lo ficar sob tensão, achega-se, bem perto dele, com sua almofada e manifestando uma excepcional atitude atrevida, pega o braço direito do rapaz e o passa, ela mesma, por cima de seus alvejados ombros, dispensando o travesseiro e preferindo repousar sua cabeça no tórax dele.

— Lavínia... — Ele murmura, em sinal de alerta, sentindo o coração querendo descompassar. Por mais que Pietro tente, não consegue mesmo se concentrar nos acontecimentos do filme. Mas com ela agindo assim, sua desconcentração aumenta vertiginosamente.

— O que foi? Estou fazendo algo errado? — Ela questiona, fazendo cara de inocente. Olha para o rapaz e sorri, ao passo que se move, melhor posicionando-se e colocando uma perna por cima da dele.

Pietro fica imediatamente nervoso.

— Lavínia! Ah... Desse jeito vamos acabar fazendo coisas... das quais podemos nos arrepender depois. — declara, olhando suplicante para a tentação deitada sobre si.

— Você se arrependeria de ficar comigo? — faz uma expressão de lamúria, quase infantil.

— Não! Não é isso que eu quero dizer. É que... bem... Só acho que estamos indo com muita pressa... e talvez isso não seja o adequado. — explica, como se estivesse ante uma garotinha indefesa e que lhe causa ânsias de desejos sórdidos. Pietro quer realmente ir com calma, pois receia ir além do que é apropriado e, de verdade, acredita que Lavínia está tentando-o, mas sem ter consciência disso, de forma não-premeditada, uma vez que a enxerga como uma moça simples, meiga e frágil.

— Mas, Pietro, nós somos namorados agora... ou não somos? Puxa! Não vejo nada de-demais em ficarmos abraçadinhos... — Ela não desiste de querer atuar como se não notasse a malícia existente em sua postura, que o está atordoando a cada segundo. Então, ela se remexe, ficando mesmo quase inteiramente por cima dele, colando seus corpos. Pietro percebe que seu membro dentro do short-pijama está dando mostras involuntárias de um excitamento. Ele reflete e busca na memória quando foi a última vez que fez sexo, atribuindo a isto sua vontade de se largar de vez e atacar a inocente que lhe olha com olhos de menina mendicante.

— Lavínia... entenda. Se você continuar colada assim em mim... eu vou acabar fazendo uma loucura com você... e eu não quero que me veja como um depravado... um aproveitador. — As afirmativas queixosas de Pietro são ignoradas pela loira possuída. Ela não só permanece em cima dele como se remexe ainda mais, buscando ficar rente à sua face meio constrangida.

— Agora fiquei curiosa... Que loucura faria comigo? — persiste na categoria de Lolita—ingênua.

— Hum...! Ah! Quer saber? Depois não reclame... pois foi você quem pediu... — Ele libera um pequeno brado, antes de arremessar-se sobre ela. Põe as duas mãos sobre o belo e, agora, assustado rosto de Lavínia e a beija com gosto, com vigor encorpado. E, embora ela não previsse o imenso entusiasmo dele, corresponde ao gesto efusivo.

Há desejo em Pietro, enquanto adentra com a língua convulsa pela boca da loira e desce com os braços, apertando-lhe a cintura com um e a empurrando para deitar suas costas na cama, com o outro, no intuito de postar-se sobre ela, completamente. De fato, Lavínia, não esperou acordar um vulcão que estava adormecido dentro do tímido rapaz e experimenta uma sensação de descontrole das ações que se sucederão. Tudo o que ela quer, na realidade, é esquecer um pouco as emoções advindas do envolvimento pernicioso que teve com seu irmão, no passado, e que a faz sofrer. Não obstante, ao ser explorada, com tanto arrebatamento, fica em estado de temor, principalmente, porque seu cérebro a atraiçoa e a faz visualizar-se sendo sobrepujada não por Pietro e, sim, por Henry. Ela inicia um processo de angústia que vai crescendo e crescendo dentro de si, ao passo que Pietro, cego de desejo, não percebe e continua bolinando-a com vontade. Ele não se dá conta das queixas que ela libera pelo nariz, por estar absorto, sugando-lhe os lábios, gemendo e lhe apalpando pelo corpo todo, onde as mãos podem ir, nos ombros alvos, no pescoço macio, emaranhando-se com os dedos entre os cabelos prateados, e no rosto avermelhado, prendendo-o para não lhe escapar. O membro dele se anima mais e ela sente o volume abaixo de si e, por fim, começa a se debater, praticamente em desespero, ao ver que ele não está notando sua aflição.

— Não! Pietro... Já chega! Eu não quero mais... Para! — suplica, assim que tem uma oportunidade, quando ele a deixa respirar.

Pietro ainda demora um pouco para entender o que há e se espanta ao vê-la chorar. Só por isso que ele encerra sua exibição de vontade desmedida.

— Lavínia! Oh! Meu Deus, o que eu fiz? Me perdoe... eu não pretendia fazer assim... mas você é uma tentação e me deixou sem saída. Viu como eu tenho razão em achar que estamos indo rápido demais? — Sai de cima dela e fica apenas ao seu lado, na cama, olhando-a com sentimento de piedade, por achar que ela não fez nada de propósito. Ele pensa que caberia a ele próprio ser o bom anfitrião a saber, suavemente, conduzi-la nesta noite, sem jamais ceder aos seus anseios sexuais, reprimidos há algum tempo, por conta do regime forçado. Por tal motivo, Pietro sente remorso por ter abusado dela com tamanho desgoverno, achando-se o único culpado por suas lágrimas desesperadas.

— Não... Eu que peço de-desculpas. Eu sou horrível! Eu que te pro-provoquei. Você não te-tem culpa alguma. Ai...! O que eu estou fazendo... com a minha vida? — Lavínia libera os desabafos, em meio ao pedido de desculpa. Ela cobre atormentado rosto entre as mãos trêmulas, querendo sumir de vergonha.

− Está bem, Lavínia. Por favor, vamos nos acalmar. Não chore mais! Eu prometo que não faço mais isso... Eu juro! Não quero estragar nossa primeira noite juntos. — Ele confessa, olhando-a, algo ansioso.

Lavínia, então, resolve mudar sua atitude, para a mais honesta possível.

— Pietro... Será que você co-consegue ficar só abraçado comigo? Agora só quero... um abraço. — Lavínia pede, enquanto lhe envia um olhar como o de uma pessoa meio perdida.

— Mas é claro que sim, bonequinha. Venha aqui. Ficaremos só abraçados... e nada mais. — volta a se deitar e a acolhe nos braços, na intenção de, por fim, terminarem de assistir ao filme em paz.

Entre uma lágrima e outra, Lavínia ainda libera um riso, o que faz Pietro ficar intrigado.

— O que foi? Por que soltou este risinho aí? — Ele questiona, com ar desconfiado.

— Porque você me chamou de uma fo-forma que apenas a Louise, minha melhor amiga... me chama, de bonequinha. — Lavínia revela, ao passo que começa a ficar mais tranquila, abraçada ao rapaz gentil, que quer apenas ser bom para ela.

— Já gosto da Louise... antes mesmo de ser apresentado a ela. — Pietro brinca, apertando-a mais, para lhe transmitir segurança e harmonia.

[...]

Notas finais
Viram aí, amigos? Quanta informação para um só capítulo, né. Vamos organizar as ideias junto comigo, tudo bem? 1. Vicky continua depressiva, ao ponto de nos dar raiva desta morena gostosa. 2. Manu está super confusa, enciumada e magoada, e ainda querendo matar o primo de Vicky, o Fábio. Tadinha da ruiva! 3. Louise e Dico permanecem sem ter uma definitiva solução para os problemas do moreno. A louca da Míriam parece que continuará sendo uma pedra no caminho desses lindos namorados. Ai, quem quer aí juntar uma turma da pesada e ir dar uma surra bem dada nessa garota malcriada??? Eu!!!! 4. Pietro está, cada vez mais, encantando-se pela bela e inocente Lavínia. OMG! Alguém diga para esse nerd pinguim-surfista no que ele está enfiando-se! O pobre rapaz tende a sofrer das dores de amor novamente. Coitadinho! 5. Lavínia está agindo por pleno desespero. Ela tenta a todo custo tirar Henry da sua cabeça. Mas, sua atitude está-se mostrando como uma verdadeira covardia, pois ela deveria ser honesta com Pietro, vocês concordam? 6. Manu e Dayse são perfeitas amantes. Quem duvida? Acho que ninguém. Olha, este brinquedinho que Dayse usou na ruiva deixou-me excitada... Que vergonha!!! ❁ ⁀ ‿ ⁀❁ 7. Bem, por fim, temos que Lavínia não conseguiu levar adiante sua ideia de entregar-se a Pietro numa tentativa vã e absurda de extirpar Henry (o gatão de olhos azuis) do seu coração, sobretudo por estar angustiada e com remorsos a corroer-lhe sem fim, devido aos sentimentos pervertidos que sente por este que agora sabe ser o seu irmão. Que drama! ✼ ✻ ✺✼ ✻ ✺✼ ✻ ✺ É isso aí. Confesso-lhes que não tenho ainda um prazo acertado para postar o próximo capítulo que, portanto, pode sair logo como pode, infelizmente, demandar mais tempo. Peço-lhes compreensão e torço para que continuem comigo. Beijos e até mais.