[HIATUS] Mudanças impuras

19 ”Gentileza” gera “gratidão”


Notas iniciais
Gente! Eu preciso começar agradecendo aos meus leitores queridos, tanto aos visíveis quanto aos fantasminhas camaradas. Hahaha... Obrigada! Ah! Quando quiserem uma folga dessa minha narrativa meio louca, sugiro-os que deem uma olhada na fic de minha outra amiga aqui neste site, Dreyar com o seu excelente yaoi "Inflame". É o máximo! E não esqueçam de "Vítima do Amor" que é outro enredo maravilhoso! Hahaha... Olha eu fazendo marketing para as outras fics! *** Queridos, confesso-lhes que este capítulo fez-me experimentar emoções diversas: Impaciência, irritação, riso frouxo, agonia e, por fim, excitação e prazer. Hahaha... Um verdadeiro caleidoscópio emocional! Torço imensamente que sintam o mesmo. Beijos e boa leitura! OBS.: Não se oprimam nas primeiras linhas um tanto tediosas.

Somente perto do meio dia é que Isadora permite que Henry vá embora, alegando que eles demorariam muito a voltar a se ver, portanto, ele não poderia negar-se a ficar com ela por mais algum tempinho. Sendo assim, antes de ir-se, Henry fez com que ela repasse toda a performance que deveria empreender, frente ao alvoroço notório, que ocorrerá nos próximos dias. Passo a passo, ele a obrigou a repetir cada palavra que deveria ser dita e a pensar em cada argumento que seria usado para refutá-la, destacando que, quando ela não soubesse o que dizer ou como se defender de possíveis ofensas ao seu modo libertino de vida, ela deveria proferir algo como: “Não é por que eu sou uma ex-participante de um reality show que não mereço respeito e dignidade”. Isadora, por sua vez, quase enlouqueceu Henry com tantas perguntas sobre o seu amor secreto e ele teve que se desviar de todas, sempre dizendo que ela não conhece a moça em questão que não adiantaria falar a este respeito, apenas confessou que é diferente de todas e que ela não admite ainda estar também apaixonada por ele, mas está confiante disso.

Agora, dirigindo de volta para casa, Henry encontra-se contente, por ter visto e acertado as coisas com Isa, sabendo que seria apenas questão de dias para a “bomba” explodir e atingir em cheio o senhor Gregory Albuquerque. Não obstante, sua fixação mental, no momento, é nada mais que Lavínia. São tantas dúvidas a lhe atormentar que teme não dar conta. Gostaria de ter certeza de que o fato de haver um laço sanguíneo entre eles não seria o maior entrave ao relacionamento amoroso que deseja estabelecer com ela e, sim, apenas a continuidade da vingança, pois, se assim fosse, poderia explicar tudo e convencê-la a entender o seu lado. Afinal, não é só questão de vingança, existe um ingrediente a mais neste caldo: a justiça. Gregory Albuquerque plantou embustes, desilusões, mágoas, desesperança e morte. Alterou drasticamente a existência de inocentes, incluindo a da amante dele, Abigail – que teve um fim horrível – e dos dois filhos desta mulher. “O que ele deveria colher então? Quem faria justiça a essa ofuscada mulher?” Entretanto, considera que precisa tomar uma atitude rápida, pois Lavínia está saindo do seu controle. Não pode fazê-la alimentar mais ódio por si, embora desconfie, por larga experiência com mulheres, que não seja exatamente ódio o que ela está sentindo. Também não daria para mantê-la aprisionada pelo resto da vida. Afinal, ela tem uma rotina de afazeres de uma estudante normal e que se encontra estagnada por culpa dele, há quase um mês. Conclui que é preciso ganhar mais pontos, ir conquistando-a aos poucos, de verdade. Pensa assim enquanto chega à frente dos portões de ferro de sua propriedade, faz todo o procedimento necessário para adentrar. Abre os cadeados, põe o carro para dentro, fecha tudo de novo e segue com o automóvel adiante para estacioná-lo no local de sempre.

Ao entrar em casa, estranha o fato de não escutar Frida chamando-o imediatamente, mas ele já imagina o porquê. Vai direto para o quarto dela e a vê repousada na cama, com uma expressão preocupada, identificável mesmo através dos olhos fechados. Ele já vai voltando, na ponta dos pés, para não acordá-la.

— Pensei que não voltaria para o almoço, Henry. — Ela o surpreende, falando, abrindo os olhos e se sentando na cama.

— Bom... é que cigarros de qualidade não são fáceis de encontrar. Demorei mais que o previsto. — retrocede e diz tais palavras com a maior cara-de-pau.

— Não confia mais em mim, filho? Por que não me conta logo a verdade? O que está tramando contra o tal empresário? — Frida demonstra curiosidade.

— Continue de olho na televisão que você vai ver? Basta prestar mais atenção aos telejornais nos próximos dias... e deixar um pouco as novelas de lado.

Ela franze ainda mais o cenho, intrigada.

— Tá. Não vou mais insistir nisso. Que seja como você quiser! — parece desistir de tentar descobrir a informação. Dá um suspiro resignado, ao passo que se levanta da cama e se aproxima dele. — Eu estava te esperando para comermos juntos... como sempre fazemos aos domingos.

— Claro! Por isso que vim aqui em seu quarto... pra te chamar. Mas você parecia estar dormindo e eu não quis atrapalhar. — disfarça, pois, de tanto estar focado em Lavínia, não se passou nada mais sua mente. Porém, como um ator, segura as mãos dela e dá um amplo sorriso para lhe amolecer o coração.

— Sério mesmo, filho? Que bom! Então vamos... vamos para a cozinha que eu acabei de fazer a comida. Está tudo bem quentinho, do jeito que você gosta. — vai trazendo-o pelo braço.

— Frida, e ela? Você já foi lá deixar o almoço dela? — tenta falar com naturalidade, mas a ruga em sua testa denuncia sua considerável inquietação.

Eles continuam caminhando na direção da cozinha.

— Eu fui vê-la agora há pouco e... Bem... Ela ainda está dormindo. Mas não se preocupe, que o remédio não é tão forte assim, embora ela estivesse de estômago vazio. Já eu vou lá e a acordo para comer algo, só tenho medo que ela comece a querer fazer greve de fome de novo. Ela está muito chateada com você, Henry... e com medo de que você mate o pai dela. — fala o que pensa sem analisar o efeito de suas palavras em Henry, que fica logo incomodado.

— Ai, chega, Frida! Eu não vou matar ninguém! Pode sossegar que isso é a única coisa que eu ainda não pensei em fazer com aquele desgraçado. Quanto a ela. Deixa comigo. Depois eu mesmo vou lá, levo o almoço e converso com ela. E nem venha querer me impedir! — resolver abrandar a expressão, assim que a nota resignada. — Vamos, coloque a nossa comida.

Henry senta-se à mesa da cozinha e espera o prato ser servido. Não tem a menor fome, mas sabe que terá ao menos que fingir comer com vontade para satisfazer Frida e manter a promessa que lhe fez de comerem juntos todos os domingos, seja no almoço ou no jantar, ou em ambas ocasiões.

Frida come animadamente e fala o tempo todo, relatando novos detalhes de sua viagem em visita aos parentes que moram no interior, isto porque está feliz ao ter Henry em sua companhia, na hora da refeição. Ela, quase sempre, é obrigada a comer sozinha, assistindo à TV ou escutando o rádio – presente que ele lhe deu no dia das mães – e que mantém sobre a baixa estante de louças, na cozinha, como companheiro consolador nos momentos de solidão. Portanto, tê-lo ao seu lado na mesa é para si uma grande alegria.

Henry apenas simula comer e torce para ela não perceber, o que quase dá certo.

— Você não comeu nada, Henry. — reclama, enquanto reúne os pratos para pôr na pia.

— Mas estava tudo muito bom, eu garanto. É que... eu tô sem fome mesmo, só isso. — impõe o máximo de verdade em suas palavras. Não quer magoar o orgulho de cozinheira prendada que ela possui.

Ele a ajuda a reunir toda a louça suja e confere a hora no relógio da parede, que marca treze horas e quinze minutos.

— Frida, prepare a bandeja com a comida dela. Eu vou lá no meu quarto e já volto pra buscar... Tá certo? — olha para a senhora com expressão de quem não vai aceitar um não como resposta.

Frida apenas acena positivamente.

Henry sai da cozinha, atravessa a sala e sobe as escadas com alguma pressa. Ele tem algo em mente e quer colocar em prática para ver no que vai resultar, esperando que seja bom. Ao entrar em seu quarto, retira de um bolso e coloca sobre sua mesa de estudo o celular, do outro, a carteira e o maço de cigarros. Quando abre a gaveta do criado-mudo, para encontrar a bateria pertencente ao celular de Lavínia, vê, junto com a tal bateria, o seu estiloso isqueiro prateado, que há muito não usa. Há ali igualmente umas pastilhas de menta que inibem o hálito forte do fumo, a chave do quarto da loira e, para sua surpresa, está também o celular dela, que ele trouxe para seu quarto, em algum momento posterior à sua vinda à casa, mas que lhe foge à memória a ocasião. Ele sorri achando que tudo isso é um bom presságio. Está nervoso e opta por fumar um pouco, para desestressar. Senta-se na cama, com a bateria do celular de Lavínia em uma das mãos, olhando para a cópia da chave perto de si, enquanto fuma calmamente o seu cigarro, deixando a nicotina invadir seu cérebro e o entorpecer com a ilusão de que tudo vai dar certo.

Decidido, ele abre e repõe a bateria ao seu devido local, no celular. Encaixa as peças e aciona para acender o visor da tela principal, denunciando que o aparelho está em pleno funcionamento e não está nem descarregando, pois havia sido desconectado antes de isso acontecer. Não demora nada e o aparelho se anima, com sons de toques de mensagens e de ligações perdidas, inúmeras. Henry nem se dá ao trabalho de olhá-las para apagar tudo. Deixa o celular sobre a cama e vai à suíte, molha o rosto, escova os dentes, olha-se no espelho sem se ver, pois sua mente está no cômodo a uns metros de si, no que se encontra Lavínia. Volta ao quarto, pega e tira, de dentro da caixinha plástica uma drágea de menta, que põe na boca, lembrando-se que este gesto lhe é costumeiro, pois sempre o fazia após fumar. Ainda em movimentos ágeis, devolve a caixa miúda para a gaveta e a fecha. Retoma de cima da cama o celular, coloca-o no bolso e deixa o recinto.

Tão frenético quanto antes, e já com a chave firme na mão, desce as escadas e encontra Frida ainda na cozinha, lavando as louças. Percebe que a bandeja com o almoço de Lavínia está pronta.

— Tá tudo aí, Henry... coloquei também um copo com suco e água na nova jarra. Essa é de plástico... Cuidado pra não deixar cair! Dá trabalho levar essa bandeja, mas é melhor, porque cabe muita coisa em cima dela. Tomara que essa menina aceite comer um pouco... — Frida nem percebe que fica falando sozinha, uma vez que ele não perde tempo em pegar a bandeja e sair novamente.

Henry entra no quarto e apura a vista para enxergar em meio à parcial escuridão proporcionada pelas cortinas fechadas. Ele põe a bandeja sobre a mesa de madeira, volta, encosta a porta e a tranca, deixando a chave meio distorcida no orifício do trinco, no intuito de dificultar a entrada de Frida, caso ela queira vir em seguida. O ambiente está um pouco frio por causa do ar-condicionado, que está ligado. Então, caminha à janela de vidro para abrir completamente as cortinas. Depressa, o quarto é iluminado pelos raios do sol.

Henry sorri de fascinação, ao ver Lavínia, dormindo feito um anjinho. Ela havia feito uma pequena bola com o lençol e o colocado entre o pescoço e o queixo, segurando-o com as mãos delicadas, uma por baixo do tecido e a outra por cima, apoiando o rosto, que está meio de lado meio de frente, assim como o corpo, numa posição quase fetal, provavelmente por conta da friagem. Veste uma blusa um pouco apertada, de tom cinza-claro, e uma saia de tecido com estampas em cores róseas. As pernas estão à mostra e dobradas, uma passada sobre a outra. As madeixas loiras estão cobrindo parte da sua fisionomia.

Ele se senta na cama e se encurva para aproximar-se mais, passa um braço ao redor do corpo esguio e o apoia rente à almofada abaixo de sua cabeça, enquanto a outra mão afasta uns fios prateados para expor a face empalidecida, dotada de belos traços. Seus olhos semicerrados não se desgrudam dela, ao passo que experimenta uma vontade enorme de acariciá-la. Suspira de modo apaixonado.

— O que eu faço com você, hein? — sussurra e, ao percebê-la ainda desacordada, não se contém, os dedos abusados correm por sua face e boca, contornando-as suavemente. — Ah, meu amor! Se você soubesse que é a minha fraqueza... o meu real vício... o que faria?

Não resistindo ao deslumbre que o toma, ousa mais, começa a depositar beijos levíssimos na bochecha, rente à lateral da boca, saboreando este toque, enquanto aspira o frescor da pele sedosa. Contudo, Lavínia esboça alguma ação, mexe-se, mudando de posição, ficando de frente. Depressa, Henry detém a carícia, retira também a mão e o braço, repõe a postura e ajusta os ombros para que fiquem eretos, mas permanece sentado. Fica um pouco tenso, pois tudo o que menos precisa nesse momento – em que recém tiveram uma altercação bastante desagradável – é que ela acorde e o perceba bolinando-a, aproveitando-se de seu momento de sono, por se achar sob o efeito do medicamento. Resolve que é melhor despertá-la sem delicadezas sugestivas.

— Acorda, Lavínia. Já dormiu demais. Ei! Vamos... Acorda. — vendo que ela continua dormente, Henry não vê outra opção a não ser sacudi-la pelos ombros. — Acorda!

— Hum? Quê? Que gritaria! Me deixa. Me larga! Tô com sono! — Ela se queixa, com os olhos fechados, tentando livrar-se das mãos de Henry.

Ele a solta e pensa por alguns segundos. Levanta-se e anda um pouco. Depois, volta a se aproximar da cama e fala novamente.

— Lavínia! Tá me escutando? Ei! Abre os olhos! — insiste para fazê-la ouvir o que tem a dizer.

— Hum... Me deixa em paz! Eu já disse... que quero dormir! — Ela cobre o rosto completamente com o lençol e se vira para o outro lado.

— Pois durma, então! Eu vou sair e levar este seu celular aqui... que está funcionando muito bem. Justo agora, que ia te deixar ligar pra quem você quisesse. Uma pena! — fala bem alto e já se vai encaminhando à porta.

— Espera! Henry! O... O que você disse aí? — Lavínia luta contra a sonolência ao escutar as palavras dele, esfregando as costas dos dedos sobre os olhos e tentando abri-los.

— Eu disse que vou sair e te deixar dormir, ora! — ri, cínico, contente por ter obtido a reação esperada.

— Não! Você disse outra coisa também, sobre... me deixar ligar. Você disse... disse... Ai! Eu preciso... lavar o meu rosto pra ver se eu acordo. Que droga de sono é esse? Me sinto fraca. — Com dificuldade, Lavínia levanta-se da cama, mas sente um estonteamento imediato e só não cai porque Henry é rápido, amparando-a pelo dorso.

— Que merda de remédio que a Frida te deu pra você ficar assim? Deixa eu te ajudar. — segurando-a firme com um dos braços, Henry põe o celular na cama e a leva até o banheiro, onde busca a pia, molha a mão e a fricciona sobre o rosto dela. — Nunca mais ela vai te dar isso. Eu juro. Que droga! — exaspera-se por vê-la anêmica, corpo-mole. Prefere-a brigando, insultando e agredindo do que assim.

— Para... de gritar no meu ouvido! Eu não tô surda... só tô com sono e... zonza! — Seus movimentos, estão lentos, meio desconexos. Mas a água, pelo menos, ajuda-a a manter os olhos abertos.

— Já consegue se equilibrar em pé e andar sozinha? Se sente mais acordada? — solta-a apenas para testar sua locomoção motora, sem parar de avaliá-la um segundo sequer. Ao ver que ainda apresenta traços de vertigem, ele fica impaciente e começa a forçar a blusa dela para cima, tentando tirá-la.

— O que... O que tá fazendo? Solta... a minha blusa! — Por estar muito tonta, Lavínia não consegue impedi-lo de despir a sua blusa. Também não tem como sair de perto dele, pois está prensada entre a pia e o seu corpo dele.

— Lavínia, só molhar o rosto não vai adiantar. É melhor tomar um banho e frio, de preferência. — joga a blusa dela de lado e passa para à saia. Suas mãos são rápidas, firmes e ágeis, descendo a tal peça e, trazendo junto com esta, a calcinha, sob bambos protestos da moça.

— Vai querer... abusar de mim... assim? — tenta empurrá-lo, mesmo estando frouxa demais para isso.

— Claro que não! Lavínia, confia em mim, caramba! Eu jamais abusaria de você dessa forma. Nunca. Eu não sou um canalha aproveitador. — É tão enfático e sua expressão é tão séria que ela é obrigada a ponderar que talvez esteja sendo sincero. E, de fato, ele não pensa em nada relativo a sexo neste momento, apenas em despertá-la do estado de dormência, por isso fica indignado.

— Tá... tá... Eu entendi! Talvez tenha razão... melhor eu molhar o corpo todo. Mas pode me soltar... Eu acho que já consigo ir para o chuveiro sozinha. E não precisa ficar aqui. Pode sair! — olha-o de forma rígida e demonstra estar ciente do que diz, enquanto dá os primeiros passos segurando-se nas paredes, mesmo adivinhando que ele não sairia.

Henry efetivamente apenas fica calado, cruza os braços, encosta-se à pia, vendo-a caminhar lentamente, até entrar no box e ligar o chuveiro. É óbvio que, apesar de tudo, ele não evita de se deleitar com o belo corpo nu e sente prazer em apreciar cada traço dela. Mas tenta a todo custo não demonstrar tal emoção.

Ela sente a água escorrer por seu rosto e corpo, evitando molhar de novo os cabelos e intuindo, vergonhosamente, os olhos de Henry às suas costas, que já se movimenta em busca de toalha, encontrando a mesma que foi usada horas anteriores, pendurada no aparador da parede da suíte. Depois de alguns minutos, Lavínia sai do box mais desperta, recebe a toalha e se cobre sem demora.

— Você também precisa comer e rápido... pra ganhar cor nessa cara pálida. — Henry afirma, mais tranquilo por observar que ela mostra um aspecto melhor.

— Tá agora preocupado co-com a sua... prisioneira? — É hostil e, embora a voz saia um tanto falha, não esconde o ar de total desgosto. Contudo, quando tenta sair do banheiro, Henry fica rente à porta aberta, empatando-a e lhe olhando firmemente.

— Lavínia... Me perdoa! Eu garanto que não quis te enganar ou me aproveitar de você, como me acusou de ter feito. Eu não gosto de manter você presa aqui. É horrível pra mim também ter que fazer isso com você. Acredita em mim. Tô falando a verdade. — afirma, categórico.

— Mas o que houve entre nós não foi... o su-suficiente para mudar os seus planos. O momento de distração acabou. Agora você volta a ser o meu carcereiro! E não vai mais... me deixar sair desse quarto tão cedo, não é? Ou vai? — fica ereta, encara-o. Porém, vendo que ele a observa como quem apenas avalia suas palavras, decide completar o questionamento, mudando de assunto: — E so-sobre aquilo ... que você falou de me... me deixar ligar? — experimenta um nervosismo urgente por, talvez, poder falar com quem tanto quer.

Henry olha para ela por mais uns instantes e simplesmente sai do banheiro sem responder nada. A garota fica confusa e, segundos depois, segue-o, indo encontrá-lo em pé, no meio do quarto, tendo em mãos o que ela identifica como sendo o seu celular, mexendo nos contatos e fingindo estar submerso nesta tarefa.

— Meu celular! — Lavínia fica surpresa, ao ver que o aparelho está funcionando mesmo.

— É o seguinte... — Henry ergue a vista para olhá-la com expressão contraditoriamente animada. — Primeiro você se alimenta... depois a gente conversa sobre isso aqui. — balança o celular no ar como se fosse “um osso que jogaria a um cachorro”.

— Tudo bem... E-Eu só vou me vestir e... e... — Ela não perde tempo. Abre o guarda-roupa e pega uma calcinha bege, um short jeans e uma camisa de mangas longas com estampa xadrez de tons avermelhados. — Eu volto logo.

Ansiosa, Lavínia entra novamente na suíte e encosta a porta. Henry acha engraçado perceber que ela se esconde para que não a veja despida outra vez, porém, nada comenta para não irritá-la. A única coisa que faz é trazer a bandeja para cima da cama e esperar o retorno dela. Minutos depois, ela volta, já vestida e penteada. Olha de novo o celular nas mãos dele e fica um pouco temerosa de que esteja somente iludindo-a. Senta-se ao lado da bandeja posta sobre a cama, pega primeiramente o copo com suco de abacaxi e bebe com gosto, pois está com sede. Só então inicia a refeição e descobre que se encontra com mais apetite do que imaginava, visto que termina por comer quase tudo, saboreando de verdade. Depois, lembra-se de não ter conseguido engolir o café da manhã, resultando em tanta zonzeira, após tomar o remédio.

— Puxa! É a primeira vez que te vejo comer com tanto gosto. — Henry demonstra satisfação evidente.

— Bem... Que importa isso? Eu comi, não comi? E agora? — arremata, ríspida, enquanto termina de beber a água, que retirou da pequena jarra de plástico e pôs no mesmo copo do suco, pois Frida tinha-se esquecido de colocar outro.

Henry pega o copo vazio das mãos dela, repõe na bandeja e a afasta, a fim de depositá-la de volta à mesa de madeira. Quando retrocede, senta-se na cama, ao seu lado, para olhá-la seriamente. Em seu íntimo, ele compreende que o plano ao qual se propôs desde antes de trazê-la para esta casa deve prosseguir, em razão disso, é preciso, em parte, tratá-la outra vez como a moça aprisionada que é, neste momento, a despeito da paixão intensa que lhe suscita.

— Eu vou te deixar ligar para o celular do seu pai... e da sua mãe... se você quiser falar com ela também. Mas não liga para o fixo. Tá ok? — estende o celular para que Lavínia o pegue, mas pensa em algo mais para dizer e o trás de volta a si. — Ah! Outra coisa... Deixa no viva-voz o tempo todo e não banca a espertinha querendo dar pistas de onde ou com quem está. Se eu perceber algo estranho, Lavínia, eu tomo esse celular da sua mão, desligo, então você vai perder a oportunidade única que eu tô te dando. Tá avisada.

Lavínia olha-o, ressentida, mas não mais surpresa com sua postura autoritária. Portanto, anui com o que ele adverte e recebe o celular. Depressa, o coração começa a acelerar, ao passo que vai discando o número do seu pai, quase automaticamente, muito ansiosa. Chama, chama e chama... Nada de ter sua chamada atendida. Espera mais. Cai na caixa–postal, a cada vez que ela disca, seguidas vezes, até que percebe ser inútil. Sua mente trabalha rápido. Resolve discar o número de sua mãe. Novamente chama e chama. Porém, após algumas tentativas, por fim, ouve a voz de Darlene.

— Alô! Alô? Lavínia? Filha! É você? Quem tá aí? — A voz da mulher demonstra claro desespero por não obter resposta, pois Lavínia fica travada por uns instantes e só consegue ouvir; abrindo e fechando a boca, porém, nervosa demais para conseguir articular qualquer palavra. Contudo, respira profundamente para, enfim, emitir os sons que quer.

— Mãe! Sou... eu. Sou eu, mãe! Eu tô aqui! — Há um “bolo” na garganta da moça ainda a impedindo de falar com clareza; encontra-se visivelmente emocionada.

Henry fica incomodado ao vê-la assim, mas se contém e escuta o que diz e o que é respondido a ela. Está atento a cada palavra pronunciada.

— Meu Deus! Lavínia! É você mesmo, filha! Não tô acreditando! Onde... Onde você está? Você está bem? Fala comigo. Fala, menina! Tá todo mundo te procurando! A polícia revirou cada canto desse país.... e agora você liga? Assim? De onde você está ligando? — Darlene não crê que Lavínia esteja repentinamente ligando e dando algum alivio, depois de tanto tempo.

— Mãe! Me ouve! Eu... tô bem! Eu tô viva! — Ela olha para Henry, com algumas lágrimas caindo de seus olhos e sabe que não pode conversar muito. Respira com dificuldade e tenta não falar mais do que deve. — Eu... não co-consegui falar com o... papai... não consegui...

— Ele deve estar com o celular desligado ou no modo silencioso... pois está em reunião na empresa. Mas ele nem vai acreditar quando eu disser que você ligou. Meu Deus! Diz, Lavínia! Você tá com quem? Você foi sequestrada? Ainda tá na cidade? — Darlene agora tenta obter informações para repassar à polícia.

— Eu... — Lavínia fica sem saber o que responder porque, em sua mente, martelam as advertências de Henry sobre não “bancar a espertinha”. Mas não consegue concluir enunciado algum, seja lá o que fosse dizer, pois ele toma o celular da sua mão e interrompe a ligação. — Por que... Por que fez isso? Eu não disse nada... nada de mais! Não disse! — encara-o com olhos de indignação.

— Não... Mas disse o suficiente, disse que está bem e viva. Todos na sua casa vão ficar felizes por saber disso, não acha? Olha que coisa maravilhosa! — afirma, tentando não exibir o costumeiro ar irônico.

— Me... Me deixa ligar de novo. Por favor, Henry! Só mais uma vez! Por... favor! — Lavínia junta as mãos e faz cara de súplica.

— Pro seu pai? De novo? Mas você não ouviu ela dizer que ele tá em reunião? — fica irrequieto e quase arrependido de sua atitude “gentil”. “Sabe-se lá se o velho não tem algum sistema de rastreamento, só esperando para ser ativado.

— Não... Não é pro meu pai. É... É pra minha melhor amiga... a Lou e pras meninas da re-república. Deixa, Henry... Vai! Por favor! Você não sabe como elas são importantes pra mim também e como... devem estar preocupadas. Eu vou ficar muito a-agradecida! — responde, dando ênfase à palavra “agradecida”.

— Tudo bem. Fique calma, Lavínia. Eu vou te deixar ligar pra elas. Mas que esteja claro que eu entendo a sua angústia. Eu nunca quis causar preocupações às suas colegas porque eu não gosto dessa situação tanto quanto você. Só que a regra continua valendo. Tá bem? — Um brilho diferente perpassa pelos olhos de Henry, ao receber o aceno positivo de Lavínia e lhe entregar novamente o celular. Ele nota que ela parece estar barganhando favores.

Lavínia disca o número de Louise, tendo-o em mente de cor e salteado.

— Atende, Lou! — ordena, falando alto, mais para si mesma. — Atende!

O telefone é atendido. A pessoa do outro lado do aparelho fica muda por uns instantes, porém, logo força-se a falar.

— Vivi! — A voz de Louise não é mais que um murmúrio, mostra-se muito admirada. — Vivi... é você?

Lavínia fica tão emocionada que só o que faz é apertar o celular entre as mãos alvas. Louise então passa a gritar chamando por ela, sem obter retorno.

Henry, vendo a loira sem ação, solta um “Fala!”, movimentando os lábios, em um som mudo, para que a loira converse com a sua interlocutora, do outro lado da linha telefônica.

— Lou, so-sou eu! — Finalmente Lavínia consegue articular.

— Ah! Caralho! — Há um barulho na linha e Lavínia pensa que Louise desligou. Mas aguarda para confirmar. Novos ruídos são escutados, são passos e ela percebe que a outra está correndo com o celular na mão. Deste modo, tanto Lavínia quanto Henry, podem ouvir quando Louise anuncia, bem sonora: — Manu! Vicky! Aqui no celular... É a Vivi, gente! — divulga, exaltada.

— Fala sério, Louise! — Manu faz-se ouvir, com sua característica voz de abuso e dúvida, ao longe.

— Tô falando sério, garota! Alô! Alô? Vivi! — volta a chamar por Lavínia.

— Sou eu sim... Lou! — Lavínia fala, feliz por poder escutar as vozes das meninas outra vez, depois de tanto tempo, por isso, abre um sorriso humilde, mas sincero.

— Espera um pouco. Eu disse que é ela! — Louise fica ora falando com Lavínia ora falando com Vicky e Manu. Até que o telefone é tomado de suas mãos pela ruiva, que não aguenta de ansiedade.

— Me dá isso aqui! Eu vou colocar no auto–falante dessa coisa! — Manu remexe nas teclas do aparelho, até pôr no viva–voz, de modo que todas possam ouvir e dialogar com a amiga.

Henry termina sentindo vontade de rir mesmo, pois acha engraçado ver as colegas de Lavínia quase se estapeando para confirmar a ligação dela.

— Meninas, sou eu... Lavínia! — Lavínia também, mesmo nervosa, acaba rindo um pouco, contagiada pelo clima meio cômico.

— Lavínia, que bom ouvir a sua voz! — Dessa vez quem fala é Vicky, que a esta altura já está em lágrimas de emoção.

— Vicky, não chora... senão... eu vou chorar também! — O engraçado é que Lavínia, dizendo isso, já está chorando.

— Você tá bem? Onde esteve esse tempo todo, Vivi? Onde você está? E com quem está? É com aquele tal Diego? — Louise lança questões, em ânsia para saber sobre como Lavínia sumiu. — Quase morremos de medo de nunca mais ouvir a sua voz ou de nunca saber o que te aconteceu. Diz pra gente! O que houve com você?

— Lou, eu não po-posso... não posso responder nada agora! — Ela volta a olhar para Henry, com receio de que lhe tome o celular das suas mãos e o desligue outra vez. Porém, ele apenas lhe devolve uma expressão enigmática, com olhos semicerrados, como se estivesse compenetrado em lhe avaliar.

— Você tá presa em algum lugar? Estão maltratando você, Lavínia? Como conseguiu ligar? — É Manu quem faz mais perguntas, enquanto o choro de Vicky agora se torna audível.

— Sim... e não... Quer dizer, eu vou voltar, meninas! Só não sei quando ainda. Não estou sendo maltratada por ninguém. Eu juro! Me deixaram ligar para eu poder tran-tranquilizar minha família e vocês. É isso! Eu estou viva e bem! É tudo que po-posso dizer no momento. Tô com muita saudade de todas vocês... E mais ainda de você, Lou. Quero saber o que anda aprontando. — Lavínia tenta descontrair o clima emocionado e tenso.

— Tem tanta coisa pra te contar que por telefone não dá! Cadê você? Dá qualquer pista, Vivi! Disfarça aí! — Louise parece pensar que Lavínia está longe de seu carcereiro e que poderia dar um indício, através de palavras bem selecionadas, a fim de facilitar sua busca.

Henry então faz um gesto que Lavínia entende perfeitamente. Ele atravessa o pescoço com a mão rígida na horizontal, cortando-o no ar.

— Não posso... mais falar. Até logo, meninas, e não fiquem tão preocupadas. Tchau! — Lavínia encerra a ligação de uma vez, coloca o aparelho sobre a cama e põe as duas mãos no rosto, respirando profundamente e tentando recuperar a calma.

Henry pega o aparelho e o desativa, tirando a bateria outra vez e também o chip, colocando-os nos bolsos. Em seguida, levanta-se e a olha alegremente.

— Bem, pode ficar feliz agora. Afinal, você falou com todo mundo.

— Menos com... meu pai. — lamenta, mas sabe que a culpa não foi de Henry, dessa vez. — Tudo por causa dessa droga de reunião!

— E eu quero um prêmio, por ser gentil. — Ele fica de frente para ela, observando-a longa e atrevidamente.

— Um... prêmio? Que prêmio? — Lavínia já espera alguma proposta indecorosa.

— Bom... Eu penso que eu mereço pelo menos um beijo de agradecimento. — Henry faz a sugestão, dando de ombros, como quem nem tá tão afim assim e, vendo que não há resposta, vai-se encaminhando à porta. — Mas tudo bem. Nunca mais vou forçá-la a ações que não queira. Também, meu gesto de gentileza não foi mais que um sincero pedido de desculpas por tudo que tenho feito você passar. Então, se você não quer, eu entendo.

Lavínia levanta-se e fica tentando organizar o pensamento. Reflete que, se ele cedeu um pouco, deixando-a ligar para quem quisesse, é porque deve estar disposto a negociar com ela. E talvez, se ela ceder um pouco também, incentive a mais gestos gentis por parte dele e acabe descobrindo o que quer saber sobre a tal vingança. “Se ele me usa, eu posso usá-lo também.”, pensa, decidida.

— Henry, eu aceito! Eu quero... te dar um be-beijo de a-agradecimento! — Sua declaração é emitida de modo um pouco esganiçado, deixando ver o seu nervosismo e vergonha, mas há ainda uma postura rivalizante.

Henry percebe tudo.

— Você disse que... quer? — Ele volta e a olha, intrigado, segura o sorriso.

— Sim... Quero dizer, só como... agradecimento mesmo... já que você foi... foi legal comigo, por me deixar... fazer as ligações. — cada passo que Henry dá aproximando-se, Lavínia fala mais pausadamente a fim de não gaguejar e denunciar a sua absoluta perturbação.

Henry cala-se, tudo o que quer é testar as atitudes dela durante o beijo, identificar o que ela sente de verdade por si, ter alguma certeza da força desse sentimento. Fica a centímetros dos seus lábios, olhando-os com cobiça, põe a mão em seu queixo, segura-o com pressão moderada, morde e passa a língua pelo próprio lábio inferior, como se fosse um esfomeado ante a um delicioso manjar. No entanto, espera.

Lavínia prepara-se pensando que ele lhe daria um daqueles “beijos-arranca-língua”. Por isso, ergue o rosto e abre um pouco a boca para aguentar a pressão que viesse sobre si. Porém, estranha que ele apenas toque os lábios nos dela, sem muita invasão, somente deixando as bocas se unirem e sentirem a respiração mútua. É simples e sutil. É terrivelmente encantador. Só que tal gesto, suave e voluptuoso, surpreende e desarma Lavínia mais do que ela poderia prever. Seu coração dispara, um desejo imenso a consome, de que Henry a tome em seus braços e a aperte. Acaba soltando alguns gemidos, sem querer, e se assusta consigo mesma, por não se impedir de agir com impulsividade, por ser possuída de uma vontade maior que a sua razão, fazendo-a erguer os braços e as mãos para agarrar-se aos ombros dele, puxando-o e arqueando o corpo no intuito de colar-se mais. Inevitavelmente, fica excitada, sem autocontrole e termina por movimentar os lábios mais do que ele, mais do que tinha planejado. De modo vexante, ela pede sem palavras.

Em certo momento, cem cessar o beijo, Henry abre os olhos, observa-a com expressão de entrega, com os olhos muito fechados e ar de quase dor. Ele não resiste mais, avança com os braços ao redor da cintura dela, prende-a finalmente arrancando-lhe suspiros abafados, enquanto enfia a língua com gosto na boca macia, para sugá-la, para saciar a sede incontrolável, explorando-a sem pudor.

Não demora mais tanto e o fôlego dela se esvai. Henry nota, mas conclui que é ela que deve encerrar o beijo por si mesma. E ela o faz, quando está prestes a sucumbir por falta de ar.

— Henry... preciso... res... pirar! — vira o rosto buscando o fôlego perdido, enquanto Henry luta internamente para não jogá-la na cama e terminar logo essa tortura. Apesar disso, espera a reação dela.

Eles se olham com vontade de recomeçar a carícia e vão-se achegando de novo. Porém, um barulho os acorda do transe. É Frida que tenta abrir a porta, em vão, pois a chave mal torcida está pelo lado de dentro, impossibilita-a de entrar. Depois de muito forçar, ela desiste e passa bater na porta freneticamente.

Henry revira os olhos, de cólera, mas no fundo, agradece, pois tem consciência de que não resistiria e acabaria estragando tudo, pois se Lavínia quisesse parar a meio dos afagos buliçosos, é bem provável que ele forçasse até conseguir a entrega completa. E ela ficaria mais chateada por ter de permanecer presa no quarto, mesmo lhe servindo de “objeto sexual”.

Lavínia não sabe o que pensar. Está abismada demais consigo mesma, por sua mostra de desregramento, porque realmente se encontra presa a uma atração implacável, vil. Pondera sobre isto, tendo seu corpo ainda colado ao dele, que também parece voltado às suas próprias análises.

— Henry... A porta emperrou. Abra aí por dentro! — Frida interpela as suas reflexões e continua a bater seguidamente.

— Espera! Eu tô abrindo... Que agonia! — Henry solta Lavínia e caminha à porta para abri-la, enquanto dá baforadas de ar para eliminar a excitação.

Lavínia senta na cama e fica estática, tentando voltar ao seu estado emotivo normal.

— Eu só fiquei com vontade de saber se a menina comeu e se não se sentiu mal por causa do remédio. — Frida adentra o recinto e demonstra receio, ao notar Henry um tanto mal-encarado. Não deseja outra altercação sem rumo com ele, ainda mais por ver que Lavínia está acordada e devidamente vestida.

— Ela está perfeita e intacta. Como você pode ver. Mas nunca mais ouse enfiar tranquilizantes nela! — A desculpa usada por Frida para vir conferir o que ele ainda está fazendo no quarto de Lavínia o irrita muito. Ele precisa de esforço mental para conseguir falar outra vez com calma. — Vamos deixá-la em paz por hora. Tá bem, Frida?

Dito isso, eles se põem em rumo para sair do quarto.

— Henry! E-Eu... quero conversar... com você a-ainda hoje.. pode ser mais tarde. Você vem? — Lavínia parece firme em sua decisão de atrai-lo a dizer o que tem em mente contra seu pai e está disposta a pagar qualquer valor, a fim também de convencê-lo a mudar de ideia. “Quem sabe não haja um homem realmente gentil por trás desse revestimento vingativo e cínico?” Tal pensamento, mesmo vago, persiste em si e a consola um pouco.

Tanto Frida quanto Henry ficam pasmados pelas palavras obviamente sugestivas da loira.

— Quero ver quem vai me impedir de vir. — Ele fala olhando diretamente para Frida, que exibe uma expressão indignada, horrorizada. E, sem ter como argumentar na frente de Lavínia, permanece muda, mas só por uns segundos.

— A consciência é sua! Só espero que ela não te arraste ao arrependimento futuro... pelo que está fazendo com essa inocente! — Por fim, Frida expõe, de modo cortante e gélido. Em seguida, retira-se do cômodo, com lágrimas formando-se em seus olhos.

Subitamente, Lavínia experimenta uma pontada no coração, por ter visto a expressão horrorizada de Frida, bem como suas últimas palavras sinistras, porém, guarda tal minudência somente para si.

— Se vai continuar me agradecendo... saiba que, mais tarde, eu vou querer bem mais do que um beijo. — Henry lança-lhe um olhar de gavião, fechando a porta com a chave, sem esperar por mais reações surpresas dela. “Vai que ela desiste de bancar a grata.”.

[...]

Notas finais
Ai! Que angústia! Será que Lavínia desconfiou de algo? Será que pretende se entregar a Henry para saber o que ele está a tramar? Hahaha... E cadê essa vingança? Está vindo de "carroça dourada puxada por cavalos puro-sangues"? Aguardemos! Peço que me perdoem, pois é provável que eu me ausente um período deste site, mas farei o possível e o impossível para não os estressar demais com demoras exageradas. Vamos ver se eu consigo. Beijos e até logo!