[HIATUS] Mudanças impuras

49 Expectativas, revelações e frustrações


Notas iniciais
Oi, amigos leitores queridos! Como estão? Hummm... Tomara que estejam bem e animados para saber um pouco mais sobre o que vem a seguir para compor este enredo repleto de guinadas surpreendentes na vida destes personagens que bailam na minha imaginação. Desejo-lhes boa leitura! Observação: Obrigada de coração a Estrela de Rubi, autora de "Vítima do Amor", pela sempre magnífica betagem e apoio de boa amiga.

A grande e oval mesa do bar exibe à sua traseira a armação acrílica luminosa escorando as bebidas, que parecem flutuar. Lavínia está em pé, próxima a esta mesa, cedendo a um instante de descanso nessa noite, uma vez que, desde que chegou, não parou de andar pra lá e pra cá atendendo mesas numa euforia incomum, querendo manter-se ocupada, animada, disposta, como uma boa profissional. Esse espaço da Dans le bar concert Claude é para ela um ponto de localização estratégico, que lhe proporciona a visão ampla tanto do tablado, onde são feitas as danças das strippers, como da entrada da casa noturna, direção em que seus olhos fixam-se minuto a minuto.

— Ai, até que enfim posso sossegar um pouco também e assistir ao menos uma das apresentações das garotas. — confessa Paula, achegando-se à loira e lhe sorrindo com empatia. A atendente graciosa e baixinha recosta-se à quina do balcão e pisca um olho para o bartender, que lhe devolve o gesto discretamente e volta à sua tarefa com um sorriso oculto em seus lábios.

Lavínia sorri para a colega meneando a cabeça e lhe enviando um olhar transversal sugestivo.

— O que foi? Há algo errado em cumprimentar um amigo? — Paula indaga em tom baixo, só para a loira, sorrindo, maliciosa.

— Amigo, é? Ah, tá... Mas não é isso que o pessoal daqui comenta. — desvia seus olhos violáceos da entrada da boate e contrapõe, divertindo-se com a expressão forçadamente admirada que sua colega balconista ostenta.

Lavínia já está trabalhando na casa noturna há tempo suficiente para se inteirar de alguns comentários que surgem, volta e meia, para expor a vida íntima dos funcionários do estabelecimento e acabou, sem intenção para tal, descobrindo que Paula e Giovanni, o belo pedaço de homem que possui uma cara de mau, mesmo que seja na realidade um indivíduo bonachão, doce e gentil, sendo também o responsável por fazer os diversos drinks ofertados na Dans, têm uma relação amistosa, embora em alguns momentos, isolados e raros, sejam mais que isso. Entendeu que esta amizade colorida não é segredo para ninguém ali, pois sabem que ele é apaixonado por Paula e deseja atingir o posto de namorado. Em razão disso, sempre lhe lança olhares de gracejo e sorrisos expectantes.

— Aff... Acontece que o pessoal daqui é tudo um bando de bisbilhoteiros. — acusa, enquanto ajeita uma mecha solta de seu cabelo escuro, coloca-a para trás e confere se ele não as ouve, mas não parece estar chateada, porque mantém o riso. — O que mais andaram falando de mim, hein?

Neste ínterim, outra dançarina é anunciada para subir ao palco e elas ficam contentes quando veem aparecer a negra linda, elegante e sensual, que emerge numa vestimenta bastante ousada, com uma manta quase translúcida a cobrir-lhe o corpo, mesclando as cores marrom e dourado, e por baixo um conjunto íntimo com tecido imitando a pele de algum animal selvagem. Não demora e logo Jocasta dança suave, rodopiando e chamando a atenção para os seus movimentos perfeitos, fascinantes e voluptuosos.

Lavínia vai acompanhando a coreografia bem-feita sempre considerando-a uma verdadeira beleza estética, a despeito de ser igualmente um ato obsceno por ter como objetivo entreter o público através da nudez explícita. Entretanto, vale-se dessa coincidência para adicionar nova informação e, de quebra, tirar uma dúvida com Paula.

— Falaram que você e a Jocasta, ou melhor, a Anna dividem as despesas de um apartamento... Isso é verdade? — solta com naturalidade. Mas de repente percebe que pode estar sendo inconveniente, desagradável. — Me desculpe, Paula, esqueça isso... Não quero que pense que eu sou o tipo de pessoa que gosta de fofocas bobas, inúteis...

— Tudo bem, não tô pensando nada disso. E é verdade, sim, eu e a Anna somos muito amigas, aliás, posso dizer que nós nos vemos quase como irmãs e decidimos que seria legal morarmos juntas, porque assim fica mais fácil pagar as contas e ainda sobra alguma coisa no fim do mês. — justifica, espontânea. Em seguida, fica um pouco séria e estreita novo olhar sobre a loira. — Eu também descobri algumas coisas sobre você, Lavínia... Na verdade, eu me lembrei de onde te conhecia.

— Hum? Você me conhecia? — A loira, distraída, pergunta, alternando o olhar entre a apresentação de Jocasta e o movimento das pessoas na parte de acesso à casa noturna. — Sim, é o que eu tô dizendo, eu lembrei que já vi o seu rosto, há alguns meses, na televisão, nos jornais... Você é aquela garota que estava sumida, a filha de Gregory Albuquerque, o empresário que também virou foco de notícias, nessa semana. — solta as palavras, com alguma cautela.

Súbito, a atenção de Lavínia volta-se inteiramente para a outra e sua expressão agora é de nervosismo.

— Pa-Paula... quem mais, além de você, sabe disso? — indaga, pondo sobre ela brilhantes e ansiosos olhos, fazendo Paula arrepender-se ao entender que este diálogo pode causar um verdadeiro mal-estar entre elas.

— Ah, meu Deus, Lavínia! Acho que agora sou eu que tenho que te pedir desculpas e dizer que eu não sou uma fofoqueira, e muito menos quero que você ache que falei isso para te constranger ou algo assim. — garante Paula, olhando francamente para a loira e mostrando que está sendo sincera.

— Está be-bem... eu sei... Mas, Paula, por favor... me diga, você comentou sobre isso com mais alguém? — insiste, esquecendo-se da apresentação que ainda está acontecendo no palco e de verificar a entrada da boate.

— A única pessoa com quem eu conversei sobre isso foi a Anna, porque ela também se lembrou de você depois... E nós não falamos pra ninguém, eu juro, amiga. — Paula é firme, pois quer transmitir certeza.

— É claro que eu a-acredito em você, Paula... não tenho por que duvidar da sua palavra. — A loira dá um meio sorriso, suavizando do clima tenso.

O silêncio se instala por uns minutos.

No palco, a apresentação é encerrada. Jocasta, ainda nua e sob aplausos efusivos de excitação, apanha do piso amadeirado a sua finíssima manta marrom-dourada, veste-a, recolhe as notas em dinheiro que lhe foram jogadas, acena para o público e sai.

— Olha, eu sei que essa é uma questão delicada, íntima e ninguém tem nada a ver... e eu confesso que só toquei nesse assunto porque fiquei curiosa, sem entender como uma garota de família rica veio parar nesse lugar... pra ser uma simples garçonete. — Paula torna a puxar conversa e, enfim, expõe abertamente a sua visão a respeito da presença da loira na casa noturna.

Lavínia avalia o que a outra disse e respira fundo.

— Bom... não há muito pra explicar, tu-tudo o que po-posso dizer é que... eu tive os meus motivos para procurar emprego, o que se mostrou algo não tão fa-fácil, porque eu ainda não me fo-formei na faculdade, sou uma e-estudante do curso de artes visuais... e quando surgiu a o-oportunidade de trabalhar na boate, eu apenas não vi problema, encarei como um serviço no qual eu te-teria uma função a cumprir e receberia por ela... Só isso. — justifica da forma mais esclarecedora que consegue.

— Hum... Então tá! — De repente, Paula solta um riso alto e divertido e, vendo que a loira ergue as sobrancelhas demonstrando não compreender qual é a graça. — Tô pensando aqui comigo que é uma honra tê-la conosco... Você é a realeza entre nós, os plebeus. — faz uma mesura exagerada e pomposa, brincalhona.

Lavínia revira os olhos suspirando, enfadada, mas não demora a notar que Paula está agindo assim apenas para desanuviar o estresse, buscando uma forma de tranquilizá-la e mostrar que é de confiança. Em razão disso, deixa-se levar pela atmosfera amena, cômica, e termina rindo junto com ela.

As duas ainda estão rindo quando a baixinha resolve conferir a hora em seu relógio de pulso.

— Nossa! Olha a hora, amiga! — alerta, enxugando algumas lágrimas e parando de rir. — A não ser que você esteja querendo receber hora-extra, é melhor ir pra casa, pois o seu tempo aqui por hoje já está concluído.

— Sério? Ai que bom! — demonstra alívio. No entanto, seus olhos se direcionam outra vez para a porta de entrada da boate, onde a movimentação de pessoas é agora consideravelmente menor, e em sua face surge uma expressão rígida, concentrada. “É... parece que aquele cretino sem vergonha não vem mesmo”, reflete.

Paula nota o olhar estranho que Lavínia faz e a direção que ele toma, e embora tenha observado nela este mesmo olhar focado e sério, em diversas ocasiões, ao longo da noite, como o de quem está alerta esperando por alguém, prefere manter-se calada para não agravar sua situação, já que acredita ter falado até mais do que devia. Este pensamento a leva também a não dizer que não é difícil somar dois mais dois e intuir que a tal pessoa por quem ela estava esperando é provavelmente Henry Sorelle, o empresário famoso, lindo e muito arrogante, que recusou o seu atendimento e exigiu que esta tarefa fosse realizada tão-só pela loira. Apesar de não ter a menor noção do real envolvimento que existe entre eles, Paula já percebeu que o homem demonstra um interesse especial por Lavínia, então imagina que a colega esteja, de fato, sofrendo o que ela própria e muitas de suas outras colegas atendentes já sofreram, que é o assédio incômodo e persistente de um freguês atrevido. Contudo, acha melhor não se meter nisso, ao menos por enquanto.

Lavínia torna a quebrar o silêncio somente para despedir-se da moça de Paula. Depois, busca seus pertences na sala dos armários e só consegue crer que Henry não aparecerá mesmo nessa noite quando já se encontra a caminho da república, dentro do táxi do seu amigo, o senhor Alberto, ou Bebeto, como gosta de ser chamado o simpático taxista idoso.

[...]

No dia seguinte, pela manhã...

A Sorelle’s Technical Marketing equivale a uma construção não tão luxuosa quanto uma empresa multinacional, a exemplo da Giant Solution, porém, contempla uma arquitetura moderna e bonita, que se distribui em seus três andares, sendo o térreo destinado à recepção dos clientes presenciais, já que alguns optam por iniciar a negociação na base do contato online, ou melhor, através de acesso à internet, no site que a firma disponibiliza com este intuito. No primeiro andar, é feita a seleção e posterior avaliação do serviço do contratante. Já no segundo, este serviço avança para a fase da execução, que segue para o terceiro e último andar, o setor referente à análise final, consequente aprovação e entrega do serviço pronto, que fica ao encargo da instância maior, ou seja, do presidente e dono da companhia, e dos colaboradores-funcionários que atuam próximos a ele.

Henry encontra-se em sua sala presidencial, por trás de uma mesa inteiramente envidraçada, tendo à frente de si um ultrabook, que é um modelo mais atual de notebook. Seus olhos muito azuis e perspicazes observam a estrutura, em etapa conclusiva, para o branding, o marketing digital de uma empresa que opera no ramo de beneficiamento do material PET. Entretanto, não consegue manter a concentração, por isso abandona a tarefa, levanta-se, anda até uma das três grandes janelas, que também são envidraçadas, movimenta o básculo ao ponto de garantir uma abertura suficiente para caber a sua face de traços definidos, varonis. Olha para o céu ensolarado e respira o ar que vem de fora, sentindo a temperatura agradável da manhã, oposta à agitação absurda que, neste minuto, atrapalha a sua mente. Busca no bolso do paletó cinza a cartela de cigarros, de onde retira um, e o pequeno isqueiro prateado. Ao passo que vê a fumaça ganhar contornos abstratos, não se preocupando com o odor que poderia disseminar no recinto, já que no aparelho de ar-condicionado foram instalados filtros de carvão ativado com a função de remover odores fortes e certos resíduos poluentes, permite que seu pensamento fixe-se no que realmente lhe interessa neste momento, no tumulto que deliberadamente trouxe à vida profissional e, sobretudo, pessoal de Gregory Albuquerque. Pensa ainda no quanto a filha dele deve estar decepcionada consigo, cheia de ódio. “Vem, Lavínia, não me faça esperar demais.” A voz interna clama, enquanto dá mais tragos no cigarro e contrai os lábios num meio sorriso, experimentando uma excitação inevitável. Ele alimenta a esperança de que Lavínia, não conseguindo suportar a ira, decida procurá-lo a fim de tirar satisfação, de exigir que assuma seu ato criminoso e que ela, por fim, faça o que certamente é de sua vontade agora, despeje a imensa raiva sobre quem a provocou, porém, dando a ele o prazer de ver os papéis se invertendo, com ela vindo ao seu encontro e não o contrário. Igualmente, crê que ela está com raiva do pai também, por ele ter sido uma presa fácil, caindo como um patinho bobo na sua armadilha e se deixando seduzir por uma mulher de aparência vulgar, promíscua e imoral. Assim, pode estar confusa e indefesa.

Súbito, os pensamentos de Henry são interrompidos, quando a porta da sala é aberta e por ela adentra o homem que, além de ser um de seus funcionários mais competentes, é também o mais próximo de um amigo que Henry tem em sua empresa.

— Bom dia, chefinho! — saúda-o com entusiasmo, mostrando os belos dentes brancos por meio de um largo sorriso.

Henry arremessa bruscamente o resto do cigarro numa lixeira metálica perto de si, move o puxador do vitrô para fechar a janela e se volta para o outro.

— Marcelo, quantas vezes eu vou ter que te pedir pra não me chamar de “chefinho”? Você não percebe que é ridículo um negro brutamontes da sua idade usar palavras no diminutivo? — questiona, irritado, sentando-se outra vez em sua cadeira.

— Putz! Pelo que vejo o seu humor não está dos melhores... de novo. − replica, sereno, o negro bonito e bem vestido, que tem a mesma faixa etária de Henry.

— Não entrou aqui apenas para me dar bom dia, não é? O que você quer? Se for pra me trazer outro projeto, por favor, deixe isso para amanhã ou se encarregue dele você mesmo... Eu ainda não concluí a análise deste. — aponta para o notebook.

— Não é nada disso, Henry. É sobre a candidata que o setor de recursos humanos ficou de enviar hoje...

— Ah, que droga! Eu tinha esquecido que a entrevista era pra hoje. — O loiro bufa evidenciando desagrado. Para ele, este processo inicial de contratação de funcionários é algo bem chato, burocrático e estressante, embora seja igualmente imprescindível. — Ela tá aí?

— Sim, chegou agora há pouco. — Marcelo olha para ele e sorri de lado. Depois não se aguenta e resolve externar a sua opinião. — Olha, Henry, foi você mesmo quem decretou que nenhum empregado fosse admitido sem antes passar por você... Além disso, você demitiu a Karen, deixou uma vaga em aberto que precisa ser preenchida.

— Eu não demiti aquela incompetente, ela pediu as contas. — explica, ajustando a gravata escura de seda e, em seguida, passando uma mão pelos cabelos aloirados, gesto que denota impaciência.

— Isso depois da bronca que você deu nela, né? — declara, ainda em tom brincalhão.

— Há quantos anos você trabalha comigo, Marcelo? — O loiro ignora a fala do negro e lhe põe olhos muito sérios.

— Há seis anos. — responde sem titubear.

— Exatamente desde o início da Sorelle’s, quando eu comprei esta firma do antigo dono, passei para o meu nome e a reergui das cinzas, da iminente bancarrota. — recosta-se à cadeira e enche o peito de ar, orgulhoso. — E basta você fazer uma revisão mental para constatar que eu trato todos aqui com o máximo de educação e cordialidade. Porém, esta empresa não é autossuficiente, ela sobrevive de resultados e foi justamente isso que eu fiz com a Karen, cobrei resultados e disse que, se ela é incapaz de mostrar um serviço decente, deveria voltar a estudar, fazer cursos de qualificação e, quem sabe, um dia consiga sair da zona do profissionalismo medíocre.

Assim, Henry deixa claro que, apesar de, não raro, ser enfoco de badalação midiática como o belo empresário-celebridade e mulherengo, em seu ambiente de trabalho, porém, sobressai o seu perfil de profissional empreendedor e exigente.

— Ok, ok...! — Marcelo ergue os braços em gesto de rendição, ao passo que volta a sorrir, provando que já está acostumado ao temperamento rigoroso do outro. — Calma, Henry, também não precisa ficar assim, não falei por mal, pra criticar a sua liderança. Eu sei o quanto você se esforça para não explodir, ser injusto ou agressivo com os seus empregados, mesmo quando alguns merecem... Eu tava só brincando... Sinceramente, por mim, a Karen pode ir se ferrar, porque tudo o que ela sabia fazer era arranjar intrigas, eu tenho certeza de que, aqui, ninguém vai sentir falta dela... Mas e quanto a garota que o RH mandou? Quer que eu diga pra ela vir depois? Remarco a entrevista?

— Não... Melhor eu me livrar logo disso, onde está o currículo dela? — A expressão irritada dá lugar à postura controlada e fria.

— No seu e-mail. — Marcelo igualmente substitui o lado comediante pelo profissional.

— Ok... Pode trazê-la. — ordena, mas quando Marcelo se já encaminha para a saída, lembra-se de um detalhe importante. — Marcelo, qual é o nome dela?

— Janine Medeiros. — responde e se retira.

Henry põe-se a remexer no mouse e nas teclas do ultrabook, desprezando a janela aberta, abrindo outra para acessar o seu e-mail e, consequentemente, o documento referente ao currículo da candidata que irá entrevistar. Através de sua visão periférica, observa quando Marcelo introduz Janine na sala e torna a sair, deixando-a em pé, imóvel, à espera de algum comando.

— Bom dia. Fique à vontade, sente-se. — Sem afastar os olhos do computador, pois está analisando o currículo dela, a partir de uma leitura dinâmica, para abstrair dele os pontos centrais de informação, ele meneia a cabeça e indica a cadeira que está diante de si, do outro lado da mesa.

— Bom dia. — Ela responde, no mesmo tom impessoal, obedece sentando-se, mas permanecendo ereta e com a bolsa firme no ombro esquerdo.

— Então, Janine... — recomeça a falar, mas quando ergue o rosto para interagir olhando-a cara a cara, fica mudo, estático. Ele baixa a vista novamente e pisca os olhos, comprimindo-os. Não faz isto porque tenha entrado um cisco neles, como ela supõe. Na verdade, ele foi acometido por uma ilusão de ótica, pois, por uns milésimos de segundos, quem viu à sua frente não foi a candidata a ser entrevistada, e sim Lavínia.

Henry, então, pigarreia e se recompõe do pequeno susto, tornando a olhá-la, agora com fixidez, avaliando-lhe as feições sem disfarçar. Fazendo isto, ele logo compreende que o fenômeno deu-se por uma razão simples. De modo geral, Janine possui traços semelhantes aos de Lavínia. É jovem — apenas cinco a mais que a outra — magra, de pele muito alva e cabelos longos e loiros. No entanto, há diferenças também e estas são significativas, visto que o rosto de Janine apresenta um formato menos arredondado, os olhos são escuros e a boca tem lábios bem finos, e não exibem contornos naturalmente sensuais como os de Lavínia.

(Proposta de imagens representativas de Lavínia e Janine)

❁❉❁❉

Janine mantém-se aparentemente tranquila, embora seu estômago esteja revirando-se por ter sobre si olhos penetrantes, algo intimidadores, porque imagina que isso pode fazer parte da entrevista, como um teste comportamental em que ela deve mostrar-se uma pessoa segura de si.

— Fale-me sobre o seu último emprego, vejo aqui que foi numa firma imobiliária. Qual era a sua função lá? — questiona, mais curioso para escutar a sua voz, a fim de compará-la com a de Lavínia, do que com a resposta que ela dará, pois já entendeu que Janine tem boas qualificações e que pode, sim, adequar-se à vaga pendente em sua empresa.

— Como o senhor mesmo disse, eu trabalhava em uma firma imobiliária onde estive por quatro anos e pude exercer duas funções, atuei primeiro como recepcionista e depois fui promovida a auxiliar administrativa. — replica, impondo uma conduta firme e objetiva.

Assim, Henry identifica nova discrepância entre a candidata e Lavínia. Ao contrário desta, que mostra seu nervosismo através da voz cadenciada e da gagueira, — o que só muda quando está realmente enfurecida — Janine pronuncia as palavras quase sem pausar, sem respirar, atropelando um pouco a fala e exibindo um tom vocal meio agudo, infantilizado.

— O que houve? Por que teve que sair? — especula.

— Bom... Por algum motivo que não me explicaram, a empresa sofreu um abalo muito grave em suas finanças, foi obrigada a cortar gastos e reduzir o seu pessoal. Infelizmente, eu entrei na lista dos funcionários a serem demitidos.

— Hum... entendo. — Henry continua com os olhos presos à face da garota, inexpressivo. — Você é formada em relações públicas e já fez diversos cursos de capacitação, incluindo o ramo do marketing digital, mesmo não tendo até agora a chance para se aproximar melhor dele... E, ao que parece, você tem o perfil ideal para se adequar a esta empresa, sem grandes dificuldades... — Ele pausa o discurso por um instante e, como não está fazendo uma pergunta e, sim, uma afirmação, ela fica calada, apenas na expectativa, com a desagradável sensação de que existe um “mas” por trás do que ele acaba de dizer. Portanto, ao notar que a pausa está alongando-se demais, resolve manifestar-se.

— Senhor Sorelle, eu garanto que, se me aceitar na sua empresa, verá que sou esforçada, dedicada, que gosto de aprender e dou o melhor de mim sempre para colaborar como for preciso, de forma positiva, com o rendimento do meu trabalho. — atesta e nota a expressão dele se alterar um pouquinho.

— E aceitaria qualquer função que eu lhe oferecesse? — questiona, como quem nada quer.

— Sem dúvida alguma. — assente, sem hesitar.

— E se eu lhe dissesse que iria trabalhar diretamente comigo, como um tipo de assessora pessoal, isso representaria algum problema ou incômodo?

Janine olha para ele e titubeia somente por uns ínfimos segundos. Na realidade, ela está lançando uma dúvida ao próprio cérebro: “Será que é impressão minha ou este deus lindo está me cantando? ”.

— Não, senhor Sorelle, em absoluto, eu estou disposta a aceitar a função que o senhor julgar certa de acordo com as minhas qualificações. — torna a impor a conduta firme, agora com um sorriso em seu rosto franzino.

— Ótimo! Sendo assim, acho que não precisamos prolongar desnecessariamente a entrevista, o básico já foi dito, o seu currículo me agrada e as demais dúvidas poderão ser esclarecidas na prática... Está contratada. — Ele esboça finalmente um sutil sorriso.

— Oh! Nossa! Não sei nem o que dizer... Muito obrigada, senhor Sorelle. — tem vontade de falar mais palavras de agradecimento, porém, segura-se, pois não quer exasperar-se e parecer uma descontrolada, porque está verdadeiramente surpresa pela rapidez com que sua admissão se deu.

— Acredito que já está informada sobre os horários de funcionamento da empresa, não é? — confere.

— Sim, claro. — Ela já sorri abertamente.

— Ok... Dou por encerrada a nossa entrevista, desejo que se sinta bem-vinda à Sorelle’s. Nos vemos a partir de segunda-feira e espero que goste de trabalhar aqui... Mas, por agora, está dispensada, pode ir. — ergue o braço, estica-o até ela, que faz o mesmo.

Enquanto aceita o vigoroso aperto de mãos, Janine sente uma excitação tremenda ao encarar outra vez os belos olhos azuis deste que já vê como seu patrão.

— Obrigada mais uma vez, senhor Sorelle, farei o possível para que veja que fez bem ao me contratar. — O aperto de mãos é desfeito, ela se levanta.

— Não precisa ser tão formal comigo, pode me chamar de Henry. — declara, espontâneo.

— Ah... Se prefere assim, está certo. Então, até segunda, Henry. — sorri de novo e caminha, retirando-se da sala, tendo em sua mente um pensamento provocativo: “Ai, meu Senhor, me segure, porque o homem é charmoso demais!”.

Ao se encontrar novamente sozinho, Henry pensa que Marcelo reclamará um pouco até se conformar quando souber que a nova funcionária ocupará o seu cargo e a ele será dado o que Karen deixou em aberto. Em seguida, ele busca mais uma vez concentrar-se no projeto a ser analisado e concluído, mas nem bem começa a fazer isso, o seu celular vibra e se acende. Ele vê os números e sabe exatamente quem é a pessoa que está ligando para si.

— Oi, Isa! — saúda-a simpaticamente, o que não teria feito caso ela tivesse ligado minutos atrás, ou melhor, ele teria obviamente rejeitado a sua chamada.

— Oi, Henry! Olha, desculpa tá te ligando nessa hora, mesmo sabendo que você está no trabalho, mas eu preciso te manter informado das coisas, como você pediu. — Ela justifica, com voz meio tensa.

— Tudo bem, Isa, pode falar. — incentiva, em tom objetivo.

— Eu acabei de chegar no meu apartamento, tô vindo da reunião que eu te falei que aconteceria hoje bem cedo. Fiz como você me orientou ontem à noite, concordei com o último ajuste financeiro que os advogados do velho propuseram.

— Uhum... Exatamente como eu previ... Eu sabia que ele iria sugerir um novo acordo... Ele estava lá? Participou da reunião? — demonstra curiosidade.

— Não, só os advogados mesmo. — confirma mais um prognóstico dele.

— Realmente previsível... Que velho ridículo! Prefere pagar pra calar a boca da mulher que o acusa de estupro, sabendo que agindo assim é como assinar a confissão de culpa, a ter que lutar só mais um pouco e provar que é inocente. — declara e sorri de modo sarcástico.

— Henry, ao contrário de você, eu confesso que não tô me sentindo nada feliz com tudo isso e nem tão segura do vai acontecer... E não tem como eu não ficar mal comigo mesma por saber que talvez nós estejamos causando a ruína de um lar... — começa a expor sua visão um tanto pessimista.

— Como assim? Vai agora me dizer que se arrependeu do que fez? Tá com pena daquele velho? — contragolpeia, ficando irritado.

— Não... Não é isso, eu não tô arrependida, nós fizemos um trato e eu cumpri a minha parte, só estou pensando nas possíveis consequências... Aliás, pra mim, você está tranquilo e contente demais, Henry... deveria se preocupar um pouco também, porque a sua loirinha já deve ter ligado todos os pontos e estar sabendo que você está por trás desse escândalo, que essa é a tal vingança anunciada.

— Se é com isso que está preocupada, fique sossegada, Lavínia não vai nos denunciar... Ela não vai fazer nada. — afirma, categórico.

— Como pode ter tanta certeza? — Ela questiona, achando-o mais arrogante que o normal.

— Ela não vai fazer isso por minha causa... porque não pode, não conseguiu antes e não vai conseguir agora, porque gosta de mim, mesmo negando o que sente. — solta, com voz calma e segura, e Isadora quase pode visualizar-lhe o sorriso malicioso de satisfação.

— Meu Deus, Henry! Você não sente mesmo nem um pouquinho de remorso pelo que está fazendo com essa menina, não é? Ela é a sua irmã! — relembra o que ele mesmo lhe segredou. Ao mesmo tempo que o enunciado de Henry a faz sentir-se menos angustiada com a possibilidade de ser presa como cúmplice de um crime seríssimo, igualmente a leva a experimentar alguma misericórdia tanto pelo senhor Gregory como por Lavínia. Com efeito, embora as coisas pareçam adotar um fluxo proveitoso para a sua visibilidade na carreira e conquistas financeiras, pois já recebeu uma proposta razoavelmente alta de posar nua para uma revista masculina e também lhe indicaram para atuar numa peça teatral, em que poderá encenar uma prostituta russa que se apaixona por um mendigo. Contudo, Isadora não sente a alegria que deveria sentir e sabe que não está em paz, o que guardará para si e não dirá a ele, a fim de não piorar o humor do seu amigo, por quem continua nutrindo uma paixão forte e abnegada.

— Se tem algo mais importante pra falar, fale, caso contrário, peço que não gaste o meu tempo tentando me fazer ter crises idiotas de consciência. — rebate, com voz seca.

— Henry!!! — Isadora libera um grito estridente.

— O que foi dessa vez? — interroga, com a paciência por um fio.

— Tá passando aqui na televisão uma reportagem ao vivo... O senhor Gregory está falando com aquela jornalista do canal cinquenta e dois. — De repente, ela faz o anúncio e parece eufórica, admirada.

— E o que há de importante nisso? Chega, Isa! A sua inoportuna crise histérica está me dando nos nervos! — estoura, colérico.

— Henry, a reportagem está acontecendo na mansão Albuquerque! E ele está lá com a mulher e com a filha...!

Henry não espera Isadora concluir o que tem a dizer e desliga na sua cara. Imediatamente busca o controle da TV finíssima, assemelhando-se a um quadro, como a que tem em seu apartamento, liga o aparelho, que preso por um suporte na parede, e coloca no canal 52. A seguir, vê uma cena que lhe traz náusea só de olhar. Bem acomodados num grande sofá oval de camurça clara, está o senhor Gregory, tendo ao lado esquerdo de si a sua esposa, Darlene, e do lado direito, Lavínia. Estão sentados próximos uns dos outros, mantendo em seus rostos expressões sorridentes e recatadas, mas também de pessoas que procuram transmitir harmonia e confiança.

— Senhor Gregory, foi anunciado em muitos meios de comunicação que o senhor está tentando fazer um acordo financeiro com Isadora Abranches, a ex-participante de um reality show, que o está acusando de abuso sexual.... O senhor confirma este boato sobre o acordo? — Ecila Resende prossegue interrogando-o. Ela é a repórter que insistiu muito, acampando com sua equipe jornalística na frente da casa do velho empresário, e que foi depois, surpreendentemente, convidada a entrar e fazer a sua reportagem, com a condição que não editasse nada que fosse propagar ao público, que fizesse uma exibição curta, ao vivo e fiel ao que fosse mencionado. Ecila assentiu com os termos, pôs microfones minúsculos acoplados às vestes dele, da esposa, da filha e dela mesma, sendo que o restante da equipe, óbvio, não precisaria. Agora, a reportagem ocorre normalmente e já está quase no fim, na etapa em que ela se mostra mais atrevida em suas perguntas.

— O que posso dizer sobre isso é que eu e meus advogados resolvemos que seria melhor utilizarmos os recursos disponíveis para não termos que chegar às últimas consequências, pois sabemos que um embate num tribunal é algo chato, estressante e, no nosso caso, é também desnecessário. — justifica, cauteloso.

— Hum... sei, então, o senhor confirma. — Ela expõe, dando um sorriso traquina e arguto.

— Veja bem, senhorita Resende, o que importa é que fique claro que eu não cometi abuso sexual algum, pois jamais faria uma atrocidade como esta... Eu sou inocente. — Sua voz altera-se um pouco para dar ênfase ao que diz.

— Compreendo... Mas o senhor acabou de insinuar que o caso não chegará aos tribunais. Isso significa que a acusação foi retirada? Sendo assim, o que acontece agora?

— O processo judicial continuará existindo devido aos trâmites normais da lei. — explica, abreviado e sereno.

Ecila ri de modo jocoso, porém, não ofensivo.

— Em outras palavras, o senhor não corre o risco de ser preso. — traduz o que ele falou para termos mais inteligíveis, fazendo-o rir um pouco também. Depois, ela volta a impor sua postura inquisidora. — Vou mudar de pergunta, mas não de foco, ok? O senhor é um empresário conceituado, experiente, e tem o seu nome associado a uma firma grandiosíssima, uma multinacional. A pergunta é: Como está, hoje, a sua relação com a Giant Solution?

— Eu diria que estamos nos reconciliando... — olha discretamente para Lavínia e para Darlene, numa alusão clara quanto à ambiguidade do que está falando. — O que é normal, pois eu tenho me dedicado de corpo e alma à Giant Solution, por muitos anos... Fazendo uma comparação, a minha filha tem vinte anos e eu estou na firma há vinte e dois, nossa relação é tão longa que só perde para o meu casamento.

— Já que tocou no assunto pessoal, eu gostaria de encerrar a nossa entrevista pedindo que as duas mulheres da sua vida também se pronunciem, pode ser? — Ela sugere, pondo seus olhos vivos sobre Darlene e Lavínia, que ficam enrubescidas e sorriem, porém, acenam positivamente.

Henry, que continua assistindo à reportagem, sente o sangue começar a ferver e subir por seu corpo, a fúria e o pasmo o dominam gradativamente.

— Que bom! Prometo que será rápido e não vai doer muito. — A repórter brinca e se dirige francamente para Darlene. — Com certeza não foi fácil para a senhora ver o seu marido envolvido numa questão séria e comprometedora... Em algum momento, pensou em se separar dele?

— Sim, pensei... Mas eu entendi que, se fizesse isso, estaria abrindo mão de algo mais precioso... — olha para Lavínia e sorri, com cumplicidade, fazendo a loira ficar com os olhos lacrimosos de emoção. — Eu não estaria levando em conta o que já construímos juntos e iria descartar a possibilidade de superarmos esta etapa difícil, de evoluirmos como casal e, principalmente, como família. Por isso, estou aqui, ao lado dele, porque este é o meu lugar.

O senhor Gregory sorri e se mostra bastante feliz por escutar o que sua mulher anuncia em rede nacional.

— E quanto a você, senhorita Lavínia? Creio que, sendo a herdeira e única filha, também recai sobre você muita pressão psicológica, não é mesmo? Então, tem algo que queira nos dizer quanto a essa questão do seu pai? — Ecila agora se volta para a loira, que fica muito nervosa, pois está envergonhada com a ideia de falar em público.

Ela abre a boca, mas as palavras não vêm e os olhos exibem claramente a sua tensão. No entanto, o senhor Gregory pega a sua mão, aperta-a com doçura e lhe sorri um sorriso bondoso, incentivador. A partir disto, Lavínia cria coragem e o nervosismo diminui.

— Tudo o que te-tenho a dizer é o que eu sinto... — sustenta a mão do pai junto à sua, olhando para ele e para Darlene. — Eu amo a minha mãe e o meu pai... eles são a minha família, são o que eu tenho de mais importante... E eu a-acredito mesmo que a fa-família é o bem maior que alguém pode ter... Assim, eu só po-posso repetir as palavras da minha mãe... Estou onde devo estar, do lado do meu pai.

O controle remoto cai das mãos de Henry e vai tombar no carpete sintético que reveste o piso. Enquanto observa o belo e emocionado rosto de Lavínia na tela cheia da televisão, experimenta um sentimento corrosivo, intragável: a frustração. “Deu tudo errado... Eu falhei! Como isso aconteceu?” Sua mente dá voltas e mais voltas, tentando descobrir onde errou, por que errou, mas esta ideia está fixa, bem clara e retumba como um tambor sonoro, agonizante. Atenta-se novamente à tela da TV e percebe que a reportagem está sendo finalizada, que a entrevistadora já agradece aos entrevistados e se despede. Porém, nada disso lhe interessa, pois o foco do seu olhar passa a ser unicamente a figura de Lavínia. “Você não vai me procurar nunca, Lavínia, porque é covarde demais pra assumir o que sente por mim, porque prefere estar com eles, com a sua falsa família perfeita e, por isso, eu te perdi... Eu te perdi! ”.

Por minutos, Henry fica completamente atordoado, perdido em pensamentos de consternação e ira, como um bicho acuado, que se vê sem opção, sem chance de fuga. Todavia, aos poucos, ele busca acalmar-se, respirando profundamente, fazendo o seu cérebro ir organizando-se para assimilar as informações todas e promover uma nova estratégia a seu favor. Ao passo que inspira e expira com força e seu largo tórax sobe e desce por meio do exercício de relaxamento, lembra-se de algo. Depressa, anda até uns gaveteiros, que se encontram abaixo do suporte da TV, e inicia uma procura quase desesperada, abrindo as gavetas, uma por uma, vasculhando entre os papéis e documentos diversos.

— Eu sei que está aqui... em algum lugar... Cadê você? — fala consigo mesmo, mas como se estivesse dialogando com outra pessoa.

Depois de uma busca minuciosa, encontra o que deseja, no segundo gaveteiro à direita, em sua antepenúltima gaveta. Agora com a fotografia velha e antiga em mãos, ele fica aliviado por não tê-la queimado também, o que fez com todas as que encontrou, no passado. Henry segura firmemente a foto de Abigail e isso lhe acarreta lembranças dolorosas de quando era somente um garoto de dez anos de idade. Recorda-se que, quando Frida lhe contou que ela havia cometido suicídio, como seu pai também fez, ele ficou como louco, absolutamente desiludido e enfurecido, pôs fogo às fotografias deles que achou, na ânsia absurda de aliviar a sua dor emocional, o sofrimento excruciante que o machucava mais e mais. É lógico que Frida o impediu de eliminar todas, mas conseguiu salvar poucas, que guardou a sete chaves, num local escondido dele. E, após anos, já adulto, ele descobriu o esconderijo, que era simplesmente dentro de um livro bíblico. E, ao invés de querer concluir o extermínio, fez algo inusitado, optou por roubar apenas uma imagem, a menor delas, e trazê-la para ficar em sua sala, onde permaneceu oculta até agora.

— Eu não quero e não vou perdê-la, Abigail, porque eu a amo demais... — fala para a foto. — Você não me ajudou quando estava viva, mas vai fazer isso agora.

Dito assim, ele coloca a fotografia dentro do bolso do blazer, fazendo-a unir-se à estreita e amassada carteira de cigarros e ao isqueiro de prata, e volta a ostentar o olhar insensível e audacioso de sempre.

[...]

Notas finais
Paula e Giovanne: http://imgur.com/EjwS17Y.jpg Lavínia: http://imgur.com/p3LlyUs.jpg Jocasta (Anna): http://imgur.com/95W3pK2.jpg Henry (Só pra não esquecer como ele é lindo e gostoso - imaginem-no vestido mais formalmente, okay, de terno e gravata): http://imgur.com/5eAxXUp.jpg Marcelo (negro delícia tudo de bom!!!!): http://imgur.com/6GMnikf.jpg Senhor Gregory: http://imgur.com/B2BYFA8.jpg Darlene: http://imgur.com/YVRKM5A.jpg Como podem ver, acima vão os links para poderem visualizar as propostas de imagens para os personagens citados. É claro que eu sei que existem leitores que preferem fazer suas próprias visualizações, mas não me custa mostrar a vocês como é que eu imagino a aparência física dos meus personagens e estas figuras aproximam-se bastante, embora não sejam completamente iguais. *** Quanto ao capítulo, é evidente que as coisas estão esquentando cada vez mais. Lavínia está odiando Henry e quer revidar o que ele lhe tem feito por meio de uma conduta firme, segura e repleta de indiferença, dando-lhe um gelo mesmo. Vamos ver se ela conseguirá obrar esta façanha. Hummm... Pois não é que a sua colega, Paula, a atendente baixinha e graciosa é uma garota bem atraente e já tem um pequeno romance-amizade com o bartender da casa noturna, o belo homem com cara de mau e coração de açúcar, Giovanne. Hahahaha... Gente! Henry estava iludido achando que a Vivi iria procurá-lo... nem que fosse para despejar sua raiva nele. Repitam comigo: Ô COITADO!!!! Hahahahahaha.... Pois ele descobre logo que nada disse irá acontecer, a loira está indo muito bem com a sua família, em plena fase de reajuste, reaproximação, harmonia, amor e tudo o mais que é preciso para que haja conforto e não precise sentir-se perdida, ao ponto de ir ter com ele, numa alusão a um descontrole emocional. Vocês perceberam que o funcionário-amigo de Henry, o Marcelo, é um negro maravilhosamente simpático, inteligente e dotado de uma fabulosa capacidade de lidar com o mau humor do seu "chefinho" ? Hahahahaahah... OMG!!! E esse final arrepiante, hein... O que vocês acham que Henry pretende fazer? Por que ele estava tão nervoso e querendo achar a fotografia de Abigail que ele mantinha guardada em sua sala de trabalho há anos? O que isso tem a ver com o seu medo de perder Lavínia? Bom, estas e mais outras questões serão respondidas a seu tempo, assim espero. Beijos para todos os que vieram até aqui e permanecem acompanhando esta minha super longa narrativa-romance. Até logo, queridos!!! Fiquem bem!!! Observação: A indicação de leitura para hoje é um Yuri escrito por uma amiga que fiz aqui no Nyah, a Pandora, e o nome da fic é "Malditas Mudanças". Abaixo segue o link. https://fanfiction.com.br/historia/248650/MalditasMudancas/