[HIATUS] Caindo do céu
6 Um ano depois - Jack
Notas iniciais
Sabe aquela vontade de levar a apostila para todo lugar e de ficar estudando horas sem parar? Então, eu nunca tive. Já a vontade de jogar a merda da apostila no lixo eu tenho, é exatamente a minha vontade agora.
Muita coisa mudou na minha vida desde que encontrei Mérida a beira da morte e a resgatei bravamente (eu não estou contando como realmente aconteceu, mas assim fica mais legal). Primeiramente, a morte do meu PC durante a discussão com a Anna. Depois teve o fato de ela vir morar comigo e com o velho e hoje faz exatamente um ano desse acontecimento histórico que só serviu para me fazer passar raiva. Esse ano foi muito puxado para mim, pois além do estresse natural de todo aluno de terceiro ano do ensino médio, eu ainda tive o estresse de ser pai, comecei a namorar uma gata de cabelo verde e terminei com ela porque não consegui explicar o que Mérida estava fazendo de camisetão e calcinha na minha cama... E até hoje eu não sei! Tudo o que eu sei é que eu perdi uma gata de cabelo verde, ela era uma gata de cabelo verde, caramba! Você não entende o que é isso?
Acho que o céu confundiu “diversão” com “castigo”, eu vou comprar um dicionário de presente de natal para ele.
Ah, deve estar se perguntando se eu passei no vestibular, não é? Cara, você não viu o discurso de ódio que eu fiz sobre as apostilas lá no primeiro parágrafo? Já sei quem é o próximo a não passar: o céu, com certeza é o céu.
Enfim, já que eu não serei um mochileiro das galáxias, eu me decidi pela faculdade turismo, pois é o curso que chega mais perto do que eu realmente quero (mesmo que ainda esteja beeeeeeeem longe). Atualmente eu estou fazendo um cursinho, como não tem provas ou recuperação, acabei concluindo que é melhor, ou, na verdade, menos pior que a escola.
Agora chega de falar de mim, vamos cuidar um pouco da vida dos outros.
Meu avô fica mais velho a cada dia, mas reclama menos também e estou adorando isso. Continue assim! Evolua, meu velho Pokémon!
Mérida já se acostumou com a vida no planeta e está agindo como uma verdadeira terráquea, eu nem tenho mais vergonha de sair com ela. A ruiva também arrumou um emprego, acredite se quiser, de modelo.
Tudo começou quando o velho foi fazer algumas fotos para uma campanha da marca de brinquedos e Mérida acabou indo junto porque ele disse que teria comida (eu também gostaria de ter ido para comer, mas estava estudando). Chegando lá, os publicitários a viram e acharam que estilo dela era perfeito para um comercial de remédio para cólica e a convidaram. Ela ficou com raiva e recusou, eles insistiram e ela explodiu, o que eles a adorarem mais. Agora Mérida é a garota propaganda de remédio para cólica e tudo o que ela faz nos comerciais é brigar, mostrando claramente uma TPM. Foi uma boa sacada dos publicitários, parabéns.
Acho que isso é tudo. Tenho que deixar o passado para trás e me concentrar em minha batalha contra minha antiga inimiga.
— Eu também não queria estar aqui, ok? Você não precisa me torturar assim. – argumentei olhando fixamente para a apostila, a inimiga.
Ela ficou em silêncio.
— Então vai ser assim, é?
Silêncio novamente. Ela está querendo me provocar? Uou, essa eu não posso deixar passar em branco, tenho que mostrar que sou superior a essa lista telefônica da didática.
— Você tem tanto medo de mim que nem fala. – joguei a verdade na cara dela
Manteve-se calada e quem cala consente.
— Isso aí, você pode continuar quietinha que é melhor pra você, se não eu vou ser obrigado a te humilhar.
— Jack! Pare de falar com a apostila e vai estudar! – o velho gritou ao passar pelo meu quarto e ver a cena
Na próxima em que eu resolver enfrentar meus inimigos, eu farei isso de porta fechada. Ah, se eu vou!
— Qual é, vô? Você veio aqui pra controlar meus estudos?
— Vim para avisar o jantar está pronto, mas eu posso deixar a Mérida comer tudo sozinha...
— Parou aí, velho! Desde quando você entrou para o lado zoeiro da força?
— Está com medo de perder seu posto para o seu avô?
— Eu nunca vou perder meu posto de zoeiro. Que pedra você anda ouvindo?
— A pedra filosofal. Ela me falou que eu ainda vou ser mais zoeiro que você.
O que aprendemos hoje, crianças? Que não devemos fazer nossos avôs assistirem à suas sagas preferidas porque dá em merda.
— Vai sonhando, velho...
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— Sobrou alguma coisa? – Mérida perguntou, referindo-se à comida
Essa aí come por oitenta pedreiros e não engorda um grama se quer, ela nasceu para ser modelo mesmo. Parando para pensar, Mérida é bem gata. Ela tem um bom corpo, pra ser sincero, um ótimo corpo, a pele dela é bem lisa e sem cravos ou espinhas e rosto dela até que é bem bonito. Se ela não fosse tão “desse jeito aí” eu já teria pegado, mas eu tenho preferência pelas de cabelo verde. Vai Jack, porra, supera essa! Você é um homem ou um torresmo à pururuca?
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Após o jantar, Mérida veio ao meu quarto para falar comigo. Tá certo isso, produção?
— Então tá, pode falar. – talvez eu tenha hesitado um pouco, mas concordei
— Eu não quero que o Senhor North escute. – ela fechou a porta
É normal eu começar a pensar em coisas pervertidas quando uma garota entra no seu quarto e fecha a porta para não sermos ouvidos?
— Eu não gosto de pedir ajuda, mas é que eu não vou conseguir fazer isso sozinha.
E as coisas obscenas rodavam cada vez pela minha cabeça, eu estou muito lascado.
— Ok, pode falar. Seja no que for eu te ajudo. – dei ombros e deixei que ela falasse
— Eu quero sair da Terra.
Isso pode ser um problema.
— Sabe que vai ser presa se sair da Terra, né?
— Na verdade, eu meio que estou presa na Terra.
— Sua pena não era de um ano e meio?
— Eu sei. – ela se jogou na minha cama, pense numa pessoa folgada (e eme outra pervertida, no caso, eu) – Mas eu não aguento mais ficar aqui, eu preciso sair do planeta.
— Eu nunca coloquei o pé em outro planeta e não morri por isso. Se quiser cometer suicídio é só se jogar.
— Mas eu posso dar um jeito nisso. – ela insistiu – Jack, eu estou planejando fugir da Terra. Eu já tenho tudo pronto, mas preciso da sua ajuda para executar meu plano infalível.
Ajudar uma louca em seu plano infalível, que tem tudo para dar errado, de sair do planeta: sim ou claro?
— O que nós temos que fazer?- Precisamos construir uma nave.Arqueei a sobrancelha, desconfiado do plano "infalível".- E você sabe construir naves?- Aprendi um pouco em Dunbroch, vai ter que servir.- Então tá, se for para me livrar de você, eu topo.- Eu é que não aguento mais olhar pra tua cara.Ri. De algum jeito, nós até somos parecidos.
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