HIATUS | La Passion (Drarry)
4 Livraria.
Notas iniciais
Finalmente Harry poderia voltar a trabalhar. Claro que a animação não era apenas pelo trabalho em si, mas depois de 10 dias em casa de molho e sem ver a rua, o que ele mais queria, no momento, era interagir com outras pessoas. E nada melhor do que na livraria na qual ele trabalhava, onde sempre podia conversar com pessoas desconhecidas para indicar novos livros e saber de seus gostos literários.
Não que Harry tivesse ficado sozinho esse tempo todo que passou em casa. No dia seguinte após a visita de Gina, Neville o foi visitar, e levou um girassol de presente para tentar animar o amigo. Ron e Mione também apareceram por lá — várias vezes, na verdade — e foi, justamente, a cacheada que comprou um celular novo para Harry — o moreno quem pagou, a amiga só foi a intermediária na compra. Ele e Ron jogaram alguns partidas de xadrez, enquanto a amiga lia um de seus livros. Gina voltou lá mais duas vezes também, dessa vez com a Luna, e não perdeu a oportunidade para encher o saco de Harry falando sobre Draco.
— Aquele barman loirinho da boate, que tava cheio de sorrisos e olhares para o Harry, lembra, amor, que eu te mostrei no dia? E que o Harry ficou babando. — comentou Gina com Luna, em uma das vezes que estavam na casa de Potter, fazendo o moreno revirar os olhos e rir.
Porque, sim, Draco Malfoy ainda era um pensamento constante na cabeça de Harry. Sim, mesmo só o tendo visto uma vez e bla-bla-bla. E por mais que ele tivesse tentado evitar confessar isso para a ruiva, no fim, ele acabou assumindo. Então a vida amorosa de Potter, ou melhor, a "não-existência-da-vida-amorosa-de-Potter", como a Weasley gostava de chamar, era sempre o assunto principal das conversas deles.
De qualquer forma, o dia de sair da toca chegou, e hoje Harry estaria retornando para o trabalho. Acordou cedo, se banhou e deu uma ajeitada na casa. Quando já eram umas 10h, foi para a livraria, pegaria hoje o turno pós-almoço. Recebeu abraços e beijos dos amigos de trabalho pelo seu retorno, pois ele era um funcionário muito querido. E o dia correu normal.
Normal até uma cabeleira loira, que Harry tinha certeza que conhecia de algum lugar, surgir entre as estantes de livros da sessão de mistério.
— Boa tarde, senhor, posso ajudar em alguma coisa? — gentilmente falou Potter, se dirigindo para o cliente em questão, que estava de costas para ele, folheando um livro.
— Oi, sim, eu tô procurando um livro que é.. — o loiro se virou, em direção ao gentil funcionário que havia oferecido ajuda. Foi quando o tempo congelou. E os olhos azuis se encontraram com o verde novamente, e os dois se perderam ali.
— Você! — Potter exclamou, um pouco mais alto do que o necessário, surpreso e feliz por ter reencontrado o barman — Não acredito que nos reencontramos de novo!
Malfoy abriu um sorriso pela felicidade em que o outro demonstrou em encontrar com ele, mas em seguida fechou a cara, ao lembrar que havia sido ignorado pelo mesmo dias atrás quando mandou a mensagem. — Desculpa... Não lembro de você.. — Draco falou, se arrependendo logo em seguida ao ver que o sorriso do moreno a sua frente murchou e ele ficou mais vermelho que um pimentão. "Droga", pensou Draco, "porque eu falei isso." A verdade é que ele sabia o porquê: o ego dele estava ferido, nunca havia sido ignorado, ainda mais por alguém que ele havia se interessado tão intensamente.
— Ah... — Harry soltou frustrado, enquanto levava a mão a nuca e a coçava, sem saber o que fazer. Pensou, rapidamente, se fingia que tinha cometido um engano, ou se tentava mais uma vez. Resolveu tentar. — Sou o Harry, nos conhecemos um tempo atrás.. Na La Passion, você era o barman..— sorriu tímido em expectativa que o outro se lembrasse dele.
— Ah, sim, o aniversariante, certo? — observou o loiro, como se tivesse acabado de lembrar do de óculos. Viu o moreno balançar a cabeça, em sinal de concordância.
Nenhum dos dois falou mais nada. Até que Harry lembrou que, apesar de tudo, estava em horário de serviço. — Então, como eu posso ajudar? Você disse que tava procurando um livro..
— Isso.. É um livro da Agatha Christie, se passa em um trem, se não me engano. — mencionou Malfoy, tentando lembrar do nome do livro.
O funcionário ficou olhando os livros na estante, até que achou o que procurava. Puxou o livro, e estendeu em direção ao cliente — Assassinato no Expresso Oriente? — cogitou Harry.
— É! Esse mesmo. Nossa, você é bom! — elogiou Draco, pela rapidez de ter encontrado o livro.
— E você é ótimo.. — soltou Harry, perdido admirando os traços bonitos do loiro. Demorou menos que um segundo para perceber o que havia falado, e gaguejou. — Qu-quero dizer.. — tentou consertar, mas não conseguiu pensar em nada. Então pegou o livro da mão do loiro, e falou apressadamente que iria levar para o caixa para que o outro pudesse pagar. Draco concordou com a cabeça, sem conseguir disfarçar uma risada pela situação que tinha acabado de acontecer e seguiu Harry até o caixa.
Malfoy pagou o livro e agradeceu, novamente, a Harry. Os dois ficaram parados se olhando, um de frente para o outro, sem saber o que dizer. Se alguém chegasse com uma faca ali agora, poderia cortar o clima, de tão denso que ele se encontrava. Enquanto o moreno estava surtando por dentro, querendo chamar o loiro para sair, mas cheio de vergonha e tendo a certeza que o outro não queria nada com ele, até porque nem mesmo se lembrar dele de inicio ele havia se lembrado. O loiro estava em uma guerra interna entre o seu ego ferido e a vontade de conhecer melhor o de óculos. Acabou que não deu tempo para nenhum dos dois falarem nada, pois Cedrico, outro funcionário da livraria, se aproximou de Harry, e pegando em seu braço, disse que precisava de ajuda no estoque. Então Potter deu um sorriso tímido para Draco, e seguiu Cedrico para os fundos da livraria.
O barman suspirou pesadamente, levou a mão a cabeça, ajeitando seus fios loiros — que já estavam ajustados impecavelmente — e pensou "É, não era pra ser.." pois acreditem ou não, Malfoy era do tipo de pessoa que acreditava em coisas do destino. E tudo indicava, na cabeça dele, que o destino não queria ele e Harry juntos, afinal: o menino foi embora sem falar nada, depois não respondeu a mensagem e agora nem sequer cogitou em chamá-lo para sair. Foi tentando abstrair esse pensamento, que o loiro resolveu parar em uma cafeteria que tinha ali, quase do lado da livraria, para tomar um capuccino.
Estava sentado em um sofá da cafeteria, aguardando chamarem seu nome para pegar o café, mexendo em seu celular, quando sentiu o local ao seu lado afundar e alguém sentar.
— Não acredito que você é o barman da La Passion! — falou uma voz feminina, esperançosa
O menino tirou os olhos do celular, achando que poderia ser mais uma das clientes doidas que dão em cima dele, mas se surpreendeu ao dar de cara com a ruiva, dirigindo um sorriso enorme em direção a ele. — E se você tá aqui, do lado do trabalho do Harry, quer dizer que vocês, finalmente, se encontraram! — falou a garota animada, jogando os braços para o alto e soltando um "Não acredito!".
— Você é a amiga do Potter, certo? — perguntou Draco, tentando disfarçar o incômodo que aquela exaltação toda em público, com uma menina, tecnicamente, desconhecida o estava dando.
— Sim, Gina Weasley, uma das melhores amigas de Harry! — a menina piscou, sorrindo. Antes de Draco conseguir falar qualquer coisa, ela continuou — Eu sabia que o destino ia dar um jeito de unir vocês, mesmo com a correria que foi o Harry ter ido embora por causa da queda na escada. Eu falei com o Har...
— Queda na escada? Que queda? — o loiro cortou a menina, preocupado.
— Ué, ele não chegou a te contar? Aquele dia que fomos na La Passion, o Harry estava descendo para falar com uns amigos, e acabou pisando em falso no último degrau. Ele é um desembestado mesmo! — riu Gina — Acabou que o tornozelo dele inchou na hora, então a Hermione, minha cunhadinha maravilhosa, arrastou o Harry correndo para emergência. E ai ele..
A menina continuava a falar, mas Draco já não prestava mais atenção direito. Só conseguia pensar que, então, esse foi o motivo do menino ter ido embora sem falar nada, sem procurar por ele. Se sentiu um pouco culpado por o ter julgado sem saber. Porém, ainda assim, tinha a questão da mensagem, a qual o de óculos nunca havia respondido, mesmo Malfoy o tendo visto online.
— E ai teve a questão do celul.. — a ruiva seguia tagarelando, quando Draco virou para dar atenção a ela, porém, a atendente gritou o nome do loiro, informando que o capuccino dele estava pronto. Ele pediu licença, e levantou para pegar. Estava pensando, seriamente, em disfarçar e sair dali, pois aquela menina era efusiva demais pro gosto dele, mas quando se virou em direção a porta, trombou com uma loira de cabelos longos ondulados, que usava um arco de flores.
— Me desculpe! — disse a loira — Oh, você não é o barman da La Passion? — perguntou a menina. Draco quis rir, porque não era possível que todos os clientes daquela boate resolveram estar naquela cafeteria na mesma hora e no mesmo dia. Mas antes que pudesse falar, a menina completou. — Sou Luna, amiga do Harry — contou a menina, sorrindo tanto, que chegou a fechar os olhos.
Foi o tempo de Gina pegar o café dela no balcão, e se juntar aos dois. — E minha namorada maravilhosa! — Com a mão livre, a ruiva passou o braço pelo ombro da loira e a abraçou. — Viu, amor, eu falei que não era a toa o Harry estar falando do barman a semana inteira. Ele é bonitão! — declarou a ruiva para a namorada, como se Draco não estivesse ali ouvindo, fazendo com que ele ficasse vermelho. - Ele e Harry se encontraram!
Draco abriu a boca para explicar que eles haviam, sim, se encontrado, mas que não era daquela maneira que a menina estava idealizando. Mas, pelo visto, tem que ter muito jogo de cintura para conseguir falar com aquelas duas, porque Malfoy mal conseguiu abrir a boca e Luna falou por cima.
— Ah!! Que ótimo! Harry acabou de me mandar mensagem falando que já está vindo encontrar com a gente, o turno dele já acabou e vamos sair para comemorar que ele, finalmente, saiu do cárcere privado por causa do tornozelo. — falou a loira, enquanto pegava o copo de café da mão da ruiva, e tomava um gole, ficando com a boca suja de chantilly. Gina riu de como a namorada era fofa, limpou a boca dela e deixou um selinho em seus lábios. Quando estava se virando para falar com Draco e convidar que ele fosse junto com eles, viu Harry se aproximando da cafeteria.
— Ah, veja, Harry já tá vindo.. — falou a ruiva, o que fez Draco congelar. Ele não queria encontrar com o menino. Quer dizer, claro que ele queria, mas, oh Deus, sei lá, Draco estava confuso.
— Oi.. — falou o moreno, se aproximando, já sem o uniforme da livraria, e encarando Malfoy timidamente. — Espero que elas não tenham te assustado. — dando um sorriso tímido, enquanto passava a mão direita no ante-braço esquerdo, tentando disfarçar o nervosismo. Malfoy ficou olhando as ações do garoto, vendo o quanto o menino a sua frente parecia envergonhado, e pensou que nem parecia o mesmo homem que estava na balada, tomando um shot de tequila enquanto o comia com os olhos. E foi pensando no quanto o moreno era lindo de todos os jeitos, envergonhado ou atirado, que Draco resolveu deixar o seu ego ferido de lado, e dar uma oportunidade ao reencontro dos dois.
— Não me assustaram, não. — sorriu para Harry. — Elas estavam me contando da sua queda lá na boate..
— Que ótimo, elas não perdem a chance de me constranger. — Potter ficou vermelho.
— Prefiro saber que você caiu, do que fugiu... — disse Draco, sem pensar, o que fez Harry levantar uma sobrancelha, sem entender. — Q-quero dizer, claro que não prefiro saber que você se machucou.. Só estou querendo dizer que.. Bem, só achei que você.. — agora foi a vez de Malfoy ficar sem graça, mas foi salvo pela ruiva, que falou:
— Meninos, desculpa atrapalhar a cena entre vocês dois, mas já tá todo mundo no bar esperando a gente, vamos? — e se virando para Draco, Gina perguntou — Você vem com a gente também, certo? — levantando as sobrancelhas, como se fosse uma criança na expectativa de ganhar um sorvete.
O loiro olhou para a ruiva, e olhou para Harry, que também tinha uma feição de expectativa. — Bem, por que não ir para um bar em plena segunda-feira a noite com um monte de desconhecido. — riu — Eu topo! — ao dizer isso, Draco viu o sorriso de Harry alargar, o que fez o loiro sentir borboletas em seu estômago e pensar "É, talvez o destino esteja a nosso favor".
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